domingo, 7 de novembro de 2021

ACOMPANHAR MARIA NO NOVO TESTAMENTO

 


 

 

Para entrar em cada reunião Zoom:

https://zoom.us/j/6429275371?pwd=aW01STBSMjNLaXNmN21HRW1zNXNudz09

ID da reunião: 642 927 5371
Senha de acesso: 1234

 

 

14 DE OUTUBRO – Partilha de Expectativas. Apresentação do Programa. Introdução ao Estudo do Novo Testamento.

 

21 DE OUTUBRO – O Mundo Judaico no Tempo de Jesus e de Maria.


28 DE OUTUBRO – A Vida na Igreja nascente: a expansão do Cristianismo pelo mundo; o Concílio de Jerusalém; a hostilidade do mundo em geral (comunidade judaica e sociedade romana; a defesa da verdade).

04 DE NOVEMBRO – Os Escritos Paulinos (os escritos neotestamentários mais antigos). “Nascido de uma mulher” (Primeiros Passos sobre Maria).

 

 

11 DE NOVEMBRO – Os Evangelhos. A Questão Sinótica. O Evangelho segundo São Marcos (o autor, o destinatário, o texto).

 

25 DE NOVEMBRO – O Evangelho segundo São Marcos (o primeiro Evangelho redigido e as suas afirmações acerca de Maria).

 

2 DE DEZEMBRO – O Evangelho segundo São Mateus (a autoria, o destinatário, o texto); 

 

9 DE DEZEMBRO – O Evangelho segundo São Mateus (Maria e a novidade de um Evangelho de Infância; edificação do Reino por palavras e obras; a Paixão e os relatos pascais; envio dos discípulos);

 

16 DE DEZEMBRO – A Obra Lucana (a autoria, o destinatário, o texto; o Evangelho de Infância e o papel proeminente de Maria);

 

27 DE JANEIRO – O Apocalipse - a resposta a um contexto histórico; a simbologia; as Cartas às Sete Igrejas; as Visões Proféticas (Maria e a mulher do Apocalipse; o Epílogo). 

 

3 DE FEVEREIRO – Alguns aspetos históricos e dogmáticos sobre a presença de Maria na Igreja. Balanço final.

 

Papa no Angelus: libertar a fé dos laços com o dinheiro

 

 
Ela fica sem nada, mas encontra em Deus o seu tudo. Ela não teme perder o pouco que tem, porque tem confiança no muito de Deus, que multiplica a alegria de quem dá. Eis então que Jesus a propõe como mestra de fé: não vai ao Templo para colocar em dia a consciência, não reza para ser vista, não ostenta a sua fé, mas dá com o coração, com generosidade e gratuitidade."
 

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

“As suas moedas têm um som mais bonito do que as grandes ofertas dos ricos, porque expressam uma vida dedicada a Deus com sinceridade, uma fé que não vive de aparências, mas da confiança incondicional”. A pobre viúva, uma mestra da fé, um modelo a ser seguido para assim sermos curados da hipocrisia, doença perigosa da alma.

A passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12, 38-44) proposta pela liturgia do dia, apresenta um contraste gritante: de um lado os ricos, que dão o que é supérfluo para serem vistos, e de outro uma “pobre mulher que, sem aparecer, oferece todo o pouco que tem. Dois símbolos de comportamentos humanos”.

A pobre viúva, um modelo

A cena, explicou o Papa aos milhares de fiéis e turistas reunidos na Praça de S. Pedro, “spassa-se dentro do Templo de Jerusalém. Jesus olha para o que acontece neste lugar, o mais sagrado de todos, e vê como os escribas gostam de caminhar para serem notados, saudados e reverenciados e terem lugares de honra”. Contemporaneamente, “os seus olhos vislumbram outra cena: uma pobre viúva, precisamente uma daquelas exploradas pelos poderosos, coloca no tesouro do Templo tudo o que tinha para viver":

O verbo “guardar” – diz Francisco – vai resumir o ensino de Jesus sobre estas duas cenas, ou seja, devemo-nos guardar daqueles que vivem a fé com duplicidade, como aqueles escribas, “para não nos tornarmos como eles”, mas olhar para a viúva e “tomá-la como modelo”. “Detenhamo-nos nisto – enfatizou o Papa - guardarmo-nos dos hipócritas e olhar para a pobre viúva”:

Antes de tudo, guardarmo-nos dos hipócritas, isto é, estar atentos para não basear a vida no culto da aparência, da exterioridade, no cuidado exagerado da própria imagem. E, sobretudo, estar atentos para não submeter a fé aos nossos interesses.

