domingo, 14 de abril de 2024

Francisco: chega de guerra, chega de ataques, chega de violência

 

No final do Regina Caeli, Francisco expressa tristeza e preocupação com os ataques do Irão a Israel e pede que parem com qualquer ação que possa levar o Médio Oriente a um conflito bélico maior. O pontífice voltou a propor a solução de dois Estados: "Todas as nações devem tomar o partido da paz e ajudarem os israelitas e palestinos a viverem em dois Estados, em segurança. Este é o desejo e o direito deles".
 

Vatican News

A voz do Papa ressoa no meio da tensão internacional por causa da escalada do conflito no Médio Oriente, após o ataque de Teerão a Israel na noite passada com centenas de drones e mísseis. Francisco, da janela do Palácio Apostólico, no final do Regina Caeli, relança um apelo sincero pela paz e pela "negociação, com determinação".

“Chega de guerra, chega de ataques, chega de violência! Sim ao diálogo e à paz.”

Não a um conflito bélico ainda maior

Diante dos milhares de fiéis na Praça de São Pedro, após a oração mariana, o Papa expressou a sua "preocupação" e "tristeza" pessoal pelas notícias que chegaram nas últimas horas sobre o "agravamento" da situação em Israel, "devido à intervenção do Irão". Seguidamente, dirigindo-se aos responsáveis por essa situação, pediu:

"Faço um premente apelo para que cesse qualquer ação que possa alimentar uma espiral de violência, com o risco de levar o Médio Orient a um conflito bélico ainda maior."

Dois Estados, lado a lado, em segurança

Em seguida, Francisco renovou o seu apelo por uma solução de "dois Estados" para Israel e Palestina, que a Santa Sé apoiou sempre. "Ninguém deve ameaçar a existência de outros, todas as nações devem tomar o partido da paz e ajudar os israelitas e palestinos a viverem em dois Estados, lado a lado, em segurança", e completou: "Este é o desejo profundo e legítimo deles, e é um direito que lhes assiste. Dois Estados vizinhos".

Cessar fogo em Gaza

Ao voltar o seu olhar para a Faixa de Gaza, onde o Ministério da Saúde, liderado pelo Hamas, anunciou recentemente um novo número de mortos de mais de 33.700 desde 7 de outubro, o Pontífice reforçou seu apelo:

"É preciso chegar rapidamente a um cessar-fogo em Gaza, os caminhos da negociação devem ser seguidos. Uma negociação com determinação, para ajudar essa população imersa numa catástrofe humanitária."

Liberdade para os reféns israelitas

Francisco, como tem feito desde o início do conflito, renova o seu pedido de libertação "imediata" dos reféns israelitas sequestrados há seis meses nas mãos do Hamas.

Por fim, o Papa fez um apelo a todos os fiéis, pedindo-lhes que nunca deixem de suplicar a Deus: "Quanto sofrimento! Rezemos pela paz".

Vatican News

Papa no Regina Caeli: compartilhemos a mais bela notícia, o encontro com Jesus

 

 
Durante a oração mariana deste III Domingo de Páscoa, Francisco refletiu sobre a importância de compartilhar a fé. O Pontífice enfatizou que "se fizermos isso, Jesus, assim como fez com os discípulos, surpreender-nos-á e tornará ainda mais bonitos os nossos encontros e os nossos ambientes".
 

Thulio Fonseca – Vatican News

O Papa rezou, neste domingo, 14 de abril, com milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, na oração mariana do Regina Caeli. Na sua alocução, o Santo Padre sublinhou que neste III Domingo de Páscoa, o Evangelho narra o episódio em que os apóstolos estão reunidos no cenáculo, quando os dois discípulos voltam de Emaús e contam o seu encontro com Jesus.

Francisco, ao refletir sobre a importância de compartilhar a fé, recordou que no episódio bíblico, enquanto os discípulos expressam a alegria da sua experiência, o Ressuscitado aparece para toda a comunidade: "Jesus chega exatamente quando eles estão a compartilhar a história do seu encontro com Ele".

