quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Francisco: a verdadeira liberdade é plenamente expressa na caridade

 

 
"Este menino teve a liberdade de se aproximar e mover-se como se estivesse em casa", disse o Papa, agradecendo ao "menino pela lição que nos deu a todos. Que o Senhor o ajude na sua limitação, no seu crescimento, porque ele deu este testemunho que veio do seu coração".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"A liberdade realiza-se na caridade" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (20/10). O pontífice deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas.

Uma criança aproximou-se do Papa e o Pontífice aproveitou a ocasião para recordar o que Jesus diz a propósito da espontaneidade e da liberdade das crianças. O menino italiano de 10 anos que se aproximou do Papa chama-se Paolo Jr. Ele superou as barreiras de segurança, na Sala Paulo VI, e foi tranquilamente em direção ao Santo Padre. Paolo sofre de atraso cognitivo. Veio a Roma com a sua família de San Ferdinando di Puglia e participou na Audiência Geral.

"Este menino teve a liberdade de se aproximar e mover.se como se estivesse em casa", disse o Papa, lembrando as palavras de Jesus: "Se vós não vos tornardes como crianças, não entrarão no Reino do Céu." Ter a "coragem de aproximar-me do Senhor, de estar aberto ao Senhor, de não ter medo do Senhor.

Testemunho que vem do coração

Agradeço a este menino pela lição que nos deu a todos. Que o Senhor o ajude na sua limitação, no seu crescimento, porque ele deu este testemunho que veio do seu coração. As crianças não têm um tradutor automático do coração para a vida: o coração continua.

São Paulo, na sua Carta aos Gálatas, "introduz-nos gradualmente na grande novidade da fé. Renascidos em Cristo, passamos de uma religiosidade feita de preceitos para uma fé viva, que tem o seu centro na comunhão com Deus e com os irmãos, ou seja, na caridade. Passamos da escravidão do medo e do pecado para a liberdade dos filhos de Deus".

"A liberdade não é uma forma libertina de viver, segundo a carne, ou segundo o instinto, desejos individuais e impulsos egoístas; pelo contrário, a liberdade de Jesus leva-nos a estar – escreve o Apóstolo – «ao serviço uns dos outros». A liberdade em Cristo tem alguma dimensão de escravidão, que nos leva ao serviço, a viver para os outros. Por outras palavras, a verdadeira liberdade é plenamente expressa na caridade. Mais uma vez encontramo-nos perante o paradoxo do Evangelho: somos livres para servir; e não, de fazer o que queremos. Encontramo-nos plenamente na medida em que nos doamos; possuímos a vida se a perdemos. Isto é Evangelho puro", sublinhou Francisco.

Não existe liberdade sem amor

"Mas como se pode explicar este paradoxo?", perguntou o Papa. A resposta do Apóstolo é simples e exigente: «mediante o amor».

Não existe liberdade sem amor. A liberdade egoísta de fazer o que eu quero não é liberdade, porque ela volta para si mesma. Não é fecunda. Foi o amor de Cristo que nos libertou e é ainda o amor que nos liberta da pior escravidão, a do nosso ego; por conseguinte, a liberdade cresce com o amor. Mas, atenção: não com o amor intimista, das novelas, não com a paixão que simplesmente procura o que nos convém e o que gostamos, mas com o amor que vemos em Cristo, a caridade: este é o amor verdadeiramente livre e libertador. 

O Papa frisou que "para Paulo a liberdade não significa “fazer o que nos apetece”. Este tipo de liberdade, sem um fim e sem referências, seria uma liberdade vazia. Uma liberdade de circo. E de facto deixa um vazio interior: quantas vezes, depois de termos seguido apenas o nosso instinto, nos damos conta de que ficamos com um grande vazio interior e que abusamos do tesouro da nossa liberdade, da beleza de poder escolher o verdadeiro bem para nós mesmos e para os demais. Só esta liberdade é plena, concreta, e nos insere na vida real de cada dia".

