"Quando dás uma esmola, olha nos olhos
do mendigo? Toca na mão dele para sentires a sua carne?", questionou o Papa
na alocução que precedeu a oração do Angelus, após a missa conclusiva do
Sínodo dos Bispos. O Santo Padre refletiu sobre a cura do cego Bartimeu
e os elementos essenciais do encontro com Jesus: o grito, a fé e o
caminho.
Thulio Fonseca - Vatican News
Neste domingo (27/10), após a missa de encerramento do Sínodo dos
Bispos na Basílica de São Pedro, o Papa Francisco dirigiu-se à janela do
Palácio Apostólico para o Angelus. Na alocução que precedeu a
tradicional oração mariana, dirigida aos fiéis reunidos na Praça de São
Pedro, o Pontífice refletiu novamente sobre o Evangelho do dia (Mc
10,46-52), que relata o encontro de Jesus com Bartimeu, um cego que,
ignorado pela multidão, é acolhido por Cristo. Francisco destacou os
três aspetos fundamentais desse encontro: o grito do cego, a sua fé e o
novo caminho que o leva a seguir Jesus.
O olhar compassivo do Senhor
O Santo Padre iniciou destacando o grito de Bartimeu, aquele mendigo à
margem da multidão, que ao clamar a Jesus afirma a sua existência: "Eu
existo, olha para mim." Segundo o Papa, este grito não é somente um
pedido de ajuda, mas um clamor de identidade, uma afirmação da sua
dignidade e necessidade de ser visto e acolhido. "Sim, Jesus vê e ouve o
cego mendigo, com os ouvidos do corpo e do coração," explicou
Francisco, ao ressaltar o olhar compassivo do Senhor.
O segundo aspeto abordado foi a fé. Ao confiar em Jesus, Bartimeu
encontra a cura: "Vai, a tua fé te salvou." O Papa sublinhou que o
Senhor observa como Bartimeu olha para Ele e convidou todos a refletir:
"Como olho eu para um mendigo? Eu ignoro-o? E olho-o como Jesus? Sou
capaz de entender as suas perguntas, o seu grito de ajuda? Quando dás a
esmola, olhas nos olhos do mendigo? Tocas na sua mão para sentires sua
carne?"
No próximo devemos ver Jesus
Por fim, o terceiro aspeto do encontro é o caminho. Segundo o
Pontífice, "cada um de nós também é como Bartimeu, cego por dentro, que
segue Jesus assim que nos aproximamos d'Ele", e completou: "Quando te aproximas de um pobre e te faz sentir próximo, é Jesus que se aproxima de ti na pessoa daquele pobre. Por favor, não façamos confusão: a
esmola não é beneficência. Aquele que recebe mais graça através da
esmola é quem a dá, porque se faz olhar pelos olhos do Senhor."
"Rezemos juntos a Maria, a aurora da salvação, para que guarde o nosso caminho na luz de Cristo", concluiu o Papa Francisco.
«É no silêncio que encontramos Deus, e é no silêncio que descobrimos quem realmente somos.» Bento XVI
Parece, por vezes, que temos medo do silêncio perante Deus e às vezes até perante os outros.
Realmente
há momentos de adoração ao Santíssimo Sacramento em que são lidos
tantos textos bíblicos ou de reflexão, são feitas tantas orações, são
cantados tantos cânticos, que não há espaço para o silêncio, para a
interioridade, para a contemplação, para a adoração, para a escuta do
que Deus nos quer dizer ao coração.
Claro
que os momentos de oração vocal, de cânticos, de textos bíblicos ou de
reflexão, são, obviamente, muito importantes, mas, na adoração ao
Santíssimo Sacramento, é da maior importância o silêncio.
Estar
perante Deus e não se colocar à escuta, não se estar em silêncio
gozando aquele momento e não deixar outros fazê-lo também, é uma pena,
porque Deus nos fala sempre no silêncio.
Quem
não teve já momentos em que, sentado ou passeando em silêncio com uma
pessoa amiga, viveu um encontro sem palavras, de uma união perfeita, que
encheu o coração?
Se isso acontece com as pessoas amigas, quanto mais não acontecerá no nosso encontro com Deus, em adoração.
“Encher”
os momentos de adoração com textos lidos em voz alta, cânticos
contínuos e orações sucessivas, acaba por quase nos afastar do centro da
adoração, que deve ser também e sempre o nosso encontro pessoal com
Cristo.
