domingo, 30 de outubro de 2022

Papa Francisco: devemos ter o olhar de Cristo que procura os perdidos, com compaixão

 
 Mogadíscio: lugar do atentado reivindicado pelas milícias al-Shaabab.   (AFP or licensors) 
 
Francisco pede orações pelo ataque na capital somaliana que deixou mais de cem mortos, incluindo muitas crianças, e foi reivindicado pelas milícias al-Shaabab. O apelo do Presidente Hassan Sheikh Mohamu para que a comunidade internacional envie médicos ao país.
 

Francesca Sabatinelli, Silvonei José – Vatican News

Dramático o apelo do Papa que, nas saudações pós-Angelus, dirigidas à multidão reunida na Praça de São Pedro, transporta com as suas palavras os fiéis à martirizada Somália:

Enquanto celebrarmos a vitória de Cristo sobre o mal e a morte, rezemos pelas vítimas do ataque terrorista que, em Mogadíscio, matou mais de cem pessoas, incluindo muitas crianças. Que Deus converta os corações dos violentos!

Cinco anos depois, no mesmo lugar, outro massacre de inocentes. São mais de cem vítimas - em outubro de 2017 foram 500 -, do duplo ataque que atingiu um traficado cruzamento na capital somaliana, Mogadíscio, na tarde deste sábado (29/10), em frente ao Ministério da Educação, e que também deixou mais de 300 feridos. Dois carros-bomba explodiram em poucos minutos. A responsabilidade pelo ataque foi reivindicada pelo grupo al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda, que supostamente apontou o ministério como uma "base inimiga" que recebe apoio de países não-muçulmanos e está "comprometido em retirar as crianças somalianas da fé islâmica". O grupo tinha declarado no passado que continuaria as suas atividades terroristas até à criação de um estado islâmico governado pela Sharia.

Objetivo dos ataques altos funcionários institucionais

O ataque ocorreu num dia em que o presidente Hassan Sheikh Mohamud, o primeiro-ministro Hamza Abdi Barre e vários altos funcionários estavam a reunirem-se precisamente para discutir sobre o aumento dos esforços para combater o extremismo violento e em particular, al-Shabaab. Um evento que naquelas horas ocorria a pouca distância do local do atentado e que provavelmente estava na mira dos extremistas que, não conseguindo chegar perto, dirigiram-se para o ministério. A primeira explosão, segundo testemunhas, atingiu o muro do ministério, onde geralmente estão presentes vendedores ambulantes e cambistas. A segunda explosão ocorreu em frente a um movimentado restaurante.

O apelo do presidente

Dramático apelo do presidente, que pediu à comunidade internacional e aos "muçulmanos ao redor do mundo" que enviem médicos ao país, que tem um dos sistemas de saúde mais fracos do mundo. As milícias al-Shabaab, que foram expulsas pela União Africana da capital em 2011, ainda controlam grandes extensões do território rural e realizam ataques periódicos.

Vatican News

Papa Francisco: devemos ter o olhar de Cristo que procura os perdidos, com compaixão

 
 Papa no Angelus  (Vatican Media) 
 
O Papa Francisco rezou neste domingo o Angelus com os fiéis na Praça de São Pedro e recordou a figura de Zaqueu e o seu encontro com Jesus.
 

Silvonei José – Vatican News

“O olhar de Deus nunca se detém no nosso passado cheio de erros, mas olha com infinita confiança para o que nos podemos tornar”: foi o que disse o Papa Francisco neste domingo, 30 de outubro, na alocução que precedeu o Angelus recitado com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro.

No dia em que a liturgia narra o Evangelho do encontro entre Jesus e Zaqueu, chefe dos publicanos na cidade de Jericó, Francisco disse que no centro desta narração está o verbo procurar. Zaqueu "procurava ver quem era Jesus" e Jesus, após encontrá-lo, afirma: "O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido".

Então o Papa deteve-se nos dois olhares que se procuram: o olhar de Zaqueu que procura Jesus e o olhar de Jesus que procura Zaqueu.

