Novo apelo do Papa Francisco pelo diálogo no Médio Oriente: "ataques direcionados e assassinatos nunca serão uma solução".
Silvonei José – Vatican News
O Papa Francisco pediu diálogo para que o
conflito no Médio Oriente não se alastre e disse que "ataques
direcionados e assassinatos nunca serão uma solução", Foi mais um apelo
durante a oração do Angelus na Praça São Pedro neste domingo.
"Acompanho com preocupação o que está
a ocorrer no Médio Oriente e espero que o conflito, já terrivelmente
violento e sangrento, não se espalhe ainda mais", disse Francisco.
“Rezo por todas as vítimas,
especialmente as crianças inocentes, e expresso a minha solidariedade à
comunidade drusa na Terra Santa e às populações da Palestina, de Israel e
do Líbano. Não nos esqueçamos de Myanmar”.
O Santo Padre pediu coragem para
"retomar o diálogo para que haja um cessar-fogo imediato em Gaza e em
todas as frentes, para que os reféns sejam libertados e a ajuda
humanitária seja levada às populações".
Ele afirmou que "ataques, inclusive
ataques direcionados, e assassinatos nunca podem ser uma solução e não
ajudam a trilhar o caminho da justiça e da paz e geram mais ódio e
vingança".
"Basta, irmãos e irmãs! Basta! Não
sufoquem a palavra do Deus da Paz, mas deixem que ela seja o futuro da
Terra Santa, do Médio Oriente e do mundo inteiro. A guerra é sempre uma
derrota", clamou Francisco.
Teerão prometeu retaliação contra Israel
depois que o país supostamente matou o líder do Hamas, Ismail Haniyeh,
em Teerão, e o chefe militar do grupo libanês Hezbullah, Fuad Shukr, em
Beirute, com uma diferença de oito horas entre eles nesta semana.
Papa Francisco - Angelus
(VATICAN MEDIA Divisione Foto)
O Papa Francisco rezou ao meio-dia deste
domingo a oração do Angelus, diante dos fiéis e peregrinos reunidos
neste domingo na Praça de São Pedro. “Se cada um der aos outros o que tem,
com a ajuda de Deus, mesmo com pouco, todos podem ter algo", afirmou.
Silvonei José – Vatican News
"As coisas materiais não preenchem a
vida: somente o amor pode fazer isso. E para que isso aconteça, o
caminho a seguir é o da caridade, que não guarda nada para si, mas
compartilha tudo": foi o que disse o Papa, antes do Angelus, diante dos
fiéis e peregrinos reunidos neste domingo na Praça de São Pedro.
"Hoje, o Evangelho fala-nos de Jesus
que, depois do milagre dos pães e dos peixes, convida as multidões, que o
procuram, a refletir sobre o que aconteceu, para entender o seu
significado. Eles tinham comido aquele alimento compartilhado e puderam
ver como, mesmo com poucos recursos, graças à generosidade e coragem de
um jovem, que colocou à disposição dos outros o que tinha, todos
foram alimentados até a saciedade”.
O sinal era claro, destacou o Papa: “se
cada um der aos outros o que tem, com a ajuda de Deus, mesmo com pouco,
todos podem ter algo".
E, em vez disso, eles não entenderam –
completou o Santo Padre: “confundiram Jesus com uma espécie de mágico, e
voltaram para procurá-lo, esperando que repetisse o prodígio como se
fosse uma magia".
"Eles foram protagonistas de uma
experiência para o seu caminho, mas não compreenderam o significado dela:
a sua atenção estava voltada apenas para os pães e peixes, para o alimento
material, que acabou imediatamente – continuou o Papa. Eles não
perceberam que isso era apenas um instrumento, que o Pai, enquanto
saciava a fome deles, revelava-lhes algo muito mais importante: o modo
de vida que dura para sempre e o sabor do pão que sacia para além da
medida".
O verdadeiro pão, em resumo, - disse o
Papa - "era e é Jesus, o seu Filho amado feito homem, que veio
para compartilhar a nossa pobreza para nos conduzir, por meio dela, à
alegria da plena comunhão com Deus e com os nossos irmãos e irmãs, em dom".
"As coisas materiais não preenchem a
vida: somente o amor pode preenchê-la. E para que isso aconteça, o
caminho a ser seguido é o da caridade que não guarda nada para si, mas
compartilha tudo", observou o Santo Padre.