O mal do clericalismo

O Papa explica que aqueles escribas cobriam com o nome de Deus a própria vanglória, mas pior ainda, “usavam a religião para administrar seus negócios, abusando de sua autoridade e explorando os pobres”. Um mau comportamento "que também hoje vemos em tantos cargos, em tantos lugares. O clericalismo, este estar acima dos humildes, explorá-los, pisar neles, sentir-se perfeitos. Este é o mal do clericalismo":

É uma advertência para todos os tempos e para todos, Igreja e sociedade: nunca tirar proveito da própria posição para pisar sobre os outros, nunca ganhar à custa dos mais fracos! E vigiai, para não cair na vaidade, para que não aconteça de nos fixarmos nas aparências, perdendo a substância e vivendo na superficialidade.

Hipocrisia, doença perigosa da alma

Francisco convida então a interrogarmo-nos: “naquilo que dizemos e fazemos, queremos ser apreciados e gratificados ou prestar um serviço a Deus e ao próximo, especialmente aos mais fracos?”. E alerta: Vigiemos as falsidades do coração, a hipocrisia, que é uma doença perigosa da alma?”:

É um pensar duplo, um julgar duplo, como diz a própria palavra: “julgar por baixo”, aparecer de uma forma e “hipo”, sob, ter outro pensamento. Duplos, pessoas com almas duplas, duplicidade de alma.

Libertar o sagrado dos laços do dinheiro

E para sermos curados dessa doença, “Jesus convida-nos a olhar para a pobre viúva”. “O Senhor – enfatizou o Pontífice - denuncia a exploração desta mulher que, para fazer a oferta, deve voltar para casa privada até mesmo do pouco que tem para viver”:

Como é importante libertar o sagrado dos laços com o dinheiro! Jesus já tinha dito, noutro lugar: não se pode servir a dois senhores. Ou serves a Deus - e nós pensamos que diga "ou o diabo", não - ou Deus ou o dinheiro. É um senhor.

Mas, ao mesmo tempo - acrescenta o Papa -  Jesus elogia o facto de que a viúva coloque tudo o que tem no tesouro:

Ela fica sem nada, mas em Deus encontra o seu tudo. Ela não teme perder o pouco que tem, porque tem confiança no muito de Deus, e este muito de Deus multiplica a alegria de quem dá.

Isto remete a outra viúva, àquela do Profeta Elias, que estava para preparar uma focacia com o que lhe restava de óleo e farinha. Mesmo assim deu de comer a Elias, "e a farinha nunca irá diminuir, um milagre! - exclamou Francisco -. O Senhor sempre, diante da generosidade das pessoas, vai além, é mais generoso. Mas é Ele, não a nossa avareza.

Mestra da fé

Assim, “Jesus propõe como mestra de fé esta senhora: não vai ao Templo para colocar em dia a consciência, não reza para ser vista, não ostenta a sua fé, mas dá com o coração, com generosidade e gratuitidade”:

As suas moedas têm um som mais bonito do que as grandes ofertas dos ricos, porque expressam uma vida dedicada a Deus com sinceridade, uma fé que não vive de aparências, mas da confiança incondicional. Aprendamos com ela: uma fé sem ornamentos externos, mas sincera por dentro; uma fé feita de amor humilde a Deus e aos irmãos.

E agora dirijamo-nos à Virgem Maria, que com o coração humilde e transparente fez de toda a sua vida um dom para Deus e para o seu povo.

