Mogadíscio: lugar do atentado reivindicado pelas milícias al-Shaabab.
(AFP or licensors)
Francisco pede
orações pelo ataque na capital somaliana que deixou mais de cem mortos,
incluindo muitas crianças, e foi reivindicado pelas milícias al-Shaabab.
O apelo do Presidente Hassan Sheikh Mohamu para que a comunidade
internacional envie médicos ao país.
Francesca Sabatinelli, Silvonei José – Vatican News
Dramático o apelo do Papa que, nas saudações pós-Angelus, dirigidas à
multidão reunida na Praça de São Pedro, transporta com as suas palavras os
fiéis à martirizada Somália:
Enquanto celebrarmos a vitória de Cristo sobre o mal e a morte,
rezemos pelas vítimas do ataque terrorista que, em Mogadíscio, matou
mais de cem pessoas, incluindo muitas crianças. Que Deus converta os
corações dos violentos!
Cinco anos depois, no mesmo lugar, outro massacre de inocentes. São
mais de cem vítimas - em outubro de 2017 foram 500 -, do duplo ataque
que atingiu um traficado cruzamento na capital somaliana, Mogadíscio, na
tarde deste sábado (29/10), em frente ao Ministério da Educação, e que
também deixou mais de 300 feridos. Dois carros-bomba explodiram em
poucos minutos. A responsabilidade pelo ataque foi
reivindicada pelo grupo al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda, que supostamente
apontou o ministério como uma "base inimiga" que recebe apoio de países
não-muçulmanos e está "comprometido em retirar as crianças somalianas da
fé islâmica". O grupo tinha declarado no passado que continuaria as suas
atividades terroristas até à criação de um estado islâmico governado
pela Sharia.
Objetivo dos ataques altos funcionários institucionais
O ataque ocorreu num dia em que o presidente Hassan Sheikh Mohamud,
o primeiro-ministro Hamza Abdi Barre e vários altos funcionários
estavam a reunirem-se precisamente para discutir sobre o aumento dos
esforços para combater o extremismo violento e em particular,
al-Shabaab. Um evento que naquelas horas ocorria a pouca distância do
local do atentado e que provavelmente estava na mira dos extremistas
que, não conseguindo chegar perto, dirigiram-se para o ministério. A
primeira explosão, segundo testemunhas, atingiu o muro do ministério,
onde geralmente estão presentes vendedores ambulantes e cambistas. A
segunda explosão ocorreu em frente a um movimentado restaurante.
O apelo do presidente
Dramático apelo do presidente, que pediu à comunidade internacional e
aos "muçulmanos ao redor do mundo" que enviem médicos ao país, que tem
um dos sistemas de saúde mais fracos do mundo. As milícias al-Shabaab,
que foram expulsas pela União Africana da capital em 2011, ainda controlam grandes extensões do território rural e realizam ataques periódicos.
O Papa Francisco
rezou neste domingo o Angelus com os fiéis na Praça de São Pedro e recordou
a figura de Zaqueu e o seu encontro com Jesus.
Silvonei José – Vatican News
“O olhar de Deus nunca se detém no nosso passado cheio de erros, mas olha com infinita confiança para o que nos podemos tornar”:
foi o que disse o Papa Francisco neste domingo, 30 de outubro, na
alocução que precedeu o Angelus recitado com os fiéis reunidos na Praça
de São Pedro.
No dia em que a liturgia narra o Evangelho do encontro entre Jesus e
Zaqueu, chefe dos publicanos na cidade de Jericó, Francisco disse que no
centro desta narração está o verbo procurar. Zaqueu "procurava
ver quem era Jesus" e Jesus, após encontrá-lo, afirma: "O Filho do Homem
veio procurar e salvar o que estava perdido".
Então o Papa deteve-se nos dois olhares que se procuram: o olhar de Zaqueu que procura Jesus e o olhar de Jesus que procura Zaqueu.
Zaqueu, recordou Francisco, era um publicano, ou seja, um daqueles
judeus que cobravam impostos em nome dos dominadores romanos, e aproveitavam-se da sua posição. Por causa disso, era rico, odiado por todos
e visto como um pecador.