Recordar-me dos pobres

Na primeira Carta aos Coríntios, o Apóstolo responde àqueles que têm uma ideia errada de liberdade. «Tudo é lícito!», dizem eles. «Sim, mas nem tudo é benéfico», responde Paulo. «Tudo é lícito!» – «Sim, mas nem tudo edifica», objetou o Apóstolo. E acrescenta: «Ninguém procure o próprio interesse, senão os dos outros».

Esta é uma regra para desmascarar qualquer liberdade egoísta. Aqueles que são tentados a reduzir a liberdade apenas aos próprios gostos, Paulo apresenta a exigência de amor. A liberdade guiada pelo amor é a única que liberta os outros e a nós mesmos, que sabe ouvir sem impor, que sabe amar sem forçar, que constrói e não destrói, que não explora os demais para a sua conveniência e que pratica o bem sem procurar o próprio benefício. Em suma, se a liberdade não estiver ao serviço do bem, corre o risco de ser estéril e de não dar frutos. Por outro lado, a liberdade animada pelo amor conduz aos pobres, reconhecendo no seu rosto o de Cristo.

"Recordar-me dos pobres." Depois da luta ideológica entre Paulo e os apóstolos eles concordaram que o importante é seguir em frente e "não nos esquecermos dos pobres, ou seja, que a tua liberdade como pregador deve ser uma liberdade ao serviço dos outros, não para ti mesmo, para fazeres o que queres".

A pandemia ensinou-nos que precisamos uns dos outros

Francisco recordou uma das mais difundidas concepções modernas de liberdade: "A minha liberdade acaba onde começa a tua". "Mas aqui falta a relação! Trata-se de uma visão individualista. A dimensão social é fundamental para os cristãos", recordou Francisco, permite-lhes "olhar para o bem comum e não para o interesse particular".

O Papa sublinhou que "neste momento histórico, precisamos de redescobrir a dimensão comunitária, não individualista, da liberdade.  

A pandemia ensinou-nos que precisamos uns dos outros, mas não é suficiente sabê-lo, precisamos de o escolher concretamente todos os dias. Decidir sobre aquela estrada. Os outros não são um obstáculo à minha liberdade, mas a possibilidade de a realizar plenamente. A nossa liberdade nasce do amor de Deus e cresce na caridade.

 

 Paolo beija o Papa Francisco durante a Assembleia Geral 

Vatican News

"A minha alma dilacerada". Nas mãos do Papa, a carta de uma vítima de abusos

 
 O Papa Francisco 
 
Francisco recebeu o corajoso testemunho de uma sobrevivente e quis que o presidente da Comissão para a Proteção dos Menores, cardeal O'Malley, o partilhasse com todos os sacerdotes e seminaristas. Nas páginas da missiva, a dor de não poder mais senti-se segura na Igreja, depois o apelo: "Vocês receberam um dom enorme, sejam bons sacerdotes"
 

Salvatore Cernuzio – Vatican News

"O meu nome é... e durante anos fui maltratada por um padre a quem eu deveria chamar de 'irmãozinho' e eu era sua 'irmãzinha'."

O nome não aparece, mas aparece - e dolorosamente clara - a ferida profunda que os abusos sofridos praticados por um sacerdote abriu na alma desta mulher que, mesmo depois de muitos anos, tem dificuldade de começar um caminho de recuperação. Tanto que ela ainda tem medo de ver qualquer sacerdote e não pode sequer ir à missa.

Um alerta aos sacerdotes

A carta escrita em italiano por uma sobrevivente e partilhada com a Pontifícia Comissão para a Proteção dos Menores é de partir o coração, mas ao mesmo tempo corajosa. O Papa Francisco pôde vê-la e ler com os seus próprios olhos estas páginas impregnadas de amargura e sofrimento. O Papa também quis que todos os sacerdotes pudessem lê-la, como alerta de um horror que a Igreja está a procurar contrastar com veemência. Seguidamente, autorizou o presidente da Comissão, o cardeal Sean O'Malley, a tornar público este testemunho.