Zaqueu, recordou Francisco, era um publicano, ou seja, um daqueles judeus que cobravam impostos em nome dos dominadores romanos, e aproveitavam-se da sua posição. Por causa disso, era rico, odiado por todos e visto como um pecador.

 Angelus - Praça São Pedro

O Evangelho diz que "ele era pequeno em estatura" e por isso talvez também alude à sua baixeza interior, à sua vida medíocre e desonesta, com o olhar sempre dirigido para baixo. No entanto, Zaqueu quer ver Jesus. E para ver Jesus subiu a um sicômoro. "Ele subiu a um sicômoro: Zaqueu, o homem que dominava tudo, segue o caminho do ridículo para ver Jesus. Basta pensar no que aconteceria se, por exemplo, um tro da economia subisse a uma árvore para olhar para outra coisa: arrisca-se a ser zombado. E Zaqueu arriscou-se a ser chacoteado para ver Jesus, ele fez-se ridículo. 

“Zaqueu, na sua baixeza, sente a necessidade de procurar outro olhar, o de Cristo. Ele ainda não o conhece, mas está a esperar que alguém o liberte da sua condição, que o tire da lama em que se encontra. Isto é fundamental: Zaqueu ensina-nos que, na vida, nunca tudo está perdido Podemos abrir sempre espaço para o desejo de recomeçar, de partir novamente, de nos convertermos”.

Seguidamente o Papa destacou que decisivo é o olhar de Jesus. Ele foi enviado pelo Pai para procurar quem se perdeu; e quando chega a Jericó, passa precisamente ao lado da árvore onde está Zaqueu.

O Evangelho relata que "Jesus olhou para cima e lhe disse lhe: "Zaqueu, desce depressa, hoje devo ficar na tua casa" (v. 5).  O Papa disse que esta “é uma imagem muito bonita, porque se Jesus tem que olhar para cima, isso significa que ele está a olhar para Zaqueu de baixo. Esta é a história da salvação: Deus não nos olhou do alto para nos humilhar e julgar; pelo contrário, Ele abaixou-se ao ponto de lavar os nossos pés, olhando para baixo e restituindo-nos dignidade.

 Angelus  - Praça de São Pedro 

“Assim, o encontro de olhares entre Zaqueu e Jesus parece resumir toda a história da salvação: a humanidade com as suas misérias procura a redenção, mas antes de tudo Deus com a sua misericórdia procura a sua criatura para salvá-la”.

Francisco pediu então que nos recordemos que “o olhar de Deus nunca se detém no nosso passado cheio de erros, mas olha com infinita confiança para o que podemos tornarmo-bos”.

E se às vezes sentimo-nos pessoas de baixa estatura, não à altura dos desafios da vida, muito menos do Evangelho, atolados em problemas e pecados, Jesus olha-nos sempre com amor: como com Zaqueu, ele vem ao nosso encontro, chama-nos pelo nome e, o acolhemos, ele vem à nossa casa.

Então podemo-nos perguntar, disse Francisco: como olhamos para nós mesmos? Sentimo-nos inadequados e resignamo-nos, ou precisamente ali, quando nos sentimos desanimados, procuramos o encontro com Jesus? E depois: que olhar temos para com aqueles que erraram e estão a lutar para se levantarem do pó do seus erros? É um olhar de cima, que julga, despreza e exclui?

"Lembremos que só é permitido olhar uma pessoa de cima para baixo somente para ajudá-la a elevar-se: nada mais. Somente assim é admissível olhar para alguém de cima para baixo". 

“Mas nós cristãos devemos ter o olhar de Cristo, que abraça de baixo, que procura os perdidos, com compaixão. Este é, e deve ser sempre, o olhar da Igreja”.

O Papa concluiu rezando a Maria, para cuja humildade o Senhor olhou, pedindo-lhe o dom de um novo olhar sobre nós mesmos e sobre os outros.