Cada
um, quando vai para um momento de adoração pode levar a sua Bíblia ou
um livro de reflexão, e então, nalgum tempo desse momento de adoração,
fazer a sua leitura e meditação para si próprio, e essa leitura,
iluminada pelo Espírito Santo, é também uma forma de Ele nos falar no
silêncio.
Lembremo-nos sempre da frase de Samuel: «Fala, Senhor, que o teu servo escuta!» 1 Sm 3, 10
Como queremos nós escutar Deus se não nos calamos, se não fazemos silêncio exterior e interior?
E
como a oração, o silêncio é também um processo de aprendizagem, em que o
Espírito Santo nos vai guiando e ajudando a silenciarmos o nosso
coração e a nossa mente.
É,
por vezes, muito incómodo estarmos num momento de adoração, querermos
fazer silêncio, colocarmo-nos à escuta, mas não conseguimos, porque quem
orienta lê inúmeros textos, entremeados de cânticos e orações escritas,
de tal modo que, a partir de uma certa altura, já nem damos a devida
atenção ao que é dito, nem isso nos serve de reflexão.
Rezar o terço em voz alta numa adoração ao Santíssimo?
Sim, com certeza, mas há tantos momentos para o rezar porquê fazê-lo durante uma adoração?
Parece que estamos apenas a preencher tempo!
Obviamente
que cada um tem a sua própria espiritualidade, mas quando lemos os
mestres da oração, que são sempre verdadeiros adoradores, o silêncio é
uma constante nas suas reflexões, porque é no silêncio que se escuta
Deus.
É que, muitas vezes, esse modo de preencher os momentos de adoração, poderá ser mais “ruído” do mundo, do que silêncio de Deus.
Façamos
muitas vezes e durante bastante tempo silêncio em nós, sobretudo na
adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia, e seremos com certeza
surpreendidos como Deus fala ao nosso coração, à nossa vida quando a Ele
nos entregamos.
«O
silêncio é difícil, mas torna o homem capaz de se deixar conduzir por
Deus. Do silêncio nasce o silêncio. Por Deus, o silencioso, podemos
aceder ao silêncio. E o homem é incessantemente surpreendido pela luz
que então resplandece. O silêncio é mais importante do que qualquer
outra obra humana, porque exprime Deus. A verdadeira revolução vem do
silêncio; conduz-nos para Deus e para os outros para nos colocar humilde
e generosamente ao seu serviço.»
Pensamento 68 - A Força do silêncio - Cardeal Robert Sarah
Na Missa presidida pelo Papa Francisco na
Praça de São Pedro neste 20 de outubro, foram elevados à honra dos altares
os franciscanos Manuel Ruiz López e sete companheiros e os leigos
Francisco, Mooti e Raffaele Massabkis, conhecidos como "Mártires de
Damasco"; Pe. José Allamano, fundador dos Missionários e Missionárias da
Consolata; Ir. Elena Guerra, conhecida como "Apóstola do Espírito
Santo" e a canadense Ir. Marie-Léonie Paradis, fundadora das Pequenas
Irmãs da Sagrada Família de Sherbrooke.
Santa Missa e Canonização HOMILIA DO SANTO PADRE Praça de São Pedro XXIX Domingo do Tempo Comum, 20 de outubro de 2024
Jesus pergunta a Tiago e a João: «Que quereis que vos faça?» (Mc 10, 36). E logo a seguir, desafia-os: «Podeis beber o cálice que Eu bebo e receber o batismo com que Eu sou batizado?» (Mc
10, 38). Jesus faz perguntas e, deste modo, ajuda-nos a discernir,
porque as perguntas fazem-nos descobrir o que está dentro de nós,
iluminam o que trazemos no coração. e que tantas vezes não sabemos.
Deixemo-nos interpelar pela Palavra do Senhor. Imaginemos que ele nos
pergunta a cada um de nós: «O que queres que faça por ti?»; e a segunda
pergunta «podes beber o meu cálice?»
Com estas perguntas, Jesus traz ao de cima o vínculo e as
expectativas que os discípulos nutrem para com ele, com as luzes e
sombras próprias de qualquer relação. Com efeito, Tiago e João estão
ligados a Jesus, mas têm pretensões. Manifestam o desejo de estar perto
dele, mas apenas para ocupar um lugar de honra, para desempenhar um
papel importante, para “na sua glória, se sentarem um à sua direita e
outro à sua esquerda” (cf. Mc 10, 37). Torna-se evidente que
pensam em Jesus como Messias, um Messias vitorioso, glorioso e esperam
que Ele partilhe a sua glória com eles. Veem em Jesus o Messias, mas
pensam nele segundo a lógica do poder.