Angelus - Praça São Pedro
O Evangelho diz que "ele era pequeno em estatura" e por isso talvez
também alude à sua baixeza interior, à sua vida medíocre e desonesta,
com o olhar sempre dirigido para baixo. No entanto, Zaqueu quer ver
Jesus. E para ver Jesus subiu a um sicômoro. "Ele subiu a um sicômoro:
Zaqueu, o homem que dominava tudo, segue o caminho do ridículo para ver
Jesus. Basta pensar no que aconteceria se, por exemplo, um tro da
economia subisse a uma árvore para olhar para outra coisa: arrisca-se a ser
zombado. E Zaqueu arriscou-se a ser chacoteado para ver Jesus, ele fez-se
ridículo.
“Zaqueu, na sua baixeza, sente a necessidade de procurar outro
olhar, o de Cristo. Ele ainda não o conhece, mas está a esperar que
alguém o liberte da sua condição, que o tire da lama em que se encontra.
Isto é fundamental: Zaqueu ensina-nos que, na vida, nunca tudo está
perdido Podemos abrir sempre espaço para o desejo de recomeçar, de partir novamente, de nos convertermos”.
Seguidamente o Papa destacou que decisivo é o olhar de Jesus.
Ele foi enviado pelo Pai para procurar quem se perdeu; e quando chega a
Jericó, passa precisamente ao lado da árvore onde está Zaqueu.
O Evangelho relata que "Jesus olhou para cima e lhe disse lhe: "Zaqueu,
desce depressa, hoje devo ficar na tua casa" (v. 5). O Papa disse que
esta “é uma imagem muito bonita, porque se Jesus tem que olhar para
cima, isso significa que ele está a olhar para Zaqueu de baixo. Esta é a
história da salvação: Deus não nos olhou do alto para nos humilhar e
julgar; pelo contrário, Ele abaixou-se ao ponto de lavar os nossos pés,
olhando para baixo e restituindo-nos dignidade.
Angelus - Praça de São Pedro
“Assim, o encontro de olhares entre Zaqueu e Jesus parece resumir
toda a história da salvação: a humanidade com as suas misérias procura a
redenção, mas antes de tudo Deus com a sua misericórdia procura a sua
criatura para salvá-la”.
Francisco pediu então que nos recordemos que “o olhar de Deus nunca
se detém no nosso passado cheio de erros, mas olha com infinita
confiança para o que podemos tornarmo-bos”.
E se às vezes sentimo-nos pessoas de baixa estatura, não à altura
dos desafios da vida, muito menos do Evangelho, atolados em problemas e
pecados, Jesus olha-nos sempre com amor: como com Zaqueu, ele vem ao
nosso encontro, chama-nos pelo nome e, o acolhemos, ele vem à nossa
casa.
Então podemo-nos perguntar, disse Francisco: como olhamos para nós
mesmos? Sentimo-nos inadequados e resignamo-nos, ou precisamente ali,
quando nos sentimos desanimados, procuramos o encontro com Jesus? E
depois: que olhar temos para com aqueles que erraram e estão a lutar
para se levantarem do pó do seus erros? É um olhar de cima, que julga,
despreza e exclui?
"Lembremos que só é permitido olhar uma pessoa de cima para baixo
somente para ajudá-la a elevar-se: nada mais. Somente assim é admissível
olhar para alguém de cima para baixo".
“Mas nós cristãos devemos ter o olhar de Cristo, que abraça de
baixo, que procura os perdidos, com compaixão. Este é, e deve ser sempre, o
olhar da Igreja”.
O Papa concluiu rezando a Maria, para cuja humildade o Senhor olhou,
pedindo-lhe o dom de um novo olhar sobre nós mesmos e sobre os outros.
Papa Francisco durante a Audiência Geral, na Praça São Pedro
(VATICAN MEDIA Divisione Foto)
"O discernimento
incide sobre as ações e as ações têm uma conotação afetiva, que deve ser
reconhecida, porque Deus fala ao coração", disse Francisco, na
catequese da Audiência Geral, abordando "a primeira modalidade afetiva,
objeto do discernimento: a desolação".