Compartilhar boas notícias

"Todos os dias somos bombardeados por milhares de mensagens", enfatizou o Pontífice, "muitas são superficiais e inúteis ou, pior ainda, nascem de mexericos e malícia, são notícias que fazem mal". No entanto, também existem notícias boas, positivas e construtivas, completou o Papa, e todos nós sabemos o quanto é reconfortante ouvi-las. Entretanto, há algo sobre o qual enfrentamos dificuldade em falar: "do facto o mais bonito que temos para contar: o nosso encontro com Jesus":

"Cada um de nós poderia dizer muito a respeito: não para ensinar aos outros, mas para compartilhar os momentos únicos em que percebemos o Senhor vivo e próximo, que concendeu aos nossos corações a alegria ou enxugou as lágrimas, que transmitiu confiança e consolo, força e entusiasmo, ou perdão, ternura. Estes encontros que cada um de nós teve com Jesus, devemos compartilhá-los e transmiti-los."

Jesus presente nos nossos encontros e ambientes

Francisco ressaltou a importância de dividir com a família, na comunidade e com os amigos os momentos de encontro com o Senhor:

"É bom falar das boas inspirações que nos orientaram na vida, dos pensamentos e sentimentos bons que nos ajudam muito a seguir em frente, também dos esforços e dificuldades que enfrentamos para entender e progredir na vivência da fé, talvez até para nos arrependermos e voltarmos atrás. Se fizermos isto, Jesus, assim como fez com os discípulos de Emaús na noite de Páscoa, surpreender-nos-á e tornará ainda mais bonitos os nossos encontros e os nossos ambientes."

Dividir experiências de fé

Por fim, o Santo Padre convidou os fiéis a relembrarem um momento marcante na sua vida de fé, um encontro decisivo com Jesus, e completou a reflexão com algumas perguntas: "Quando foi que eu encontrei o Senhor? Quando foi que o Senhor se aproximou de mim? E nesse encontro, eu compartilhei-o para dar glória ao Senhor? E também, eu escuto os outros quando falam sobre o seu encontro com Jesus?"

"Que Nossa Senhora nos ajude a compartilhar a fé para tornar as nossas comunidades cada vez mais lugares de encontro com o Senhor", concluiu o Papa.
 
Vatican News

quarta-feira, 10 de abril de 2024

Apelos do Papa pela Ucrânia, Terra Santa, Mianmar e proximidade ao Cazaquistão

 

Palestinianos passam por prédios destruídos em Khan Yunis, depois de Israel retirar as suas forças terrestres do sul da Faixa de Gaza (AFP)

Na audiência geral desta quarta-feira (10), na Praça de São Pedro, um enésimo apelo de Francisco a favor da paz na Ucrânia, Palestina, Israel, Mianmar e em todas as partes do mundo onde se vive o flagelo da guerra. Proximidade espiritual também ao Cazaquistão, que sofre estes dias com inundações que afetaram várias regiões do país asiático
 

Raimundo de Lima – Vatican News

Nas saudações do Pontífice na audiência geral desta quarta-feira, 10 de abril, realizada na Praça de São Pedro, mais uma vez o pensamento do Santo Padre voltou-se para onde se vive o flagelo da guerra, derrota da humanidade. A guerra está em toda a parte, disse Francisco. Em suas palavras, uma menção particular à Ucrânia, Palestina, Israel e Mianmar.

Meus pensamentos vão para a atormentada Ucrânia, Palestina e Israel. Que o Senhor nos dê paz. A guerra está em toda parte! Não nos esqueçamos de Mianmar. Peçamos ao Senhor pela paz e não nos esqueçamos desses nossos irmãos e irmãs que sofrem tanto nesses locais de guerra. Oremos juntos e sempre pela paz.

Proximidade espiritual ao Cazaquistão

Na saudação aos de língua inglesa, o Papa manifestou a sua proximidade espiritual ao povo do Cazaquistão, que sofre estes dias com inundações que afetaram várias regiões do país da Ásia Central, ressaltando, neste tempo pascal, que mesmo em tempos de dificuldade, devemo-nos lembrar da alegria do Cristo ressuscitado.

Ademais, desejo transmitir ao povo do Cazaquistão a minha proximidade espiritual neste momento em que grandes inundações atingiram muitas regiões do país e causaram a evacuação de milhares de pessoas das suas casas.  Convido todos a orar por todos aqueles que estão a sofrer os efeitos desse desastre natural.  Mesmo em tempos de dificuldade, lembremo-nos da alegria do Cristo ressuscitado.