Vatican News

sábado, 6 de novembro de 2021

Papa: as crises conjugais não são uma maldição, mas uma oportunidade

 
 Papa na sala Paulo VI com a Associação "Retrouvaille" 
 
Ao encontrar na Sala Paulo VI os membros da Associação Retrouvaille, o Papa recorda o valor das feridas familiares que, ao serem colocadas ao serviço dos outros, ajudam a curar quem as vivencia. Salienta que a crise faz parte da história da salvação e convida a «perder tempo» para acompanhar os cônjuges com paciência, respeito e disponibilidade.
 

Antonella Palermo - Cidade do Vaticano

Na Sala Paulo VI, Francisco encontra no final da manhã deste sábado, 6, cerca de 600 pessoas ligadas à Associação Retrouvaille, um serviço experencial oferecido a casais ​​ou conviventes que sofrem graves problemas de relacionamento, que estão prestes a separarem-se ou já separados ou divorciados, e que pretendem reconstruir o seu relacionamento amoroso, trabalhando para salvar seu matrimtrnónio em crise, ferido e dilacerado.

Antes do encontro com o Santo Padre, houve espaço para alguns testemunhos e também para a escuta do Fr. Marco Vianelli, há dois anos diretor do Escritório para a Família da Conferência Episcopal Italiana. O sacerdote lembra que a experiência de acompanhamento das famílias feridas é um recurso precioso, porque das feridas surgem na maioria das vezes lacunas. 

Tenham medo do conflito, não das crises

Dirigindo-se aos representantes presentes na Sala Paulo VI, o Papa saúda este "encontro" precisamente durante o Ano da Família Amoris Laetitia. O que devemos temer é cair no conflito - sublinha Francisco - porque é difícil encontrar uma solução no conflito. “Por outro lado, a crise faz-te dançar um pouco, às vezes faz-te ouvir coisas más mas da crise pode-se sair, desde que dela se saia melhor”. E acrescenta que dificilmente se pode sair sozinho da crise. Portanto exorta, saindo do discurso escrito, a não ter medo da crise, mas sim temer o conflito.

Crises conjugais como oportunidade

O Papa detém-se imediatamente na palavra crise que o período pandémico infelizmente nos tornou familiar. A crise é considerada pelo Papa como “uma oportunidade para dar um salto qualitativo nas relações”. E faz referência à Exortação Amoris laetitia na parte dedicada às crises familiares (cf. 232-238). Leva então em consideração, com base nas experiências dos casais, a outra palavra-chave: feridas.

Porque as crises das pessoas produzem feridas, chagas no coração e na carne. “Feridas” é uma palavra-chave para vós, faz parte do vocabulário diário da Retrouvaille. Faz parte da sua história: de facto, vocês são casais feridos que passaram pela crise e estão curados; e precisamente por isso são capazes de ajudar outros casais feridos. Vocês não abandonaram, vocês não se  foram embora. Vocês pegaram nas mãos a crise para procurar uma solução.

As feridas dos casais, um dom a ser partilhado

Francisco agradece a Retrouvaille porque a experiência vivida pelos cônjuges é colocada a serviço dos outros. E fala de “um dom precioso quer a nível pessoal como eclesial”, e agradece porque é um gesto que faz crescer e amadurecer outros casais.

Hoje há tanta necessidade de pessoas, de cônjuges que saibam testemunhar que a crise não é uma maldição, faz parte do caminho e constitui uma oportunidade.

Aqui, mais uma vez saindo do discurso preparado, o Papa insiste que também os padres, os bispos devem trilhar este caminho, o de considerar a crise como uma oportunidade. “Pelo contrário - diz ele - seríamos padres e bispos fechados em nós mesmos, sem um diálogo real com as outras pessoas”.

Mas, para ter credibilidade, é preciso ter experimentado isso. Não pode ser um discurso teórico, uma "exortação piedosa"; não seria credível. Em vez disto, vocês levam um testemunho de vida. Estavam em crise, estavam feridos; graças a Deus e com a ajuda dos vossos irmãos e irmãs estão curados; e decidiram partilhar a vossa experiência, colocá-la ao serviço dos outros.