Jesus não se detém nas palavras dos discípulos, mas vai mais fundo,
escuta e lê o coração de cada um deles e também de cada um de nós. E
durante o diálogo, por meio de duas perguntas, procura trazer à tona o
desejo que existe dentro daqueles pedidos.
Primeiro, pergunta: «Que quereis que vos faça?»; e esta interrogação
revela os pensamentos dos seus corações, traz à luz as expectativas
escondidas e os sonhos de glória que os discípulos cultivam
secretamente. É como se Jesus perguntasse: “Quem queres que eu seja para
ti?” E, assim, desmascara o que eles realmente desejam: um Messias
poderoso e , um Messias vitorioso que lhes dê um lugar de honra. E
tantas vezes na Igreja ocorre esse pensamento: a honra, o poder...
Depois, com a segunda pergunta, Jesus desmente esta imagem de Messias
e ajuda-os, deste modo, a mudar de olhar, isto é, a converterem-se:
«Podeis beber o cálice que Eu bebo e receber o batismo com que Eu sou
batizado?». Revela-lhes, desta maneira, que não é o Messias que eles
pensam que é; é o Deus de amor, que se abaixa para chegar aos que estão
em baixo; que se faz fraco para levantar os fracos; que trabalha pela
paz e não pela guerra; que veio para servir e não para ser servido. O
cálice que o Senhor vai beber é a oferta da sua vida, e a sua vida que
nos foi dada por amor, até à morte e morte de cruz.
E, portanto, à sua direita e à sua esquerda estarão dois ladrões,
suspensos na cruz como Ele e não instalados confortavelmente em lugares
de poder; dois ladrões pregados com Cristo na dor e não sentados na
glória. O rei crucificado, o justo condenado torna-se escravo de todos:
este é verdadeiramente o Filho de Deus! (cf. Mc 15, 39). Vence
não quem domina, mas quem serve por amor. Repitamos: vence não quem
domina, mas quem serve por amor. É o que nos recorda também a Carta aos
Hebreus: «não temos um Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das
nossas fraquezas, pois Ele foi provado em tudo como nós» (Heb 4, 15).
Neste momento, Jesus pode ajudar os discípulos a converterem-se, a
mudarem de mentalidade: «Sabeis como aqueles que são considerados
governantes das nações fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como
os grandes exercem o seu poder» (Mc 10, 42). Mas não deve ser
assim para aqueles que seguem um Deus que se fez servo a fim de chegar a
todos com o seu amor. Quem segue Cristo, se quiser ser grande deve
servir, aprendendo d’Ele.
Irmãos e irmãs, Jesus revela os pensamentos, Jesus revela os
pensamentos, revela os desejos e as projeções no nosso coração,
desmascarando por vezes as nossas expectativas de glória, domínio, de
poder, de vaidade. Ele ajuda-nos a pensar já não segundo os critérios do
mundo, mas segundo o estilo de Deus, que se faz último para que os
últimos sejam erguidos e se tornem os primeiros. Faz-se último para que
os últimos sejam reerguidos e se tornem os primeiros. Muitas vezes,
estas perguntas de Jesus, com o seu ensinamento sobre o serviço, são tão
incompreensíveis, incompreensíveis para nós como o eram para os
discípulos. Porém, seguindo-O, percorrendo os Seus passos e acolhendo o
dom do Seu amor que transforma a nossa maneira de pensar, também nós
podemos aprender o estilo de Deus o estilo de Deus: o serviço. Não
esqueçamos as três palavras que mostram o estilo de Deus para servir:
proximidade, compaixão e ternura. Deus se faz próximo para servir; se
faz compassivo para servir; se faz terno para servir. Proximidade,
compaixão e ternura…
É a isto que devemos aspirar: não ao poder, mas ao serviço. O serviço
é o estilo de vida cristão. Não se trata de uma lista de coisas a
fazer, como se, uma vez realizadas, pudéssemos considerar terminado o
nosso turno. Quem serve com amor não diz: “agora toca a outro”. Este é
um pensamento de empregados, não de testemunhas. O serviço nasce do amor
e o amor não conhece fronteiras, não faz cálculos, mas gasta-se e
dá-se. O amor não se limita a produzir para ter resultados, nem é uma
prestação ocasional; é sim algo que nasce do coração, um coração
renovado pelo amor e no amor.