Vatican News

domingo, 7 de abril de 2024

Papa: a felicidade está no encontro vivo com Jesus, não no prazer e no poder

 
 
Comentando o Evangelho deste II Domingo de Páscoa, Francisco recorda que seguindo os caminhos do prazer e do poder não se encontra a felicidade. Não é assim que se “tem a vida”, porque seguindo os caminhos do prazer e do poder não se encontra a felicidade. É preciso, ao contrário, fixar o olhar em Jesus crucificado e ressuscitado, encontrá-Lo nos Sacramentos e na oração, reconhecê-Lo presente, acreditar Nele.

 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Neste Domingo da Divina Misericórdia, o Papa rezou com os fiéis na Praça São Pedro a oração do Regina Caeli e comentou o  Evangelho proposto pela liturgia (cfr Jo 20,19-31), em que Jesus ressuscitado aparece aos discípulos. Francisco deteve-se no último versículo que diz que crendo em Jesus, podemos ter a vida no seu nome.

Existem várias maneiras de ter a vida, afirmou o Papa. Há quem reduza a existência a uma corrida frenética para gozar e possuir tantas coisas: comer e beber, divertir-se, acumular dinheiro e posses. É um caminho que, à primeira vista, parece prazeroso, mas não sacia o coração. Mas não é assim que se “tem a vida”, porque seguindo os caminhos do prazer e do poder não se encontra a felicidade. Com efeito, permanecem sem resposta muitos aspetos da existência, como, por exemplo, o amor, as experiências inevitáveis da dor, do limite e da morte.

Como vai a minha esperança?

O Pontífice convidou a observar como agem os discípulos no Evangelho. Depois dos dias da paixão, estão fechados no Cenáculo, assustados e desencorajados. O Ressuscitado vai ao encontro deles e como primeiro gesto mostra as suas chagas: os sinais do sofrimento e da dor tornam-se com Jesus os canais da misericórdia e do perdão. Assim, os discípulos compreendem que, com Jesus, a vida vence e a morte e pecado foram derrotados. E recebem o dom do seu Espírito, que dá a eles uma vida nova, de filhos amados, repleta de alegria, amor e esperança.

“Eu vos pergunto: Têm esperança? Cada um pergunte a si mesmo: Como vai a minha esperança?”

Eis então como fazer todos os dias para “ter a vida”: basta fixar o olhar em Jesus crucificado e ressuscitado, encontrá-Lo nos Sacramentos e na oração, reconhecê-Lo presente, acreditar Nele, deixarmo-nos tocar pela sua graça e guiar pelo seu exemplo, experimentar a alegria de amar como Ele. 

“Todo o encontro com Jesus, um encontro vivo com Jesus, permite-nos ter mais vida. Procurar Jesus, deixarmo-nos encontrar, porque Ele procura-nos, abrir o coração ao encontro com Jesus.”

Por fim, os questionamentos propostos por Francisco: "Eu acredito na potência da ressurreição de Jesus, acredito que Jesus ressuscitou? Acredito na sua vitória sobre o pecado, sobre o medo e sobre a morte?".

"Que Maria nos ajude a ter uma fé sempre maior em Jesus ressuscitado para 'ter a vida' e difundir a alegria da Páscoa", concluiu Francisco.

Vatican News

domingo, 31 de março de 2024

Papa na Urbi et Orbi: a paz nunca é construída com armas, mas estendendo as nossas mãos

 

 
"Jesus de Nazaré, o crucificado, ressuscitou!" Com estas palavras o Papa Francisco abriu a sua mensagem e concedeu aos fiéis a Bênção Urbi et Orbi da sacada central da Basílica de São Pedro, neste Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor. Recordou os povos martirizados por conflitos e violência e pediu a paz para o mundo.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Queridos irmãos e irmãs, Feliz Páscoa! Hoje ressoa em todo o mundo o anúncio que partiu de Jerusalém há dois mil anos: "Jesus de Nazaré, o crucificado, ressuscitou!"

Assim, o Papa Francisco saudou os milhares de fiéis presentes, na Praça de São Pedro, tapeçada de flores e plantas coloridas, e também todas as pessoas no mundo, através dos meios de comunicação, que acompanharam a missa neste Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor (31/03), ouviram sua mensagem pascal e receberam a Benção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo inteiro).