O'Malley: a voz de todas as pessoas feridas

"Neste tempo de renovação e conversão pastoral em que a Igreja enfrenta o escândalo e as feridas de abusos sexuais infligidos em todos os lugares a tantos filhos de Deus, o nosso Santo Padre recebeu um corajoso testemunho oferecido a todos os sacerdotes por uma sobrevivente", escreve o arcebispo de Boston, EUA, numa breve introdução à missiva. "Ao partilhar este testemunho, oferecido a nós por uma vítima cujo nome foi subtraído por razões de anonimato, Sua Santidade o Papa Francisco deseja acolher a voz de todas as pessoas feridas e mostrar a todos os sacerdotes que proclamam o Evangelho o caminho que conduz ao autêntico serviço de Deus em benefício de todos os vulneráveis."

Em nome das crianças

A sobrevivente invoca a vitória da "verdade amorosa" e diz que conta o que experimentou "também em nome das outras vítimas... das crianças que foram profundamente feridas, a quem foi roubadaa  sua infância, pureza e respeito...". Crianças "que foram traídas e das quais se aproveitou de sua confiança sem limites... das crianças cujos corações batem, que respiram, vivem... mas as mataram uma vez (duas, várias vezes)". "As suas almas foram dilaceradas em pequenos pedaços ensanguentados".

"A Igreja é a minha Mãe", diz a mulher, "e dói-me muito quando ela está ferida, quando está suja". "Os adultos que experimentaram esta hipocrisia quando crianças nunca poderão apagá-la das suas vidas. Elas podem esquecer por um pouco de tempo, tentar perdoar, tentar viver uma vida plena, mas as cicatrizes permanecerão nas suas almas, elas não desaparecerão."

Ânsias, medos, distúrbios pós-traumáticos

A autora da carta não esconde as insuportáveis condições de vida em que se encontra atualmente, mesmo depois de anos. "Tento sobreviver, sentir alegria, mas na realidade é uma luta incrivelmente difícil... Tenho distúrbio de identidade dissociativa, distúrbio pós-traumático complexo grave (PTSD), depressão, ansiedades, medo das pessoas, erros e, não durmo e, se consigo adormecer, tenho sempre pesadelos. Às vezes tenho estados, quando estou 'fora', não percebo 'aqui ' e ' agora'. O Meu corpo lembra-se de cada toque...".

"Tenho medo dos padres, de estar nas proximidades deles", conta ela mais adiante. "Ultimamente não posso ir à Santa Missa. Isto amachuca -me muito...". A Igreja, "aquele espaço sagrado era a minha segunda casa", e ele, o sacerdote que dela abusou, "tirou-lhe isto". "Tenho um grande desejo de me sentir segura na Igreja, de não ter medo, mas o meu corpo, as minhas emoções reagem de uma maneira completamente diferente", lê-se no texto, que se conclui com um apelo a cada sacerdote, de todas as idades e países.

Proteger a Igreja

"Gostaria de pedir-ves que protejam a Igreja, o corpo de Cristo! Aquele em que tudo está cheio de feridas e cicatrizes. Por favor, NÃO permitam que essas feridas se aprofundem e que novas feridas ocorram! Vocês são homens jovens e fortes. CHAMADOS! Homens chamados por Deus, para servir a Deus, e através dele, as pessoas... Deus vos chamou para ser seu instrumento entre os homens. Vocês têm uma GRANDE RESPONSABILIDADE! Uma responsabilidade que não é um fardo, mas um DOM! Por favor, tratem desse dom de acordo com o exemplo de Jesus... com HUMILDADE e AMOR!".

Apelo aos sacerdotes: viver a verdade

O apelo torna-se uma súplica comovente e comovedora, movida por um instinto de amor à Igreja: "Por favor, não varramos as coisas para debaixo do tapete, porque depois elas começarão a cheirar mal, a apodrecer e o próprio tapete se decomporá... Percebamos que se ocultarmos estes factos, quando nos calamos sobre eles, ocultamos a sujidade e assim tornamo-nos CÚMPLICES. Se queremos viver na verdade, não podemos fechar os nossos olhos".

