Na Audiência
Geral, o Pontífice exortou a voltar o olhar para Maria e a rezar o
Terço: "Que a tua vida e as tuas escolhas diárias sejam iluminadas por
Cristo
Amedeo Lomonaco – Vatican News
As aparições de Maria em Fátima, Nossa Senhora da Aparecida, Nossa
Senhora do Pilar e o mês de outubro dedicado ao Rosário. Nas saudações
aos peregrinos, após a catequese da Audiência Geral, a bússola
permanente é a Virgem Maria. Na saudação aos fiéis de língua alemã, o
horizonte estende-se, em particular, para Fátima:
Que a Bem-aventurada Virgem Maria, cujas aparições em Fátima
recordaremos amanhã, seja a nossa guia no caminho da conversão contínua e
penitência ao encontro de Cristo, sol da justiça. Que a sua "luz suave"
nos liberte de todo o mal e dissipe as trevas deste mundo atormentado
pelas guerras.
Nossa Senhora do Pilar e Nossa Senhora Aparecida
Na saudação aos fiéis de língua espanhola, o Papa Francisco recordou
que hoje celebra-se Nossa Senhora do Pilar, "Padroeira da Hispanidade". “Que
ela interceda por nós junto do seu Filho, para que possamos descobrir o
desejo profundo que Ele colocou no nosso coração e nos dê a graça de
realizá-lo”. Aos peregrinos que vieram de Portugal, e de outros países de língua portuguesa, especialmente do Brasil, o Papa disse:
Hoje, celebra-se a Senhora da Aparecida com tantos irmãos e irmãs que
chegam em peregrinação ao seu Santuário. E ali, junto da Virgem Mãe,
rezam o terço e cantam a Nossa Senhora da Aparecida. Rezemos com eles pela
paz e peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a assumir o grande desejo do
Pai celeste: fazer-nos a todos, participantes, da sua plenitude de
vida.
O Rosário
Por fim, na saudação aos fiéis de língua polaca, o convite do Papa a recitar o Terço:
O mês de outubro é dedicado ao Santo Rosário. Ao recitar esta
oração, deixa a tua vida e as tuas escolhas quotidianas sejam iluminadas
por Cristo, esplendor da Verdade. Meditando nos mistérios da luz,
lembra-te de São João Paulo II que quis adicioná-los à contemplação dos
outros momentos da vida de Jesus.
Consagração ao Coração de Maria
Em 25 de março, durante a Celebração da Penitência na Basílica de São
Pedro, o Papa Francisco consagrou a Rússia e a Ucrânia ao Imaculado
Coração de Maria. "Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e
consagramos nós mesmos ao vosso Coração Imaculado, a Igreja e toda a
humanidade, especialmente a Rússia e a Ucrânia... Apague o ódio, aplaque
a vingança, ensine-nos o perdão", foi a oração do Pontífice: "Livra-nos
da guerra, preserva o mundo da ameaça nuclear. Que a guerra cesse,
conceda paz ao mundo. Fazei de nós artesãos de comunhão".
Na Praça de São
Pedro, Francisco falou do "desejo" como ingrediente indispensável para o
discernimento. É no diálogo com Deus que aprendemos a compreender o que
verdadeiramente queremos da nossa vida.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
"Senhor, dai-nos o desejo e fazê-lo crescer": na catequese da
Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco deu prosseguimento
ao seu ciclo de reflexões sobre o discernimento, acrescentando mais um
“ingrediente” indispensável: o desejo. Nas semanas precedentes, o Pontífice discorreu sobre a oração e o conhecimento de si.
Com efeito, o discernimento é uma forma de busca, e a busca deriva
sempre de algo que nos falta mas que, de certo modo, conhecemos.