Mariangelal Jaguraba - Vatican News
O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o
discernimento, na Audiência Geral, desta quarta-feira (26/10), realizada
na Praça São Pedro.
"O discernimento incide sobre as ações e as ações têm uma conotação
afetiva, que deve ser reconhecida, porque Deus fala ao coração", disse o
Papa, abordando "a primeira modalidade afetiva, objeto do
discernimento: a desolação".
"Acredito que, de certa forma, todos nós já vivemos a experiência da
desolação. O problema é como poder lê-la, pois também ela tem algo
importante para nos dizer, e se tivermos pressa de nos livrar dela,
correremos o risco de a perder", sublinhou Francisco, ressaltando que
ninguém gosta "de se sentir desolado, triste. Todos gostaríamos de uma
vida sempre jubilosa, alegre e realizada". "Com efeito, a mudança de uma
vida orientada para o vício pode começar a partir de uma situação de
tristeza, de remorso pelo que se fez. "Remorso" é a consciência que
morde, que não dá paz", disse ainda o Papa, acrescentando:
É importante aprender a ler a tristeza. No nosso tempo, ela é
considerada sobretudo negativamente, como um mal a evitar custe o que
custar, e ao contrário pode ser um indispensável sinal de alarme para a
vida, convidando-nos a explorar paisagens mais ricas e férteis que a
fugacidade e a evasão não permitem. S. Tomás define a tristeza como
uma dor da alma: como os nervos para o corpo, ela desperta a atenção
diante de um possível perigo, ou de um bem ignorado. Por isso, é
indispensável para a nossa saúde, protege-nos para não nos ferirmos a
nós mesmos e aos outros. Seria muito mais grave e perigoso não ter este
sentimento.
Segundo o Papa, "para quem tem o desejo de praticar o bem, a tristeza
é um obstáculo com que o tentador quer desencorajar-nos. Neste caso,
deve-se agir de maneira exatamente contrária ao que é sugerido,
determinado a continuar o que se tinha proposto cumprir". "Pensemos no
trabalho, no estudo, na oração, num compromisso assumido: se os
deixássemos, assim que sentíssemos tédio ou tristeza, nunca
realizaríamos nada. Também esta é uma experiência comum à vida
espiritual: o caminho para o bem, recorda o Evangelho, é estreito e
íngreme, requer um combate, uma vitória de si mesmo. Para quem quer
servir o Senhor, é importante não nos deixarmos enganar pela desolação",
sublinhou Francisco.
Infelizmente, alguns decidem abandonar a vida de oração, ou a
escolha feita, o matrimónio ou a vida religiosa, impelidos pela
desolação, sem primeiro fazer uma pausa para considerar este estado de
espírito, e sobretudo sem a ajuda de um guia. Uma regra sábia diz para
não fazer mudanças quando se está desolado. O tempo seguinte, e não o
humor do momento, mostrará a bondade ou não das nossas escolhas.
No Evangelho, "Jesus afasta as tentações com uma atitude de firme
determinação. As situações de provação advêm-lhe de várias partes, mas
sempre, encontrando n'Ele esta firmeza decidida a cumprir a vontade do
Pai, esmorecem e deixam de impedir o caminho".
Se soubermos atravessar a solidão e a desolação com abertura e
consciência, poderemos sair revigorados sob os aspetos humano e
espiritual. Nenhuma provação está fora do nosso alcance. Nenhuma
provação está além do que podemos fazer. Mas, não fugir das provações.
S- Paulo lembra que ninguém é tentado para além das próprias possibilidades,
pois o Senhor nunca nos abandona e, tendo Ele perto, poderemos vencer
todas as tentações. Se não as vencermos hoje, levantar-nos-emos novamente,
caminhemos e as venceremos amanhã.
"Mas não permanecer morto, digamos assim, não permanecer derrotado
por um momento de tristeza, de desolação: vai em frente. Que o Senhor vos
abençoe neste caminho, corajoso, da vida espiritual, que está sempre a
caminho", concluiu o Papa.