"Viver na verdade é viver de acordo com Jesus, ver as coisas através dos seus olhos", continua a carta. Cristo "não fechou os olhos ao pecado diante do pecado e do pecador, mas viveu a VERDADE com AMOR... Com verdade amorosa apontou o pecado e o pecador". "Por favor", escreve a vítima, ainda dirigindo-se aos sacerdotes, "percebam que receberam um enorme presente. O dom de serem um alter Christus, de serem a encarnação de Cristo aqui no mundo. As pessoas, e especialmente as crianças, não veem em vós uma pessoa, mas Cristo, Jesus, em quem elas confiam sem limites". É algo "enorme e forte", mas também "muito frágil e vulnerável". "Por favor - conclui a sobrevivente -, sejam bons sacerdotes".

Vatican News

domingo, 17 de outubro de 2021

Angelus: a lógica de Cristo é descer do pedestal para servir

 
 
 No Angelus com milhares de fiéis na Praça de S. Pedro, Francisco explicou a diferença dos verbos emergir e imergir segundo a lógica de Cristo. "A busca do prestígio pessoal pode tornar-se numa doença do espírito", advertiu. 
 

Vatican News

Depois de celebrar a missa na Basílica Vaticana, o Papa Francisco rezou com os fiéis reunidos na Praça de S. Pedro a oração do Angelus.

Comentando o Evangelho deste 29º Domingo do Tempo Comum, o Pontífice destacou dois verbos: emergir e imergir.

Marcos narra que dois dos discípulos, Tiago e João, pedem ao Senhor para sentarem-se ao Seu lado na glória, "como primeiros-ministros", causando indignação aos demais. Jesus então ensina que a verdadeira glória obtém-se, vivendo o batismo que estava para receber em Jerusalém, e não elevando-nos sobre os outros.

A palavra batismo significa “imersão”. Portanto, a glória de Deus é amor que se faz serviço, não poder que busca o domínio.

As ciladas da busca do prestígio pessoal

Emergir, explicou o Papa, expressa aquela mentalidade mundana da qual somos sempre tentados: viver todas as coisas, até mesmo as relações, para alimentar a nossa ambição, para subir os degraus do sucesso. A busca do prestígio pessoal, advertiu, pode tornar-se uma doença do espírito. "Isto na Igreja também acontece", lamentou Francisco: "Quantas vezes, nós cristãos, que deveríamos ser os servidores, procuramos galgar, ir avante." É importante verificar sempre as verdadeiras intenções do coração e interrogar-mo-nos se levamos em frente, um serviço somente para sermos notados e louvados.

A esta lógica mundana, Jesus propõe a sua: em vez de elevarmo-se sobre os demais, descer do pedestal para servir. Em vez de emergir sobre os outros, imergir na vida dos outros. O Papa então citou um programa da televisão italiana que veiculou uma reportagem sobre o serviço da Cáritas para que ninguém fique sem alimento: "Preocuparmonos com a fome dos outros, preocuparmo-nos com as necessidades dos outros. São muitos, muitos os necessitados hoje e mais ainda depois da pandemia. Olhar e abaixar-mo-nos no serviço e não procurar galgar para a própria glória".

Eis então o segundo verbo: imergirmo-nos. Jesus não ficou lá no céu, a olhar-nos do alto, mas abaixou-se para lavar os nossos pés. E pede que façamos o mesmo com os outros, com compaixão.

“Mas nós pensamos com compaixão na fome de tantas pessoas? Quando estamos diante da refeição, há uma graça de Deus, que nós podemos comer. Há pessoas que trabalham e não conseguem ter o alimento suficiente para todo o mês. Pensemos nisto! E imergirmo-nos com compaixão, ter compaixão não é um dado de enciclopédia. Não! São pessoas e eu sinto compaixão por essas pessoas?”

Mas para passar do emergir ao imergir, só o empenho não é suficiente. Mas cada um tem dentro de si a força do batismo, daquela imersão em Jesus que impulsiona a segui-Lo, é um fogo que o Espírito acendeu e que deve ser alimentado.

Francisco então concluiu pedindo a Nossa Senhora que nos ajude a encontrar Jesus. “Ela, mesmo sendo a maior, não procurou emergir, mas foi a humilde serva do Senhor e imergiu-se completamente ao nosso serviço para nos ajudar a encontrar Jesus.”