O desejo, todavia, não é a vontade do momento. A palavra italiana vem de um termo latino de-sidus,
literalmente “a falta da estrela”, do ponto de referência que orienta o
caminho da vida; ela evoca um sofrimento, uma carência e, ao mesmo
tempo, uma tensão para alcançar o bem que falta. Então, o desejo é a
bússola para compreender onde estou e para onde vou. "Ou melhor, é a
bússola para entender se estou parado ou se estou em movimento, uma
pessoa que nunca deseja é uma pessoa parada, talvez doente, quase
morta." Obstáculos e fracassos não sufocam o desejo; pelo contrário,
tornam-no ainda mais vivo em nós.
A época em que vivemos, disse ainda o Papa, parece favorecer a máxima liberdade de escolha, mas ao mesmo tempo atrofia o desejo,
reduzido principalmente à vontade do momento. Somos bombardeados por
mil propostas, projetos e possibilidades, que correm o risco de nos
distrair e de não nos permitir avaliar com calma o que realmente
queremos.
Dialogar com o Senhor
Muitas pessoas sofrem porque não sabem o que querem da própria vida;
provavelmente nunca entraram em contcto com o seu desejo mais profundo.
Daqui deriva o risco de passar a existência entre tentativas e
expedientes de vários tipos, sem nunca chegar a lado algum,
desperdiçando oportunidades preciosas.
"Dialogando com o Senhor, aprendemos a compreender o que
verdadeiramente queremos da nossa vida", disse o Papa, que advertiu
quanto ao perigo das lamentações, que travam o desejo.
"Cuidado porque as lamentações são um veneno, um veneno para a alma,
um veneno para a vida, porque não deixam crescer o desejo de ir avante.
Quando há lamentações na família, entre os cônjuges, os filhos que se
lamentam do pai ou os padres do bispo e os bispos de muitas outras
coisas... Não, se vocês vivem de lamentações, cuidado. É quase pecado,
porque não deixa o desejo crescer."
Outra advertência do Pontífice foi quanto aos jovens que ficam presos
no telemóvel, sempre extroversos em direção a outrem. Mas "o desejo não
pode crescer assim", preso somente no momento presente.
Eis então o convite do Papa a pedir ao Senhor que nos ajude a
conhecer profundamente os nossos desejos e concede-nos a força para os
realizar. "É uma graça imensa, na base de todas as outras: permitir que o
Senhor, como no Evangelho, faça milagres para nós: Dai-nos o desejo e
fá-lo crescer, Senhor."
Afinal, também Ele tem um grande desejo em relação a nós: tornar-nos participantes na sua plenitude de vida.
"Os dois Santos
canonizados hoje lembra-nos a importância de caminhar juntos e saber
agradecer", disse Francisco. João Batista Scalabrini "afirmava que, no
caminhar comum daqueles que emigram, é preciso não ver só problemas, mas
também um desígnio da Providência. O irmão salesiano Artemides Zatti
foi um exemplo vivo de gratidão: curado da tuberculose, dedicou toda a
sua vida a favor dos outros, a cuidar com amor e ternura dos doentes".
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Francisco celebrou a missa de canonização do bispo João
Batista Scalabrini e do irmão salesiano Artêmides Zatti, neste domingo
(09/10), na Praça São Pedro.
O Papa iniciou a sua homilia com o episódio do Evangelho, da liturgia
deste domingo, em que dez leprosos caminham juntos e vão ao encontro de
Jesus que os cura, mas somente um deles volta «glorificando a Deus em
voz alta» e agradece a Jesus. Era um samaritano, um estrangeiro.
A seguir, Francisco dete-se em dois aspetos dessa passagem do Evangelho: caminhar juntos e agradecer.
O Papa ressaltou que "no início da narração, não há nenhuma distinção
entre o samaritano e os outros nove. Fala-se simplesmente de dez
leprosos, que formam um grupo e, sem divisão, vão ao encontro de Jesus.