Quando aprendemos a servir, cada gesto de atenção e cuidado, cada
expressão de ternura, cada obra de misericórdia torna-se um reflexo do
amor de Deus. E assim todos nós - e cada um de nós - continuamos a obra
de Jesus no mundo.
Nesta luz podemos recordar os discípulos do Evangelho, que hoje são
canonizados. Ao longo da história conturbada da humanidade, foram servos
fiéis, homens e mulheres que serviram no martírio e na alegria, como o
Irmão Manuel Ruiz Lopez e seus companheiros. Trata-se de sacerdotes e
consagradas fervorosos, e fervorosos de paixão, da paixão missionária,
como o Padre Giuseppe Allamano, a Irmã Paradis Marie Leonie e a Irmã
Elena Guerra. Estes novos santos viveram o estilo de Jesus: o serviço. A
fé e o apostolado que realizaram não alimentaram neles desejos mundanos
e avidez de poder; pelo contrário, eles fizeram-se servidores dos seus
irmãos, criativos em fazer o bem, firmes nas dificuldades, generosos até
ao fim.
Supliquemos com confiança a sua intercessão, para que também nós
possamos seguir Cristo, segui-lo no serviço, e tornarmo-nos testemunhas
de esperança para o mundo.
A Audiência Geral voltou à Praça de São
Pedro, nesta quarta-feira, 28 de agosto. O Pontífice dedicou a sua catequese
ao drama dos migrantes: que mares e desertos não se tornem cemitérios.
Vatican News
"Mar e deserto" foi o título da catequese do Papa Francisco desta
quarta-feira, 28 de agosto. O Pontífice fez uma pausa no seu ciclo sobre
o Espírito Santo para solidarizar-se com as pessoas que – mesmo no
momento presente – arriscam em viagens perigosas para viver em paz e
segurança noutro lugar.
O pecado do rechaço
Ao falar de mares e desertos, o Papa referiu-se a todas as águas
traiçoeiras e territórios inacessíveis e inóspitos: “As atuais rotas
migratórias são frequentemente marcadas por travessias que para muitas,
demasiadas pessoas, são mortais”, denunciou o Pontífice. Como Bispo de
Roma, Francisco concentrou-se no caso emblemático do Mediterrâneo, que
se tornou um cemitério.
“E a tragédia é que muitos destes mortos, a maioria, poderiam ter
sido salvos. É preciso dizê-lo claramente: há quem trabalhe de forma
sistemática e com todos os meios para repelir os migrantes. E isto,
quando feito com consciência e responsabilidade, é um pecado grave.”
O órfão, a viúva e o estrangeiro, destacou o Papa, são os pobres por
excelência que Deus sempre defende e nos pede para defender.
Mas não só mares, alguns desertos também se tornam cemitérios de
migrantes. E citou um dos casos que conheceu pessoalmente, o do
camaronês Mbengue Nyimbilo Crepin, conhecido como Pato, cuja mulher
Matyla e a filha Marie, de seis anos, morreram de fome e sede no
deserto.
“Na era dos satélites e dos drones, há homens, mulheres e
crianças migrantes que ninguém deve ver. Só Deus os vê e ouve o seu
clamor. E esta é uma crueldade da nossa civilização."
O Pontífice recordou que o mar e o deserto são também lugares
bíblicos repletos de valor simbólico, que testemunham o drama da
opressão e da escravatura. E Deus nunca abandona o seu povo: está com
eles, sofre, chora e espera com eles.
“O Senhor está com os nossos migrantes no mare nostrum, o Senhor está com os migrantes, não com quem os rejeita.”
A indiferença mata
Neste cenário mortífero, promover leis mais restritivas e militarizar
as fronteiras não são a solução. Em vez disso, é preciso expandir rotas
de acesso seguras e regulares, facilitando o refúgio para aqueles que
fogem de guerras, violência, perseguições e vários desastres.
Mas não só, necessita-se de uma governação global das migrações
baseada na justiça, na fraternidade e na solidariedade, combatendo ao
mesmo tempo o tráfico de seres humanos.
Francisco concluiu convidando os fiéis a pensarem nas tragédias
migratórias, como nas cidades de Lampedusa e Crotone, e enaltecendo os
“bons samaritanos” que fazem tudo para ajudá-los, como os voluntários da
associação “Mediterranea Saving Humans”: “Estes homens e
mulheres corajosos são sinal de uma humanidade que não se deixa
contagiar pela má cultura da indiferença e do descarte".