Vatican News

quarta-feira, 26 de outubro de 2022

O Papa: enfrentar "a desolação com abertura e consciência" para sair revigorado

 
  Papa Francisco durante a Audiência Geral, na Praça São Pedro  (VATICAN MEDIA Divisione Foto) 
 
"O discernimento incide sobre as ações e as ações têm uma conotação afetiva, que deve ser reconhecida, porque Deus fala ao coração", disse Francisco, na catequese da Audiência Geral, abordando "a primeira modalidade afetiva, objeto do discernimento: a desolação". 
 

Mariangelal Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o discernimento, na Audiência Geral, desta quarta-feira (26/10), realizada na Praça São Pedro.

"O discernimento incide sobre as ações e as ações têm uma conotação afetiva, que deve ser reconhecida, porque Deus fala ao coração", disse o Papa, abordando "a primeira modalidade afetiva, objeto do discernimento: a desolação".

"Acredito que, de certa forma, todos nós já vivemos a experiência da desolação. O problema é como poder lê-la, pois também ela tem algo importante para nos dizer, e se tivermos pressa de nos livrar dela, correremos o risco de a perder", sublinhou Francisco, ressaltando que ninguém gosta "de se sentir desolado, triste. Todos gostaríamos de uma vida sempre jubilosa, alegre e realizada". "Com efeito, a mudança de uma vida orientada para o vício pode começar a partir de uma situação de tristeza, de remorso pelo que se fez.  "Remorso" é a consciência que morde, que não dá paz", disse ainda o Papa, acrescentando:

É importante aprender a ler a tristeza. No nosso tempo, ela é considerada sobretudo negativamente, como um mal a evitar custe o que custar, e ao contrário pode ser um indispensável sinal de alarme para a vida, convidando-nos a explorar paisagens mais ricas e férteis que a fugacidade e a evasão não permitem. S. Tomás define a tristeza como uma dor da alma: como os nervos para o corpo, ela desperta a atenção diante de um possível perigo, ou de um bem ignorado. Por isso, é indispensável para a nossa saúde, protege-nos para não nos ferirmos a nós mesmos e aos outros. Seria muito mais grave e perigoso não ter este sentimento.

Segundo o Papa, "para quem tem o desejo de praticar o bem, a tristeza é um obstáculo com que o tentador quer desencorajar-nos. Neste caso, deve-se agir de maneira exatamente contrária ao que é sugerido, determinado a continuar o que se tinha proposto cumprir". "Pensemos no trabalho, no estudo, na oração, num compromisso assumido: se os deixássemos, assim que sentíssemos tédio ou tristeza, nunca realizaríamos nada. Também esta é uma experiência comum à vida espiritual: o caminho para o bem, recorda o Evangelho, é estreito e íngreme, requer um combate, uma vitória de si mesmo. Para quem quer servir o Senhor, é importante não nos deixarmos enganar pela desolação", sublinhou Francisco.

Infelizmente, alguns decidem abandonar a vida de oração, ou a escolha feita, o matrimónio ou a vida religiosa, impelidos pela desolação, sem primeiro fazer uma pausa para considerar este estado de espírito, e sobretudo sem a ajuda de um guia. Uma regra sábia diz para não fazer mudanças quando se está desolado. O tempo seguinte, e não o humor do momento, mostrará a bondade ou não das nossas escolhas.

No Evangelho, "Jesus afasta as tentações com uma atitude de firme determinação. As situações de provação advêm-lhe de várias partes, mas sempre, encontrando n'Ele esta firmeza decidida a cumprir a vontade do Pai, esmorecem e deixam de impedir o caminho".

Se soubermos atravessar a solidão e a desolação com abertura e consciência, poderemos sair revigorados sob os aspetos humano e espiritual. Nenhuma provação está fora do nosso alcance. Nenhuma provação está além do que podemos fazer. Mas, não fugir das provações. S- Paulo lembra que ninguém é tentado para além das próprias possibilidades, pois o Senhor nunca nos abandona e, tendo Ele perto, poderemos vencer todas as tentações. Se não as vencermos hoje, levantar-nos-emos novamente, caminhemos e as venceremos amanhã.

"Mas não permanecer morto, digamos assim, não permanecer derrotado por um momento de tristeza, de desolação: vai em frente. Que o Senhor vos abençoe neste caminho, corajoso, da vida espiritual, que está sempre a caminho", concluiu o Papa.