Como sabemos, a lepra não era apenas uma úlcera física, mas também uma
«doença social», porque naquele tempo, por medo do contágio, os leprosos
deviam estar fora da comunidade. Não podiam entrar nos centros
habitados, mas eram mantidos à distância, relegados às margens da vida
social e até religiosa. Caminhando juntos, estes leprosos clamam contra
uma sociedade que os exclui. O samaritano, apesar de ser considerado
herético, «estrangeiro», faz grupo com os outros. A doença e a
fragilidade comuns fazem cair as barreiras e superar toda a exclusão,
como nos recordou na primeira Leitura, Naaman, o sírio, que apesar de
ser rico e poderoso, para se curar teve de mergulhar no rio onde se
banhavam todos os outros".
Tirar as nossas armaduras exteriores
Como nos faz bem tirar as nossas armaduras exteriores, as nossas
barreiras defensivas e tomar um bom banho de humildade, recordando-nos
de que todos somos frágeis por dentro e necessitados de cura, tod rumo a Deus e aos irmãos, sem
nunca nos fecharmos em nós mesmos; pede-nos sempre para nos
reconhecermos necessitados de cura e perdão, e partilharmos as
fragilidades de quem vive ao nosso redor, sem nos sentirmos superiores.
O Papa convidou-nos a verificar se, "na nossa vida, nas nossas
famílias, nos nossos lugares de trabalho e de convivência diária, somos
capazes de caminhar junto com os outros, ouvir, superar a tentação de
nos entrincheirarmos na nossa autorreferencialidade e pensarmos só nas
nossas necessidades".
Caminhar juntos é a vocação da Igreja
"Mas caminhar juntos", disse ainda o Pontífice, "ser «sinodais», é também a vocação da Igreja".
Perguntemo-nos até que ponto somos realmente comunidades abertas e
inclusivas em relação a todos; se conseguimos trabalhar juntos, padres e
leigos, ao serviço do Evangelho; se temos uma atitude acolhedora – feita
não só de palavras, mas de gestos concretos – tanto para com os
distantes como para com todos os que se aproximam de nós, sentindo-se
inábdeis devido aos seus percursos de vida conturbada. Fazemo-los
sentir parte da comunidade, ou excluímo-los?
Francisco disse ter medo, quando vê "comunidades cristãs que dividem o
mundo em bons e maus, em santos e pecadores". Com isto, "acaba-se por
se sentirem melhor que os outros e manter de fora muitos que Deus quer
abraçar". O Papa disse que é importante "incluir sempre tanto na Igreja como na sociedade, ainda caracterizada por tantas desigualdades e
marginalizações. Incluir todos".
A exclusão dos migrantes é escandalosa
Hoje, no dia em que Scalabrini torna-se santo, gostaria de pensar
nos migrantes. A exclusão dos migrantes é escandalosa. Aliás, a exclusão
dos migrantes é criminosa, faz com que morram diante de nós. E assim,
hoje temos o Mediterrâneo que é o maior cemitério do mundo. A exclusão
dos migrantes é nojenta, é pecaminosa, é criminosa. Não abrir as portas
para quem precisa... "Não os excluímos, os mandamos embora", para os
campos de concentração, onde são explorados e vendidos como escravos.
Irmãos e irmãs, hoje pensamos nos nossos migrantes, aqueles que morrem e
aqueles que são capazes de entrar. Nós os recebemos como irmãos ou exploram-los? Deixo esta pergunta.
A seguir, o Papa se deteve-se no aspeto: agradecer. "No grupo
dos dez leprosos, há apenas um que, ao ver-se curado, regressa para
louvar a Deus e manifestar a sua gratidão a Jesus. Enquanto os outros
nove ficam purificados, mas prosseguem pelo seu caminho, esquecendo-se
d’Aquele que os curou. O samaritano faz do dom recebido o princípio de
um novo caminho: regressa para junto de Quem o sarou, vai conhecer Jesus
de perto, inicia uma relação com Ele. Assim, a sua atitude de gratidão
não é um simples gesto de cortesia, mas o início de um percurso de
gratidão: prostra-se aos pés de Cristo, isto é, faz um gesto de
adoração, reconhecendo que Jesus é o Senhor e que é mais importante do
que a cura recebida".