O Papa então menciona os dois textos bíblicos do Bom Samaritano e de Jesus ressuscitado que mostra as suas chagas aos discípulos. São passagens do Evangelho que a Associação considera correlatas e cuja justaposição - observa Francisco - o ajudou a ver melhor do que a ligação entre essas duas figuras "passa pelas feridas, chagas".

No personagem do Bom Samaritano, sempre foi reconhecido Jesus, desde os escritos dos Padres da Igreja. A vossa experiência ajuda a ver que aquele samaritano é o Cristo Ressuscitado, que conserva no próprio corpo glorioso as chagas e precisamente por isso pode - como diz a Carta aos Hebreus - sentir compaixão por aquele homem ferido abandonado ao longo do caminho, pelas feridas de todos nós.

Os cônjuges, protagonistas de uma comunidade que "acompanha"

No centro do discurso do Papa está também a palavra acompanhar, "uma das palavras mais importantes no processo sinodal sobre a família de 2014-2015" e que constitui - afirma o Pontífice - a primeira resposta à realidade de tantos casais em dificuldade ou já divididos.

A ênfase aqui é que este compromisso diz respeito obviamente ao ministério dos pastores, “mas envolve também na primeira pessoa os cônjuges, como protagonistas de uma comunidade que os acompanha”.

O Papa elogia a experiência de Retrouvaille também porque nasceu "de baixo", na escuta do Espírito Santo que "desperta na Igreja novas realidades que respondem às novas necessidades". A conclusão do discurso do Papa é confiada à imagem de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús, que se coloca a caminho ao lado deles, ao longo da estrada, sem ser reconhecido:

Ouvir a sua crise convida-os a contar, expressarem-se. E então desperta-os da sua insensatez, surpreende-os revelando-lhes uma perspetiva diferente, que já existia, já estava escrita, mas eles não tinham entendido: não tinham compreendido que Cristo tinha que sofrer e morrer na cruz, que a crise faz parte da história da salvação ...

O Papa insiste neste aspeto e di-lo duas vezes: a crise faz parte da história da salvação. E acrescenta: A vida humana não é uma vida de laboratório, nem uma vida asséptica, como que banhada em álcool. A vida humana é uma vida de crise com todos os problemas de cada dia ... Depois, volta ao cenário bíblico:

E então aquele homem, aquele viajante, para comer com eles, fica com eles: perde tempo com eles. Acompanhar significa “perder tempo” para ficar perto das situações de crise. E muitas vezes é preciso muito tempo, é preciso paciência, respeito, disponibilidade… Tudo isto é acompanhar. E vocês o sabem bem.

Vatican News

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

ACOMPANHAR MARIA NO NOVO TESTAMENTO - O MUNDO JUDAICO

 


 

 

Para entrar em cada reunião Zoom:

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Senha de acesso: 1234

 

 

14 DE OUTUBRO – Partilha de Expectativas. Apresentação do Programa. Introdução ao Estudo do Novo Testamento.

 

21 DE OUTUBRO – O Mundo Judaico no Tempo de Jesus e de Maria.

 

28 DE OUTUBRO – A Vida na Igreja nascente: a expansão do Cristianismo pelo mundo; o Concílio de Jerusalém; a hostilidade do mundo em geral (comunidade judaica e sociedade romana; a defesa da verdade).

 

4 DE NOVEMBRO – Os Escritos Paulinos (os escritos neotestamentários mais antigos). “Nascido de uma mulher” (Primeiros Passos sobre Maria).