“O que mata os migrantes é a nossa indiferença e a atitude de descarte.”
Todos os cristãos podem contribuir, acrescentou o Pontífice, ninguém
está excluído desta luta de civilização. Há muitos modos, começando pela
oração:
“E a vós, pergunto: Rezam pelos migrantes, por quem vem às
nossas terras para salvar a vida? E há quem queira expulsá-los.” Por
fim, um apelo:
“Queridos irmãos e irmãs, unamos os nossos corações e forças, para
que os mares e os desertos não sejam cemitérios, mas espaços onde Deus
possa abrir caminhos de liberdade e fraternidade.”
"Não é fácil seguir o Senhor, compreender o seu modo de agir", concordou
Francisco na alocução que precedeu a oração mariana do Angelus deste
domingo (25/08). O caminho dá-se, orientou o Pontífice, estando mais
próximo dele, do Evangelho, recebendo a graça nos Sacramentos, rezando e
imitando Jesus na humildade e na caridade: assim "experimentamos a
beleza de tê-lo como Amigo, e percebemos que só Ele tem 'palavras de
vida eterna'".
Andressa Collet - Vatican News
Neste domingo (25/08), de tradicional oração mariana do Angelus com o
Papa na Praça de São Pedro, Francisco refletiu sobre o evangelho do
dia (Jo 6,60-69) que se refere à famosa resposta de São Pedro, que diz a
Jesus: «a quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna” (Jo
6,68). "É uma linda resposta e expressão" que testemunha a amizade e a
confiança que ligam os discípulos a Cristo, comentou o Pontífice na
alocução que precedeu o Angelus.
Pedro, explicou o Papa, pronunciou esta expressão num "momento
crítico" e de discurso de Jesus, que muitos não compreenderam e o
abandonaram. "Os Doze, porém, não: permaneceram", ponderou Francisco,
porque encontraram em Jesus "palavras de vida eterna".
"Não é fácil segui-Lo. No entanto, entre os muitos mestres daquele
tempo, Pedro e os outros apóstolos só encontraram nele a resposta à
sede de vida, à sede de alegria, à sede de amor que os anima; só graças a
Ele experimentaram a plenitude da vida que procuram, além dos limites
do pecado e até da morte. Portanto, eles não se vão embora: na verdade,
todos, exceto um, apesar de muitas quedas e arrependimentos,
permanecerão com Ele até ao fim (ver João 17:12)."
Como seguir o Senhor?
O Papa, então, insiste na explicação da dificuldade de compreender "o
que o Mestre diz e faz". As escolhas de Jesus, continua Francisco,
"muitas vezes ultrapassam a mentalidade comum":
“Também para nós, de facto, não é fácil seguir o Senhor,
compreender o seu modo de agir, fazer nossos os seus critérios e os seus
exemplos: para nós não é fácil. Porém, quanto mais estamos próximos
dEle - quanto mais aderimos ao seu Evangelho, recebemos a sua graça nos
Sacramentos, permanecemos na sua companhia na oração, imitamo-Lo na
humildade e na caridade -, mais experimentamos a beleza de tê-lo como
Amigo, e percebemos que só Ele tem “palavras de vida eterna”.”
Ao finalizar, o Papa pediu a intercessão de Maria, "que acolheu
Jesus, Palavra de Deus, na sua carne", para nos ajudar a ouvir Jesus,
começando por questionar como anda a nossa proximidade com Ele:
"Então interroguemo-nos: como está Jesus presente na minha vida?
Quanto me deixo tocar e provocar com as suas palavras? Posso dizer que
também são para mim -'palavras de vida eterna? A ti, irmão, irmã, eu
pergunto: as palavras de Jesus são para ti - também para mim -
palavras de vida eterna?"
O "Espírito Santo no Batismo de Jesus"
foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta
quarta-feira, realizada na Sala Paulo VI. Ao ser ungido com o Espírito
de Deus, Cristo concede a todos os cristãos a tarefa de espalhar o seu
"bom perfume" no mundo e não o "mau cheiro" do próprio pecado.
Vatican News
A Sala Paulo VI acolheu milhares de fiéis e peregrinos para a
Audiência Geral desta quarta-feira, 21 de agosto. O Papa deu
continuidade ao ciclo de catequeses acerca do Espírito e da Esposa,
meditando sobre como o Espírito Santo desceu em forma de pomba quando
Jesus foi batizado por João, e dali se espalhou pelo Seu Corpo, que é a
Igreja.