É fundamental saber agradecer
Esta é uma grande lição também para nós, que todos os dias beneficiamos dos dons de Deus, mas frequentemente prosseguimos pela
nossa estrada esquecendo de cultivar uma relação viva com Ele.
Trata-se de uma grave doença espiritual: dar tudo como garantido,
inclusive a fé, mesmo a nossa relação com Deus, ao ponto de nos tornarmos
cristãos que deixaram de se maravilhar, já não sabem dizer «obrigado»,
não se mostram agradecidos, não sabem ver as maravilhas do Senhor. E
acaba-se, assim, por pensar que tudo o que recebemos diariamente seja
óbvio e devido. Ao contrário, a gratidão, o saber dizer «obrigado» leva-nos a afirmar a presença de Deus-amor e também a reconhecer a
importância dos outros, vencendo o descontentamento e a indiferença que
nos embrutecem o coração.
"É fundamental saber agradecer", reiterou o Papa. "Devemos
diariamente dar graças ao Senhor, saber em cada dia agradecer uns aos
outros: na família, por aquelas pequenas coisas que às vezes recebemos
sem nos perguntar sequer de onde vêm; nos locais que frequentamos
quotidianamente, pelos inúmeros serviços de que usufruímos e pelas
pessoas que nos apoiam; nas nossas comunidades cristãs, pelo amor de
Deus que experimentamos através da proximidade de irmãos e irmãs que
muitas vezes em silêncio rezam, oferecem, sofrem, caminham conosco. Por
favor, não esqueçamos esta palavra-chave: obrigado", sublinhou
Francisco.
A migração de ucranianos que fogem da guerra
Os dois Santos, canonizados hoje, lembram-nos a importância de
caminhar juntos e saber agradecer. O Bispo Scalabrini, que fundou uma
Congregação para o cuidado dos migrantes, aliás, duas: uma masculina e
outra feminina, afirmava que, no caminhar comum daqueles que emigram, é
preciso não ver só problemas, mas também um desígnio da Providência. Há
uma migração, neste momento, aqui na Europa, que nos faz sofrer muito e
nos leva a abrir os nossos corações: a migração de ucranianos que fogem da
guerra. Não nos esqueçamos hoje da martirizada Ucrânia. Scalabrini
olhava mais além, olhava adiante, para um mundo e uma Igreja sem
barreiras, sem estrangeiros. Por sua vez, o irmão salesiano Artêmides
Zatti foi um exemplo vivo de gratidão: curado da tuberculose, dedicou
toda a sua vida a favor dos outros, a cuidar com amor e ternura dos
doentes. Conta-se que o viram carregar aos ombros o corpo morto de um
dos seus doentes. Cheio de gratidão por tudo o que tinha recebido, quis
dizer o seu «obrigado» ocupando-se das feridas dos outros.
O Papa concluiu, convidando a rezar "para que estes nossos santos
irmãos nos ajudem a caminhar juntos, sem muros de divisão; e a cultivar
esta nobreza de alma tão agradável a Deus que é a gratidão".
Francisco disse na
Audiência Geral que "muitas vezes o que é dito num programa na
televisão, em algumas propagandas que são feitas, toca o nosso coração e faz-nos ir para aquela direção sem liberdade". "Tenham cuidado com isto",
advertiu o Papa.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o
discernimento, na Audiência Geral desta quarta-feira (05/10). O tema do
encontro semanal do Pontífice com os fiéis, na Praça de São Pedro, foi "Os
elementos do discernimento. Conhecer a si mesmo".
Na catequese da semana passada, Francisco sublinhou a oração como "um
elemento indispensável do discernimento, entendida como familiaridade e
confidência com Deus. A oração com o coração aberto", sublinhou o Papa.
No encontro de hoje, o Papa ressaltou "que o bom discernimento exige
também o conhecimento denós mesmos". O discernimento envolve "memória,
intelecto, vontade, afetos". "Muitas vezes não sabemos discernir porque
não nos conhecemos bem, e assim não sabemos o que realmente queremos",
sublinhou.
