“Para testemunhar o
Seu amor, o fruto a ser dado é o amor. Dos frutos se reconhece a
árvore. Uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo”.
Palavras do Papa Francisco no Regina Coeli deste V Domingo http://govvota2.blogspot.pt/do Tempo de
Páscoa
Jane Nogara – Vatican News
No Regina Coeli deste V Domingo de Páscoa, o Papa Francisco recordou
mais uma vez que não podemos viver como cristãos sem permanecer unidos
ao Senhor. Ao falar sobre o Evangelho do dia, no qual se lê: “Não há
videira sem ramos” e que “os ramos não são autosuficientes, mas
dependem totalmente da videira, que é a fonte da sua existência”,
analisou o verbo “permanecer”.
"Permanecei em mim como eu em vós", disse Jesus aos apóstolos antes de ir para junto do Pai. “Esta permanência – afirma Francisco - não
é uma permanência passiva, um "adormentar-mo-nos" no Senhor, deixando-nos
acomodar pela vida. Não é isto. O permanecer n’Ele que Jesus nos propõe é
um permanecer ativo, e também recíproco. Por quê? Porque os ramos sem a
videira não podem fazer nada, eles precisam da seiva para crescer e dar
frutos”. Do mesmo modo a videira precisa dos ramos, “é uma necessidade mútua, é um permanecer recíproco para dar frutos."
Testemunho da nossa vida cristã
E Francisco pondera:
NOTA:Se está a utilizar o TELEMÓVEL a visualização do VIDEO contido nesta página, apenas será
possível se clicar no link abaixo:
“Mas Jesus, assim como a videira com os ramos, também precisa de
nós. Talvez pareça audacioso dizer isto, e então interrogar-mo-nos: em que
sentido Jesus precisa de nós? Ele precisa do nosso testemunho. O fruto
que nós, como ramos, devemos dar é o testemunho da nossa vida cristã”
Os discípulos devem continuar a anunciar o Evangelho com a palavra e
com as obras, afirma o Papa. E fazem isto “testemunhando o seu amor: o
fruto a ser dado é o amor”.
“Dos frutos se reconhece a árvore. Uma vida verdadeiramente cristã dá testemunho de Cristo”
A fecundidade da nossa vida depende da oração
Como podemos fazer isto?, interroga-se o Santo Padre. A
resposta está em Jesus que nos diz: "Se permanecerdes em mim e as minhas
palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes e vós o tereis".
“A fecundidade da nossa vida depende da oração. Podemos pedir para
pensar como Ele, agir como Ele, ver o mundo e as coisas com os olhos de
Jesus. E assim amar os nossos irmãos e irmãs, começando pelos mais
pobres e sofredores, como Ele fez, e amá-los com o seu coração e levar
ao mundo frutos de bondade, frutos de caridade, frutos de paz”
Por fim o Santo Padre concluiu confiando-nos “à intercessão da Virgem Maria”. E disse:
“Ela sempre permaneceu totalmente unida a Jesus e deu muitos
frutos. Que ela nos ajude a permanecer em Cristo, no seu amor, na sua
palavra, para testemunharmos o Senhor Ressuscitado no mundo”.
S. José e Jesus a segurar uma vela para seu pai (Gerrit Van Hnthorst 1630)
A Igreja comemora, no dia 1º de maio, a festa de São José Operário: uma oportunidade para se refletir sobre o valor do trabalho
Amedeo Lomonaco - Vatican News
Se, há mais de 2000 anos, alguém perguntasse quem poderia conhecer um
bom artesão para consertar a rachadura no telhado de madeira da sua
casa, os habitantes de Nazaré teriam indicado, provavelmente, a
carpintaria do galileu, chamado José, esposo de Maria e pai de Jesus.