 

Remover as pedras que fecham as esperanças

“A Igreja revive o espanto das mulheres que foram ao sepulcro na madrugada do primeiro dia da semana. O túmulo de Jesus tinha sido fechado com uma grande pedra; e assim, ainda hoje, pedras pesadas, demasiadamente pesadas, fecham as esperanças da humanidade: a pedra da guerra, a pedra das crises humanitárias, a pedra das violações dos direitos humanos, a pedra do tráfico de pessoas e outras.”

"O túmulo de Jesus está aberto e vazio! É aqui que tudo começa. Através desse túmulo vazio passa o novo caminho, o caminho que nenhum de nós, mas somente Deus, poderia abrir: o caminho da vida como meio para à morte, o caminho da paz como meio para a guerra, o caminho da reconciliação como meio para o ódio, o caminho da fraternidade como meio para a inimizade", disse o Papa na sua mensagem.

Irmãos e irmãs, Jesus Cristo ressuscitou, e somente Ele é capaz de remover as pedras que fecham o caminho para a vida. De facto, Ele mesmo, o Vivente, é o Caminho: o Caminho da vida, da paz, da reconciliação, da fraternidade. Ele abre-nos a passagem, algo humanamente impossível, porque somente Ele tira o pecado do mundo e perdoa os nossos pecados. E sem o perdão de Deus, essa pedra não pode ser removida.

"Sem o perdão dos pecados", disse ainda Francisco, "não se consegue sair dos fechamentos, dos preconceitos, das suspeitas mútuas e das presunções, que levam sempre a absolver a ti mesmo e a acusar os outros. Somente o Cristo Ressuscitado, ao dar-nos o perdão dos pecados, abre o caminho para um mundo renovado".

Paz para as populações atormentadas pela guerra

"Somente ele nos abre as portas da vida, aquelas portas que fechamos continuamente com as guerras que se alastram pelo mundo", disse o Papa, convidanda-nos a voltar o "nosso olhar, em primeiro lugar, para a Cidade Santa de Jerusalém, testemunha do mistério da paixão, morte e ressurreição de Jesus, e para todas as comunidades cristãs da Terra Santa".

O meu pensamento  dirige-se, sobretudo, às vítimas dos muitos conflitos em andamento no mundo, começando pelos que ocorrem em Israel, na Palestina e na Ucrânia. Que o Cristo Ressuscitado abra um caminho de paz para as populações atormentadas dessas regiões. Ao mesmo tempo que convido a que sejam respeitados os princípios do direito internacional, espero que haja uma troca geral de todos os prisioneiros entre a Rússia e a Ucrânia: todos por todos!

“Além disto, faço novamente um apelo para que seja garantido o acesso da ajuda humanitária a Gaza e insisto, uma vez mais, na pronta libertação dos reféns sequestrados em 7 de outubro e em um cessar-fogo imediato na Faixa de Gaza.”

Diálogo entre os povos

"Não permitamos que as hostilidades em andamento continuem a afetar seriamente a população civil, já exausta, especialmente as crianças. Não permitamos que ventos de guerra cada vez mais fortes soprem sobre a Europa e o Mediterrâneo. Não nos rendamos à lógica das armas e do rearmamento. A paz nunca é construída com armas, mas estendendo as nossas mãos e abrindo os nossos corações", sublinhou o Pontífice.

A seguir, o Papa convidou a não nos esquecermos da "Síria, que vem sofrendo as consequências de uma guerra longa e devastadora há quatorze anos. Tantos mortos, pessoas desaparecidas, tanta pobreza e destruição estão à espera de respostas de todos, inclusive da Comunidade internacional".

Voltou o seu olhar para "o Líbano, que há muito tempo vem sendo afetado por um bloqueio institucional e por uma profunda crise económica e social, agora agravada pelas hostilidades na fronteira com Israel", "para a região dos Balcãs Ocidentais, onde estão a ser dados passos significativos para a integração no projeto europeu", encorajou" ao diálogo entre a Arménia e o Azerbaijão, para que, com o apoio da Comunidade internacional, se possa continuar o diálogo, ajudar os deslocados, respeitar os locais de culto das diferentes denominações religiosas e chegar a um acordo de paz definitivo o mais rápido possível".

