domingo, 14 de maio de 2023

Papa Francisco: o verdadeiro amigo corrige sem julgar

 
 Papa Francisco - Regina Caeli  (VATICAN MEDIA Divisione Foto) 

O Papa Francisco rezou neste domingo o Regina Caeli com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Falando do Espírito Santo, disse que é advogado e consolador, "porque é um verdadeiro amigo, fiel, que não esconde nada”.

 

Silvonei José – Vatican News

“O verdadeiro amigo é exigente, sugere como mudar e fá-lo sem julgar ou infundir desconfiança”: foi o que recordou neste domingo (14/05) o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração do Regina Caeli com os fiéis reunidos na Praça de São Pedro. O modelo é o do Espírito Santo, advogado e consolador, "porque é um verdadeiro amigo, fiel, que não esconde nada, que sugere o que mudar e como crescer. Mas, quando nos corrige, nunca nos humilha e nunca infunde desconfiança; pelo contrário, transmite-nos a certeza de que com Deus podemos conseguir, sempre. Esta é a sua proximidade."

O Evangelho deste sexto domingo da Páscoa, - disse Francisco - fala-nos do Espírito Santo, que Jesus chama de Paráclito. Paráclito é uma palavra grega que significa ao mesmo tempo consolador e advogado.

“Ou seja, o Espírito Santo não nos deixa sozinhos, ele está ao nosso lado, como um advogado que ajuda o acusado ficando ao seu lado. E e sugere-nos como nos defendermos diante daqueles que nos acusam".

 

 Papa Francisco 

Falando da sua proximidade o Espírito Santo, diz Jesus, "permanece junto de vós e está em vós".

“O Espírito Santo quer estar connosco: não é um hóspede de passagem que vem fazer-nos uma visita de cortesia. Ele é um companheiro de vida, uma presença estável, é Espírito e deseja habitar no nosso espírito. Ele é paciente e está connosco mesmo quando caímos. Permanece porque realmente nos ama: não finge que nos ama para depois deixar-nos sozinhos nas dificuldades".

Ao contrário, - continuou Francisco -, se nos encontrarmos em provação, o Espírito Santo consola-nos, trazendo-nos o perdão e a força de Deus. E quando ele nos confronta com os nossos erros e corrige-nos, fá-lo com gentileza: na sua voz que fala ao coração há sempre o timbre da ternura e o calor do amor.

 

 Fiéis na Praça São Pedro 

Francisco disse que o segundo aspeto do Espírito Santo é ser nosso advogado, defende-nos diante daqueles que nos acusam: “diante de nós mesmos, quando não nos amamos e não nos perdoamos, chegando ao ponto de dizermos a nós mesmos que somos fracassados e que não servimos para nada; diante do mundo, que descarta aqueles que não correspondem aos seus esquemas e modelos; diante do diabo, que é por excelência o "acusador" e o divisor e faz de tudo para que nos sintamos incapazes e infelizes”.

Diante de todos estes pensamentos acusadores, o Espírito Santo suger-nos como devemos responder. De que maneira? Perguntou o Papa.

O Paráclito, diz Jesus, é Aquele que "nos recorda tudo o que Jesus nos disse". Ele recorda-nos, portanto, as palavras do Evangelho e, assim, permite-nos responder ao diabo acusador não com palavras nossas, mas com as palavras do próprio Senhor.

 

 Praça de São Pedro durante o Regina Caeli 

“Se invocarmos o Espírito, aprenderemos a acolher e recordar a realidade mais importante da vida, que nos protege das acusações do mal: somos filhos amados de Deus”.

Na conclusão das suas palavras Francisco pediu que nos interrogemos hoje: invocamos o Espírito Santo, rezamos a Ele com frequência? Não nos esqueçamos d’Ele, que está perto de nós, ou melhor, dentro de nós! E depois, ouvimos a sua voz, tanto quando nos encoraja, como quando nos corrige? Respondemos com as palavras de Jesus às acusações do mal, aos "tribunais" da vida? Lembramo-nos de que somos filhos amados de Deus? Que Maria nos torne dóceis à voz do Espírito Santo e sensíveis à sua presença.

 

 

Vatican News

domingo, 7 de maio de 2023

Papa: amar Jesus é a bússola para alcançar o Céu

 
 
Num domingo ensolarado em Roma, o Papa rezou o Regina Caeli, comentando as palavras de Jesus aos discípulos: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". O céu é a nossa meta e o caminho é Jesus, disse Francisco aos fiéis presentes na Praça de São Pedro.
 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Aonde ir e como chegar? Estas duas perguntas guiaram a reflexão do Papa neste V Domingo de Páscoa, diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro para a oração do Regina Caeli.