Momento em que o Papa se inscreveu na Jornada Mundial da Juverntude
O objetivo
principal das Jornadas é recolocar no centro da fé e da vida de cada
jovem a pessoa de Jesus, para que Ele se torne o seu ponto de referência
constante e seja também a verdadeira luz de todas as iniciativas e todo
compromisso educativo para com as novas gerações. É o "refrão" de cada
Jornada Mundial. (São João Paulo II)
Laura Lo Monaco - Cidade do Vaticano Ao
lado de três jovens portugueses (as duas jovens estudam em Roma), o Papa
fez a sua inscrição na JMJ Lisboa 2023 pela internet através de um tablet após o Angelus deste domingo, dia 23 de outubro. Com um click,
Francisco garantiu a sua presença no maior evento jovem do mundo, que
está marcado para ser realizado entre os dias 1 e 6 de agosto de 2023 na
cidade de Lisboa, capital portuguesa:
Abrem-se hoje as inscrições para a 37ª Jornada Mundial da
Juventude, que terá lugar em Lisboa em agosto de 2023. Convidei dois
jovens portugueses para estarem aqui comigo enquanto também me inscrevo
como peregrino (clique no tablet). Eu inscrevi-me! Queridos jovens,
convido-vos a participar neste encontro no qual, depois de um longo
período de distanciamento e isolamento, redescobriremos a alegria do
abraço fraterno entre os povos e entre as gerações, do qual temos tanta
necessidade.
«Maria levantou-se e partiu apressadamente» (Lc 1, 39) foi a citação
bíblica escolhida pelo Papa Francisco como lema da Jornada Mundial da
Juventude 2023. A JMJ se consolidou como uma grande peregrinação, uma
festa da juventude, uma expressão da Igreja universal e um momento forte
de evangelização do mundo juvenil. O evento reúnirá jovens do
mundo inteiro e foi instituído pelo Papa João Paulo II:
“O evento visa promover o encontro dos jovens com o Papa e ser um momento de renovação da fé.”
Na Carta
enviada ao cardeal Eduardo Francisco Pironio por ocasião do Seminário
de Estudos sobre as Jornadas Mundiais da Juventude realizado em
Czestochowa, em maio de 1996, o Papa Wojtyla escreveu:
O objetivo principal das Jornadas é recolocar no centro da fé e da
vida de cada jovem a pessoa de Jesus, para que Ele se torne o seu ponto
de referência constante e seja também a verdadeira luz de todas as
iniciativas e todo compromisso educativo para com as novas gerações. É o
"refrão" de cada Jornada Mundial.
A JMJ teve a sua primeira edição em Roma no ano de 1986 e realiza-se em
cada 3 anos, já tendo passado por mais de 20 cidades em 3 continentes
diferentes. Procurando o protagonismo jovem, a Jornada Mundial da
Juventude também procura a promoção da paz, a união e a fraternidade entre os
povos e as nações de todo o mundo. No ato simbólico de
domingo, o Papa Francisco deu início ao período de inscrição da JMJ. Todas
as informações sobre a JMJ Lisboa 2023, podem ser acessadas através do
site: https://www.lisboa2023.org/pt/.
"Para subir em
direção a Ele é preciso descer dentro de nós mesmos: cultivar a
sinceridade e a humildade de coração, que nos dão um olhar honesto sobre as nossas fragilidades e pobrezas. De facto, na humildade tornamo-nos
capazes de levar a Deus, sem fingimentos, o que somos, os limites e as
feridas, os pecados e as misérias que pesam no nosso coração, e de
invocar a sua misericórdia para que nos cure e nos levante."
Jackson Erpen - Cidade do Vaticano
"Quanto mais descemos com humildade, mais Deus nos faz subir em direção ao alto."
"Subir e descer", dois verbos presentes na passagem de Lucas (Lc
18,9-14) do Evangelho da liturgia deste domingo inspiraram a reflexão do
Papa Francisco antes de rezar o Angelus neste XXX Domingo do
Tempo Comum. De facto, a" parábola está entre dois movimentos". De um
lado o fariseu, "um homem religioso", e de outro o cobrador de impostos,
o publicano, "um pecador declarado".