"Isto não acontece também nas nossas
famílias? Pensemos naqueles pais que lutam a vida inteira para educar
bem os seus filhos e deixar-lhes algo para o futuro. Como é bonito quando
essa mensagem é compreendida, e os filhos são gratos e, por sua vez,
tornam-se solidários uns com os outros como irmãos! E como é triste, ao
contrário, quando eles brigam por herança, e talvez não se falem por
anos", enfatizou.
A mensagem da mamã e do papa, o seu
legado mais precioso, não é o dinheiro, - enfatizou o Papa - "mas o amor
com o qual eles dão aos seus filhos tudo o que têm, assim como Deus faz
connosco, e dessa forma eles nos ensinam a amar".
"Vamo-nos perguntar, então: qual é a
minha relação com as coisas materiais? Eu sou escravo delas ou uso-as
livremente, como instrumentos para dar e receber amor? Sei dizer
"obrigado" a Deus e aos meus irmãos e irmãs pelos dons recebidos e
compartilhá-los?
Francisco concluiu pedindo a Maria, que
deu a Jesus toda a sua vida, que nos ensine a fazer de todas as coisas
um instrumento de amor.
Durante a oração mariana deste domingo,
21 de julho, Francisco fez um alerta para a nossa sociedade
frequentemente prisioneira da pressa e do ativismo: "somente se o nosso
coração não estiver consumido pela ansiedade de fazer, receberemos, no
silêncio da adoração, a Graça de Deus".
Thulio Fonseca – Vatican News
“Do Evangelho aprendemos que essas duas realidades, descanso e
compaixão, estão interligadas: só quando aprendemos a descansar podemos
ter compaixão”. Este foi o cerne da reflexão do Papa Francisco na
alocução que precedeu a oração do Angelus, deste domingo, 21 de julho,
para os milhares de fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.
A liturgia de hoje (Mc 6,30-34), introduziu o Papa, narra que os
apóstolos, ao retornar da missão, reuniram-se em redor de Jesus e contaram-lhe o que tinham feito; então, Ele disse-lhes: “Vinde sozinhos para
um lugar deserto e descansai um pouco”. As pessoas, no entanto,
percebem os seus movimentos e, quando descem da barca, Jesus encontra a
multidão que o esperava, e sentindo compaixão, começa a ensinar.
Não perder de vista o essencial
Francisco sublinhou que, de um lado, temos o convite ao descanso e,
de outro, a compaixão pela multidão, e completou, “parecem duas coisas
inconciliáveis, mas, na verdade, elas complementam-se”:
“Jesus preocupa-se com o cansaço dos discípulos. Talvez Ele
perceba um perigo que também pode afetar as nossas vidas e o nosso
apostolado, quando, por exemplo, o entusiasmo em realizar a missão,
assim como as responsabilidades e as tarefas que nos são confiadas, tornam-nos vítimas do ativismo, excessivamente preocupados com as coisas a
fazer e com seus resultados.”
Fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro
Segundo o Papa, tais comportamentos impostos pela sociedade e pelo
trabalho deixam-nos agitados e assim perdemos de vista o essencial,
arriscando esgotar as nossas energias e cair no cansaço do corpo e do
espírito:
“Este é um alerta importante para as nossas vidas, para a nossa
sociedade frequentemente prisioneira da pressa, mas também para a Igreja
e para o serviço pastoral: devemos estar atentos à 'ditadura do
fazer'!”
"Irmãos e irmãs, vamos tomar cuidado com a ditadura do fazer! Isto
pode acontecer por necessidade, também nas famílias, quando, por
exemplo, o pai, para ganhar o pão, é obrigado a ausentar-se para
trabalhar, sacrificando assim o tempo que poderia dedicar à família.
Muitas vezes ele sai de manhã cedo, quando as crianças ainda estão
a dormir, e volta tarde, à noite, quando já estão na cama. E isto é uma
injustiça social. Nas famílias, o pai e a mãe deveriam ter tempo para
compartilhar com os filhos, para cultivar esse amor familiar e não cair
na ditadura do fazer. Pensemos no que podemos fazer para ajudar as
pessoas que são obrigadas a viver assim."