“Toda a Trindade reuniu-se naquele momento nas margens do Jordão!”,
comentou Francisco. O batismo de Jesus foi tão importante, que todos os
evangelistas falaram sobre ele. E a importância reside no facto de,
naquele episódio, Deus Pai ungiu Jesus com o Seu Espírito, isto é,
consagrou Jesus como Rei, Profeta e Sacerdote.
Na verdade, Jesus estava repleto de Espírito Santo desde o momento da
Encarnação, mas no Batismo recebe a unção com o Espírito para a sua
missão. Essa missão o Senhor comunica-a à Igreja, o Seu Corpo místico, e
assim tornamo-nos um povo sacerdotal, profético e régio. A imagem da
unção com o Espírito remete-nos ao Sacramento da Confirmação, no qual
fomos ungidos com o óleo perfumado do Crisma e recebemos o dom do
Espírito para a missão, para espalhar pelo mundo o bom odor de Cristo.
"A unção perfuma-nos e também uma pessoa que viva com alegria a sua
unção perfuma a Igreja, perfuma a comunidade, perfuma a família com este
perfume espiritual", acrescentou Francisco. O Papa então fez uma
ressalva:
"Sabemos que, infelizmente, por vezes os cristãos não espalham o
perfume de Cristo, mas sim o mau cheiro do seu próprio pecado. E jamais
nos esqueçamos: o pecado afasta-nos de Jesus, o pecado torna o óleo mau. E o diabo, não se esqueçam disto, normalmente o diabo entra pelo
bolso. Fiquem atentos."
Isto, porém, não nos deve distrair do compromisso de realizar, tanto
quanto pudermos e cada um no seu ambiente, esta sublime vocação de ser o
bom perfume de Cristo no mundo. O perfume de Cristo é libertado do
“fruto do Espírito”, que é “caridade, alegria, paz, paciência,
afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança” (Gal 5,22).
"Foi o que disse Paulo e é belo encontrar uma pessoa que tenha essas
virtudes. (...) É belo encontrar uma pessoa boa, uma pessoa fiel, uma
pessoa mansa, que não seja orgulhosa. Se nos esforçarmos por cultivar
este fruto, então, antes que nos apercebamos, alguém sentirá um pouco da
fragrância do Espírito de Cristo à nossa volta. Peçamos ao Espírito
Santo que nos faça ungidos mais conscientes, ungidos por Ele", concluiu o
Pontífice.
Refugiados palestinos em Khan Yunis
(AFP or licensors)
O Papa voltou a fazer um apelo pela paz
na Palestina, Israel, na martirizada Ucrânia, em Mianmar, e em todas as
zonas de guerra. Francisco pediu um “compromisso de diálogo e
negociação, abstendo-se de ações e reações violentas”. O Pontífice
recordou também a beatificação de três missionários xaverianos e de um
sacerdote congolês diocesano, mortos na República Democrática do Congo,
em 1964.
Mariangela Jaguraba - Vatican News
Após a oração mariana do Angelus deste domingo (18/08), o Papa
Francisco recordou a beatificação, na República Democrática do Congo, de
três missionários xaverianos italianos e um sacerdote diocesano
congolês, mortos em 28 de novembro de 1964.
Trata-se dos sacerdotes Luigi Carrara e Giovanni Didoné, e do religioso Vittorio Faccin, do padre diocesano Albert Joubert.
O seu martírio foi a coroação de uma vida dedicada ao Senhor e aos
irmãos e irmãs. Que o eu exemplo e a sua intercessão favoreçam caminhos de
reconciliação e paz para o bem do povo congolês.
O Papa pediu aos fiéis um aplauso para os novos beatos. A. seguir, disse:
Continuemos a rezar para que se abram caminhos de paz no Médio Oriente, Palestina, Israel, bem como na martirizada Ucrânia, em Mianmar e
em todas as zonas de guerra, com o compromisso de diálogo e negociação e
abstenção de ações e reações violentas.
Depois, Francisco saudou os fiéis de Roma e os peregrinos que vieram
de outras partes da Itália e de vários países.
O Papa recordou as mulheres e as jovens reunidas no Santuário Mariano
de Piekary Šląskie, na Polõnia, e encorajou-as “a dar um alegre
testemunho do Evangelho na família e na sociedade”.
Por fim, o Papa saudou os jovens da Imaculada e pediu a todos para não se esquecerem de rezar por ele.