Vatican News

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

ACOMPANHAR MARIA NO NOVO TESTAMENTO

   

   
 
 

Para entrar em cada reunião Zoom:

https://zoom.us/j/6429275371?pwd=aW01STBSMjNLaXNmN21HRW1zNXNudz09

ID da reunião: 642 927 5371
Senha de acesso: 1234

 

 

14 DE OUTUBRO – Partilha de Expectativas. Apresentação do Programa. Introdução ao Estudo do Novo Testamento.

 

21 DE OUTUBRO – O Mundo Judaico no Tempo de Jesus e de Maria.

 

28 DE OUTUBRO – A Vida na Igreja nascente: a expansão do Cristianismo pelo mundo; o Concílio de Jerusalém; a hostilidade do mundo em geral (comunidade judaica e sociedade romana; a defesa da verdade).

 

4 DE NOVEMBRO – Os Escritos Paulinos (os escritos neotestamentários mais antigos). “Nascido de uma mulher” (Primeiros Passos sobre Maria).

 

11 DE NOVEMBRO – Os Evangelhos. A Questão Sinótica. O Evangelho segundo São Marcos (o autor, o destinatário, o texto).

 

25 DE NOVEMBRO – O Evangelho segundo São Marcos (o primeiro Evangelho redigido e as suas afirmações acerca de Maria).

 

2 DE DEZEMBRO – O Evangelho segundo São Mateus (a autoria, o destinatário, o texto); 

 

9 DE DEZEMBRO – O Evangelho segundo São Mateus (Maria e a novidade de um Evangelho de Infância; edificação do Reino por palavras e obras; a Paixão e os relatos pascais; envio dos discípulos);

 

16 DE DEZEMBRO – A Obra Lucana (a autoria, o destinatário, o texto; o Evangelho de Infância e o papel proeminente de Maria);

 

27 DE JANEIRO – O Apocalipse - a resposta a um contexto histórico; a simbologia; as Cartas às Sete Igrejas; as Visões Proféticas (Maria e a mulher do Apocalipse; o Epílogo). 

 

3 DE FEVEREIRO – Alguns aspetos históricos e dogmáticos sobre a presença de Maria na Igreja. Balanço final.


quarta-feira, 13 de outubro de 2021

O Papa: ser católico significa abrir-se a todos os povos e culturas de todos os tempos

 
 
O Papa sublinhou a necessidade de "respeitar a origem cultural de cada pessoa, colocando-a num espaço de liberdade que não seja restringido por qualquer imposição ditada por uma única cultura predominante". Ser católico "não é uma denominação sociológica para nos distinguir dos outros cristãos; católico é um adjetivo que significa universal, catolicidade, universalidade".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"A liberdade cristã, fermento universal de libertação" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (13/10), na Sala Paulo VI, no Vaticano, onde se reuniram milhares de fiéis.

Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Carta aos Gálatas, o Papa sublinhou que "S. Paulo considera o âmago da liberdade o facto de que, com a morte e ressurreição de Jesus Cristo, fomos libertados da escravidão do pecado e da morte. Por outras palavras: somos livres porque fomos libertados, libertados pela graça, não por pagamento, libertados pelo amor, que se torna a lei suprema e nova da vida cristã. O amor. Somos livres porque fomos libertados gratuitamente. Este é o ponto-chave".

Uma fé que não é fé é mundanidade

Segundo Francisco, "esta novidade de vida abre-nos para acolher cada povo e cultura e, ao mesmo tempo, abre cada povo e cultura a uma maior liberdade. Na verdade, S. Paulo diz que para aqueles que aderem a Cristo, já não importa se são judeus ou pagãos. Conta apenas «a fé que atua pela caridade»". Aos detratores, fundamentalistas, que criticam a novidade evangélica, algo não apenas da nossa época, mas que tem uma longa história, Paulo responde com parrésia, dizendo: «Por acaso é aprovação dos homens que estou a procurar, ou é aprovação de Deus? Ou estou a  procurar agradar aos homens? Se estivesse a procurar agradar aos homens, já não seria servo de Cristo». "Uma fé que não é fé é mundanidade", acrescentou Francisco.