Destino: a casa do Pai

Francisco inspirou-se no trecho de João proposto pela Liturgia do dia, que traz o último discurso de Jesus antes da sua morte. O coração dos discípulos está abalado, mas o Senhor dirige a eles palavras de conforto, convidando-os a não terem medo: «Vou preparar um lugar para vós […], a fim de que, onde eu estiver estejais também vós».

Com efeito, Jesus não os está a abandonar, mas parte para preparar um lugar para eles e guiá-los rumo àquela meta. Assim, explicou o Pontífice, o Senhor indica hoje a todos nós o maravilhoso lugar aonde ir e, ao mesmo tempo, diz-nos como ir, mostra-nos o caminho a percorrer. 

“Na casa do Pai – diz aos teus amigos e a cada um de nós – há espaço para ti, és bem-vindo, serás acolhido para sempre pelo calor de um abraço, e eu estou no Céu para preparar-te um lugar!”

"Irmãos e irmãs, esta Palavra é fonte de consolação e esperança", comentou o Papa. Jesus não se separou de nós, mas abriu-nos o caminho, antecipando o nosso destino final: o encontro com Deus Pai, em cujo coração há lugar para cada um de nós.

Então, quando sentimos o cansaço, a desorientação e até mesmo o fracasso, lembremo-nos para aonde vai a nossa vida. Não devemos perder de vista a meta, mesmo se hoje corremos o risco de não nos lembrarmos, de esquecer as perguntas finais, aquelas importantes: aonde vamos? Rumo aonde caminhamos? Por qual motivo vale a pena viver? Sem estas perguntas, sufocamos a vida somente no presente, pensamos que devemos desfrutá-la o quanto possível e acabamos por viver o dia, sem um propósito, sem uma meta.

“A nossa pátria, ao invés, está no céu, não nos esqueçamos da grandeza e da beleza da meta!”

A bússola: Jesus

Para a segunda pergunta - como chegar - a resposta vem do próprio Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (Jo 14,6). Jesus é o caminho a seguir para viver na verdade e ter a vida em abundância, acrescentou o Pontífice. Ele é o caminho e, portanto, a fé Nele não é um “conjunto de ideias” a acreditar, mas um caminho a percorrer, uma viagem a realizar, um caminho com Ele. É seguir Jesus, porque Ele é o caminho que conduz à felicidade que não conhece ocaso. É imitá-lo, recomendou o Papa, especialmente com gestos de proximidade e misericórdia para com os outros.

“Eis a bússola para alcançar o Céu: amar Jesus, o caminho, tornando-se sinais do seu amor na terra.”

Francisco concluiu convidando os fiéis a não se deixarem devastar pelo presente: "Olhemos para o alto, para o Céu, lembremo-nos da meta, pensemos que somos chamados para a eternidade, para o encontro com Deus. E, do Céu, renovemos hoje a escolha de Jesus, a escolha de amá-lo e de caminhar atrás Dele. Que a Virgem Maria, que seguindo Jesus chegou à meta, ampare a nossa esperança".

Vatican News

quarta-feira, 3 de maio de 2023

O Papa ao povo húngaro: conservar o vínculo com as suas raízes e construir pontes

 
  O Papa Francisco durante a Audiência Geral  (Vatican Media) 
 
O Papa Francisco dedica a catequese da audiência desta quarta-feira à sua visita a Budapeste, que terminou no dia 30 de abril. Renovou a gratidão a quem o acolheu e disse dos húngaros que são corajosos e ricos de memória. Exortou-os a permanecerem fiéis ao seu passado de fé testemunhado por tantos santos e sublinhou o seu compromisso no acolhimento dos refugiados da vizinha Ucrânia e no cuidado do ambiente.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

A viagem do Santo Padre à Hungria foi o tema da catequese do Papa Francisco, nesta quarta-feira (03/05), realizada na Praça de São Pedro.

"Há três dias regressei da viagem à Hungria", recordou Francisco, agradecendo, a seguir, "a todos aqueles que prepararam e acompanharam esta visita com a oração". Agradeceu "às autoridades, à Igreja local e ao povo húngaro, um povo corajoso e rico de memória".

"Durante a minha permanência em Budapeste pude sentir o afeto de todos os húngaros", disse ainda o Papa, falando "desta visita através de duas imagens: as raízes e as pontes".

Segundo São João Paulo II, a história do povo húngaro foi marcada por «muitos santos e heróis, circundados por multidões de pessoas humildes e diligentes».