A seguir, Francisco citou um autor de espiritualidade que diz:
«Cheguei à convicção de que o maior obstáculo para o verdadeiro
discernimento (e para o verdadeiro crescimento na oração) não é a
natureza intangível de Deus, mas a constatação de que não nos conhecemos
suficientemente, e nem sequer queremos conhecer-nos como
verdadeiramente somos. Quase todos nós escondem-mo-nos por trás de uma
máscara, não só perante os outros, mas também quando nos olhamos no
espelho».
“Desativar o piloto automático”
Segundo Francisco, conhecer-mo-nos "implica um paciente trabalho de
escavação interior. Requer a capacidade de parar, de “desativar o piloto
automático”, de tomar consciência da nossa maneira de agir, dos
sentimentos que nos habitam, dos pensamentos recorrentes que nos
condicionam, muitas vezes sem que saibamos.
Também requer distinguir entre emoções e faculdades espirituais.
“Sinto” não é a mesma coisa que “estou convencido”; “eu gostaria de” não
é a mesma coisa que “eu quero”. Assim chegamos a reconhecer que a visão
que temos de nós mesmos e da realidade é às vezes um pouco deturpada.
Compreender isto é uma graça! Com efeito, muitas vezes pode acontecer
que convicções erradas sobre a realidade, baseadas nas experiências do
passado, influenciam-nos fortemente, limitando a nossa liberdade de
apostar naquilo que realmente conta na nossa vida".
Vivendo na era da informática, sabemos como é importante conhecer
as senhas para poder entrar nos programas em que se encontram as
informações pessoais e preciosas. Até a vida espiritual tem as suas
“senhas”: há palavras que tocam o coração, porque remetem para aquilo a
que somos mais sensíveis. O tentador conhece bem estas palavras-chave, e
é importante que também nós as conheçamos, para não nos encontrarmos
onde não gostaríamos.
Conhecer as senhas do nosso coração
Segundo o Papa, "a tentação não sugere necessariamente coisas más,
mas muitas vezes coisas desordenadas, apresentadas com uma importância
excessiva. Deste modo, hipnotiza-nos com a atratividade que tais coisas
suscitam em nós, coisas bonitas, mas ilusórias, que não podem cumprir o
que prometem, deixando-nos no final com uma sensação de vazio e de
tristeza. A sensação de vazio e tristeza é um sinal de que tomamos uma
estrada que não era certa, que nos desorientou". As coisas desordenadas
"podem ser o título de estudos, a carreira, os relacionamentos, tudo em
si louvável, mas se não formos livres, corremos o risco de nutrir
expetativas irreais, como por exemplo, a confirmação do nosso valor. Por exemplo, quando pensas num estudo que estás a fazer, pensas nele
somente para te promoveres, para teu próprio interesse, ou também para
servir a comunidade? Assim, é possível ver qual é a intencionalidade de
cada um de nós. Deste mal-entendido muitas vezes vem os maiores
sofrimentos, pois nada disto pode ser a garantia da nossa dignidade",
sublinhou Francisco.
Por isso, queridos irmãos e irmãs é importante conhecer-mo-nos,
conhecer as senhas do nosso coração, aquilo a que somos mais sensíveis,
para nos proteger de quem se apresenta com palavras persuasivas para nos
manipular, mas também para reconhecer o que é realmente importante para
nós, distinguindo-o das modas do momento ou de slogans vistosos e
superficiais. Muitas vezes o que é dito num programa na televisão, em
algumas propagandas que são feitas, toca o nosso coração e faz-nos ir para
aquela direção sem liberdade. Tenham cuidado com isto: sou livre ou deixo-me levar pelos sentimentos do momento, ou pelas provocações do
momento?
