terça-feira, 10 de janeiro de 2023

Papa - para o Dia Mundial dos Doentes:“Viver indiferentes à dor não é uma opção possível”

 
 Papa Francisco e os doentes 
 
“Fomos criados para a plenitude que só se alcança no amor. Viver indiferentes à dor não é uma opção possível”. Com o tema da compaixão como exercício sinodal de cura, Francisco apresentou a mensagem para o Dia Mundial dos Doentes 2023
 

Jane Nogara - Vatican News

“Trata bem dele!” A compaixão como exercício sinodal de cura. Assim o Papa intitulou a sua Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente que será celebrado em 11 de fevereiro de 2023 recordando a parábola do Bom Samaritano. A doença faz parte da nossa experiência humana, escreveu Francisco logo no início da sua Mensagem, mas “pode tornar-se desumana, se for vivida no isolamento e no abandono, se não for acompanhada pelo desvelo e a compaixão”.

Caminhar juntos

E observa a importância da nossa caminhada ao afirmar que nestes momentos pode-se ver como estamos a caminhar: “se é verdadeiramente um caminhar juntos, ou se se vai na mesma estrada mas cada um por conta própria, cuidando dos próprios interesses e deixando que os outros ‘se arranjem’. Por isso”, continua, “neste XXXI Dia Mundial do Doente e em pleno percurso sinodal, convido-vos a refletir sobre o facto de podermos aprender, precisamente através da experiência da fragilidade e da doença, a caminhar juntos segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura”.

A fragilidade faz parte do nosso caminho

“Naturalmente as experiências do extravio, da doença e da fragilidade fazem parte do nosso caminho: não nos excluem do povo de Deus”, acrescentou na Mensagem, “pelo contrário, colocam-nos no centro da solicitude do Senhor, que é Pai e não quer perder pela estrada nem sequer um dos seus filhos". Enfatizando que se “trata de aprender com Ele a ser verdadeiramente uma comunidade que caminha em conjunto, capaz de não se deixar contagiar pela cultura do descarte”.

O Bom Samaritano

Ao falar sobre a parábola do Bom Samaritano exemplificou o estilo de Deus: “Com efeito, há uma profunda conexão entre esta parábola de Jesus e as múltiplas formas em que é negada hoje a fraternidade. Não é fácil distinguir os atentados à vida e à sua dignidade que provêm de causas naturais e, ao invés, aqueles que são provocados por injustiças e violências. Na realidade, o nível das desigualdades e a prevalência dos interesses de poucos já incidem de tal modo sobre cada ambiente humano que é difícil considerar ‘natural’ qualquer experiência. Cada doença realiza-se numa ‘cultura’ por entre as suas contradições”.

Reconhecer a solidão e abandono

Voltando ao ponto focal da mensagem acrescenta “O que importa aqui é reconhecer a condição de solidão, de abandono. Trata-se duma atrocidade que pode ser superada antes de qualquer outra injustiça, porque para a eliminar – como conta a parábola – basta um momento de atenção, o movimento interior da compaixão”.

A nossa vulnerabilidade

“Nunca estamos preparados para a doença”, recorda o Papa, “e muitas vezes nem sequer para admitir a idade avançada. Tememos a vulnerabilidade, e a invasiva cultura do mercado impele-nos a negá-la. Não há espaço para a fragilidade. E assim o mal, quando irrompe e nos ataca, deixa-nos por terra atordoados”. E assinala as consequências “então pode acontecer que os outros nos abandonem, ou nos pareça que devemos abandoná-los a fim de não nos sentirem um peso para eles. Começa assim a solidão, e envenena-nos a sensação amarga duma injustiça, devido à qual até o Céu parece fechar-se para nós”.

Igreja: prestação de cuidados

“Por isso mesmo é tão importante, relativamente também à doença, que toda a Igreja se confronte com o exemplo evangélico do bom samaritano, para se tornar um válido ‘hospital de campanha’: com efeito a sua missão, especialmente nas circunstâncias históricas que atravessamos, exprime-se na prestação de cuidados”.