"É realmente verdade: vi tantas pessoas humildes e diligentes conservar com orgulho o vínculo com as suas raízes. Entre estas raízes estão sobretudo os santos. Os santos recordam-nos que Cristo é o nosso futuro. Contudo, as sólidas raízes cristãs do povo húngaro foram postas à prova", disse ainda o Papa, recordando que "durante a perseguição ateia do século XX, os cristãos foram atingidos violentamente, com bispos, sacerdotes, religiosos e leigos assassinados ou privados da liberdade. Mas enquanto se procurava cortar a árvore da fé, as raízes permaneceram intactas: foi uma Igreja escondida, mas viva, forte com a força do Evangelho".

Na Hungria, esta última perseguição, a opressão comunista foi precedida pela opressão nazista, com a trágica deportação de uma grande população judaica. Mas nesse genocídio atroz, muitos se distinguiram pela resistência e capacidade de proteger as vítimas, e isto foi possível porque as raízes da convivência eram firmes. Nós em Roma temos uma grande poetisa húngara que viveu todas essas provações e conta aos jovens a necessidade de lutar por um ideal para não sermos vencidos pelas perseguições, pelo desânimo. Esta poetisa, hoje, completa 92 anos. Parabéns, Edith!

O Papa referiu-se a Edith Bruck escritora, poetisa, sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, durante a perseguição nazista.

"Ainda hoje a liberdade está ameaçada, como sobressaiu nos encontros com os jovens e com o mundo da cultura. Como? Sobretudo com as luvas brancas, com um consumismo que anestesia, pelo que as pessoas contentam-se com um pouco de bem-estar material e, esquecendo o passado, “flutuam” num presente feito à medida do indivíduo", disse o Papa. "Esta é a perseguição perigosa da mundanidade levada adiante pelo consumismo. Mas quando a única coisa que conta é pensar em mim próprio e fazer o que bem entender, as raízes sufocam", sublinhou.

Segundo o Pontífice, este é "um problema que diz respeito à Europa inteira, onde estão em crise o dedicar-me ao próximo, o sentir-me comunidade, a beleza de sonhar em conjunto e de criar famílias numerosas. A Europa inteira está em crise. Então, reflitamos sobre a importância de preservar as raízes".

Depois das raízes, o Papa refletiu sobre a segunda imagem: as pontes. "Nascida há 150 anos da união de três cidades, Budapeste é célebre pelas pontes que a atravessam e unem as suas partes. Isto evocou, especialmente nos encontros com as autoridades, a importância de construir pontes de paz entre diferentes povos", disse ele.

Esta é, em particular, a vocação da Europa, chamada como “ponte de paz” a incluir as diferenças e a acolher quantos batem às suas portas. Neste sentido, é bela a ponte humanitária criada para tantos refugiados da vizinha Ucrânia, que pude encontrar, admirando também a grande rede de caridade da Igreja húngara.

Francisco recordou que a Hungria está comprometida "na construção de “pontes para o amanhã”: é grande a sua atenção ao cuidado ecológico, e isso é algo muito bonito na Hungria, o cuidado ecológico por um futuro sustentável, e trabalha-se para edificar pontes entre as gerações, entre os idosos e os jovens, desafio hoje irrenunciável para todos".

"Depois há pontes que a Igreja, como emergiu do encontro específico, é chamada a lançar aos homens de hoje, pois o anúncio de Cristo não pode consistir apenas em repetir o passado, mas deve ser sempre atualizado, de modo a ajudar as mulheres e os homens do nosso tempo a redescobrir Jesus", disse ainda Francisco, recordando "os belos momentos litúrgicos, a oração com a comunidade greco-católica e a solene Celebração eucarística, tão participada". "Na missa dominical havia cristãos de vários ritos e países, e de diferentes confissões, que juntos trabalham bem na Hungria. Construir pontes! Pontes de harmonia e pontes de unidade", ressaltou.

Por fim, o Papa recordou "que os húngaros são muito devotos da Santa Mãe de Deus" e confiou à Rainha da Hungria esse país, confiou "à Rainha da paz a construção de pontes no mundo, à Rainha do Céu confiemos o nosso coração para que se enraíze no amor de Deus".

Vatican News

domingo, 30 de abril de 2023

Francisco na Hungria: como Jesus, sejamos portas abertas

 

O Papa Francisco saúda os fiéis presentes na praça Kossuth Lajos após a Santa Missa  (Vatican Media)

Neste quarto domingo da Páscoa, o Papa Francisco presidiu a celebração eucarística na Praça Kossuth Lajos, com a presença de milhares de fiéis húngaros

 

Irmã Grazielle Rigotti, ascj - Vatican News

"É isto o que faz um bom pastor: dá a vida pelas suas ovelhas." Com estas palavras inspiradas pelo evangelho de São João, neste quarto domingo do tempo pascal que o Papa iniciou a sua homilia durante a Santa Missa presidida na Hungria para uma multidão de fiéis. 