Subir, necessidade do coração de ir ao encontro do Senhor
Aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa começou por explicar
que os dois sobem ao templo para rezar, "mas somente o publicano
eleva-se verdadeiramente a Deus, porque com humildade desce à verdade de
si mesmo e apresenta-se tal como é, sem máscaras, com a sua pobreza".
Ou seja, o primeiro movimento é "subir". E explica:
De facto, o texto começa por dizer: "Dois homens subiram ao Templo
para rezar". Este aspeto evoca tantos episódios da Bíblia, onde para
encontrar o Senhor sobe-se ao monte da sua presença: Abraão sobe ao
monte para oferecer o sacrifício; Moisés sobe ao Sinai para receber os
mandamentos; Jesus sobe ao monte, onde é transfigurado. Subir, portanto,
expressa a necessidade do coração de separar-se de uma vida plana para
ir ao encontro do Senhor, libertar-nos do próprio eu; de elevarmo-nos das
planícies do nosso eu para subir em direção a Deus; de recolher o que
vivemos no vale para levá-lo diante do Senhor. Isto é subir, e quando
nós rezamos, subimos.
Quanto mais descemos, mais Deus nos faz subir ao alto
Mas - observou Francisco - para viver o encontro com Deus e sermos
transformados pela oração, para nos elevarmos a Ele, precisamos do
segundo movimento, descer:
Para subir em direção a Ele é preciso descer dentro de nós mesmos:
cultivar a sinceridade e a humildade de coração, que nos dão um olhar
honesto sobre as nossas fragilidades e pobrezas interiores. De facto, na
humildade tornamo-nos capazes de levar a Deus, sem fingimentos, o que
realmente somos, os limites e as feridas, os pecados e as misérias que
pesam no nosso coração, e de invocar a sua misericórdia para que nos cure,
nos cure e nos levante. Será Ele a levantar-nos, não nós. Quanto mais
descemos com humildade, mais Deus nos faz subir em direção ao alto.
O risco de cair na "soberba espiritual"
Com efeito - acrescentou - o publicano da parábola "fica humildemente
à distância, não se envergonha, pede perdão e o Senhor levanta-o". O
fariseu, por outro lado, "exalta-se, seguro de si mesmo, convencido de
estar bem: de pé, começa a falar ao Senhor apenas de si mesmo, começa a
louvar a si mesmo, a listar todas as boas obras religiosas que faz e
despreza os outros. Diz: "Não como aquele ali":
Por que a soberba espiritual faz isto - “Mas padre, por que nos
fala sobre a soberba espiritual? - Mas todos nós corremos o perigo de
cair nisto: leva-te a acreditar-te bom e a julgar os outros e isso é a
soberba espiritual: "Eu estou bem, sou melhor que os outros, ele é isto,
aquele é aquilo…". E assim, sem perceber, adoras a ti mesmo e apagas o teu
Deus. É uma subida que volta para ti mesmo. Esta é a oração sem
humildade.
O Papa então chamou a atenção para o facto de que "o fariseu e o
publicano têm muito a ver connosco", convidando a olharmos para nós
mesmos:
Verifiquemos se em nós, como no fariseu, existe "a íntima
presunção de ser justos" que nos leva a desprezar os outros. Acontece,
por exemplo, quando procuramos elogios e fazemos sempre uma lista dos
nossos méritos e das nossas boas obras, quando nos preocupamos mais em
parecer do que em ser, quando nos deixamos aprisionar pelo narcisismo e
pelo exibicionismo. Vigiemos , irmãos e irmãs, o nosso narcisismo e
exibicionismo, baseados na vanglória, que levam também nós cristãos, nós
sacerdotes, nós bispos a ter sempre uma palavra nos lábios. Qual
palavra? "Eu, eu ,eu": "eu fiz isto, eu escrevi aquilo, eu tinha dito,
eu tinha entendido antes de vós", e assim por diante. Onde há muito
eu, há pouco Deus.