Vatican News

domingo, 23 de outubro de 2022

O Papa é o primeiro inscrito na JMJ Lisboa 2023

 
 Momento em que o Papa se inscreveu na Jornada Mundial da Juverntude 
 
O objetivo principal das Jornadas é recolocar no centro da fé e da vida de cada jovem a pessoa de Jesus, para que Ele se torne o seu ponto de referência constante e seja também a verdadeira luz de todas as iniciativas e todo compromisso educativo para com as novas gerações. É o "refrão" de cada Jornada Mundial. (São João Paulo II)
 

Laura Lo Monaco - Cidade do Vaticano

Ao lado de três jovens portugueses (as duas jovens estudam em Roma), o Papa fez a sua inscrição na JMJ Lisboa 2023 pela internet através de um tablet após o Angelus deste domingo, dia 23 de outubro. Com um click, Francisco garantiu a sua presença no maior evento jovem do mundo, que está marcado para ser realizado entre os dias 1 e 6 de agosto de 2023 na cidade de Lisboa, capital portuguesa:

Abrem-se hoje as inscrições para a 37ª Jornada Mundial da Juventude, que terá lugar em Lisboa em agosto de 2023. Convidei dois jovens portugueses para estarem aqui comigo enquanto também me inscrevo como peregrino (clique no tablet). Eu inscrevi-me! Queridos jovens, convido-vos a participar neste encontro no qual, depois de um longo período de distanciamento e isolamento, redescobriremos a alegria do abraço fraterno entre os povos e entre as gerações, do qual temos tanta necessidade.

«Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39) foi a citação bíblica escolhida pelo Papa Francisco como lema da Jornada Mundial da Juventude 2023. A JMJ se consolidou como uma grande peregrinação, uma festa da juventude, uma expressão da Igreja universal e um momento forte de evangelização do mundo juvenil.

O evento reúnirá jovens do mundo inteiro e foi instituído pelo Papa João Paulo II:

“O evento visa promover o encontro dos jovens com o Papa e ser um momento de renovação da fé.”

Na Carta enviada ao cardeal Eduardo Francisco Pironio por ocasião do Seminário de Estudos sobre as Jornadas Mundiais da Juventude realizado em Czestochowa, em maio de 1996, o Papa Wojtyla escreveu:  

O objetivo principal das Jornadas é recolocar no centro da fé e da vida de cada jovem a pessoa de Jesus, para que Ele se torne o seu ponto de referência constante e seja também a verdadeira luz de todas as iniciativas e todo compromisso educativo para com as novas gerações. É o "refrão" de cada Jornada Mundial. 

A JMJ teve a sua primeira edição em Roma no ano de 1986 e realiza-se em cada 3 anos, já tendo passado por mais de 20 cidades em 3 continentes diferentes. Procurando o protagonismo jovem, a Jornada Mundial da Juventude também procura a promoção da paz, a união e a fraternidade entre os povos e as nações de todo o mundo.

No ato simbólico de domingo, o Papa Francisco deu início ao período de inscrição da JMJ. Todas as informações sobre a JMJ Lisboa 2023, podem ser acessadas através do site: https://www.lisboa2023.org/pt/.

Vatican News

Papa no Angelus: onde há muito eu, há pouco Deus

 
 
"Para subir em direção a Ele é preciso descer dentro de nós mesmos: cultivar a sinceridade e a humildade de coração, que nos dão um olhar honesto sobre as nossas fragilidades e pobrezas. De facto, na humildade tornamo-nos capazes de levar a Deus, sem fingimentos, o que somos, os limites e as feridas, os pecados e as misérias que pesam no nosso coração, e de invocar a sua misericórdia para que nos cure e nos levante."
 

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

"Quanto mais descemos com humildade, mais Deus nos faz subir em direção ao alto."