Mais uma vez, o pensamento de Paulo mostra-se de uma profundidade inspirada. Para ele, aceitar a fé significa renunciar não ao coração das culturas e tradições, mas apenas ao que pode impedir a novidade e a pureza do Evangelho. Porque a liberdade obtida pela morte e ressurreição do Senhor não entra em conflito com as culturas e tradições que recebemos, mas introduz nelas, nas culturas, nas tradições, uma nova liberdade, uma novidade libertadora, a do Evangelho. Com efeito, a libertação obtida através do batismo permite-nos adquirir a plena dignidade de filhos de Deus, de modo que, enquanto permanecemos firmemente enxertados nas nossas raízes culturais, ao mesmo tempo que nos abrimos ao universalismo da fé, que entra em cada cultura, reconhece os seus germes de verdade presentes e desenvolve-os, levando à plenitude o bem neles contido. Aceitar que fomos libertados por Cristo, pela sua paixão, morte e ressurreição, é aceitar e levar à plenitude verdadeira as diferentes tradições de cada povo. A verdadeira plenitude.

A uniformidade não é regra de vida cristã

Segundo o Pontífice, "no chamamento à liberdade descobrimos o verdadeiro significado da inculturação do Evangelho, ou seja, que o Evangelho pega a cultura na qual vive a comunidade cristã e fala de Cristo com aquela cultura".

“O verdadeiro sentido desta inculturação é ser capaz de proclamar a Boa Nova de Cristo Salvador, respeitando o que é bom e verdadeiro nas culturas.”

"Isto não é fácil! Há muitas tentações para impor o próprio modelo de vida como se fosse o mais evoluído e desejável".

Quantos erros foram cometidos na história da evangelização ao querer impor apenas um modelo cultural, a uniformidade. A uniformidade como regra de vida não é cristã. A unidade sim, mas a uniformidade não. Por vezes, nem sequer renunciaram à violência a fim de fazer prevalecer o próprio ponto de vista. Pensemos nas guerras! Desta forma, a Igreja privou-se da riqueza de tantas expressões locais que têm em si as tradições culturais de povos inteiros. Mas isto é exatamente o oposto da liberdade cristã! Por exemplo, lembro-me quando se estabeleceu a maneira de fazer apostolado na China com o pe. Ricci ou na Índia com pe. De Nobili. Isto não é cristão. Sim, é cristão na cultura do povo.

Respeitar a origem cultural de cada pessoa

O Papa sublinhou a necessidade de "respeitar a origem cultural de cada pessoa, colocando-a num espaço de liberdade que não seja restringido por qualquer imposição ditada por uma única cultura predominante".

“Este é o significado de nos chamarmos católicos, de falarmos da Igreja católica: não é uma denominação sociológica para nos distinguir dos outros cristãos; católico é um adjetivo que significa universal, catolicidade, universalidade, Igreja universal, ou seja, católica.”

"Significa que a Igreja tem em si, na própria natureza, uma abertura a todos os povos e culturas de todos os tempos, pois Cristo nasceu, morreu e ressuscitou para todo

Por outro lado, a cultura está, pela sua natureza, em contínua transformação. Pensemos em como somos chamados a proclamar o Evangelho neste momento histórico de grande mudança cultural, onde parece predominar a tecnologia cada vez mais avançada. Se pretendêssemos falar da fé como se fazia nos séculos passados, correríamos o risco de já não sermos compreendidos pelas novas gerações.

"A liberdade da fé cristã, a liberdade cristã", concluiu o Papa, "não indica uma visão estática da vida, uma visão estática da cultura, mas uma visão dinâmica, uma visão dinâmica também da tradição que cresce, mas com a mesma natureza".

Vatican News

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Papa: ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus

 
  
 
Na Audiência Geral, Francisco falou do "tesouro" que só aprece quando o perdemos: a liberdade. A fonte da nossa liberdade está precisamente no ponto onde acabamos despojados dela, isto é, na morte de Cristo. É o mistério de Deus. "Jesus realiza a sua plena liberdade ao entregar-se à morte; sabe que só assim pode obter vida para todos."
 