Francisco recordou que no seu país, essas pessoas são chamadas de
"eu-comigo-para mim-somente eu", ilustrando com o exemplo de um
sacerdote que era muito "centrado em si mesmo", e para brincar, as
pessoas diziam que quando ele fazia a incensação, fazia ao contrário,
pois incensava a si mesmo, "se auto incensava."
Peçamos a intercessão de Maria Santíssima - disse ao concluir - a
humilde serva do Senhor, imagem viva daquilo que o Senhor ama realizar,
derrubando os poderosos de seus tronos e elevando os últimos.
Na catequese da
Audiência Geral, Francisco convidou a ler a própria história que
significa também reconhecer a presença de elementos “tóxicos”. Ler a
própria vida para ver "as coisas que não são boas e também as coisas
boas que Deus semeia em nós."
Mariangela Jaguraba - Vatican News
O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o
discernimento na Audiência Geral, desta quarta-feira (19/10), realizada
na Praça São Pedro.
Neste encontro semanal com os fiéis, o Papa meditou "sobre outro ingrediente indispensável para o discernimento: a própria história de vida".
Reconhecer a presença de elementos “tóxicos”
"A nossa vida é o “livro” mais precioso que nos foi confiado, um
livro que muitos infelizmente não leem, ou o fazem demasiado tarde,
antes de morrer. No entanto, é nesse livro que se encontra aquilo que se
procura inutilmente por outros caminhos", frisou o Pontífice,
ressaltando que Santo Agostinho compreendeu isso, "relendo a sua vida,
observando nela os passos silenciosos e discretos, mas incisivos, da
presença do Senhor. No final deste percurso, notará com admiração: «Tu
estavas dentro de mim, e eu fora. Lá, eu procurava-te. Deformado,
lançava-me sobre as belas formas das tuas criaturas. Tu estavas comigo,
mas eu não estava contigo». Daqui deriva o seu convite a cultivar a vida
interior, para encontrar o que se procura: «Volta para ti mesmo. No
homem interior habita a verdade»".
Muitas vezes, também nós vivemos a experiência de Agostinho, de
nos encontrarmos presos em pensamentos que nos afastam de nós mesmos,
mensagens estereotipadas que nos ferem: “Nada valho”, “tudo acontece de
mau comigo”, “nunca farei nada de bom”, e assim por diante. Ler a
própria história significa também reconhecer a presença destes elementos
“tóxicos”, para depois ampliar a trama da nossa narração, aprendendo a
observar outras coisas, tornando-a mais rica, mais respeitadora da
complexidade, conseguindo até captar os modos discretos como Deus age na
nossa vida.
Ler a própria vida
A seguir, o Papa disse que certa vez conheceu "uma pessoa em que as
pessoas que a conheciam diziam merecer o Prêmio Nobel da
negatividade", pois "tudo era mau e ela colocava-se sempre para baixo".
"Era uma pessoa amarga, mas tinha muitas qualidades. Então, essa pessoa
encontrou outra pessoa que a ajudou bem, e toda a veem que ela reclamava de
alguma coisa, a outra dizia: "Mas agora, para compensar, diga
algo bom sobre si". E ela respondeu: "Sim, eu também tenho essa
qualidade", e pouco a pouco isso a ajudou a seguir em frente, a ler bem
a sua vida, tanto as coisas más como as coisas boas", sublinhou
Francisco.
“Ler a própria vida, e assim ver as coisas que não são boas e também as boas que Deus semeia em nós.”
Segundo o Papa, "a narração das vicissitudes da nossa vida permite
também compreender matizes e detalhes importantes, que podem revelar-se
ajudas valiosas até então ocultas. Uma leitura, um serviço, um
encontro, à primeira vista considerados de pouca importância,
sucessivamente transmitem uma paz interior, transmitem a alegria de
viver e sugerem outras iniciativas de bem. Determo-nos e reconhecer
isto é indispensável para o discernimento, é uma obra de recolha
daquelas pérolas preciosas e escondidas que o Senhor disseminou no nosso
terreno".