"Subir e descer", dois verbos presentes na passagem de Lucas (Lc 18,9-14) do Evangelho da liturgia deste domingo inspiraram a reflexão do Papa Francisco antes de rezar o Angelus neste XXX Domingo do Tempo Comum. De facto, a" parábola está entre dois movimentos". De um lado o fariseu, "um homem religioso", e de outro o cobrador de impostos, o publicano, "um pecador declarado".

Subir, necessidade do coração de ir ao encontro do Senhor

Aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa começou por explicar que os dois sobem ao templo para rezar, "mas somente o publicano eleva-se verdadeiramente a Deus, porque com humildade desce à verdade de si mesmo e apresenta-se tal como é, sem máscaras, com a sua pobreza". Ou seja, o primeiro movimento é "subir". E explica:

De facto, o texto começa por dizer: "Dois homens subiram ao Templo para rezar". Este aspeto evoca tantos episódios da Bíblia, onde para encontrar o Senhor sobe-se ao monte da sua presença: Abraão sobe ao monte para oferecer o sacrifício; Moisés sobe ao Sinai para receber os mandamentos; Jesus sobe ao monte, onde é transfigurado. Subir, portanto, expressa a necessidade do coração de separar-se de uma vida plana para ir ao encontro do Senhor, libertar-nos do próprio eu; de elevarmo-nos das planícies do nosso eu para subir em direção a Deus; de recolher o que vivemos no vale para levá-lo diante do Senhor. Isto é subir, e quando nós rezamos, subimos.

Quanto mais descemos, mais Deus nos faz subir ao alto

Mas - observou Francisco - para viver o encontro com Deus e sermos transformados pela oração, para nos elevarmos a Ele, precisamos do segundo movimento, descer:

Para subir em direção a Ele é preciso descer dentro de nós mesmos: cultivar a sinceridade e a humildade de coração, que nos dão um olhar honesto sobre as nossas fragilidades e pobrezas interiores. De facto, na humildade tornamo-nos capazes de levar a Deus, sem fingimentos, o que realmente somos, os limites e as feridas, os pecados e as misérias que pesam no nosso coração, e de invocar a sua misericórdia para que nos cure, nos cure e nos levante. Será Ele a levantar-nos, não nós. Quanto mais descemos com humildade, mais Deus nos faz subir em direção ao alto.

O risco de cair na "soberba espiritual"

Com efeito - acrescentou - o publicano da parábola "fica humildemente à distância, não se envergonha, pede perdão e o Senhor levanta-o". O fariseu, por outro lado, "exalta-se, seguro de si mesmo, convencido de estar bem: de pé, começa a falar ao Senhor apenas de si mesmo, começa a louvar a si mesmo, a listar todas as boas obras religiosas que faz e despreza os outros. Diz: "Não como aquele ali":

Por que a soberba espiritual faz isto - “Mas padre, por que nos fala sobre a soberba espiritual? - Mas todos nós corremos o perigo de cair nisto: leva-te a acreditar-te bom e a julgar os outros e isso é a soberba espiritual: "Eu estou bem, sou melhor que os outros, ele é isto, aquele é aquilo…". E assim, sem perceber, adoras a ti mesmo e apagas o teu Deus. É uma subida que volta para ti mesmo. Esta é a oração sem humildade.

O Papa então chamou a atenção para o facto de que "o fariseu e o publicano têm muito a ver connosco", convidando a olharmos para nós mesmos:

Verifiquemos se em nós, como no fariseu, existe "a íntima presunção de ser justos" que nos leva a desprezar os outros. Acontece, por exemplo, quando procuramos elogios e  fazemos sempre uma lista dos nossos méritos e das nossas boas obras, quando nos preocupamos mais em parecer do que em ser, quando nos deixamos aprisionar pelo narcisismo e pelo exibicionismo. Vigiemos , irmãos e irmãs, o nosso narcisismo e exibicionismo, baseados na vanglória, que levam também nós cristãos, nós sacerdotes, nós bispos a ter sempre uma palavra nos lábios. Qual palavra? "Eu, eu ,eu": "eu fiz isto, eu escrevi aquilo, eu tinha dito, eu tinha entendido antes de vós", e assim por diante. Onde há muito eu, há pouco Deus.