A imagem do bom Pastor guiou a reflexão do Santo Padre que ressaltou duas ações que Jesus, segundo o evangelho, realiza pelas suas ovelhas: chama-as e depois fá-las sair.

"Irmãos e irmãs, estando aqui esta manhã, sintamos a alegria de ser povo santo de Deus: todos nascemos do seu chamamento; foi Ele que nos convocou e, por isso, somos o seu povo, o seu rebanho, a sua Igreja. Reuniu-nos aqui para que, embora sendo diversos entre nós e pertencendo a comunidades diferentes, a grandeza do seu amor nos reúna a todos num único abraço." Deste modo, em primeiro lugar o Senhor chama as suas ovelhas, disse Francisco, convidando o povo a recordar o sentido da catolicidade e a fazer memória agradecida, do amor de Jesus por nós. 

“Todos nascemos do Sru chamamento”

A segunda ação então seria, segundo o Pontífice, o movimento de saída. E o ilustra com a imagem da porta: "Este movimento – entrar e sair –, podemos captá-lo a partir doutra imagem que Jesus utiliza: a da porta. Diz Ele: «Eu sou a porta. Se alguém entrar por Mim, estará salvo; há-de entrar e sair e achará pastagem» (Jo 10, 9). Ouçamos com atenção isto: há-de entrar e sair. Por um lado, Jesus é a porta que se abriu de par em par a fim de nos fazer entrar na comunhão do Pai e experimentar a sua misericórdia; mas, como todos sabem, uma porta aberta serve não só para entrar, mas também para sair do lugar onde nos encontramos".

“Jesus é a porta que nos faz sair para o mundo”

Assim, no final de sua homilia, o Santo Padre mais uma vez destacou que o movimento de viver "em saída" significa tornar-me como Jesus, uma porta aberta. E exortou: 

"Por favor, abramos as portas! Procuremos ser também nós – com as palavras, os gestos, as atividades quotidianas como Jesus: uma porta aberta, uma porta que nunca se fecha na cara de ninguém, uma porta que a todos permite entrar para experimentar a beleza do amor e do perdão do Senhor."

Vatican News

quarta-feira, 26 de abril de 2023

O Papa: os monges e monjas levam adiante a Igreja com a sua intercessão

 
O  Papa Francisco durante a Audiência Geral  (Vatican Media)
 
Na catequese desta quarta-feira, o Papa citou São Gregório de Narek, Doutor da Igreja, como exemplo de intercessor pelos outros. Francisco disse que "o coração dos monges e das monjas é como uma antena, porque capta o que acontece no mundo e intercedem por ele. Assim, eles vivem em união com o Senhor e com todos".
 

Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre as testemunhas do zelo apostólico, na Audiência Geral desta quarta-feira (26/04), realizada na Praça de São Pedro.

"Começamos por São Paulo e, da última vez, vimos os mártires, que anunciam Jesus com a vida, ao ponto de a entregar por Ele e pelo Evangelho", disse o Pontífice, ressaltando que "existe outro grande testemunho que atravessa a história da fé: o das monjas e dos monges, irmãs e irmãos que renunciam a si e ao mundo para imitar Jesus no caminho da pobreza, da castidade, da obediência e para interceder em favor de todos".

Segundo o Papa, "os monges são o coração pulsante do anúncio: a sua oração é oxigênio para todos os membros do Corpo de Cristo, é a força invisível que sustenta a missão".

"Não é por acaso", recordou Francisco, "que a padroeira das missões é uma monja, Santa Teresa do Menino Jesus" que entendeu que «só o amor impele os membros da Igreja à ação». Descobriu que «o amor abarca em si todas as vocações». «Ó Jesus, meu amor, finalmente encontrei a minha vocação. A minha vocação é o amor. No coração da Igreja, minha mãe, serei o amor», escreveu ela.

Este amor por todos anima a vida dos monges e traduz-se na sua oração de intercessão. A tal respeito, gostaria de citar como exemplo São Gregório de Narek, Doutor da Igreja. É um monge arménio, que viveu por volta do ano 1000 e deixou-nos um livro de orações, no qual foi derramada a fé do povo arménio, o primeiro que abraçou o cristianismo; um povo que, apegado à cruz de Cristo, sofreu muito ao longo da história.

"São Gregório passou quase toda a sua vida no mosteiro de Narek. Ali aprendeu a perscrutar as profundezas da alma humana e, fundindo poesia e oração, alcançou o auge tanto da literatura como da espiritualidade arménia", disse ainda Francisco.