Para "ver José com mãos à obra”, poderíamos comparar as obras de
vários artistas, sobretudo a do holandês, Gerrit Van Honthorst, nascido
em 1590, em Utrecht. Numa pintura sua, que se encontra no Eremitério
de São Petersburgo, o artista descreve uma cena quase íntima: “S. José
em plena atividade, enquanto o seu filho segura uma vela”. Jesus é “a
Luz que veio ao mundo", que ilumina a carpintaria do seu pai. José era
um humilde carpinteiro que trabalhava, honestamente, para sustentar a
sua família.
Nas pegadas de S. José
A festa litúrgica de S. José Operário foi instituída por Pio XII, no
1º de maio de 1955. Naquela ocasião, o Papa disse: “Queridos
trabalhadores e trabalhadoras, aceitam este presente? Tenho
a certeza que sim, porque o humilde artesão de Nazaré não representa
apenas, para Deus e a Santa Igreja, a dignidade de um trabalhador
braçal, mas também e sempre o vosso padroeiro e dae de voças famílias".
“O testemunho de S. José, padroeiro dos trabalhadores, sobretudo
neste tempo de pandemia, recorda-nos a força da paciência para vencer os
problemas e as adversidades”
Para comemorar os 150 anos do Decreto “Quemadmodum Deus”, com o qual Pio IX declarou S. José Padroeiro da Igreja Católica, o Papa Francisco quis, com a Carta apostólica "Patris Corde",
dedicar um “Ano especial a S. José”, do dia 8 de dezembro de 2020 a 8 de
dezembro de 2021. No fundo, esta sua Carta fala sobre a crise causada
pelo Covid-19, que, como escreve Francisco, faz-nos compreender quão são
importantes as pessoas comuns, que, longe dos holofotes, infundem
esperança.
Dignidade do Trabalho
Na Carta apostólica “Patris Corde”, Francisco ressalta, de
modo particular, que “Jesus aprendeu de São José o valor, a dignidade e a
alegria de ter pão todos os dias, fruto do trabalho”: “Neste nosso
tempo, em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente
questão social e o desemprego atinge, por vezes, níveis impressionantes,
mesmo em países onde se experimentou, durante várias décadas, certo
bem-estar, é necessário tomar uma renovada consciência do significado do
trabalho, que dignifica e do qual o nosso S. José é padroeiro e
exemplo. A perda de empregos, que afeta tantos irmãos e irmãs, e que,
nos últimos tempos, tem aumentado devido à pandemia de Covid-19, deve
ser um chamamento para rever as nossas prioridades. Peçamos a S. José
Operário que encontremos vias, onde possamos comprometermo-nos, até dizer:
nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!”
Enfim, a oficina de S. José, é um exemplo que ultrapassa os séculos e
os milênios; é um modelo que, nos nossos tempos, serve para recordar o
sentido mais autêntico do trabalho, a dignidade do trabalho.
A Bíblia e os trabalhadores
Na Bíblia encontramos também citações de profissões e trabalhadores. O
trabalho de carpinteiro, como afirma Silvia Giovanrosa, não era um dos
mais comuns na Palestina, na época de Jesus. Ao artesão não competia
apenas a produção de artefactos de madeira, como mesas, cadeiras e outros
móveis, mas também a produção de vigas, pranchas e estruturas de
madeira, necessárias para a construção das casas. Na época, a profissão
mais popular era a de agricultor. As pessoas trabalhavam por dia:
começavam cedo e acabavam de noite.
Os primeiros Apóstolos, chamados a seguir Jesus, eram pescadores:
Pedro, André, Tiago e João lançavam as suas redes no lago de Tiberíades; a
pesca no mar cabia aos fenícios. "Eu vos farei pescadores de homens",
disse-lhes Jesus. Na verdade, o trabalho de pescador exigia paciência,
espera, vigilância, até nas noites mais escuras, para depois, na hora
certa, lançar as redes. Além disto, muitos trabalhavam também como
comerciantes, ferreiros, oleiros. Os Escribas ensinavam nas Sinagogas;
os publicanos eram cobradores de impostos. A Bíblica cita também outros
tipos de trabalhadores como os pastores, que viviam à margem da
sociedade e eram considerados impuros e não confiáveis, porque estar
em contacto com animais; eles forneciam ovelhas para os sacrifícios no
Templo, onde não podiam entrar; mas, eram também considerados
mensageiros, porque iam, de aldeia em aldeia, levar as notícias. Portanto,
não nos surpreende se, por vocação, eles foram os primeiros a receber a
“boa nova do nascimento de Cristo”.