Francisco recordou que no seu país, essas pessoas são chamadas de "eu-comigo-para mim-somente eu", ilustrando com o exemplo de um sacerdote que era muito "centrado em si mesmo", e para brincar, as pessoas diziam que quando ele fazia a incensação, fazia ao contrário, pois incensava a si mesmo, "se auto incensava."

Peçamos a intercessão de Maria Santíssima - disse ao concluir - a humilde serva do Senhor, imagem viva daquilo que o Senhor ama realizar, derrubando os poderosos de seus tronos e elevando os últimos.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2022

O Papa: reler a própria vida faz-nos descobrir "os pequenos milagres" que Deus faz por nós

 
 
Na catequese da Audiência Geral, Francisco convidou a ler a própria história que significa também reconhecer a presença de elementos “tóxicos”. Ler a própria vida para ver "as coisas que não são boas e também as coisas boas que Deus semeia em nós."
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o discernimento na Audiência Geral, desta quarta-feira (19/10), realizada na Praça São Pedro.

Neste encontro semanal com os fiéis, o Papa meditou "sobre outro ingrediente indispensável para o discernimento: a própria história de vida".

Reconhecer a presença de elementos “tóxicos”

"A nossa vida é o “livro” mais precioso que nos foi confiado, um livro que muitos infelizmente não leem, ou o fazem demasiado tarde, antes de morrer. No entanto, é nesse livro que se encontra aquilo que se procura inutilmente por outros caminhos", frisou o Pontífice, ressaltando que Santo Agostinho compreendeu isso, "relendo a sua vida, observando nela os passos silenciosos e discretos, mas incisivos, da presença do Senhor. No final deste percurso, notará com admiração: «Tu estavas dentro de mim, e eu fora. Lá, eu procurava-te. Deformado, lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Tu estavas comigo, mas eu não estava contigo». Daqui deriva o seu convite a cultivar a vida interior, para encontrar o que se procura: «Volta para ti mesmo. No homem interior habita a verdade»".

Muitas vezes, também nós vivemos a experiência de Agostinho, de nos encontrarmos presos em pensamentos que nos afastam de nós mesmos, mensagens estereotipadas que nos ferem: “Nada valho”, “tudo acontece de mau comigo”, “nunca farei nada de bom”, e assim por diante. Ler a própria história significa também reconhecer a presença destes elementos “tóxicos”, para depois ampliar a trama da nossa narração, aprendendo a observar outras coisas, tornando-a mais rica, mais respeitadora da complexidade, conseguindo até captar os modos discretos como Deus age na nossa vida.

Ler a própria vida

A seguir, o Papa disse que certa vez conheceu "uma pessoa em que as pessoas que a conheciam diziam merecer o Prêmio Nobel da negatividade", pois "tudo era mau e ela  colocava-se sempre para baixo". "Era uma pessoa amarga, mas tinha muitas qualidades. Então, essa pessoa encontrou outra pessoa que a ajudou bem, e toda a veem que ela reclamava de alguma coisa, a outra dizia: "Mas agora, para compensar, diga algo bom sobre si". E ela respondeu: "Sim, eu também tenho essa qualidade", e pouco a pouco isso a ajudou a seguir em frente, a ler bem a sua vida, tanto as coisas más como as coisas boas", sublinhou Francisco.

“Ler a própria vida, e assim ver as coisas que não são boas e também as boas que Deus semeia em nós.”

Segundo o Papa, "a narração das vicissitudes da nossa vida permite também compreender matizes e detalhes importantes, que podem revelar-se ajudas valiosas até então ocultas. Uma leitura, um serviço, um encontro, à primeira vista considerados de pouca importância, sucessivamente transmitem uma paz interior, transmitem a alegria de viver e sugerem outras iniciativas de bem. Determo-nos e reconhecer isto é indispensável para o discernimento, é uma obra de recolha daquelas pérolas preciosas e escondidas que o Senhor disseminou no nosso terreno".