O exame de consciência ajuda muito
O Papa ressaltou que "uma ajuda para isto é o exame de consciência,
ou seja, um exame de consciência geral do dia. O que aconteceu no meu
coração neste dia? Fazer um exame de consciência, ou seja, o bom hábito
de reler com calma o que aconteceu no nosso dia, aprendendo a observar
nas avaliações e escolhas aquilo a que damos mais importância, o que
procuramos e porquê, e o que afinal encontramos. Aprender sobretudo a
reconhecer o que sacia o meu coração. Pois somente o Senhor pode-nos dar
a confirmação de quanto valemos. Ele diz-nos isto todos os dias a partir da
cruz: morreu por nós, para nos mostrar o quão preciosos somos aos seus
olhos. Não há obstáculo nem fracasso que possa impedir o seu terno
abraço.
O exame de consciência ajuda muito, pois assim vemos que o nosso
coração não é uma estrada onde passa de tudo e não sabemos. Não. Ver: o
que passou hoje? O que aconteceu? O que me fez reagir? O que me deixou
triste? O que me deixou alegre? O que foi mau? Fiz mal aos outros? Ver o
percurso dos sentimentos, das atrações no meu coração durante o dia.
"A oração e o conhecimento de nós mesmos permitem-nos crescer na
liberdade. São elementos básicos da existência cristã, elementos
preciosos para encontrar o próprio lugar na vida", concluiu o Papa.
Francisco,
preocupado com a ameaça nuclear e a escalada militar do conflito na
Ucrânia, dedica todo o Angelus a um forte apelo por um cessar-fogo.
Lamenta as anexações, recomenda o respeito à integridade territorial de
cada país e aos direitos das minorias. A dor pelas milhares de vítimas,
"particularmente entre as crianças".
Vatican News
Tradução integral do apelo do Papa Francisco a Putin e a Zelenski pelo fim da guerra:
Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O andamento da guerra na Ucrânia tornou-sr tão sério, devastador e
ameaçador, ao ponto de causar grande preocupação. Por isso, hoje eu
gostaria de dedicar toda a reflexão a vós antes do Angelus. De facto,
esta terrível e inconcebível ferida da humanidade, em vez de sarar,
continua a sangrar cada vez mais, correndo o risco de se espalhar.
Afligem-me os rios de sangue e de lágrimas derramados nestes meses. Entristece-mr as milhares de vítimas, particularmente entre crianças, e
as muitas destruições, que deixaram muitas pessoas e famílias sem casa e
ameaçam com o frio e a fome vastos territórios. Certas ações jamais
podem ser justificadas, jamais! É angustiante que o mundo esteja
a aprender a geografia da Ucrânia através de nomes como Bucha, Irpin,
Mariupol, Izium, Zaporizhzhia e outras localidades, que se tornaram
lugares de sofrimento e medo indescritíveis. E o que dizer do facto de
que a humanidade se encontra novamente diante da ameaça atómica? É um
absurdo.
O que ainda deve acontecer? Quanto sangue ainda deve correr para que
possamos entender que a guerra nunca é uma solução, mas só destruição?
Em nome de Deus e em nome do senso de humanidade que habita em cada
coração, renovo o meu apelo para que se alcance um cessar-fogo imediato.
Que as armas se calem e se busquem as condições para iniciar
negociações capazes de conduzir a soluções que não sejam impostas pela
força, mas acordadas, justas e estáveis. E assim serão se estiverem
baseadas no respeito do valor sacrossanto da vida humana, bem como da
soberania e da integridade territorial de cada país, assim como dos
direitos das minorias e das preocupações legítimas.
Lamento profundamente a grave situação criada nos últimos dias, com
novas ações contrárias aos princípios do direito internacional. Isso, de
facto, aumenta o risco de uma escalada nuclear ao ponto de temer
consequências incontroláveis e catastróficas a nível mundial.