Um olhar compassivo em direção ao próximo
Ao mesmo tempo, o descanso proposto por Jesus não é uma fuga do
mundo, uma retirada para o bem-estar pessoal, recordou o Pontífice, pelo
contrário, diante da multidão perdida, Ele sente compaixão:
“De facto, é possível ter um olhar compassivo, que consegue
perceber as necessidades do outro, somente se o nosso coração não
estiver consumido pela ansiedade de fazer, se soubermos parar e, no
silêncio da adoração, receber a Graça de Deus.”
Descansar no Espírito
O Papa então propôs aos fiéis alguns questionamentos para uma
reflexão pessoal: “Eu sei parar durante os meus dias? Sei dedicar um
momento para estar comigo mesmo e com o Senhor, ou estou sempre tomado
pela pressa das tarefas a realizar? Sabemos encontrar um pouco de
'deserto' interior em meio aos ruídos e às atividades de cada dia?"
Que a Virgem Santa nos ajude a “descansar no Espírito” mesmo no meio a
todas as atividades quotidianas, e a sermos disponíveis e compassivos
com os outros, concluiu o Papa Francisco.
O Evangelho anuncia-se juntos, como
comunidade, e para fazê-lo é importante ser sóbrio não só no uso das
coisas, afirmou Francisco, mas também nos pensamentos, abandonando os
preconceitos e a rigidez.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
O Papa rezou com os fiéis na Praça de São Pedro a oração do Angelus,
comentando o Evangelho deste 15º Domingo do Tempo Comum. O trecho de
Marcos (cf. Mc 6,7-13) fala de Jesus que envia os seus discípulos em missão
"dois a dois".
Na sua alocução, Francisco deteve-se sobre o facto de os discípulos serem enviados juntos e levarem consigo apenas onecessário.
"O Evangelho não é proclamado sozinho, mas em conjunto, como
comunidade, e para fazer isso é importante saber preservar a
sobriedade", explicou o Pontífice. É importante saber ser sóbrio no uso
das coisas, compartilhando recursos, habilidades e dons, prescindindo do
supérfluo, que "escraviza". Só assim se é livre.
A sobriedade, prosseguiu Francisco, também é necessária nos
pensamentos e nos sentimentos, abandonando preconceitos e a rigidez que,
como bagagem inútil, pesam e dificultam o caminho, para favorecer, ao
invés, o debate e a escuta e, assim, tornar o testemunho mais eficaz.
É o que acontece nas famílias ou comunidades: quando nos contentamos
com o necessário, mesmo com pouco, com a ajuda de Deus é possível seguir
em frente e entender-se, compartilhando o que se tem, todos renunciando
a alguma coisa e apoiarem-se mutuamente. Para o Pontífice, isto já é um
anúncio missionário, antes e até mais do que palavras, porque encarna a
beleza da mensagem de Jesus na concretude da vida.
"Uma família ou uma comunidade que vive desst forma, de faco, cria em
torno de si um ambiente rico de amor, no qual é mais fácil abrir-se à
fé e à novidade do Evangelho, e do qual se sai melhor e mais sereno."
Se, ao contrário, cada um segue o seu próprio caminho, se o que conta
são apenas as coisas - que nunca são suficientes -, se não há escuta, se
prevalecem o individualismo e a inveja, que é "mortal, um veneno", o ar torna-se pesado, a vida difícil, e os encontros tornam-se mais ocasião
de inquietação, tristeza e desânimo do que de alegria.
"Queridos irmãos e irmãs, comunhão e sobriedade são valores importantes para a nossa vida cristã, valores indispensáveis para uma Igreja missionária, a todos os níveis."
O Papa então convidou os fiéis a questionarem-se: sinto prazer em
anunciar o Evangelho, de levar, onde vivo, a alegria e a luz que provêm
do encontro com o Senhor? Para fazer isto, estou comprometido em
caminhar junto com os outros, compartilhando com eles ideias e
habilidades, com mente aberta e coração generoso? E finalmente: sei como
cultivar um estilo de vida sóbrio e atento às necessidades dos irmãos?
"Que Maria, Rainha dos Apóstolos, nos ajude a ser verdadeiros discípulos missionários, em comunhão e sobriedadede vida", concluiu Francisco, concedendo a todos a sua bênção apostólica.