Haiti e Continente africano

Francisco espera que "o Cristo Ressuscitado abra um caminho de esperança às pessoas que,  noutras partes do mundo, sofrem com a violência, os conflitos, a insegurança alimentar e os efeitos das mudanças climáticas". Que Ele "conceda conforto às vítimas de todas as formas de terrorismo". O Pontífice convidou "a rezar pelos que perderam as suas vidas" e implorou "arrependimento e conversão para os autores de tais crimes". O Papa pediu ao Senhor Ressuscitado para que "ajude o povo haitiano, a fim de que a violência, que derrama sangue e dilacera o País, possa cessar o mais rápido possível e que se possa progredir no caminho da democracia e da fraternidade", "dê conforto aos Rohingyas, afligidos por uma grave crise humanitária, e abra o caminho da reconciliação em Mianmar, dilacerado por anos de conflito interno, a fim de que toda lógica de violência seja definitivamente abandonada".

“Que Ele abra caminhos de paz no continente africano, especialmente para as populações provadas no Sudão e em toda a região do Sahel, no Chifre da África, na região de Kivu, na República Democrática do Congo, e na província de Cabo Delgado, em Moçambique, e ponha fim à prolongada situação de seca que afeta vastas áreas e causa fome e carestia.”

Na sua mensagem Urbi et Orbi, o Papa recordou também "os migrantes e aqueles que estão a passar por dificuldades económicas". Pediu ao Senhor para que "guie todas as pessoas de boa vontade a unirem-se em solidariedade, para enfrentarem juntas os muitos desafios que as famílias mais pobres enfrentam na sua busca por uma vida melhor e pela felicidade".

Que a luz da ressurreição converta os nossos corações

Neste dia em que celebramos a vida que nos foi dada na ressurreição de Cristo, Francisco recordou que "a preciosa dádiva da vida é desprezada! Quantas crianças não conseguem sequer ver a luz? Quantas morrem de fome, ou são privadas de cuidados essenciais, ou são vítimas de abuso e violência? Quantas vidas são mercantilizadas pelo crescente comércio de seres humanos?"

No dia em que Cristo nos libertou da escravidão da morte, exorto aqueles com responsabilidade política a não pouparem esforços no combate ao flagelo do tráfico humano, trabalhando incansavelmente para desmantelar as suas redes de exploração e trazer liberdade àqueles que são as suas vítimas. Que o Senhor console as suas famílias, especialmente aquelas que aguardam ansiosamente notícias dos seus entes queridos, assegurando-lhes conforto e esperança.

Francisco concluiu, pedindo "que a luz da ressurreição ilumine as nossas mentes e converta os nossos corações, conscientizando-nos do valor de toda vida humana, que deve ser acolhida, protegida e amada".

Vatican News

sábado, 30 de março de 2024

O Papa: que a força da ressurreição role as pedras que nos oprimem a alma

 

 

Na homilia da missa da Vigília Pascal, Francisco convidou a levantar "o olhar para Jesus" que "depois de ter assumido a nossa humanidade, desceu aos abismos da morte e atravessou-os com a força da sua vida divina, abrindo uma fresta infinita de luz para cada um de nós. Ressuscitado pelo Pai na sua carne, na nossa carne, com a força do Espírito Santo abriu uma nova página para o género humano". 
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco presidiu a missa da Vigília Pascal, neste 30 de março, Sábado Santo, na Basílica de São Pedro.

Na sua homilia, o Papa deteve-se em dois momentos da passagem do Evangelho de Marcos em que as mulheres vão ao túmulo de Jesus bem cedo. No primeiro, elas interrogam-se angustiadas, quem faria rolar para elas a pedra do sepulcro, que era muito grande. No segundo, erguendo os olhos, viram que a pedra já tinha sido tirada. Segundo Francisco, esses dois momentos "levam-nos à alegria inaudita da Páscoa".