 

11 DE NOVEMBRO – Os Evangelhos. A Questão Sinótica. O Evangelho segundo São Marcos (o autor, o destinatário, o texto).

 

25 DE NOVEMBRO – O Evangelho segundo São Marcos (o primeiro Evangelho redigido e as suas afirmações acerca de Maria).

 

2 DE DEZEMBRO – O Evangelho segundo São Mateus (a autoria, o destinatário, o texto); 

 

9 DE DEZEMBRO – O Evangelho segundo São Mateus (Maria e a novidade de um Evangelho de Infância; edificação do Reino por palavras e obras; a Paixão e os relatos pascais; envio dos discípulos);

 

16 DE DEZEMBRO – A Obra Lucana (a autoria, o destinatário, o texto; o Evangelho de Infância e o papel proeminente de Maria);

 

27 DE JANEIRO – O Apocalipse - a resposta a um contexto histórico; a simbologia; as Cartas às Sete Igrejas; as Visões Proféticas (Maria e a mulher do Apocalipse; o Epílogo). 

 

3 DE FEVEREIRO – Alguns aspetos históricos e dogmáticos sobre a presença de Maria na Igreja. Balanço final.

 

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

O Papa: caminhar segundo o espírito é deixarmo-nos guiar por Ele

 
 
"Caminhar segundo o Espírito" não é apenas uma ação individual: diz respeito também à comunidade como um todo. Construir a comunidade seguindo o caminho indicado pelo Apóstolo é emocionante, mas desafiador, disse ainda Francisco.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Carta de S. Paulo aos Gálatas, na Audiência Geral, desta quarta-feira (03/11), que teve como tema "Caminhar segundo o Espírito".

"Crer em Jesus significa segui-lo, ir atrás dele no seu caminho, como fizeram os primeiros discípulos. Ao mesmo tempo, significa evitar o caminho oposto, o do egoísmo, da busca do próprio interesse, que o Apóstolo Paulo chama de "desejo da carne". O Espírito é o guia deste caminho na estrada de Cristo, um caminho maravilhoso, mas também cansativo que começa no Batismo e dura a vida inteira", disse o Pontífice.

Deixar-se guiar pelo Espírito Santo

"Caminhar segundo o Espírito", exorta S. Paulo, significa "deixar-me guiar" por Ele. "É como dizer: coloquemo-nos na mesma linha e deixemo-nos guiar pelo Espírito Santo." A seguir, o Papa acrescentou:

São expressões que indicam uma ação, um movimento, um dinamismo que nos impede de parar nas primeiras dificuldades, mas provoca-nos a confiar na "força que vem do alto". Percorrendo este caminho, o cristão adquire uma visão positiva da vida. Isto não significa que o mal presente no mundo tenha desaparecido, ou que os impulsos negativos do egoísmo e do orgulho se tenham sumido; ao contrário, significa acreditar que Deus é sempre mais forte do que as nossas resistências e maior do que os nossos pecados.

Deixar-me guiar pelo Espírito. Paulo sente esta exortação necessária também para mim. Mesmo sabendo que Cristo vive em mim, estar convencido de não ter ainda alcançado a meta, o ápice da montanha. O Apóstolo dos Gentios não se coloca acima da sua comunidade, não diz: eu sou o chefe e vós sois os outros, mas caminha com todos, dando exemplo concreto da necessidade de obedecer a Deus, correspondendo cada vez mais e melhor à guia do Espírito. "Como é bonito encontrar pastores que caminham com o seu povo, que não se distanciam", acrescentou o Papa. Pastores que não dizem: "Eu sou mais importante, eu sou um pastor. Eu sou um padre", "Eu sou um bispo", com o nariz empinado, mas pastores que caminham com o povo. Isto é muito bonito e faz bem à alma", ressaltou.

Assumir as dificuldades uns dos outros

"Caminhar segundo o Espírito" não é apenas uma ação individual: diz respeito também à comunidade como um todo. Construir a comunidade seguindo o caminho indicado pelo Apóstolo é emocionante, mas desafiador.

Os "desejos da carne", as tentações que todos nós temos, ou seja, inveja, preconceito, hipocrisia e ressentimento continuam presentes, e recorrer a preceitos rígidos pode ser uma tentação fácil, mas ao fazê-lo sai -se do caminho da liberdade e, em vez de subir ao cume, volta-se para baixo. Percorrer o caminho do Espírito exige, em primeiro lugar, dar espaço à graça e à caridade. Dar espaço à graça de Deus sem medo.