Na sua homilia, proferida na missa
celebrada na Piazza Unità d'Italia, em Trieste, Francisco disse que
"precisamos do escândalo da fé, de uma fé arraigada no Deus que se fez
homem e, portanto, de uma fé humana, de uma fé de carne, que entra na
história, que acaricia a vida das pessoas, que cura os corações
partidos, que se torna fermento de esperança e germe de um mundo novo".
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Francisco presidiu a missa, neste domingo (07/07), na Piazza
Unità d'Italia, no âmbito da sua visita pastoral a Trieste para a
conclusão da 50ª Semana Social dos Católicos em Itália.
"Para despertar a esperança dos corações aflitos e apoiar os esforços
do caminho, Deus suscitou sempre profetas entre o seu povo", disse o
Pontífice no início da sua homilia. Muitas vezes os profetas encontraram
um povo rebelde e foram rejeitados, mas Jesus também tem a mesma
experiência dos profetas. "Retorna a Nazaré, a sua pátria e entre as
pessoas com as quais cresceu, mas não é reconhecido". Ele «era motivo de
escândalo para eles», conforme diz o Capítulo 6° do Evangelho de
Marcos.
O Papa disse que "a palavra 'escândalo' não se refere a algo obsceno
ou indecente como a usamos hoje; escândalo significa 'uma pedra de
tropeço', ou seja, um obstáculo, um impedimento, algo que bloqueia e
impede de ir adiante". As pessoas não conseguem entender "como do filho
de José, o carpinteiro, ou seja, de uma pessoa comum, poderia surgir
tanta sabedoria e até mesmo a capacidade de realizar prodígios. O
escândalo, então, é a humanidade de Jesus. O obstáculo que impede estas
pessoas de reconhecer a presença de Deus em Jesus é o facto de que Ele é
humano, é simplesmente o filho de José, o carpinteiro".
"Este é o escândalo: uma fé fundada num Deus humano, que se inclina
para a humanidade, que cuida dela, que se comove com as nossas feridas,
que toma sobre si o nosso cansaço, que se parte como pão para nós",
sublinhou o Papa, acrescentando que "um Deus forte e poderoso, que está
do meu lado e satisfaz-me em tudo, é atraente; um Deus fraco, que morre
na cruz por amor e também me pede para vencer todo o egoísmo e oferecer a
vida pela salvação do mundo, é um Deus incómodo".
Mas, colocando-nos diante do Senhor Jesus e olhando para os
desafios que nos interpelam, para os muitos problemas sociais e
políticos também discutidos nesta Semana Social, para a vida concreta da
nossa gente e dos seus esforços, podemos dizer que hoje precisamos
exatamente disto: do escândalo da fé. Não de uma religiosidade fechada
em si mesma, que ergue o olhar para o céu sem se preocupar com o que
acontece na terra e celebra liturgias no templo esquecendo-se da poeira
que corre pelas nossas estradas.
"Precisamos do escândalo da fé", disse ainda Francisco, "de uma fé
arraigada no Deus que se fez homem e, portanto, de uma fé humana, de uma
fé de carne, que entra na história, que acaricia a vida das pessoas,
que cura os corações partidos, que se torna fermento de esperança e
germe de um mundo novo".
É uma fé que desperta as consciências do torpor, que põe o dedo
nas feridas da sociedade, que levanta questões sobre o futuro do homem e
da história; é uma fé inquieta, uma fé que se move de coração a
coração, uma fé que acolhe os problemas da sociedade, uma fé que nos
ajuda a vencer a mediocridade e a acídia do coração, que se torna um
espinho na carne de uma sociedade muitas vezes anestesiada e atordoada
pelo consumismo.
A este propósito, o Papa perguntou: "Já pensaram se o
consumismo entrou nos vossos corações? Aquela ânsia de ter, de ter
coisas e ter mais. Aquela ânsia de desperdiçar dinheiro. O consumismo é
uma chaga. É um cancro que adoece o coração, que torna a pessoa egoísta,
que faz a pessoa olhar apenas para si mesma".
Irmãos e irmãs, precisamos de uma fé que dispersa os cálculos do
egoísmo humano, que denuncia o mal, que aponta o dedo contra as
injustiças, que perturba as tramas de quem, na sombra do poder, brinca
com a pele dos fracos. E quantos usam a fé para explorar as pessoas.
Isto não é fé.