O meu apelo é dirigido, em primeiro lugar, ao Presidente da Federação
Russa, suplicando-lhe para parar, também pelo amor do seu povo, esta
espiral de violência e de morte. Da outra parte, entristecido com o
imenso sofrimento do povo ucraniano após a agressão sofrida, dirijo um
apelo igualmente confiante ao Presidente da Ucrânia para ser aberto a
propostas sérias de paz. A todos os protagonistas da vida internacional e
aos líderes políticos das Nações, peço, com insistência, para fazer
tudo o que estiver ao vosso alcance para pôr fim à guerra em curso, sem se
deixarem envolver em escaladas perigosas, e a promover e apoiar
iniciativas de diálogo. Por favor, deixemos as jovens gerações respirar o
ar saudável da paz, não aquele poluído da guerra, que é uma loucura!
Após sete meses de hostilidades, sejam usados todos os meios
diplomáticos, mesmo aqueles que até agora eventualmente não foram
utilizados, para pôr um fim a esta terrível tragédia. A guerra em si é
um erro e um horror!
Confiemos na misericórdia de Deus, que pode mudar os corações, e na
intercessão materna da Rainha da Paz, no momento em que se eleva a
Súplica a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia, espiritualmente unidos
aos fiéis reunidos no seu Santuário e em tantas partes do mundo.
O Papa Francisco durante a Audiência Geral desta quartas feira (Vatican Media)
Continuando as suas
catequeses sobre o discernimento, na Audiência Geral, o Papa Francisco
disse que "a oração é uma ajuda indispensável para o discernimento
espiritual, sobretudo quando envolve os afetos, permitindo dirigir-nos a
Deus com simplicidade e familiaridade, como se fala com um amigo. A
oração verdadeira é familiaridade e confidência com Deus. Não é recitar
uma oração como um papagaio, blá blá, não. A verdadeira oração é essa
espontaneidade e afeto ao Senhor".
Mariangela Jaguraba - Vatican News
"Os elementos do discernimento. A familiaridade com o Senhor" foi o
tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta
quarta-feira (28/09), realizada na Praça de São Pedro. Prosseguindo as
catequeses sobre o discernimento, o Santo Padre deteve-se no primeiro dos
seus elementos constitutivos: a oração.
Familiaridade e confidência com Deus
A oração é uma ajuda indispensável para o discernimento
espiritual, sobretudo quando envolve os afetos, permitindo dirigir-nos a
Deus com simplicidade e familiaridade, como quando se fala com um
amigo. É saber ir além dos pensamentos, entrar em intimidade com o
Senhor, com uma espontaneidade afetuosa. O segredo da vida dos santos é a
familiaridade e a confiança em Deus, que cresce neles e torna cada vez
mais fácil reconhecer o que lhe agrada. A oração verdadeira é
familiaridade e confidência com Deus. Não é recitar uma oração como um
papagaio, blá blá, não. A verdadeira oração é essa espontaneidade e
afeto ao Senhor. Esta familiaridade supera o medo ou a dúvida de que a
sua vontade não é para o nosso bem, uma tentação que às vezes atravessa
os nossos pensamentos, tornando o coração inquieto e incerto ou amargo
também.
O Papa disse ainda que "o sinal de um encontro com o Senhor é a
alegria". Quando eu faço uma oração, [...] encontro o Senhor e torno-me
alegre. Cada um de nós torn-se alegre, uma coisa linda. Por outro lado,
a tristeza ou o medo são sinais de distância de Deus: «Se quiseres
entrar na vida, observa os mandamentos», diz Jesus ao jovem rico.
Esse jovem "tinha tomado a iniciativa de se encontrar com Jesus, mas
vivia também muito dividido nos afetos; para ele as riquezas eram
demasiado importantes. Jesus não o obriga a decidir, mas o texto observa
que o jovem afasta-se de Jesus «triste». Quem se afasta do Senhor nunca
se sente satisfeito, mesmo que tenha à sua disposição uma grande
abundância de bens e possibilidades".
Discernir não é fácil
"Discernir não é fácil, porque as aparências enganam, mas a
familiaridade com Deus pode dissipar delicadamente dúvidas e medos,
tornando a nossa vida cada vez mais recetiva à sua «luz suave», de
acordo com a bonita expressão do Beato John Henry Newman", sublinhou
Francisco.