Objetivos do Dia Mundial do Doente

Por fim o Papa escreve: “o Dia Mundial do Doente não convida apenas à oração e à proximidade com os que sofrem, mas visa ao mesmo tempo sensibilizar o povo de Deus, as instituições de saúde e a sociedade civil para uma nova forma de avançar juntos”. E afirma ainda: “A Palavra de Deus – não só na denúncia, mas também na proposta – é sempre iluminadora e de hoje. Na realidade, a conclusão da parábola do Bom Samaritano sugere-nos como a prática da fraternidade, que começou por um encontro de indivíduo com indivíduo, se pode alargar para um tratamento organizado”.

“Trata bem dele!”

Concluindo Francisco reitera a recomendação do samaritano ao estalajadeiro: “Trata bem dele!”. Porém, continua, Jesus repete-a igualmente a cada um de nós na exortação conclusiva: ‘Vai e faz tu também o mesmo’. Como evidenciei na encíclica Fratelli tutti, ‘a parábola mostra-nos as iniciativas com que se pode refazer uma comunidade a partir de homens e mulheres que assumem como própria a fragilidade dos outros, não deixam constituir-se uma sociedade de exclusão, mas fazem-se próximos, levantam e reabilitam o caído, para que o bem seja comum’. Efetivamente ‘fomos criados para a plenitude que só se alcança no amor. Viver indiferentes à dor não é uma opção possível’”.

Vatican News

domingo, 8 de janeiro de 2023

JMJ Lisboa 2023: Estamos a caminho

Descarregue aqui as edições do suplemento "Estamos a Caminho", do jornal Voz da Verdade. 

#50 - 8 de janeiro de 2023 (NOVO)
#49 - 1 de janeiro de 2023
#48 - 25 de dezembro de 2022
#47 - 18 de dezembro de 2022
#46 - 11 de dezembro de 2022
#45 - 4 de dezembro de 2022
#44 - 27 de novembro de 2022
#43 - 20 de novembro de 2022
#42 - 13 de novembro de 2022
#41 - 6 de novembro de 2022
#40 - 30 de outubro de 2022
#39 - 23 de outubro de 2022
#38 - 16 de outubro de 2022
#37 - 9 de outubro de 2022
#36 - 2 de outubro de 2022
#35 - 25 de setembro de 2022
#34 - 18 de setembro de 2022
#33 - 11 de setembro de 2022
#32 - 4 de setembro de 2022
#31 - 28 de agosto de 2022
#30 - 21 de agosto de 2022
#29 - 14 de agosto de 2022
#28 - 7 de agosto de 2022 - edição especial
#27 - 31 de julho de 2022
#26 - 24 de julho de 2022
#25 - 17 de julho de 2022
#24 - 10 de julho de 2022
#23 - 3 de julho de 2022
#22 - 26 de junho de 2022
#21 - 19 de junho de 2022
#20 - 12 de junho de 2022
#19 - 5 de junho de 2022
#18 - 29 de maio de 2022
#17 - 22 de maio de 2022
#16 - 15 de maio de 2022
#15 - 8 de maio de 2022
#14 - 1 de maio de 2022
#13 - 24 de abril de 2022
#12 - 17 de abril de 2022
#11 - 10 de abril de 2022
#10 - 3 de abril de 2022
#9 - 27 de março de 2022
#8 - 20 de março de 2022
#7 - 13 de março de 2022
#6 - 6 de março de 2022
#5 - 27 de fevereiro de 2022
#4 - 20 de fevereiro de 2022
#3 - 13 de fevereiro de 2022
#2 - 6 de fevereiro de 2022
#1 - 30 de janeiro de 2022

Patriarcado de Lisboa

Papa: rezemos pelas mães que perderam os seus filhos na guerra

 
Pais e amigos participam em Kiev do funeral do soldado morto em combate, Oleksandr  (ANSA)
 
Não existem números oficiais de soldados mortos, quer do lado da Ucrânia, quer da Rússia, mas são milhares. No Angelus, o pensamento especial do Papa sobre mães que perderam os seus filhos na guerra.

Vatican News

E não nos esqueçamos dos nossos irmãos e irmãs ucranianos! Eles sofrem tanto com a guerra! Este Natal de guerra, sem luz, sem calor, eles sofrem muito! Por favor, não nos esqueçamos deles.

Como faz desde 24 de fevereiro de 2022, início da guerra, também no Angelus deste domingo, festa do Batismo de Jesus, o Papa Francisco dirigiu o seu olhar para a Ucrânia, recordando de forma especial, as mães, tanto ucranianas como russas, que perderam os seus filhos na guerra:

E hoje, vendo Nossa Senhora com o menino no Presépio, que amamenta-o, penso nas mães das vítimas da guerra, dos soldados que morreram nesta guerra na Ucrânia. As mães ucranianas e as mães russas  que perderam os seus filhos. Este é o preço da guerra. Rezemos 

Vatican News

O Papa: a justiça de Deus é misericordiosa

 

O Papa Francisco na janela do apartamento pontifício durante a sua alocução antes de
rezar o Angelus
 

"Sou uma pessoa que divide ou que partilha?", perguntou Francisco no Angelus, convidando-nos a fazer como Jesus, que revelou a sua missão às margens do Jordão: partilhar, carregar os fardos uns dos outros, olharmo-nos com compaixão, ajudar-nos uns aos outros.
 

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

"Não dividindo, mas partilhando". Nas margens do Jordão, Jesus mostra-nos que "a verdadeira justiça de Deus é a misericórdia que salva, o amor que partilha a nossa condição humana, faz-se próximo, compadece-se da nossa dor, entrando nas nossas obscuridades para levar a luz". Assim também nós, como discípulos de Jesus, "somos chamados a exercer deste modo a justiça, nas relações com os outros, na Igreja, na sociedade".

Após presidir a celebração da Santa Missa na Capela Sistina com o Batismo de 13 crianças, foi a vez de o Papa Francisco encontrar-se com os 30 mil fiéis e turistas de várias partes do mundo reunidos na Praça de S. Pedro para o Angelus, na festa do Batismo do Senhor. 

Inspirado no Evangelho de Mateus (Mt 3,13-14) que narra o ambiente que envolve o Batismo de Jesus por João  no rio Jordão, o Santo Padre começa por explicar que "era um rito com o qual as pessoas se arrependiam e se comprometiam a onverterem-se". Neste sentido, "um hino litúrgico diz que o povo ia ser batizado "de alma e pés descalços", uma alma aberta, sem cobrir nada, com humildade e coração transparente."

A justiça trazida por Jesus

Diante da surpresa da multidão ao ver "o Santo de Deus, o Filho de Deus sem pecado", ao lado dos pecadores e da sua escolha de receber o Batismo, Jesus dirige-se a João e disse: «Deixa por agora, pois convém que cumpramos a justiça completa».

Mas, pergunta o Papa, o que significa "cumprir toda a justiça"?

Fazendo-se batizar, Jesus revela-nos a justiça de Deus, aquela justiça que Ele veio trazer ao mundo. Nós temos tantas vezes uma ideia estreita de justiça e pensamos que ela significa: quem erra que pague e assim apaga o mal que cometeu. Mas a justiça de Deus, como ensina a Escritura, é muito maior: 0 seu propósito não é a condenação do culpado, mas a sua salvação e o seu renascimento, o torná-lo justo, de injusto a justo. É uma justiça que vem do amor, que vem daquelas entranhas de compaixão e de misericórdia que são o próprio coração de Deus, Pai que se comove quando somos oprimidos pelo mal e caímos sob o peso dos pecados e das fragilidades.

Deus é misericórdia, com a mão sempre estendida para nos reerguer

A justiça de Deus, portanto - frisou Francisco - "não quer distribuir penas e castigos", mas, como afirma o Apóstolo Paulo, "consiste em justificar a nós, os seus filhos, libertando-nos das ciladas do mal, curando-nos, reerguendo-nos (...). O Senhor está com a mão estendida para ajudar a reerguermo-nos":

E então compreendemos que, nas margens do Jordão, Jesus revela-nos o sentido da sua missão: Ele veio cumprir a justiça divina, que é salvar os pecadores; veio para tomar sobre os ombros o pecado do mundo e descer nas águas do abismo, naquelas águas da morte, de modo a recuperar-nos e não nos deixar afogar. Ele mostra-nos hoje que a verdadeira justiça de Deus é a misericórdia que salva. Nós temos medo de pensar que Deus é misericórdia, e Deus é misericórdia, porque a sua justiça é precisamente a misericórdia que salva, a sua justiça é o amor que partilha a nossa condição humana. A sua justiça faz-se próxima, compadece-se da nossa dor, entrando nas nossas obscuridades para levar a luz.

A justiça de Deus é misericordiosa

Francisco recorda então a homilia de Bento XVI em 13 de janeiro de 2008, quando afirmou que “Deus quis salvar-nos indo ele mesmo até ao fundo do abismo da morte, para que cada homem, mesmo quem caiu tão em baixo que já não vê o céu, possa encontrar a mão de Deus à qual se agarrar e subir das trevas para ver de novo a luz para a qual ele é feito."

"Nós - disse o Papa - temos medo de pensar numa justiça assim misericordiosa. Sigamos em frente. Deus é misericórdia. A sua justiça é misericordiosa. Deixemo-nos tomar pela mão, por Ele".

Sou uma pessoa que divide ou partilha?

"Também nós - completou - discípulos de Jesus, somos chamados a exercer deste modo a justiça, nas relações com os outros, na Igreja, na sociedade":

Não com a dureza de quem julga e condena dividindo as pessoas em boas e más, mas com a misericórdia de quem acolhe compartilhando as feridas e as fragilidades das irmãs e dos irmãos, para reerguê-los. Gostaria de dizer isto assim: não dividindo, mas compartilhando. Não dividir, mas compartilhar. Façamos como Jesus: compartilhemos, carreguemos os fardos uns dos outros em vez de fofocar e destruir, olhemo-nos com compaixão, ajudemo-nos uns aos outros."

"Perguntemo-nos - propôs Francisco: sou uma pessoa que divide ou que partilha?":

Pensemos um pouco: sou discípulo do amor de Jesus ou discípulo da fofoca, que divide e divide? Mas a fofoca é uma arma letal: mata, mata o amor, mata a sociedade, mata a fraternidade. Perguntemo-nos: sou uma pessoa que divide ou uma pessoa que partilha?

"E agora rezemos a Nossa Senhora, que deu à luz Jesus, imergindo-o na nossa fragilidade para que tivéssemos vida novamente", foi o convite de Francisco ao concluir sua reflexão.

Vatican News

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Papa na Epifania: encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama

 
 
"Todos somos chamados por Jesus, todos podemos discernir a sua presença, todos podemos experimentar as suas surpresas". São palavras do Papa Francisco no Angelus desta sexta-feira, dia 6 de janeiro, Dia dos Reis Magos
 

Jane Nogara - Vatican News

No Angelus da Solenidade da Epifania, (06/12) o Papa Francisco fala-nos dos Reis Magos que chegando a Belém, oferecem a Jesus ouro, incenso e mirra. Porém continua o Papa, poderíamos dizer que eles, antes de tudo, recebem três dons: três dons preciosos que dizem respeito também a nós.

Chamamento

O primeiro é “o dom do chamamento”. “Os Magos”, continua, “deixaram-se maravilhar e disturbar pela novidade da estrela e partiram rumo ao que não conheciam”. Recordando que sendo cultos e sábios, fascinaram-se mais pelo que não sabiam do que pelo que sabiam. “Eles sentiram-se chamados a ir além”. E Francisco esclarece-nos: “somos chamados a não nos contentarmos, a procurar o Senhor saindo da nossa zona de conforto, caminhando em direção a Ele com os outros, mergulhando-nos na realidade”.

Discernimento

O segundo dom que os Magos nos falam, continua o Papa, é o do discernimento. E explica que foram ao encontro do rei Herodes, e percebendo que este queria usá-los, não se deixaram enganar. “Sabem fazer a distinção entre a meta do percurso e as tentações que encontram pelo caminho”, reiterando em seguida: “Como é importante saber distinguir a meta da vida das tentações do caminho!".

“O discernimento é um grande dom, e nunca devemos sentirmo-nos cansados de pedi-lo na oração. Peçamos esta graça!”

Surpresa

Por fim, os Magos falam-nos de um terceiro dom: a surpresa. “Depois de uma longa viagem, o que esses homens de alto nível social encontram? Uma criança com a sua mãe, certamente uma cena terna, mas não surpreendente!”. E sugere que talvez esperassem um Messias poderoso e prodigioso, e encontram uma criança. “No entanto”, continua, “não pensam terem-se enganado, sabem reconhecê-lo. Acolhem a surpresa de Deus e vivem com encanto o encontro com Ele, adorando-o: na pequenez reconhecem o rosto de Deus”.

O dom de saber encontrar a grandeza na pequenez

Por fim Francisco afirma “Humanamente todos somos inclinados a procurar a grandeza, mas é um dom saber encontrá-la verdadeiramente: saber encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama. Porque o Senhor encontra-se assim: na humildade, no silêncio, na adoração, nos pequenos e nos pobres”.

“Todos somos chamados por Jesus, todos podemos discernir a sua presença, todos podemos experimentar as suas surpresas.”

Hoje seria belo recordar estes dons, que já recebemos: recordar quando percebemos na vida um chamamento de Deus; ou quando, talvez depois de tanto esforço, conseguimos discernir a sua voz; ou ainda, a uma surpresa inesquecível que Ele nos fez, deixando-nos maravilhados.

Vatican News

Papa na Epifania: encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama

 
 
"Todos somos chamados por Jesus, todos podemos discernir a sua presença, todos podemos experimentar as suas surpresas". São palavras do Papa Francisco no Angelus desta sexta-feira, dia 6 de janeiro, Dia dos Reis Magos
 

Jane Nogara - Vatican News

No Angelus da Solenidade da Epifania, (06/12) o Papa Francisco fala-nos dos Reis Magos que chegando a Belém, oferecem a Jesus ouro, incenso e mirra. Porém continua o Papa, poderíamos dizer que eles, antes de tudo, recebem três dons: três dons preciosos que dizem respeito também a nós.

Chamamento

O primeiro é “o dom do chamamento”. “Os Magos”, continua, “deixaram-se maravilhar e disturbar pela novidade da estrela e partiram rumo ao que não conheciam”. Recordando que sendo cultos e sábios, fascinaram-se mais pelo que não sabiam do que pelo que sabiam. “Eles sentiram-se chamados a ir além”. E Francisco esclarece-nos: “somos chamados a não nos contentarmos, a procurar o Senhor saindo da nossa zona de conforto, caminhando em direção a Ele com os outros, mergulhando-nos na realidade”.

Discernimento

O segundo dom que os Magos nos falam, continua o Papa, é o do discernimento. E explica que foram ao encontro do rei Herodes, e percebendo que este queria usá-los, não se deixaram enganar. “Sabem fazer a distinção entre a meta do percurso e as tentações que encontram pelo caminho”, reiterando em seguida: “Como é importante saber distinguir a meta da vida das tentações do caminho!".

“O discernimento é um grande dom, e nunca devemos sentirmo-nos cansados de pedi-lo na oração. Peçamos esta graça!”

Surpresa

Por fim, os Magos falam-nos de um terceiro dom: a surpresa. “Depois de uma longa viagem, o que esses homens de alto nível social encontram? Uma criança com a sua mãe, certamente uma cena terna, mas não surpreendente!”. E sugere que talvez esperassem um Messias poderoso e prodigioso, e encontram uma criança. “No entanto”, continua, “não pensam terem-se enganado, sabem reconhecê-lo. Acolhem a surpresa de Deus e vivem com encanto o encontro com Ele, adorando-o: na pequenez reconhecem o rosto de Deus”.

O dom de saber encontrar a grandeza na pequenez

Por fim Francisco afirma “Humanamente todos somos inclinados a procurar a grandeza, mas é um dom saber encontrá-la verdadeiramente: saber encontrar a grandeza na pequenez que Deus tanto ama. Porque o Senhor encontra-se assim: na humildade, no silêncio, na adoração, nos pequenos e nos pobres”.

“Todos somos chamados por Jesus, todos podemos discernir a sua presença, todos podemos experimentar as suas surpresas.”

Hoje seria belo recordar estes dons, que já recebemos: recordar quando percebemos na vida um chamamento de Deus; ou quando, talvez depois de tanto esforço, conseguimos discernir a sua voz; ou ainda, a uma surpresa inesquecível que Ele nos fez, deixando-nos maravilhados.

Vatican News

domingo, 1 de janeiro de 2023

Papa: Maria acompanhe Bento XVI na sua passagem deste mundo a Deus

 
 Missa na Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus 
 
Na homilia da Missa celebrada na Basílica de São Pedro na Solenidade de Maria Santíssima Mãe de Deus, Francisco confiou Bento XVI aos divinos cuidados maternos, assim como todas as pessoas que sofrem. "No início deste ano, precisamos de esperança!"
 

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Santa Mãe de Deus! Esta aclamação ressoou várias vezes na homilia do Papa Francisco na missa celebrada na Basílica de São Pedro neste primeiro dia do ano de 2023, Solenidade de Maria Santíssima.

Além de um dado essencial da fé, esta aclamação é sobretudo uma notícia maravilhosa: Deus tem uma Mãe e, por conseguinte, está ligado para sempre à nossa humanidade. E nos ama não só com palavras, mas com fatos, porque em Maria o Verbo fez-se carne.

Esta aclamação ainda entrou no coração dos fieis principalmente através da oração da Ave-Maria. Todas as vezes que dizemos “Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores –, a Mãe de Deus responde sempre!”

Ela escuta os nossos pedidos, abençoa-nos com o seu Filho nos braços. Numa palavra, disse o Papa, dá-nos esperança.

“E, no início deste ano, precisamos de esperança, como a terra precisa de chuva. O ano, que se abre sob o signo da Mãe de Deus e nossa, diz-nos que a chave da esperança é Maria, e a antífona da esperança é a invocação Santa Mãe de Deus.”

“E, hoje, confiemos à Mãe Santíssima o amado Papa emérito Bento XVI, para que o acompanhe na sua passagem deste mundo a Deus.”

Francisco confia ainda a Maria os filhos que sofrem e já não têm a força de rezar, os irmãos e irmãs atingidos pela guerra em muitas partes do mundo, que vivem estes dias de festa na escuridão e ao frio, na miséria e no medo, submersos na violência e na indiferença.

“Por quantos não têm paz, aclamemos Maria, a mulher que trouxe ao mundo o Príncipe da paz.”

Eu, neste ano, aonde quero ir?

Para que possamos acolher este dom, o Papa sugere deixarmo-nos inspirar pelos protagonistas do Evangelho de hoje, os pastores de Belém, destacando dois verbos: ir e ver.

Os pastores foram apressadamente, não ficaram parados, e assim devemos fazer também nós.

Hoje, no início do ano, em vez de ficarmos a pensar e esperar que as coisas mudem, será bom interrogarmo-nos: «Eu, neste ano, aonde quero ir? A quem vou fazer bem?»

“Muitos, na Igreja e na sociedade, esperam o bem que tu, e só tu, podes proporcionar, o teu serviço. E hoje, face à preguiça que anestesia e à indiferença que paralisa, frente ao risco de nos limitarmos a ficar sentados diante de uma tela com as mãos no teclado, os pastores desafiam-nos a ir, a comovermo-nos com o que acontece no mundo, a sujar as mãos na realização do bem.”

E quando chegaram, os pastores viram o menino. “É importante ver, abraçar com o olhar, permanecer ali, como os pastores, diante do Menino nos braços da Mãe.”

“No início do ano, entre tantas novidades que quereríamos experimentar e as inúmeras coisas que quereríamos fazer, incluamos a de dedicar tempo a ver, ou seja, a abrir os olhos e mantê-los abertos diante daquilo que conta: Deus e os outros.”

Para Francisco, um bom exercício neste início de ano é dedicar tempo para ver e escutar quem está ao nosso lado, começando pela esposa, o marido e os filhos, perguntar como se sentem dentro e não só sobre as tarefas do dia a dia.

“Ir e ver. Hoje o Senhor veio para o meio de nós e a Santa Mãe de Deus coloca-O diante dos nossos olhos. Redescubramos, no ímpeto de ir e na maravilha de ver, os segredos para fazer verdadeiramente novo este ano.”

O Papa concluiu convidando a assembleia a repetir com ele por três vezes a invocação "Santa Mãe de Deus".

Vatican News