Cidade do Vaticano – Bianca Fraccalvieri

A liberdade cristã foi o tema da catequese do Papa Francisco, que se reuniu com milhares de fiéis na Sala Paulo para a Audiência Geral.

O Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre a Carta aos Gálatas, comentando alguns versículos do quarto capítulo, em que o Apóstolo afirma que “é para a liberdade que Cristo nos libertou”.

O Papa explicou que Paulo não podia suportar que aqueles cristãos, depois de terem conhecido e acolhido a verdade de Cristo, se deixassem atrair por propostas enganosas, passando da liberdade à escravidão: da presença libertadora de Jesus à escravidão do pecado, do legalismo e assim por diante. “Não se pode forçar em nome de Jesus, ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus que nos torna livres”, disse Francisco. "Uma pregação que impedisse a liberdade em Cristo nunca seria evangélica."

O Papa prosseguiu explicando que a liberdade cristã é fundada sobre dois pilares fundamentais: primeiro, a graça do Senhor Jesus.

“Antes de tudo, é dom do Senhor. A liberdade que os Gálatas receberam - e para nós como para eles - é fruto da morte e ressurreição de Jesus. (...) Ali mesmo, onde Jesus se deixou cravar, Deus colocou a fonte da libertação radical do ser humano. Este é o mistério do amor de Deus! Jesus realiza a sua plena liberdade ao entregar-se à morte; sabe que só assim pode obter vida para todos.

A verdade através da inquietude

O segundo pilar da liberdade é a verdade. É preciso recordar que a verdade da fé não é uma teoria abstrata, mas a realidade de Cristo vivo:

“Quantas pessoas que não estudaram, que não sabem ler ou escrever, mas que entenderam bem a mensagem de Cristo, têm esta sabedoria que as torna livres, sem estudo. É a sabedoria de Cristo que entrou através do Espírito Santo no Batismo. Quantas pessoas encontramos que vivem a vida de Cristo mais do que os grandes teólogos, por exemplo. Elas são um grande testemunho da liberdade do Evangelho“, disse o Papa.

“A liberdade torna livres na medida em que transforma a vida de uma pessoa e a direciona para o bem”, acrescentou Francisco.

“A verdade deve-nos inquietar, voltemos a esta palavra muito, muito cristã: inquietude. Sabemos que existem cristãos que nunca, nunca se inquietam: vivem sempre o mesmo, não há movimento nos seus corações, não há inquietude. Porquê? Porque a inquietude é o sinal de que o Espírito Santo está a trabalhar dentro de nós, e a liberdade é uma liberdade ativa, com a graça do Espírito Santo. É por isso que eu digo que a liberdade deve-nos inquietar, deve continuamente fazer-nos perguntas, para que possamos cada vez mais aprofundar sobre quem realmente somos.”

Todavia, o caminho da verdade e da liberdade é um caminho difícil, que dura a vida inteira. “Um caminho no qual somos guiados e apoiados pelo Amor que vem da Cruz: o Amor que nos revela a verdade e nos dá a liberdade. E este é o caminho da felicidade.”

Vatican News

domingo, 3 de outubro de 2021

Papa no Angelus: quem prcura Deus encontra-o nos pequenos e necessitados

 

 Papa Francisco - Angelus  (Vatican Media) 
 
Francisco no Angelus deste domingo na Praça S. Pedro: as contradições, situações que revelam a nossa fragilidade são ocasiões privilegiadas para experimentar o amor de Deus. Quem reza com perseverança sabe bem: em momentos de escuridão ou solidão, a ternura de Deus é ainda mais presente.
 

Silvonei José – Vatican News

"Jesus, ao fazer o gesto de abraçar uma criança, identificou-se com os pequenos: foi o que disse o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus na Praça de S. Pedro, ao meio-dia deste domingo (03/10).