Os «maços da morte» ao longo do caminho

"Aquela pedra representava o fim da história de Jesus, sepultado na noite da morte. Ele, a vida que veio ao mundo, foi morto; Ele, que manifestou o amor misericordioso do Pai, não recebeu compaixão; Ele, que aliviou os pecadores do peso da condenação, foi condenado à cruz. Aquele maço, obstáculo intransponível, era o símbolo do que as mulheres levavam no coração, ou seja, o fim da sua esperança", disse ainda o Papa, sublinhando que "o mesmo pode acontecer também connosco".

“Às vezes sentimos que uma pedra tumular foi pesadamente colocada na entrada do nosso coração, sufocando a vida, extinguindo a confiança, encarcerando-nos no sepulcro dos medos e amarguras, bloqueando o caminho para a alegria e a esperança. São «maços da morte»; e os encontramos, ao longo do caminho, em todas as experiências e situações que nos roubam o entusiasmo e a força para prosseguir.”

De acordo com o Papa, encontramos esses «maços da morte» "nos sofrimentos que nos afetam e na morte de pessoas queridas, que deixam em nós vazios incuráveis; nos fracassos e medos que nos impedem de fazer as coisas boas que temos no coração; em todos os isolamentos que abrandam os nossos impulsos de generosidade, não permitindo abrir-nos ao amor; nos muros de borracha do egoísmo e da indiferença, que impedem o compromisso de construir cidades e sociedades mais justas e à medida do homem; em todos os anseios de paz sufocados pela crueldade do ódio e pela ferocidade da guerra".

Segundo Francisco, "quando se experimentam estas desilusões, apodera-se de nós a sensação de que muitos sonhos acabarão por serem desfeitos e nos interrogamos, angustiados: quem nos rolará a pedra do sepulcro?"

Elevar os olhos para Jesus

Contudo, aquelas mulheres que tinham a escuridão no coração dão-nos testemunho de algo extraordinário: erguendo os olhos, viram que a pedra já tinha sido rolada, embora fosse muito grande.

“Aqui está a Páscoa de Cristo, aqui está a força de Deus: a vitória da vida sobre a morte, o triunfo da luz sobre as trevas, o renascimento da esperança por entre os escombros do fracasso. Foi o Senhor, Deus do impossível, que, para sempre, rolou a pedra para o lado e começou a abrir os nossos corações, a fim de não acabar a esperança. Por isso, devemos elevar também os nossos olhos para Ele.”

O Pontífice convidou a levantar "o olhar para Jesus" que "depois de ter assumido a nossa humanidade, desceu aos abismos da morte e atravessou-os com a força da sua vida divina, abrindo uma fresta infinita de luz para cada um de nós. Ressuscitado pelo Pai na sua carne, na nossa carne, com a força do Espírito Santo abriu uma nova página para o género humano".

Renovar ao Senhor hoje o nosso sim

Segundo o Papa, "se deixarmos Jesus tomar-nos pela mão, nenhuma experiência de fracasso e sofrimento, por mais que nos doa, poderá ter a última palavra sobre o sentido e o destino da nossa vida. A partir de então, se nos deixarmos agarrar pelo Ressuscitado, nenhuma derrota, nenhum sofrimento, nenhuma morte poderá deter o nosso caminho rumo à plenitude da vida".

Levantemos o olhar para Ele, acolhamos Jesus, Deus da vida, nas nossas vidas, renovemos-Lhe hoje o nosso «sim» e nenhum maço de pedra poderá sufocar-nos o coração, nenhum sepulcro poderá encerrar a alegria de viver, nenhum fracasso será capaz de nos lançar no desespero. Levantemos o olhar para Ele e peçamos-Lhe que a força da sua ressurreição role para o lado as pedras que nos oprimem a alma. Levantemos o olhar para Ele, o Ressuscitado, e caminhemos na certeza de que, no fundo obscuro das nossas expectativas e das nossas mortes, já está presente a vida eterna que Ele veio trazer.

Vatican News

sexta-feira, 29 de março de 2024

Via-Sacra no Coliseu: as meditações de Francisco

 

  Papa Francisco no Coliseu - arquivo  (Vatican Media)  
 

Nas meditações da Via Sacra, pensadas no Ano da Oração, Francisco propõe uma conversa face a face com Jesus e, nas quatorze estações, convida todos a questionarem-se, olhando para si mesmos e para a própria consciência, mas também lançando um olhar para o mundo contemporâneo e as suas distorções.