A seguir, o Papa disse que não nos devemos esquecer de que "Deus esconde-se nos cantos escuros da vida e das nossas cidades. A sua presença revela-se precisamente nos rostos escavados pelo sofrimento e onde a
degradação parece triunfar".
O infinito de Deus está escondido na miséria humana, o Senhor agita-se e torna-se presença amiga precisamente na carne ferida dos
últimos, dos esquecidos e dos descartados. Ali, Deus manifesta-se. E
nós, que às vezes escandalizamo-nos inutilmente com muitas pequenas
coisas, faríamos bem em nos quesytionar: por que não nos escandalizamos
diante do mal que se espalha, da vida humilhada, dos problemas do
trabalho, do sofrimento dos migrantes? Por que permanecemos apáticos e
indiferentes diante das injustiças do mundo? Por que não levamos a sério
a situação dos encarcerados, que também desta cidade de Trieste se
eleva como um grito de angústia? Por que não contemplamos a miséria, a
dor, o descarte de tantas pessoas da cidade? Temos medo. Temos medo de
encontrar Cristo ali.
"Jesus viveu na sua própria carne a profecia do quotidiano, entrando
na vida e nas histórias diárias do povo, manifestando a compaixão nas
vicissitudes humanas. Ele manifestou o ser de Deus que é compassivo. Ele
permaneceu fiel à sua missão, não se escondeu atrás da ambiguidade, não
aceitou a lógica do poder político e religioso. Fez da sua vida uma
oferta de amor ao Pai. Assim também nós, cristãos: somos chamados a ser
profetas e testemunhas do Reino de Deus, em todas as situações que
vivemos, em todos os lugares em que vivemos", disse ainda o Papa.
Desta cidade de Trieste, com vista para a Europa, encruzilhada de
povos e culturas, terra de fronteira, alimentemos o sonho de uma nova
civilização fundada na paz e na fraternidade; não nos escandalizemos com
Jesus, mas, pelo contrário, indignemo-nos com todas aquelas situações
em que a vida é brutalizada, ferida e morta; levemos a profecia do
Evangelho na nossa carne, com as nossas escolhas antes mesmo das
palavras. Com a coerência entre escolhas e palavras.
Francisco concluiu, incentivando a Igreja em Trieste a continuar
"a trabalhar na linha de frente para difundir o Evangelho da esperança,
especialmente para aqueles que chegam da rota dos Balcãs e para todos
aqueles que, no corpo ou no espírito, precisam de ser encorajados e
consolados. Empenhemo-nos juntos: para que, redescobrindo-nos amados
pelo Pai, possamos todos viver como irmãos. Todos irmãos, com o sorriso
do acolhimento e da paz na alma".
Na cidade italiana de Trieste, Francisco
encerrou a Semana Social dos Católicos Italianos. O tema do evento - e
do discurso do Santo Padre - foi a democracia, em que o Pontífice
apontou fraquezas do sistema e exortou a Igreja a “envolver-se na
esperança, porque sem esta administra-se o presente, mas não se constrói
o futuro”.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
Poucas, mas intensas horas vividas pelo Papa Francisco na cidade de
Trieste, nordeste de Itália, para onde partiu na manhã deste domingo, 7
de julho, para o encerramento da 50ª Semana Social dos Católicos
Italianos
O tema do discurso do Pontífice foi o mesmo debatido pelos cerca de
1200 participantes, ou seja, a democracia. O Papa fez um “check-up” do
estado de saúde desta forma de governação e o resultado “evidente é que
no mundo de hoje a democracia não goza de boa saúde”.
“Isto interessa e nos preocupa-nos, afirmou Francisco, porque está em
jogo o bem do homem, e nada daquilo que é humano pode deixar-nos
indiferentes.” O Papa inspirou-se no tema da Semana Social "No coração
da democracia. Participar entre História e Futuro" para fazer a sua
análise e propor a “terapia”.
Podemos imaginar a crise da democracia como um coração ferido,
afirmou, "infartado". “Toda vez que alguém é marginalizado, todo o corpo
social sofre”, acrescentou. A cultura do descarte traça uma cidade onde
não há lugar para os pobres, os nascituros, as pessoas frágeis, os
doentes, as crianças, as mulheres, os jovens.