O Papa frisou que "os santos brilham com luz refletida, mostrando nos
gestos simples do seu dia a presença amorosa de Deus, que torna
possível o impossível. Diz-se que dois cônjuges que viveram juntos
durante muito tempo, amando-se, acabam por se assemelharem um ao outro".
Algo análogo pode-se dizer da oração afetiva: de modo gradual, mas
eficaz, torna-nos cada vez mais capazes de reconhecer o que conta por
conaturalidade, como algo que brota das profundezas do nosso ser. Estar
em oração não significa dizer palavras, palavras, não: estar em oração,
abrir o coração a Jesus, aproximar-me de Jesus, deixar que Jesus entre
no meu coração e me faça sentir a sua presença. E ali podemos discernir
quando é Jesus e quando estamos com os nossos pensamentos, muitas vezes
longe do que Jesus quer.
Rezar a oração do "oi"
Francisco convidou a pedir a graça de "viver uma relação de amizade
com o Senhor, como um amigo fala com um amigo", e contou um caso sobre
"um irmão religioso idoso que era porteiro de um colégio e sempre que
podia aproximava-se da capela, olhava para o altar e dizia: 'Oi', porque
tinha proximidade a Jesus. 'Oi, estou perto de Ti e Tu está perto
de mim'." Segundo o Papa, "esta é a relação que devemos ter na oração:
proximidade, proximidade afetiva, como irmãos, proximidade a Jesus. Um
sorriso, um gesto simples e não dizer palavras que não chegam ao
coração. Falar com Jesus como um amigo fala com outro amigo".
É uma graça que devemos pedir uns para os outros: ver Jesus como o
nosso maior e fiel Amigo, que não chantageia, sobretudo que nunca nos
abandona, nem sequer quando nos afastamos d'Ele. Ele permanece na porta
do coração. Ele permanece em silêncio, permanece ao alcance do coração
porque Ele é sempre fiel. Vamos em frente com esta oração. Digamos a
oração do "oi", a oração para cumprimentar o Senhor com o coração, a
oração de afeto, a oração de proximidade, com poucas palavras, mas com
gestos e com boas obras.
Desde o início da
guerra, Francisco fala com frequência sobre a martirizada população
ucraniana. Neste domingo, acrescentou dois apelos por Mianmar e
Camarões.
Bianca Fraccalvieri - Vatican News
No final da missa celebrada em Matera, por ocasião do encerramento do
Congresso Eucarístico nacional, o Papa rezou o Angelus com os fiéis
presentes no estádio municipal da cidade. Antes da oração mariana,
agradeceu pelo acolhimento recebido e a todos que organizaram e
participaram do evento.
À Virgem Maria, Mulher eucarística, o Pontífice confiou o caminho da
Igreja em Itália e invocou a sua materna intercessão pelos necessitados
mais urgentes do mundo. De modo especial, citou Mianmar, Ucrânia e
Camarões:
A respeito de Mianmar, recordou que há mais de dois anos o país sofre
com graves confrontos armados e violências, que causaram muitas vítimas
e deslocados. "Esta semana, chegou-me o grito de dor pela morte de
crianças numa escola bombardeada. Parece que virou moda atacar escolas.
Que o grito destes pequenos não permaneça inaudito! Estas tragédias não
devem acontecer!", exortou.
Desde o início da guerra, a Ucrânia é lembrada sempre pelo Papa:
"Maria, Rainha da Paz, conforte o povo ucraniano e obtenha aos líderes
das Nações a força de vontade para encontrar imediatamente iniciativas
eficazes que conduzam ao fim da guerra".
Por fim, Francisco uniu-se ao apelo dos Bispos de Camarões pela
libertação de oito pessoas sequestradas na Diocese de Mamfe, entre os
quais cinco sacerdotes e uma religiosa. "Rezo por eles e pelas
populações da província eclesiástica de Bamenda: o Senhor doe paz aos
corações e à vida social daquele querido país."