Quem caminha circularmente nunca vai para a frente
"O bem está sempre escondido, porque o bem tem pudor e esconde-se: o
bem fica escondido; é silencioso, requer uma escavação lenta e
contínua, pois o estilo de Deus é discreto, não se impõe; é como o ar
que respiramos, não o vemos, mas faz-nos viver, e só nos damos conta
dele quando nos falta", disse ainda Francisco.
O Papa sublinhou que "habituarmo-nos a reler a própria vida educa o
olhar, aguça-o, permite notar os pequenos milagres que o bom Deus
realiza para nós todos os dias".
Quando prestamos atenção, observamos outros rumos possíveis que
revigoram o gosto interior, a paz e a criatividade. Acima de tudo,
torna-nos mais livres dos estereótipos tóxicos. Diz-se sabiamente que o
homem que não conhece o seu passado está condenado a repeti-lo.É
curioso, não é? Se não conhecemos o caminho feito, o passado, repetimos
sempre o mesmo, somos circulares. A pessoa que caminha circularmente
nunca vai para a frente, não tem caminho. É como o cachorro que morde o
rabo, vai sempre assim, e repete as coisas.
A importância da vida dos santos
Segundo o Papa, "a vida dos santos é uma ajuda preciosa para
reconhecer o estilo de Deus na própria vida: permite familiarizarmo-nos com
o seu modo de agir. O comportamento de alguns santos interpela-nos,
mostrando novos significados e oportunidades. Foi o que aconteceu,
por exemplo, a Santo Inácio de Loyola. Quando descreve a descoberta
fundamental da sua vida, acrescenta uma importante observação: «Por
experiência, deduziu que alguns pensamentos o deixaram triste e outros,
alegre; e pouco a pouco aprendeu a conhecer a diversidade dos espíritos
que nele se agitavam»".
Francisco disse que "o discernimento é a leitura narrativa das
consolações e desolações que experimentamos ao longo da nossa vida. É o
coração que nos fala de Deus, e nós devemos aprender a compreender a sua
linguagem". "Perguntemo-nos, no final do dia, por exemplo: o que
aconteceu hoje no meu coração? Alguns pensam que fazer este exame de
consciência é prestar contas dos pecados feitos. Cometemos muitos, não
é? Não, mas se perguntar: o que aconteceu dentro de mim? O que me
alegrou? O que me entristeceu? E assim aprender a discernir o que
acontece dentro de nós", concluiu.
O Comité
Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa
2023 acaba de anunciar as diversas modalidades de pacotes para que os
peregrinos possam usufruir de um conjunto de serviços organizados pelo
COL durante uma semana ou no período escolhido.
De realçar que o acesso a todas as iniciativas da JMJ Lisboa
é de acesso gratuito, nomeadamente a Missa de Abertura, Acolhimento do Papa,
Via-Sacra, Vigília com o Santo Padre e Missa de Envio, entre outros.
Com o objetivo de ajudar os peregrinos a terem acesso a um
conjunto de serviços de forma organizada como o alojamento, alimentação, seguro
de acidentes pessoais, transporte e o kit do peregrino, o COL disponibilizou
diversos pacotes de acordo com o tempo de estadia do peregrino. Os valores dos
pacotes vão desde 50 euros a 235 euros, mediante a opção escolhida. Os
peregrinos poderão estender a sua estadia por mais um dia, por mais 20 euros.
Duarte Ricciardi, secretário-executivo do COL da JMJ Lisboa
2023, reforça que “o acesso à JMJ é sempre gratuito para todas as pessoas”. “À
semelhança do que acontece em todas as Jornadas, o COL organiza e disponibiliza
opções de pacotes para que os peregrinos se possam inscrever e aceder a um
conjunto de serviços, como alojamento, alimentação, transporte e segurança e o
kit do peregrino”, sublinhou.
Mais informação sobre as diferentes modalidades dos Pacotes
Peregrino para a JMJ Lisboa 2023 pode ser consultada aqui e a informação geralaqui.
As inscrições para a JMJ Lisboa 2023 vão abrir até ao final
do mês de outubro e serão feitas através do sitewww.lisboa2023.org.