A própria palavra “democracia” não coincide simplesmente com o voto
do povo, mas exige que se criem as condições para que todos possam expressar-se e participar. E a participação não se pode improvisar:
aprende-se desde criança, adolescente, e deve ser “treinada”, também no
sentido crítico perante as tentações ideológicas e populistas. Nesta
perspetiva, o cristianismo pode contribuir, promovendo um diálogo
fecundo com a comunidade civil e com as instituições políticas. Só assim
será possível libertar-se das “escórias da ideologia”, refletindo de
modo comunitário especialmente sobre os temas relacionados à vida humana
e à dignidade da pessoa.
Para tal finalidade, permanecem fecundos os princípios de
solidariedade e de subsidiariedade, reafirmou o Papa. A democracia
requer sempre a passagem do "militar" ao participar, do “torcer” ao
dialogar. “Todos devem sentir-se parte de um projeto de comunidade;
ninguém deve sentir-se inútil. Algumas formas de assistencialismo que
não reconhecem a dignidade das pessoas são hipocrisia social. E a
indiferença é um cancro da democracia”, denunciou o Pontífice.
Como terapia, Francisco aposta na participação, para que a democracia
se assemelhe a um coração curado. E para isto é preciso exercitar a
criatividade. A fraternidade faz florescer as relações sociais; e, por
outro lado, o cuidar um dos outros requer a coragem de pensar como povo.
Uma democracia com o coração curado continua a cultivar sonhos para o
futuro, coloca em jogo, chama à participação pessoal e comunitária.
Como católicos, incentivou o Papa, é preciso ter a coragem de fazer
propostas de justiça e de paz no debate público. Temos algo a dizer, mas
não para defender privilégios. Devemos ser voz que denuncia,
propositiva numa sociedade muitas vezes áfona e onde demasiados não têm
voz. Este é o amor político, que não se contenta em cuidar dos efeitos,
mas procura enfrentar as causas. É uma forma de caridade que permite à
política estar à altura das suas responsabilidades e de sair das
polarizações, que empobrecem e não ajudam a entender e enfrentar os
desafios.
“Formemo-nos a este amor, para colocá-lo em circulação num mundo que
carece de paixão civil. Aprendamos sempre mais e melhor a caminhar
juntos como povo de Deus, para ser fermento de participação no meio do
povo do qual fazemos parte.”
Citando o famoso político católico italiano Giorgio La Pira,
Francisco pediu que não falte ao laicato esta capacidade de “organizar a
esperança”:
“Por que não relançar, apoiar e multiplicar os esforços para uma
formação social e política que parta dos jovens? Por que não
compartilhar a riqueza do ensinamento social da Igreja?”
Se o processo sinodal nos treinou no discernimento comunitário, o
horizonte do Jubileu quer-nos ativos, peregrinos da esperança, pois este
é o papel da Igreja: “Envolver na esperança, porque sem esta administra-se o presente, mas não se constrói o futuro”.
A catequese de Francisco, na Audiência
Geral, foi dedicada à trágica realidade da dependência de drogas no
âmbito do Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas
celebrado nesta quarta-feira, 26 de junho. Segundo o Papa, "a redução
da dependência de drogas não pode ser alcançada através da liberalização
do seu consumo, isto é uma ilusão". O Pontífice definiu os traficantes
como "assassinos e traficantes de morte".
Mariangela Jaguraba - Vatican News
Nesta quarta-feira (26/06), Dia Internacional contra o Abuso e o
Tráfico Ilícito de Drogas, o Papa Francisco dedicou sua catequese, na
Audiência Geral, a este tema.
O Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas foi
instituído pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1987. O tema deste
ano é "A evidência é clara: investir na prevenção".
São João Paulo II afirmou que "o abuso de drogas empobrece todas as
comunidades onde está presente. Diminui a força humana e a fibra moral.
Isso prejudica os valores estimados. Destrói o desejo de viver e
contribuir para uma sociedade melhor". Francisco recordou que quem faz
uso de drogas "traz consigo uma história pessoal diferente, que deve ser
ouvida, compreendida, amada e, na medida do possível, sanada e
purificada". Os usuários de drogas "continuam a ter uma dignidade
enquanto pessoas filhas de Deus”."Todo o mundo tem dignidade", acrescentou o Papa.