Quem caminha circularmente nunca vai para a frente

"O bem está sempre escondido, porque o bem tem pudor e esconde-se: o bem fica escondido; é silencioso, requer uma escavação lenta e contínua, pois o estilo de Deus é discreto, não se impõe; é como o ar que respiramos, não o vemos, mas faz-nos viver, e só nos damos conta dele quando nos falta", disse ainda Francisco.

O Papa sublinhou que "habituarmo-nos a reler a própria vida educa o olhar, aguça-o, permite notar os pequenos milagres que o bom Deus realiza para nós todos os dias".

Quando prestamos atenção, observamos outros rumos possíveis que revigoram o gosto interior, a paz e a criatividade. Acima de tudo, torna-nos mais livres dos estereótipos tóxicos. Diz-se sabiamente que o homem que não conhece o seu passado está condenado a repeti-lo. É curioso, não é? Se não conhecemos o caminho feito, o passado, repetimos sempre o mesmo, somos circulares. A pessoa que caminha circularmente nunca vai para a frente, não tem caminho. É como o cachorro que morde o rabo, vai sempre assim, e repete as coisas.

A importância da vida dos santos

Segundo o Papa, "a vida dos santos é uma ajuda preciosa para reconhecer o estilo de Deus na própria vida: permite familiarizarmo-nos com o seu modo de agir. O comportamento de alguns santos interpela-nos, mostrando novos significados e oportunidades. Foi o que aconteceu, por exemplo, a Santo Inácio de Loyola. Quando descreve a descoberta fundamental da sua vida, acrescenta uma importante observação: «Por experiência, deduziu que alguns pensamentos o deixaram triste e outros, alegre; e pouco a pouco aprendeu a conhecer a diversidade dos espíritos que nele se agitavam»".

Francisco disse que "o discernimento é a leitura narrativa das consolações e desolações que experimentamos ao longo da nossa vida. É o coração que nos fala de Deus, e nós devemos aprender a compreender a sua linguagem". "Perguntemo-nos, no final do dia, por exemplo: o que aconteceu hoje no meu coração? Alguns pensam que fazer este exame de consciência é prestar contas dos pecados feitos. Cometemos muitos, não é? Não, mas se perguntar: o que aconteceu dentro de mim? O que me alegrou? O que me entristeceu? E assim aprender a discernir o que acontece dentro de nós", concluiu.

Vatican News

terça-feira, 18 de outubro de 2022

JMJ Lisboa 2023 anuncia Planos de Inscrição

 

 

O Comité Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 acaba de anunciar as diversas modalidades de pacotes para que os peregrinos possam usufruir de um conjunto de serviços organizados pelo COL durante uma semana ou no período escolhido.

De realçar que o acesso a todas as iniciativas da JMJ Lisboa é de acesso gratuito, nomeadamente a Missa de Abertura, Acolhimento do Papa, Via-Sacra, Vigília com o Santo Padre e Missa de Envio, entre outros.

Com o objetivo de ajudar os peregrinos a terem acesso a um conjunto de serviços de forma organizada como o alojamento, alimentação, seguro de acidentes pessoais, transporte e o kit do peregrino, o COL disponibilizou diversos pacotes de acordo com o tempo de estadia do peregrino. Os valores dos pacotes vão desde 50 euros a 235 euros, mediante a opção escolhida. Os peregrinos poderão estender a sua estadia por mais um dia, por mais 20 euros.

Duarte Ricciardi, secretário-executivo do COL da JMJ Lisboa 2023, reforça que “o acesso à JMJ é sempre gratuito para todas as pessoas”. “À semelhança do que acontece em todas as Jornadas, o COL organiza e disponibiliza opções de pacotes para que os peregrinos se possam inscrever e aceder a um conjunto de serviços, como alojamento, alimentação, transporte e segurança e o kit do peregrino”, sublinhou.

 

Mais informação sobre as diferentes modalidades dos Pacotes Peregrino para a JMJ Lisboa 2023 pode ser consultada aqui e a informação geral aqui.

  • As inscrições para a JMJ Lisboa 2023 vão abrir até ao final do mês de outubro e serão feitas através do site www.lisboa2023.org.

Patriarcado de Lisboa