 

Tiziana Campisi – Vatican News

É um diálogo com Jesus que o Papa Francisco desenvolve nas meditações da Via-Sacra da Sexta-feira Santa no Coliseu, uma conversa face a face com Cristo, feita de reflexões, interrogações, introspecções, confissões, invocações. Uma longa oração íntima que, neste Ano da Oração, prelúdio do Jubileu, deixa o coração humano falar. Nas quatorze estações, os sofrimentos de Jesus a caminho do Gólgota, os encontros ao longo da Via Dolorosa, o olhar amoroso de Maria que, sob a Cruz, torna-se Mãe de todos os homens, as mulheres capazes de gestos ternos e corajosos nos momentos mais dramáticos, o Cireneu pronto para oferecer a sua ajuda ao nazareno condenado à morte, José de Arimatéia que oferece aquele sepulcro onde Deus derrotará a morte, provocam um exame de consciência que depois se torna oração, com uma invocação final que repete o nome de Jesus quatorze vezes.

 

O Papa introduz a Via-Sacra, enfatizando que a oração caracterizou cada um dos dias de Jesus, com diferentes nuances: como uma conversa com Deus, "luta e pedido, 'Afasta de mim este cálice'", "entrega e dom, 'Mas não o que eu quero, mas o que tu queres'". Diante, então, do medo da morte e da "angústia sob o peso do nosso pecado", essa oração tornou-se mais intensa e "a veemência da dor" tornou-se "uma oferta de amor" pela humanidade.

O silêncio de Jesus

Na primeira estação o que nos faz refletir é o silêncio de Jesus diante do "falso julgamento" que o condenou, um silêncio fecundo que "é oração, é mansidão, é perdão, é o caminho para redimir o mal", para converter o que foi sofrido em dom oferecido, explica Francisco. Um silêncio que o homem de hoje não conhece, porque não encontra tempo para parar e permanecer com Deus e "deixar agir a sua Palavra", mas que "sacode", porque ensina que a oração nasce "de um coração que sabe escutar".

A cruz com a qual Cristo é carregado (segunda estação), por outro lado, lembra experiências que todos nós também vivemos: dores, tristezas, deceções, feridas, fracassos, cruzes que também carregamos. "Jesus, como se faz para rezar ali?", pergunta o Papa, dando voz a um pedido comum: como rezas quando te sentes esmagado pela vida? Cristo convida-nos a aproximarmo-nos dele, se estivermos cansados e oprimidos, para nos dar descanso, mas nós ponderamos, cismamos, nos afundamos na vitimização, e então Ele "vem ao nosso encontro", carregando as nossas cruzes nos ombros, "para tirar o nosso peso". No entanto, Jesus cai (terceira estação), mas tem a força para se levantar novamente; a mola que o empurra para frente é o amor, enfatiza Francisco, "porque quem ama não fica no chão, começa de novo; quem ama não se cansa, corre; quem ama voa".

Maria, mãe de Jesus, dom para a humanidade

Depois da Eucaristia, Cristo dá-nos "Maria, o dom supremo antes de morrer", escreve o Papa meditando sobre a quarta estação. Jesus no caminho para o Calvário e sua Mãe: um encontro que evoca cuidado e ternura, e que nos impele a recorrer a ela, a Maria - Mãe que Deus dá a todos os homens - para poder "preservar a graça", "recordar o perdão e as maravilhas de Deus", "saborear novamente as maravilhas da providência" e "chorar de gratidão". O Cireneu que ajuda Jesus a carregar a cruz (quinta estação), por outro lado, leva-nos a refletir sobre a presunção de fazer tudo sozinho "diante dos desafios da vida". "Como é difícil pedir uma mão, com medo de dar a impressão de não estar à altura, nós que sempre temos o cuidado de parecer bem e de nos colocarmos em evidência! Não é fácil confiar, menos ainda de nos confiamos". Quem reza, porém, "sabe que está em necessidade", observa Francisco, e Jesus, que na oração sempre se confia, não despreza a ajuda do Cireneu, cujo gesto ensina "que amar significa ajudar os outros ali mesmo, nas fraquezas das quais nos envergonhamos".