"No entanto, não podemos ignorar as intenções e más ações dos
distribuidores e traficantes de drogas. Eles são assassinos", sublinhou
Francisco, recordando que o Papa Bento XVI usou palavras severas durante
a sua visita à comunidade terapêutica "Fazenda da Esperança", no Brasil,
em 12 de maio de 2007. Assim disse Bento XVI: “Digo aos que
comercializam a droga que pensem no mal que estão a provocar a uma
multidão de jovens e de adultos de todos os segmentos da sociedade: Deus
vai exigir de vós satisfações. A dignidade humana não pode ser
espezinhada desta maneira”.
Segundo o Papa, "a redução da dependência de drogas não pode ser
alcançada através da liberalização do seu consumo, isto é uma ilusão,
como foi proposto por alguns, ou já implementado, em alguns países. Se
for liberalizada o consumo será maior".
Tendo conhecido muitas histórias trágicas de usuários de drogas e
das suas famílias, estou convencido de que é moralmente necessário pôr fim à
produção e ao tráfico destas substâncias perigosas. Quantos traficantes
de morte existem, porque os traficantes de drogas são traficantes de
morte! - quantos traficantes de morte existem, movidos pela lógica do
poder e do dinheiro a qualquer custo! Esta praga, que produz violência e
semeia sofrimento e morte, exige um ato de coragem de toda a nossa
sociedade.
"A produção e o tráfico de drogas também tem um impacto destrutivo na
nossa casa comum", disse ainda o Papa, sublinhando que "isto tem-se
tornado cada vez mais evidente na bacia amazónica".
Outra forma prioritária de combater o abuso e o narcotráfico é a
prevenção, que se faz promovendo maior justiça, educando os jovens para
os valores que constroem a vida pessoal e comunitária, acompanhando quem
está em dificuldade e dando esperança para o futuro.
O Pontífice disse que nas suas viagens em várias dioceses e países visitou "diversas comunidades de recuperação inspiradas no Evangelho".
"São um testemunho forte e esperançoso do compromisso dos sacerdotes,
das pessoas consagradas e dos leigos em pôr em prática a parábola do Bom
Samaritano. Do mesmo modo, sinto-me confortado pelos esforços
empreendidos por diversas Conferências Episcopais para promover
legislação e políticas justas relativas ao tratamento das pessoas
dependentes do consumo de drogas e à prevenção para deter este flagelo",
disse ainda Francisco.
O Papa citou como exemplo a rede da Pastoral latino-americana de Acompanhamento e Prevenção das Dependências (PLAPA).
"O estatuto desta rede reconhece que 'a dependência do álcool, das
substâncias psicoativas e de outras formas de dependência (pornografia,
novas tecnologias, etc.) é um problema que nos afeta indistintamente,
para além da diversidade dos contextos geográficos, sociais, culturais,
religiosos e etários. Apesar das diferenças, queremos organizar-nos como
rede: partilhar experiências, o entusiasmo e as dificuldades'".
Francisco mencionou também os Bispos da África Austral, que em novembro de 2023 convocaram um encontro sobre o tema “Capacitar os jovens como agentes de paz e de esperança”.
Os representantes da juventude presentes na reunião reconheceram aquela
assembleia como um “marco significativo para uma juventude saudável e
ativa em toda a região”. Prometeram ainda: “Aceitamos o papel de
Embaixadores e Defensores que vão lutar contra o uso de substâncias.
Pedimos a todos os jovens que tenham empatia uns com os outros em todos
os momentos”.
Queridos irmãos e irmãs, perante a trágica situação da dependência
de drogas de milhões de pessoas em todo o mundo, perante o escândalo da
produção e do tráfico ilícito destas drogas, “não podemos ficar
indiferentes. O Senhor Jesus parou, fez-se próximo, curou as feridas.
Seguindo "o estilo da sua proximidade, também nós somos chamados a
agir, a parar diante de situações de fragilidade e de dor, a saber
escutar o grito da solidão e da angústia, a inclinar-nos para levantar e
reconduzir a uma nova vida aqueles que caem na escravidão das drogas".
"Rezemos também pelos criminosos que gastam e fornecem drogas aos
jovens: são criminosos, são assassinos. Rezemos pela sua conversão",
disse ainda o Papa.
Por fim, neste Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito
de Drogas, Francisco convidou a renovar "como cristãos e comunidades
eclesiais o nosso compromisso de oração e de combate às drogas".