Destacando o Evangelho de hoje o Papa disse que vemos uma reação bastante incomum de Jesus: ele está indignado. E o que é mais surpreendente é que a sua indignação não é causada pelos fariseus que o testam com perguntas sobre a legalidade do divórcio, mas pelos seus discípulos que, para protegê-lo da multidão, repreendem algumas crianças que são levadas a Ele. Por outras palavras, o Senhor não está zangado com aqueles que discutem com Ele, mas com aqueles que, a fim de o aliviar da fadiga, distanciam d’Ele as crianças. Porquê?, pergunta o Papa.

"Recordamos - era o Evangelho de dois domingos atrás - que Jesus, ao fazer o gesto de abraçar uma criança, identificou-se com os pequenos: ele ensinou que são precisamente os pequenos, ou seja, aqueles que dependem dos outros, que estão são necessitados e não podem retribuir, que devem ser servidos em primeiro lugar Aqueles que buscam a Deus encontram-O ali, nos pequenos, nos necessitados: não só de bens, mas de cuidados e conforto, como os doentes, os humilhados, os prisioneiros, os imigrantes e os encarcerados. Ele está ali. É por isso que Jesus está indignado: todo o insulto feito a um pequeno, a uma pessoa pobre, a uma pessoa indefesa, é feito a Ele".

 

 

Novidade

O Papa Francisco destacou seguidamente que hoje, o Senhor retoma este ensinamento e o completa. De facto, ele acrescenta: "Quem não acolher o Reino de Deus como o acolhe uma criança, não entrará nele".

“Eis a novidade: o discípulo não deve servir apenas os pequenos, mas reconhecer-se, ele mesmo, pequeno. Saber-se pequeno, saber-se necessitado de salvação, é indispensável para acolher o Senhor. É o primeiro passo para nos abrirmos a Ele. Mas muitas vezes esquecemo-nos disto.

 

  Fiéis na Praça São Pedro - Angelus  

 

Reconhecer-se pequeno

Na prosperidade, - disse Francisco - no bem-estar, temos a ilusão de sermos autossuficientes, de sermos suficientes a nós mesmos, de não precisarmos de Deus. Isto é um engano, porque cada um de nós é um ser necessitado, um ser pequeno.

“Na vida, reconhecermo-nos pequenos é o ponto de partida para tormarmo-nos grandes. Se pensarmos nisto, crescemos não tanto com base nos sucessos e nas coisas que temos, mas sobretudo nos momentos de luta e fragilidade. Ali, na necessidade, amadurecemos; ali abrimos o nosso coração a Deus, aos outros, ao sentido da vida”.

O Santo Padre sublinhou que “quando nos sentimos pequenos diante de um problema, de uma cruz, de uma doença, quando sentimos cansaço e solidão, não devemos desanimar. “A máscara da superficialidade está caindo e nossa radical fragilidade radical está a reemergir: é a nossa base comum, o nosso tesouro, porque com Deus as fragilidades não são um obstáculo, mas uma oportunidade”.

 

  Papa Francisco - Angelus  

 

“Uma bonita oração seria esta disse o Papa: "Senhor, olha para minhas fraquezas..." e enumrá-las diante d’Ele. Esta é uma boa atitude diante de Deus”.

Na verdade, - prosseguiu o Santo Padre - é precisamente na fragilidade que descobrimos o quanto Deus cuida de nós. O Evangelho deste domingo diz que Jesus é mais terno com os pequenos: "tomando-os nos seus braços, abençoou-os, impondo-lhes as suas mãos". Francisco disse seguidamente que contradições, situações que revelam a nossa fragilidade são ocasiões privilegiadas para experimentar o seu amor. Quem reza com perseverança sabe bem: em momentos de escuridão ou solidão, a ternura de Deus para connosco torna-se - por assim dizer - ainda mais presente. Isto dá-nos paz, faz-nos crescer. Em oração, - sublinhou Francisco - o Senhor mantém-nos próximos de Si, como um pai com o seu filho. É assim que nos tornamos grandes: não na ilusória pretensão da nossa autossuficiência, mas na força de colocar toda a esperança no Pai. Assim como fazem os pequenos.

O Papa concluiu: “peçamos à Virgem Maria uma grande graça, a da pequenez: sermos crianças que confiam no Pai, certos de que Ele não deixa de cuidar de nós.

Vatican News