A coragem da compaixão

Entre a multidão que testemunha o "espetáculo bárbaro" da execução do Nazareno, há também aqueles que emitem "julgamentos e condenações", lançando sobre ele "infâmia e desprezo", sem conhecê-lo "e sem conhecer a verdade". "Isto acontece ainda hoje, Senhor", reconhece Francisco, "basta um teclado para insultar e publicar julgamentos", mas em Jerusalém, enquanto "muitos estão a gritar e julgando" Jesus, surge uma mulher que "não fala: age. Ela não reclama: ela compadece-se. Ela vai contracorrente: sozinha, com a coragem da compaixão, ela arrisca-se por amor, encontra uma maneira de passar entre os soldados só para lhe dar o conforto de uma carícia no rosto". Um gesto de consolação, o de Verónica (sexta estação), que passa para a história e que nos coloca diante de Cristo, "amor não amado", que ainda hoje procura "entre a multidão corações sensíveis" ao seu sofrimento e à sua dor, "verdadeiros adoradores, em espírito e verdade". Mas "a cruz pesa, carrega o fardo da derrota, do fracasso, da humilhação".

Então Jesus cai pela segunda vez (sétima estação), e nos vemos nele novamente quando somos esmagados pelas coisas, visados pela vida, incompreendidos pelos outros, comprimidos "nas garras da ansiedade" e assaltados pela melancolia, achamos que não nos podemos levantar, ou quando caímos novamente nos nossos erros e pecados, quando somos escandalizados pelos outros e depois percebemos que não somos diferentes. Mas com Jesus, "a esperança nunca acaba, e depois de cada queda levantamo-nos novamente", porque Deus espera e perdoa, sempre, mesmo se caímos muitas vezes. "Lembre-me de que as quedas podem tornar-se momentos cruciais do caminho, porque elas me levam a entender a única coisa que conta: que eu preciso de ti, Jesus", é a oração do Papa, porque a vida recomeça com o perdão de Deus.

Reconhecer a grandeza das mulheres

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém (oitava estação) e, para Francisco, é o motivo para exortar "a reconhecer a grandeza das mulheres, aquelas que na Páscoa foram fiéis e próximas" a Cristo, "mas que ainda hoje são descartadas, sofrendo ultrajes e violências". O choro delas faz-nos perguntar se nos sabemos comover diante de Jesus, crucificado por nós, se choramos as nossas falsidades, ou diante das tragédias, "da loucura da guerra, dos rostos das crianças que não sabem mais sorrir, das mães que as veem desnutridas e famintas e não têm mais lágrimas para derramar".

E contemplando Cristo despojado das suas vestes (nona estação), o convite do Papa é para ver Deus feito homem "nos sofredores", "naqueles despojados da sua dignidade, nos cristãos humilhados pela prepotência e pela injustiça, pelos ganhos iníquos obtidos na pele de outros na indiferença geral" e a despojarem-se "de tantas aparências exteriores". Na cruz, então, "enquanto a dor física é mais atroz", perdoando aqueles que "estão a cravar pregos nos seus pulsos" (10ª estação), Jesus ensina-nos que podemos "encontrar a coragem de escolher o perdão, que liberta o coração e relança a vida" e revela-nos "a altura da oração de intercessão, que salva o mundo".

O amor não fica sem resposta

No momento mais sombrio e extremo em que Jesus grita o seu abandono (11ª estação), qual é o ensinamento a ser guardado? "Nas tempestades da vida: em vez de te calares e se conter-ta, gritar" a Deus, sugere Francisco, que na décima segunda estação detém-se no ladrão que se confia a Cristo, que lhe promete o Paraíso, tornando assim "a cruz, emblema da tortura, o ícone do amor", transformando "a escuridão em luz, a separação em comunhão, a dor em dança, e até mesmo o túmulo, a última estação da vida, no ponto de partida da esperança". Maria, que nos seus braços acolhe Jesus morto (13ª estação), nos ajuda a dizer sim a Deus, ela que, "forte na fé", acredita "que a dor, atravessada pelo amor, produz frutos de salvação; que o sofrimento com Deus não tem a última palavra" e, enfim, José de Arimatéia, que toma a custódia do corpo de Jesus para dar-lhe uma digna sepultura (14ª estação) mostra-nos que "cada dom feito a Deus recebe uma recompensa maior", "que o encontra-se quando é pedida e se possui quando é doada”.

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