Paulo, depois de fazer ouvir a sua voz de maneira severa, convida os Gálatas a assumirem as dificuldades uns dos outros e, se alguém cometer um erro, usar a mansidão. "Uma atitude bem diferente do mexerico para esfolar o próximo. Não, isto não está de acordo com o Espírito. Segundo o Espírito, é ter doçura com o irmão, corrigi-lo e cuidar de si mesmo para não cair nestes pecados, ou seja, ter humildade. Como é fácil criticar os outros! Há pessoas que parecem terem-se formado em mexericos. Todos os dias criticam os outros. Olhe para si", disse ainda o Papa.

A regra suprema da correção fraterna é o amor

Segundo o Papa, "é bom interrogarmo-nos sobre o que nos leva a corrigir um irmão ou uma irmã, e se não somos, de alguma forma, corresponsáveis​​  pelo seu erro".

O Espírito Santo, além de nos dar o dom da mansidão, convida-nos à solidariedade, a carregar os fardos dos outros. Quantos fardos estão presentes na vida de uma pessoa: doença, falta de trabalho, solidão, dor...! Quantas outras provações exigem a proximidade e o amor dos irmãos.

O Santo Padre sublinhou que "a regra suprema da correção fraterna é o amor, desejar o bem aos nossos irmãos e irmãs, tolerar os problemas dos outros, os defeitos dos outros em silêncio na oração a fim de encontrar o caminho certo para ajudá-lo a corrigir-se. Isto não é fácil". "A maneira mais fácil é mexericar, tirar a pele do outro como se eu fosse perfeito. Isto não deve ser feito. Mansidão, paciência, oração e proximidade", concluiu Francisco.

Vatican News

terça-feira, 2 de novembro de 2021

Papa: os túmulos das vítimas de guerra clamam por paz

 
 Papa no cemitérrio francês, em Roma 
 
 
Antes da celebração eucarística no Cemitério Militar Francês de Roma, Francisco deteve-se em oração diante de alguns túmulos, sobre os quais depositou rosas brancas. Diante de um túmulo, afirmou, não havia nem mesmo o nome do soldado. Mas “no coração de Deus está o nome de todos nós. Esta é a tragédia da guerra"
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Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

Por todos os mortos, em especial pelas vítimas da guerra e da violência: o Papa Francisco já tinha anunciado a sua intenção de oração neste Dia de Finados. E assim foi. O Pontífice deixou o Vaticano para celebrar a missa no Cemitério Militar Francês de Roma.

Antes da celebração eucarística, Francisco deteve-se em oração diante de alguns túmulos, sobre os quais depositou rosas brancas.

Já na sua homilia, a pregação concentrou-se nos dois aspetos: o nosso estar em caminho e a necessidade da paz.

 

 

“Todos nós estamos em caminho, se quisermos fazer algo na vida”, disse o Papa. Não se trata de um passeio nem de circular por um labirinto. Neste caminhar, passamos diante de fatos históricos, diante de tantas situações difíceis e diante dos cemitérios. E Francisco aconselhou: você que passa, pare o passo e pense em seus passos. Todos nós daremos o último passo. Não se trata de ser trágico, mas é a realidade. “O importante é que o último passo seja em caminho. Estar a caminho para que o último passo seja caminhando.”

No coração de Deus está o nome de todos nós

O segundo aspecto é representado pelos túmulos. No caso do cemitério francês, as pessoas ali enterradas morreram na guerra. "Morreram porque foram chamados a defender a pátria, os valores, os ideais e muitas vezes defender situações políticas tristes e lamentáveis. São as vítimas da guerra, que consome os filhos da pátria." O Papa citou algumas localidades de Itália e de França onde houve combates e mortes durante as Guerras: Anzio, Redipuglia, Piave, Normandia.

Diante de um túmulo, acrescentou, não tinha nem mesmo o nome do soldado. Mas “no coração de Deus está o nome de todos nós".