Oficinas de ontem e hoje
A oficina de São José é uma das tantas, que, ao longo da história,
como na nossa época, abalada pela pandemia, transmitem a sabedoria
artesanal. Trata-se de uma arte que se torna cultura do trabalho, fonte
de conhecimento para as novas gerações.
Ainda hoje, o artesão faz parte fundamental da produção. Em Itália,
segundo dados do INPS, em 2019, havia mais de um milhão e 600 mil
artesãos. Eram, muitas vezes, pequenas empresas familiares, que, nos
nossos dias, estão a fechar devido à pandemia e à consequente crise
económica.
No entanto, ainda temos muitos exemplos de oficinas, que continuam a
tomar parte integrante do tecido económico de uma cidade ou comunidade.
Oficinas que resistem à crise e à lógica da globalização. Sem os
artesãos, não nascem as pequenas indústrias. É preciso aprender o ofício
de artesão desde criança. Toda e qualquer atividade não é fruto de
improvisação, mas de necessária experiência.
O primeiro contrato de aprendizagem
Quando se fala de trabalho é preciso falar também dos Salesianos, ou
seja, de S. João Bosco. Há quase 170 anos, no dia 8 de fevereiro de
1852, Dom Bosco inventou um modo de aprendizagem, no Oratório de S.
Francisco de Sales, em Turim. Foi ele que compilou o primeiro contrato e
garante do primeiro jovem aprendiz, o artesão Giuseppe Odasso. Este
contrato, conservado nos arquivos dos Salesianos, obrigava o empregador,
Giuseppe Bertolino, a corrigir o aprendiz somente com palavras,
respeitando a sua idade, capacidade, férias e deveres de aluno do
Oratório. Por sua vez, o jovem devia compromete-se a comportar-se como
bom aprendiz, diante do diretor do oratório Dom Bosco e do seu pai.
Durante dois anos de aprendizagem, recebia um pagamento semanal, que
aumentava com o tempo.
A coragem de trabalhar
O trabalho é também um ato de coragem diária, pessoal e coletiva, que
encarna e reivindica as razões de um recomeço, que diz respeito a todos
e permite-nos não perder a oportunidade de uma verdadeira conversão
ecológica, social e civil. Por isso, para melhor sair da crise atual, a
coragem de trabalhar é a mensagem lançada para o Dia do Trabalho, neste
1º de maio.
Neste momento difícil, apesar da dura crise, não faltam oportunidades
de trabalho, sobretudo na chamada “economia verde” e no âmbito das
novas tecnologias. É preciso acompanhar e ajudar os jovens a transformar os
seus sonhos, paixões e habilidades em projetos concretos.
O trabalho é a vocação do homem
A festa de S. José Operário é, portanto, o Dia do Trabalhador. No 1º
de maio de 2020, na celebração da manhã transmitida ao vivo da capela
de Santa Marta, o Papa Francisco lembrou que "o trabalho humano é a
vocação do homem recebida de Deus no final da criação do universo".
"Rezemos por todos os trabalhadores. Para todos. Para que nenhuma pessoa
- disse o Pontífice naquela ocasião - possa carecer de trabalho e que
todos possam ser justamente pagos e desfrutar da dignidade do
trabalho e da beleza do descanso".
Nota:Se está a utilizar o TELEMÓVEL, a visualização do VIDEO constante nesta página, apenas será possível se clicar no link abaixo: