segunda-feira, 10 de abril de 2023

Papa: quando testemunhaste Jesus pela última vez?

 

 As mulheres ensinam-nos que encontramos Jesus, testemunhando-O,afirma Francisco 

 

Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli nesta Segunda-feira do Anjo (10), procurando tocar na consciência de todos ao questionar: diante da experiência das mulheres que encontraram o Cristo Ressuscitado e foram anunciá-Lo, "quando foi a última vez que testemunhei Jesus? Hoje, o que eu faço para que as pessoas que encontro recebam a alegria do seu anúncio?".

 

Andressa Collet - Vatican News

O Papa Francisco, nesta "Segunda-feira do Anjo" (10) após a Páscoa que recorda a aparição do anjo às mulheres que foram ao túmulo de Jesus, rezou a oração mariana do Regina Coeli para os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. Da janela do seu escritório no Palácio Apostólico neste dia de feriado no Vaticano e em Itália, o Pontífice recordou que foram as discípulas as primeiras a testemunhar o Cristo Ressuscitado, motivadas pelo anjo do Senhor a não terem medo de encontrá-Lo e testemunhá-Lo com alegria.

Encontrar Jesus, testemunhando-O

"Poderíamos perguntar a nós próprios: por que elas?", questiona o Papa no Regina Coeli que, durante o período pascal substitui o Angelus: "por uma razão muito simples", afirma ele, "porque são as primeiras a ir ao sepulcro". Ao contrário de todos os discípulos, elas não ficaram em casa tristes pela história de Jesus que parecia ter terminado. Enfrentando o medo e com muita alegria, descreve o Evangelho (Mt 28,8) ao encontrarem o sepulcro vazio, as mulheres correm para dar aos discípulos o anúncio da Ressureição de Jesus:

“No momento em que vão fazer esse anúncio, Jesus vem ao seu encontro. Observemos bem isto: Jesus encontra-as enquanto vão anunciá-Lo. É bonito isto: Jesus encontra-as, enquanto vão anunciá-Lo. Quando nós proclamamos o Senhor, o Senhor vem a nós.”

"Às vezes pensamos que a maneira para estar perto de Deus seja aquela de mantê-Lo bem perto de nós; porque então, se nos expomos e falamos sobre isto, chegam os julgamentos, as críticas, talvez não saibamos responder a certas perguntas ou provocações, e então é melhor não falar sobre isto e fecharmo-nos: não, isto não é bom. Em vez disto, o Senhor vem enquanto O proclamamos. Encontras sempre o Senhor no caminho do anúncio. Anuncia o Senhor e O encontrarás. Procura o Senhor e O encontrarás. Sempre em caminho, isto que as mulheres nos ensinam: encontra-se Jesus, testemunhando-O. Vamos colocar isto no coração: Jesus encontra-se testemunhando-O." 

Proclamar Jesus como o mais belo presente

O Papa, então, dá um exemplo prático de quando se recebe a notícia de que uma criança nasceu: a primeira intenção é partilhar com alegria entre os amigos já que, ao contá-la, tornamos a novidade ainda mais viva para nós mesmos:

"Se isto acontece por uma boa notícia, de todos os dias, ou de alguns dias importantes, acontece infinitamente mais por Jesus, que não é apenas uma boa notícia, e nem mesmo a melhor notícia da vida, não, mas Ele é a própria vida, Ele é 'a ressurreição e a vida' (Jo 11,25). Sempre que O proclamamos, não fazendo por propaganda ou proselitismo, aquilo não: anunciar é uma coisa, fazer propaganda e proselitismo é outra. O cristão anuncia, aquele que tem outro objetivo faz proselitismo e isso não é bom. Cada vez que O anunciamos, o Senhor vem ao nosso encontro com respeito e amor, como o mais belo presente para se partilhar. Jesus habita ainda mais em nós cada vez que nós O anunciamos." 

"Quando se encontra Jesus", continua Francisco, "nenhum obstáculo pode impedir-nos de proclamá-Lo". Basta pensar nas mulheres do Evangelho que, apesar dos medos e angústias, não guardaram a alegria da Páscoa e foram anunciá-la. Se, ao invés disso, guardamos para nós, alerta o Papa, "talvez é porque ainda não O encontramos verdadeiramente". E o Pontífice finaliza a oração mariana do Regina Coeli tocando a consciência de todos aos questionar:

“Irmãos, irmãs, diante da experiência das mulheres interroguemo-nos: diz-me, quando foi a última vez que testemunhaste Jesus? Quando foi a última vez que eu testemunhei Jesus? Hoje, o que eu faço para que as pessoas que encontro recebam a alegria do seu anúncio? E ainda: alguém pode dizer: esta pessoa é serena, é feliz, é boa porque encontrou Jesus? Da cada um de nós, pode-se dizer isto? Peçamos a Nossa Senhora que nos ajude a sermos alegres anunciadores do Evangelho.”

Vatican News

domingo, 9 de abril de 2023

Papa: Com Cristo renasce a esperança! Apressemo-nos a superar divisões e conflitos

 
 
As palavras de Francisco aos fiéis: "Sim, temos a certeza: verdadeiramente Cristo ressuscitou. Acreditamos em Vós, Senhor Jesus, acreditamos que convosco renasce a esperança, o caminho continua. Vós, Senhor da vida, encorajai os nossos caminhos e repeti, também a nós, como aos discípulos na noite de Páscoa: ‘A paz esteja convosco’.”
 

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

O dia mais importante e belo da história: o dia em que Cristo ressuscitou!

O Papa formulou os seus votos de Feliz Páscoa a todos os fiéis na sua mensagem Urbi et Orbi (a Roma e a todo o mundo) no final da missa celebrada numa Praça São Pedro tapeçada  de flores. A cerimónia teve início com a abertura do ícone do Santíssimo Salvador, sob o canto do Aleluia e prosseguiu com a Liturgia da Palavra, sem a homilia, e a Liturgia Eucarística.

As palavras de Francisco aos fiéis: "Sim, temos a certeza: verdadeiramente Cristo ressuscitou. Acreditamos em Vós, Senhor Jesus, acreditamos que convosco renasce a esperança, o caminho continua. Vós, Senhor da vida, encorajai os nossos caminhos e repeti, também a nós, como aos discípulos na noite de Páscoa: ‘A paz esteja convosco’.”
 
Diante de cerca de 100 mil romanos e peregrinos, Francisco recordou o significado da Páscoa, isto é, passagem; passagem da morte à vida, do pecado à graça.

“Nele, Senhor do tempo e da história, quero, com o coração repleto de alegria, dizer a todos: feliz Páscoa!”

Que seja para cada um, sobretudo para os sofredores, uma passagem da tribulação à consolação. Afinal, não estamos sós: Jesus, o Vivente, está connosco para sempre. Alegrem-se a Igreja e o mundo, porque podemos “celebrar, por pura graça, o dia mais importante e belo da história”.

Cristo ressuscitou, ressuscitou verdadeiramente, e a humanidade acelera o passo porque vê a meta do seu percurso, o sentido do seu destino: Jesus Cristo. E é chamada a apressar-se ao encontro Dele, esperança do mundo.

Por isso, convidou o Papa, apressemo-nos também nós a superar os conflitos e as divisões, e a abrir os nossos corações aos mais necessitados. Apressemo-nos a percorrer sendas de paz e fraternidade. O caminho é longo e devemos suplicar ao Ressuscitado: “Ajudai-nos a correr ao vosso encontro!”.

 A Praça São Pedro embelezada pelas flores 

Haiti e Nicarágua

Francisco então nomeou os povos e países que mais precisam, neste momento, desta ajuda: são o “amado povo ucraniano”, os russos, sírios e turcos vítimas do terremoto. São ainda israelitas, palestinianos e libaneses. No continente africano, anseiam pela paz de Cristo os tunisinos, etíopes, sul-sudaneses, congoleses, eritreus, nigerianos, malauianos, moçambicanos e burquineses. Na Ásia, o Papa reza pelos birmaneses e pelo martirizado povo rohingya. No continente americano, as preces de Francisco vão para o Haiti, “que há vários anos está a sofrer uma grave crise sociopolítica e humanitária”, e para a Nicarágua, que hoje celebra a Páscoa “em circunstâncias particulares”.

O Pontífice suplicou conforto para os refugiados, os deportados, os prisioneiros políticos e os migrantes, especialmente os mais vulneráveis, bem como todos aqueles que sofrem com a fome, a pobreza e os efeitos nocivos do narcotráfico, do tráfico de pessoas e de toda a forma de escravidão.

Francisco pede ao Senhor que inspire os responsáveis das nações, para que nenhum homem ou mulher seja discriminado e espezinhado na sua dignidade; para que, no pleno respeito dos direitos humanos e da democracia, se curem estas chagas sociais.

“Irmãos, irmãs, voltemos também nós a encontrar o gosto do caminho, aceleremos o pulsar da esperança, saboreemos a beleza do Céu! (...) Sim, temos a certeza: verdadeiramente Cristo ressuscitou. Acreditamos em Vós, Senhor Jesus, acreditamos que convosco renasce a esperança, o caminho continua. Vós, Senhor da vida, encorajai os nossos caminhos e repeti, também a nós, como aos discípulos na noite de Páscoa: ‘A paz esteja convosco’.”

 

 O ícone do Santíssimo Salvador 

Vatican News

sexta-feira, 7 de abril de 2023

Cardeal Cantalamessa: cuidado com o niilismo; Deus é verdade que transcende

 
O Papa presidiu a celelbração na Basílica de S. Pedro, enquanto Cantalamessa pronunciou a homilia
 
O pregador da Casa Pontifícia trouxe para a homilia desta Sexta-feira Santa (7), na Basílica de São Pedro, em celebração presidida pelo Papa, a reflexão sobre a existência de uma narrativa diversa para a morte de Deus, "ideológica, não histórica", proclamada pelo anúncio que Nietzsche põe na boca do "homem louco". Como crentes, convida Raniero Cantalamessa, "é nosso dever mostrar o que está por trás ou sob aquele anúncio".
 

Andressa Collet - Vatican News

No dia em que os fiéis são convidados a fixar o olhar em Jesus Crucificado, que carregou na cruz os pecados de toda a humanidade para salvá-la, o Papa Francisco presidiu a Liturgia da Palavra na Basílica de São Pedro. Na homilia desta Sexta-feira Santa (7) de celebração da Paixão do Senhor, o cardeal Raniero Cantalamessa reforçou o convite para se continuar - "mais convictos do que nunca" - às palavras que dizemos em cada missa há dois mil anos, após a consagração: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”.

O homem no lugar de Deus

"A Igreja anuncia e celebra, neste dia, a morte do Filho de Deus na cruz", recorda o pregador da Casa Pontifícia, que logo lembra, porém, da "existência de uma narrativa diversa" para a "morte de Deus - ideológica, não histórica" proclamada "há um século e meio, e hoje, em nosso ocidental descristianizado". Cantalamessa explica que "esta morte diversa de Deus encontrou a sua perfeita expressão no conhecido anúncio que Nietzsche põe na boca do 'homem louco', que chega sem fôlego à praça da cidade: - Para onde foi Deus? – exclamou – É o que vou dizer. Nós o matamos – vocês e eu!... nunca houve ação mais grandiosa e aqueles que nascerem depois de nós pertencerão, por causa dela, a uma história mais elevada do que o foi alguma vez toda essa história".

Uma ideia de que "a história não seria mais dividida em antes de Cristo e depois de Cristo, mas antes de Nietzsche e depois de Nietzsche", ou seja, continua Cantalamessa, o homem, o “super-homem”, o “além-homem”, é colocado no lugar de Deus. "Não demorará, contudo, a se dar conta de que, ao ficar só, o homem não é nada"; pois "estamos errando como num nada infinito”.

A verdade transcendente

Mas, "não nos é lícito julgar o coração de um homem que somente Deus conhece", recorda o pregador da Casa Pontifícia, e também o autor daquele anúncio teve a sua parte de sofrimento na vida. E Cantalamessa recorda a oração de Jesus na cruz: “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,34). A consequência, porém, que aquele anúncio teve, "aquela sim, podemos e devemos julgar", enfatiza o cardeal, pois acabou virando moda e declinada nos mais diferentes modos:

"O denominador comum a todas estas diversas declinações é o total relativismo em todo campo: ética, linguagem, filosofia, arte e, naturalmente, religião. Nada mais é sólido; tudo é líquido, ou mesmo vaporoso. Na época do romantismo, deleitava-se na melancolia, hoje, no niilismo. Como crentes, é nosso dever mostrar o que está por trás ou sob aquele anúncio, isto é, a trepidação de uma antiga chama, a erupção repentina de um vulcão jamais extinto desde o início do mundo."

Isto é, afirma Cantalamessa: "há uma verdade transcendente que nenhuma narrativa histórica ou raciocínio filosófico poderia nos transmitir": 

“Cristo Jesus, existindo em forma divina, não considerou um privilégio um privilégio ser igual a Deus, mas esvaziou-se, assumindo a forma de servo e tornando-se semelhante ao ser humano. E encontrado em aspeto humano, humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte – e morte de cruz!”

A ressureição conduz à apoteose da vida

Mas "por que falar disto em uma liturgia da Sexta-feira Santa?", questiona-se o cardeal. "Não para convencer os ateus de que Deus não está morto!", porque "para convencê-los são necessários outros meios, mais do que as palavras de um velho pregador. Meios que o Senhor não deixará faltar a quem tem o coração aberto à verdade". O verdadeiro objetivo "é preservar os crentes – quem sabe, talvez apenas alguns estudantes universitários – de serem atraídos para dentro deste vórtice do niilismo, que é o verdadeiro 'buraco negro' do universo espiritual". O pregador da Casa Pontifícia finaliza, então, a homilia:

“'Deus? Nós o matamos – vocês e eu!': Esta coisa tremenda realizou-se, de facto, uma vez na história humana, mas em sentido bem diferente daquele bradado pelo 'homem louco'. Porque é verdade, irmãos e irmãs: fomos nós - vocês e eu - que matamos Jesus de Nazaré! Ele morreu pelos nossos pecados e também pelos de todo o mundo (1Jo 2,2). Mas a sua ressurreição assegura-nos que este caminho não conduz à derrota, mas, graças ao nosso arrependimento, conduz àquela 'apoteose da vida', em vão procurada noutros lugares.”

Tradução das palavras do cardeal Cantalamessa: Fr. Ricardo Farias, ofmcap

Vatican News

quarta-feira, 5 de abril de 2023

O Papa: as nossas feridas podem tornar-se fontes de esperança

 
  O Papa Francisco durante a Audiência Geral  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)  
 
Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira da Semana Santa, Francisco falou que Jesus na cruz transforma a dor em amor: precisamos de simplicidade, para redescobrir o valor da sobriedade, despojando a alma do supérfluo que a oprime.
 

Vatican News - Mariangela Jaguraba

Na catequese da Audiência Geral, desta quarta-feira (05/04), realizada na Praça de São Pedro, o Papa Francisco recordou que no Domingo de Ramos, ouvimos a liturgia da Paixão do Senhor que termina com as seguintes palavras: «Selaram a pedra».

"Tudo parece ter acabado. Para os discípulos de Jesus, aquela pedra marca o fim da esperança", frisou o Papa. "O Mestre foi crucificado, morto da maneira mais cruel e humilhante, pendurado num patíbulo infame fora da cidade: um fracasso público, o pior final possível".

Pois bem, aquele desânimo que oprimia os discípulos não nos é totalmente estranho hoje. Também em nós adensam-se pensamentos obscuros e sentimentos de frustração: por que tanta indiferença em relação a Deus? Por que tanto mal no mundo? Por que as desigualdades continuam a aumentar e não chega a paz tão almejada? Por que somos tão apegados à guerra, a fazer o mal uns aos outros? No coração de cada um, quantas expetativas desvanecidas, quantas desilusões! E ainda aquela sensação de que os tempos passados eram melhores e de que no mundo, talvez até na Igreja, as coisas não são como outrora. Em síntese, também hoje a esperança parece às vezes selada sob a pedra da desconfiança.

"Na mente dos discípulos permanecia fixa uma imagem: a cruz. Ali estava concentrado o fim de tudo. Mas pouco tempo depois descobririam na própria cruz um novo início. Do mais terrível instrumento de tortura, Deus obteve o maior sinal do amor. Aquele madeiro de morte, transformado em árvore de vida, lembra-nos que os inícios de Deus começam muitas vezes a partir dos nossos fins: é assim que Ele gosta de fazer maravilhas", sublinhou Francisco.

A seguir, o Papa convidou a olhar "para a árvore da cruz, para que em nós brote a esperança: aquela virtude quotidiana, aquela virtude silenciosa, humilde, mas aquela virtude que nos mantém de pé, que nos ajuda a ir em frente. Sem esperança não se pode viver. Pensamos: onde está a minha esperança? Hoje, olhemos para a árvore da cruz para que brote em nós a esperança: para sermos curados da tristeza – mas, quantas pessoas tristes".

"Quando eu podia caminhar pelas ruas, agora não posso porque não me deixam, gostava de observar o olhar das pessoas. Quantos olhares tristes! Pessoas tristes, pessoas que falavam sozinhas, gente que andava só com o telemóvel, mas sem paz, sem esperança. E onde está hoje a sua esperança? É preciso um pouco de esperança, hein? Para sermos curados da tristeza que nos adoece: há tanta tristeza; para sermos curados da amargura com que poluímos a Igreja e o mundo", disse ainda o Papa.

Olhando para o Crucifixo, vemos "Jesus despojado, ferido, Jesus atormentado. É o fim de tudo? Ali há esperança", sublinhou o Pontífice, acrescentando:

Com efeito, nós temos dificuldade em despojarmo-nos, em fazer a verdade; revestimo-nos de exterioridade, que procuramos e cuidamos, de máscaras para nos disfarçarmos e nos mostrarmos melhores do que somos. Pensamos que o importante é ostentar, de tal modo que os outros falem bem de nós. E adornamo-nos de aparências, de coisas supérfluas; mas assim não encontramos a paz. Depois, a maquilhagem vai embora  olhas-te no espelho com aquela cara feia que tens, mas verdadeira, aquela que Deus ama, não a maquilhada, não. Jesus despojado de tudo  lembra-nos que a esperança renasce fazendo a verdade sobre nós mesmos, dizer a verdade a ti mesmo, abandonando as ambiguidades, libertando-nos da convivência pacífica com as nossas falsidades. Às vezes, estamos tão acostumados a dizer falsidades a nós mesmos que convivemos com elas como se fossem verdades e acabamos envenenados pelas nossas falsidades.

Segundo Francisco, "é necessário regressar ao coração, ao essencial, a uma vida simples, despojada de tantas coisas inúteis, que substituem a esperança". A seguir, o Papa disse que nesta Semana Santa é bom olhar para o nosso guarda-roupa despojarmo-nos das coisas que temos, que não usamos, coisas muitas vezes "coisas desnecessárias". "Nós também temos tantas coisas inúteis dentro do nossos corações – e fora também. Olha para o teu guarda-roupa: olha para ele. Isto é útil, aquilo é inútil, e faz uma limpeza. Olha para o guarda-roupa da alma: quantas coisas inúteis tens, quantas ilusões estúpidas. Voltemos à simplicidade, às coisas reais que não precisam de maqulhagem. Aqui está um bom exercício", disse o Papa.

Olhemos agora pa Jesus ferido. "A cruz mostra os pregos que lhe furam as mãos e os pés, o lado aberto. Mas váriass feridas do corpo acrescentam-se as da alma. Jesus está sozinho: traído, entregue e renegado pelos seus, condenado pelo poder religioso e civil, experimenta até o abandono de Deus."

"Também nós estamos feridos: quem não o está na vida? Quem não carrega as cicatrizes de escolhas passadas, de incompreensões, de dores que permanecem dentro e são difíceis de superar? Mas também de injustiças sofridas, de palavras cortantes, de juízos inclementes?", perguntou Francisco. "Deus não esconde aos nossos olhos as feridas que lhe trespassaram o corpo e a alma. Mostra-as para nos indicar que na Páscoa pode-se abrir uma nova passagem: fazer das próprias feridas furos de luz. Como Jesus, que na cruz não recrimina, mas ama. Ama e perdoa quantos o ferem. Assim converte o mal em bem, assim transforma a dor em amor", sublinhou.

Irmãos e irmãs, a questão não é ser ferido pouco ou muito pela vida, mas a questão é o que fazer com estas feridas. Posso deixá-las infetar no rancor e na tristeza, ou posso uni-las às de Jesus, a fim de que também as minhas chagas se tornem luminosas. Pensem em quantos jovens, quantos jovens, quantos jovens, que não toleram as suas feridas e procuram no suicídio uma via de salvação: hoje, nos nossas cidades, muitos, muitos jovens que não veem saída, que não têm esperança e preferem ir em frente com as drogas, com o esquecimento... coitados! Pensem nisto. E tu, qual é a tua droga, para cobrir as feridas? As nossas feridas podem tornar-se fontes de esperança quando, em vez de nos comiserarmos, enxugamos as lágrimas dos outros; quando, em vez de ter ressentimento pelo que nos é tirado, cuidamos do que falta aos outros; quando, em vez de nos inquietarmos, nos debruçamos sobre quantos sofrem; quando, em vez de ter sede de amor por nós próprios, saciamos a sede de quem precisa de nós.

Segundo o Papa, "só nos reencontraremos, se deixarmos de pensar em nós mesmos. E é agindo assim - diz a Escritura - que a nossa ferida em breve cicatrizará, e a esperança voltará a florescer. Pensem: O que posso fazer pelos outros? Eu estou ferido. Estou ferido pelo pecado, estou ferido pela história, cada um tem a sua ferida. O que eu faço: lambo minhas feridas assim, a vida toda? Ou olho para as feridas dos outros e vou com a experiência ferida da minha vida, curar, ajudar os outros?" "Este é o desafio de hoje, para todos vós, para cada um de vós, para cada um de nós. Que o Senhor nos ajude a seguir em frente", concluiu.

Vatican News

domingo, 2 de abril de 2023

O Papa: Cristo impele-nos a procurá-lo e a amá-Lo nos abandonados

 
 
Cristo na cruz fez-se solidário connosco a fim de que cada um de nós possa  dizer: nas minhas quedas, na minha desolação, quando me sinto traído, descartado e abandonado, Tu estás presente, Jesus; quando não aguento mais, Tu estás lá, estás comigo; nos meus «porquês» sem resposta, estás comigo. Foi o que disse o Papa na Missa deste Domingo de Ramos, início da Semana Santa, celebrada na Praça de São Pedro com a tradicional e solene procissão de ramos
 

Raimundo de Lima – Vatican News

Cristo, abandonado, impele-nos a procurá-Lo e a amá-Lo nos abandonados. Porque neles, não temos apenas necessitados, mas temo-Lo a Ele, Jesus Abandonado, Aquele que nos salvou descendo até ao fundo da nossa condição humana. Por isso deseja que cuidemos dos irmãos e irmãs que mais se parecem com Ele, com Ele no ato extremo do sofrimento e da solidão: disse o Papa na Missa deste Domingo de Ramos (02/04), celebrada na Praça de São Pedro com a tradicional e solene procissão de ramos. Um momento comovente numa praça com mais de cinquenta mil fiéis e peregrinos, com os ramos de oliveira provenientes da região italiana da Úmbria.

«Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?»: é a invocação que a Liturgia nos fez repetir hoje no Salmo Responsorial (Sal 22), sendo também – no Evangelho em que ouvimos – a única pronunciada na cruz por Jesus. Representam, pois, observou Francisco, as palavras que nos conduzem ao coração da paixão de Cristo, ao ponto culminante dos sofrimentos que padeceu para nos salvar.

Sofrimentos do corpo e da alma

Muitos foram os sofrimentos de Jesus. Foram sofrimentos do corpo: das bofetadas às pancadas, da flagelação à coroa de espinhos, até à tortura da cruz. Foram sofrimentos da alma: a traição de Judas, as negações de Pedro, as condenações religiosa e civil, a zombaria dos guardas, os insultos ao pé da cruz, a rejeição de tantos, a falência de tudo, o abandono dos discípulos. E, contudo, prosseguiu o Pontífice, no meio de todo este sofrimento, restava a Jesus uma certeza: a proximidade do Pai. Ele tinha dito: «Eu e o Pai somos um», «Eu estou no Pai e o Pai está em Mim». Mas agora acontece o impensável; antes de morrer, clama: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?»

“O Papa ressaltou que estamos perante o sofrimento mais dilacerante, o do espírito: na hora mais trágica, Jesus experimenta o abandono por parte de Deus. Antes disto, nunca chamara o Pai pelo nome genérico de Deus.”

Na Bíblia, o verbo «abandonar» é forte; aparece em momentos de dor extrema: em amores fracassados, rejeitados e traídos; em filhos enjeitados e abortados; em situações de repúdio, viuvez e orfandade; em casamentos gorados, em exclusões que privam dos laços sociais, na opressão da injustiça e na solidão da doença: em suma, nas mais drásticas dilacerações dos vínculos. Cristo levou tudo isto para a cruz, ao carregar sobre Si o pecado do mundo. E, no auge, Ele – Filho unigênito e predileto – experimentou a situação mais estranha no seu caso: a distância de Deus.

Fez-Se solidário connosco até ao ponto extremo

Mas – podemos interrogfarmo-nos – porque foi tão longe? A resposta é uma só: por nós. Fez-Se solidário connosco até ao ponto extremo, para estar connsco até ao fim, para que nenhum de nós se possa imaginar sozinho e irrecuperável. Experimentou o abandono para não nos deixar reféns da desolação e permanecer ao nosso lado para sempre, enfatizou o Pontífice.

Irmão, irmã, Ele o fez por mim, por ti, para que, quando eu, tu ou qualquer outro se vir encurralado à parede, perdido num beco sem saída, precipitado no abismo do abandono, sorvido no redemoinho dos «porquês», saibamos que há uma esperança. Não é o fim, porque Jesus esteve ali e agora está contigo: Ele, o Pai e o Espírito sofreram a distância causada pelo abandono para acolher no seu amor todas as nossas distâncias. A fim de que possa cada um de nós dizer: nas minhas quedas, na minha desolação, quando me sinto traído, descartado e abandonado, Tu estás presente, Jesus; nos meus falhanços, estás comigo; quando me sinto transviado e perdido, quando não aguento mais, Tu estás lá, estás comigo; nos meus «porquês» sem resposta, estás comigo.

Hoje, tantos «cristos abandonados»

É assim que o Senhor nos salva, a partir de dentro dos nossos «porquês». De lá, descerra a esperança. Um amor assim, que dá tudo por nós, até ao fim, pode transformar os nossos corações de pedra em corações de carne, capazes de piedade, ternura e compaixão, prosseguiu o Santo Padre.

Há hoje tantos «cristos abandonados». Há povos inteiros explorados e deixados à própria sorte; há pobres que vivem nas encruzilhadas das nossas estradas e cujo olhar não temos a coragem de fixar; migrantes, que já não são rostos, mas números; reclusos rejeitados, pessoas catalogadas como problemas. Mas há também muitos cristos abandonados invisíveis, escondidos, que são descartados de forma «elegante»: crianças nascituras, idosos deixados sozinhos, doentes não visitados, pessoas portadoras de deficiência ignoradas, jovens que sentem dentro um grande vazio sem que ninguém escute verdadeiramente o seu grito de dor.

As pessoas rejeitadas e excluídas são ícones vivos de Cristo

Francisco exortou-nos a lembrar sempre que Jesus abandonado pede -nos para termos olhos e coração para os abandonados. Para nós, discípulos do Abandonado, ninguém pode ser marginalizado, ninguém pode ser deixado a si mesmo; porque – recordemo-lo – as pessoas rejeitadas e excluídas são ícones vivos de Cristo, recordam-nos o seu amor louco, o seu abandono que nos salva de toda a solidão e desolação.

Na sua homilia, ressaltando a presença de Cristo nos abandonados de hoje e de sempre, deixando por um momento o texto previamente preparado, Francisco lembrou um morador de rua que havia encontrado abrigo sob a cobertura da colunata da Praça de São Pedro (Colunata de Bernini) e que há meses atrás veio a falecer, ressaltando que Jesus está com cada um desses irmãos abandonados.

Está com cada um deles, abandonados até à morte. Penso que há algumas semanas atrás, num morador de rua alemão que morreu na colunata, sozinho, abandonado. É Jesus para cada um de nós. Muitos precisam da nossa proximidade, são muitos os abandonados. Também eu preciso que Jesus me acaricie, esteja próximo a mim e por isso vou encontrá-Lo nos abandonados, nos que estão sós.

Peçamos hoje, concluiu o Santo Padre, esta graça: saber amar Jesus abandonado e saber amar Jesus em cada abandonado. Peçamos a graça de saber ver e reconhecer o Senhor que continua a clamar neles. Não permitamos que a sua voz se perca no silêncio ensurdecedor da indiferença. Não fomos deixados sozinhos por Deus; cuidemos de quem é deixado só. Então, só então, faremos nossos os desejos e os sentimentos d’Aquele que por nós «Se esvaziou a Si mesmo».

Vatican News

quarta-feira, 29 de março de 2023

O Papa: o que muda uma vida é o encontro com o Senhor

 
 
Na catequese da Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco propôs a figura de São Paulo e a sua paixão pelo Evangelho que o levou a ser chamado de Príncipe dos Apóstolos: para um cristão, "converter-se significa refazer aquela mesma experiência de "queda e ressurreição" que Saulo/Paulo viveu e isto está na origem da transfiguração do seu zelo apostólico".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre "A paixão de evangelizar: o zelo apostólico do fiel", na Audiência Geral desta quarta-feira (29/03), realizada na Praça de São Pedro.

A figura de São Paulo foi central neste encontro semanal com os fiéis, pois o Apóstolo dos Gentios testemunhou o que significa ter paixão pelo Evangelho.

O único que pode mudar os nossos corações é o Espírito Santo

"No primeiro capítulo da Carta aos Gálatas, assim como na narração dos Atos dos Apóstolos, observamos que o seu zelo pelo Evangelho aparece depois da sua conversão, e substituo seu zelo precedente pelo judaísmo. Saulo, primeiro nome de Paulo, já era zeloso, mas Cristo converte o seu zelo: da Lei ao Evangelho", disse Francisco.

No caso de Paulo, o que o mudou não foi uma simples ideia ou uma convicção: foi o encontro, esta palavra, foi o encontro com o Senhor ressuscitado – não se esqueçam disto, o que muda uma vida é o encontro com o Senhor – para Saulo foi o encontro com o Senhor ressuscitado que transformou todo o seu ser. A humanidade de Paulo, a sua paixão por Deus e a  sua glória não são aniquiladas, mas transformadas, "convertidas" pelo Espírito Santo. O único que pode mudar os nossos corações é o Espírito Santo.

Tornar-se cristão não é uma maquilhagem que muda o rosto

"E assim para todos os aspetos da sua vida. Como acontece na Eucaristia: o pão e o vinho não desaparecem, mas tornam-se o Corpo e o Sangue de Cristo. O zelo de Paulo permanece, mas torna-se o zelo de Cristo. O significado muda, mas o zelo é o mesmo", sublinhou Francisco.

“Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura. Este é o significado de ser uma nova criatura. Tornar-se cristão não é uma maquilhagem que muda o rosto, não! Se és cristão, o teu coração muda, mas se fores cristão de aparência, isto não funciona. Cristãos de maquilhagem, não, não. A verdadeira mudança é a do coração. E isto aconteceu com Paulo.”

Segundo o Papa, a "paixão pelo Evangelho não é questão de compreensão ou de estudos – podes estudar toda a Teologia que quiseres, podes estudar a Bíblia e tudo o mais e virar um ateu ou mundano, não é questão de estudos. Na história houve muitos teólogos ateus! Estudar serve, mas não gera a nova vida da graça. Converter-se significa refazer aquela mesma experiência de 'queda e ressurreição' que Saulo/Paulo viveu e que está na origem da transfiguração do seu zelo apostólico".

A seguir, Francisco disse que "muitas vezes ouvimos comentários sobre as pessoas: 'Mas olha aquele ali, era um miserável e agora é um bom homem, uma boa mulher. Quem o mudou? Jesus. Ele encontrou Jesus. Se Jesus não entrou na tua vida ela não mudou. Vais ser um cristão de fora. Jesus tem que entrar e isto muda-te. Foi o que aconteceu com Paulo. Encontrar Jesus. Por isso, Paulo disse que o amor de Cristo impele-nos, leva-nos adiante. O mesmo aconteceu com todos os santos, a mudança. Quando encontraram Jesus foram em frente".

Um católico elegante não é um católico santo, é elegante

Depois, o Papa fez mais uma reflexão sobre a mudança que aconteceu em Paulo, "que de perseguidor tornou-se apóstolo de Cristo". "Quando iluminado pelo Ressuscitado, descobre que foi "blasfemo e violento". Então ele começa a ser realmente capaz de amar", disse Francisco, acrescentando:

E este é o caminho. Se um de nós disser: 'Ah! Obrigado Senhor, porque sou uma pessoa boa, faço coisas boas, não cometo pecados grandes'. Este não é um bom caminho, este é um caminho de autossuficiência.  É um caminho que não justifica a pessoa. Ele é um católico elegante, mas um católico elegante não é um católico santo, ele é elegante. O verdadeiro católico, o verdadeiro cristão é aquele que recebe Jesus dentro de si, e Ele muda o seu coração.

Por fim, o Papa convidou a todos a questionarem-se: "O que significa Jesus  para mim? Deixo-o entrar no meu coração ou apenas o mantenho por perto, mas não tanto dentro? Deixei que Ele me mudasse ou Jesus é somente uma ideia, uma teologia que vai adiante?" "O zelo é isto: quando alguém encontra Jesus sente o fogo e como Paulo deve prégar Jesus, deve falar de Jesus, deve ajudar as pessoas, deve fazer coisas boas. Quando alguém encontra a ideia de Jesus, permanece um ideólogo do cristianismo e isto não justifica, só Jesus nos justifica. Que o Senhor nos ajude a encontrar Jesus, e que esse Jesus de dentro mude a nossa vida e nos ajude a ajudar os outros", concluiu Francisco.

Vatican News

domingo, 26 de março de 2023

Papa no Angelus: não cedas à dor e ao pessimismo, Deus está perto de nós!

 

 

Francisco no Angelus deste domingo: “talvez também nós, neste momento, carregamos nos nossos corações algum peso ou algum sofrimento, que parecem esmagar-nos. Então é hora de remover a pedra e sair ao encontro de Jesus, que está próximo”. 
 

Silvonei José - Vatican News

"Não cedas ao pessimismo que deprime, ao medo que isola, ao desânimo pela recordação de más experiências, ao medo que paralisa"! O Papa Francisco introduzindo a recitação do Angelus comentou a passagem do Evangelho deste V Domingo da Quaresma, a ressurreição de Lázaro, "querido amigo de Jesus", para sublinhar que Jesus "dá vida mesmo quando parece não haver mais esperança" e "convida-nos a não deixar de acreditar e esperar, a não nos deixarmos esmagar por sentimentos negativos".

"Acontece, às vezes, sentires-te sem esperança, aconteceu com todos, ou encontrar pessoas que perderam a esperança: amarguradas", com "um coração ferido", "por causa de uma perda dolorosa, uma doença, uma deceção, um erro ou uma traição sofrida, por um grave erro cometido", observou o Pontífice.

 

 Papa Francisco 
 

"Às vezes ouvimos as pessoas dizerem: 'Não há mais nada a ser feito!' e fecha a porta a toda esperança. Estes são momentos em que a vida parece um sepulcro fechado: tudo é escuro, ao redor vemos apenas dor e desespero". Em vez disto, Jesus "diz-nos que isto não é assim, o fim não é este, que nestes momentos não estamos sozinhos, pelo contrário, que precisamente nestes momentos Ele aproxima-se mais do que nunca para restaurar a nossa vida". Jesus chora, o Evangelho diz que ele chora diante do sepulcro de Lázaro, e Jesus chora connosco, como chorou por Lázaro: o Evangelho repete duas vezes que ele se comoveu e sublinha que Ele chorou".

 

 Fiéis na Praça São Pedro 

Jesus, continua Francisco, "aproxima-se dos nossos sepulcros e diz-nos, como então: 'Tira a pedra'". "Tira a pedra: a dor, os erros, também os fracassos, não os escondam dentro de vós, num quarto escuro e solitário, fechado". Tira a pedra: tira tudo o que está entrega-me com confiança, sem medo, porque estou contigo, amo-te e desejo que vivas novamente".    

E, como a Lázaro, acrescenta o Papa, "repete a cada um de nós: vem para fora! Levante-se, retoma o caminho, recupera a confiança! Eu levo-te pela mão, como quando tu era uma criança aprendendo a dar os teus primeiros passos". "Tira as ligaduras que te prendem, por favor não cedas ao pessimismo que deprime, não cedas ao medo que isola, não cedas ao desânimo devido à recordação de más experiências, não cedas ao medo que paralisa. Eu quer-te livre e vivo, não te abandonarei e estou contigo". "Não te deixes aprisionar pela dor, não deixes morrer a esperança: volta à vida". "Eu pego-te pela mão e trago-te para fora" da escuridão, diz Jesus.

 

 Fieis na Praça de S. Pedro 

Esta passagem, capítulo 11 do Evangelho de João, faz-nos tão bem lê-la, enfatiza o Papa. "É um hino à vida", diz, "e nós o lemos quando a Páscoa está próxima. Talvez também nós, neste momento, carregamos nos nossos corações algum fardo ou algum sofrimento, que parece esmagar-nos. Alguma coisa má, algum pecado feio, algum erro da juventude", acrescenta Francisco.

"Então é o momento de remover a pedra e sair ao encontro de Jesus, que está próximo". "Conseguimos abrir os nossos corações e confiar as nossas preocupações a Ele? Abrir o sepulcro dos problemas e olhar para além da soleira, em direção à sua luz? Ou será que temos medo disto? E, por sua vez, como pequenos espelhos do amor de Deus, será que conseguimos iluminar os ambientes em que vivemos com palavras e gestos de vida? Damos testemunho da esperança e da alegria de Jesus? Nós pecadores, todos nós?".

Francisco dirigiu-se novamente aos confessores: "Caros irmãos, não esqueçam que  também sois pecadores e que no confessionário não sejam torturadores, mas perdoem tudo".

O Papa concluiu: “Maria, Mãe da Esperança, renova em nós a alegria de não nos sentirmos sozinhos e o chamamento a levar luz à escuridão que nos circunda”.

 

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