“Esta é a tragédia da guerra. Estou certo de que todos os que foram chamados pela pátria a defendê-la estão com o Senhor.”

Mas para o Papa, o importante agora é estar a caminho lutando suficientemente para que não haja guerras, para que não existam as economias dos países fortificadas pela indústria das armas. Assim, a pregação é olhar os túmulos. "Alguns têm nome, outros não. Estes túmulos são uma mensagem de paz." Uma mensagem para que os fabricantes de armas deixem de produzi-las.

“Deixo estes dois pensamentos. Tu que passas, pensa nos teus passos e no último passo: que seja em paz. O segundo pensamento: estes Túmulos que clamam, gritam ‘paz’.”

Vatican News

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Hoje a Igreja celebra a Festa de Todos os Santos

 
  Solenidade de Todos os Santos  
 
Os Santos são aqueles que nos acompanham no nosso percurso de imitação de Jesus, que nos leva a ser pedra angular na construção do Reino de Deus
 

Vatican News

Esta importante solenidade, chamada, por alguns, “Páscoa de outono,” é celebrada como membros ativos de uma Igreja, que, mais uma vez, não olha para si mesma, mas olha e aspira pelo céu. De fato, a santidade é um caminho que todos somos chamados a trilhar, sob o exemplo desses nossos “irmãos mais velhos”, que nos são propostos como modelos, porque aceitaram ser encontrados por Jesus, rumo ao qual se encaminharam com confiança, com seus desejos, fraquezas e sofrimentos.

Significado da Solenidade

A memória litúrgica dedica um dia especial a todos aqueles que uniram com Cristo em sua glória. Eles não nos são indicados apenas como arquétipos, mas invocados também como protetores das nossas ações. Os Santos são os filhos de Deus que atingiram a meta da salvação e que vivem, na eternidade, aquela condição de bem-aventurança expressa por Jesus no discurso da Montanha, narrado no Evangelho de Mateus (5,1-12). Os Santos são aqueles que também nos acompanham no nosso percurso de imitação de Jesus, que nos leva a ser pedra angular na construção do Reino de Deus.

Comunhão dos Santos

Em nossa profissão de fé, afirmamos acreditar na Comunhão dos Santos. Sabemos que esta expressão significa a vida e a contemplação eterna de Deus, razão e finalidade da mesma Comunhão, mas também a comunhão com as "coisas" sagradas. De fato, se os bens terrenos, enquanto limitados, dividem os homens no espaço e no tempo, as graças e os dons, que Deus nos proporciona, são infinitos e deles todos podem participar. O dom da Eucaristia, de modo particular, nos permite, desde já, viver a antecipação daquela liturgia que o Senhor celebra no santuário celestial com todos os Santos. A grandeza da redenção mede-se pelos frutos, ou seja, por aqueles que foram redimidos e amadureceram em santidade. Através deles, a Igreja contempla a sua vocação e condição de uma humanidade transfigurada em caminho rumo ao Reino.

Origem e história desta festa

Esta festa de esperança, que nos recorda o objetivo da nossa vida, tem raízes antigas: no século IV, começou a celebração dos mártires, comuns para as diferentes Igrejas. Os primeiros sinais desta celebração foram encontrados em Antioquia, no domingo após o dia de Pentecostes, sobre a qual já falava São João Crisóstomo. Entre os séculos VIII e IX, esta festa começou a difundir-se também na Europa, e, em Roma, de modo particular, no século IX. Ali, o Papa Gregório III (731-741) quis que esta festa fosse comemorada no dia 1º de novembro, que coincidia com a consagração de uma Capela, na Basílica de São Pedro, dedicada às relíquias "dos santos Apóstolos, dos Santos mártires e confessores e de todos os Justos, que chegaram à perfeição e descansam em paz no mundo inteiro". Na época de Carlos Magno, esta festa já era muito conhecida como ocasião para a Igreja, que vagueia e sofre na Terra, mas que olha para o céu, onde estão seus irmãos mais 

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