Segundo o Papa, "o aspeto que mais impressiona nele é exatamente a solidariedade universal de que é intérprete".

Entre os monges e monjas existe uma solidariedade universal. Qualquer coisa que acontece no mundo encontra lugar nos seus corações e eles rezam. O coração dos monges e das monjas é como uma antena, porque capta o que acontece no mundo e intercedem por ele. Assim, eles vivem em união com o Senhor e com todos.

Como Jesus, os monges e monjas "carregam sobre si os problemas do mundo, as dificuldades, as doenças e muitas coisas e rezam por eles. Estes são os grandes evangelizadores. Com a palavra, o exemplo, a intercessão e o trabalho quotidiano eles são ponte de intercessão para todas as pessoas e pelos pecados. Eles choram pelos seus pecados, porque todos somos pecadores, e choram pelos pecados do mundo e rezam e intercedem".

"Far-nos-á bem visitar um mosteiro porque ali rez-se e trabalha-se. Cada um tem a sua regra, mas ali as mãos estão sempre ocupadas com o trabalho e com a oração. Que o Senhor nos dê novos mosteiros, monges e monjas que levam adiante a Igreja com a sua intercessão", concluiu o Papa.

Vatican News

domingo, 23 de abril de 2023

O Papa: é importante reler a história da nossa vida junto com Jesus

 
 
No Regina Coeli, Francisco recordou que neste III Domingo de Páscoa, "o Evangelho narra o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús". Enfatizou a importância de "reler a nossa história junto com Jesus" e a fazer, todas as noites, um exame de consciência, retirando as defesas.
 

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli, deste domingo, 23 de abril, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que neste III Domingo de Páscoa, "o Evangelho narra o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús".

"São dois discípulos que, resignados com a morte do Mestre, no dia de Páscoa decidem deixar Jerusalém e voltar para casa. Talvez estivessem um pouco inquietos porque ouviram as mulheres que vieram do Sepulcro. Enquanto caminham tristes conversando sobre o ocorrido, Jesus une-se a eles, mas eles não o reconhecem", sublinhou o Papa.

Jesus "pergunta por que estão tão tristes, e eles dizem-lhe: «És tu por acaso, o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?»" O Senhor pergunta: "O quê? E eles contam-lhe toda a história. Jesus deixa-lhes contar. Enquanto caminham, ajuda-os a reler os factos de uma maneira diferente, à luz das profecias, da Palavra de Deus, de tudo o que foi anunciado ao povo de Israel. Reler: é o que Jesus faz com eles, ajuda a reler", disse Francisco, detendo-se neste aspeto.

Com efeito, também para nós é importante reler a nossa história junto com Jesus: a história da nossa vida, de um determinado período, dos nossos dias, com as desilusões e esperanças. Por outro lado, também nós, como aqueles discípulos, diante do que nos acontece podemo-nos encontrar perdidos diante dos eventos, sozinhos e incertos, com muitas perguntas, preocupações, desilusões e muitas coisas.

O Evangelho deste domingo "convida-nos a contar tudo a Jesus, com sinceridade, sem medo de incomodá-lo, Ele escuta, sem medo de dizer coisas erradas, sem nos envergonharmos da nossa dificuldade para entender". Segundo o Papa, "o Senhor fica feliz quando nos abrimos a Ele; só assim pode tomar-nos pela mão, acompanhar-nos e fazer arder novamente o nosso coração. Então também nós, como os discípulos de Emaús, somos chamados a passar algum tempo com Ele para que, ao anoitecer, Ele permaneça connosco".

A seguir, o Pontífice propôs uma bela maneira de fazer isso: "dedicar algum tempo, todas as noites, a um breve exame de consciência". Perguntar-se: "O que aconteceu hoje dentro de mim?"

Trata-se de reler o dia com Jesus: abrir-lhe o coração, levar-lhe as pessoas, as escolhas, os medos, as quedas e as esperanças; todas as coisas que aconteceram, para aprender gradualmente a olhar as coisas com outros olhos, com os seus olhos e não apenas com os nossos. Podemos assim reviver a experiência daqueles dois discípulos. Diante do amor de Cristo, até o que parece cansativo e malsucedido pode aparecer sob outra luz: uma cruz difícil de abraçar, a escolha do perdão diante de uma ofensa, uma vingança fracassada, o cansaço do trabalho, a sinceridade que custa, as provações da vida familiar poderão aparecer-nos sob uma luz nova, a luz do Crucificado Ressuscitado, que sabe fazer de cada queda um passo adiante.

"Mas para isso", sublinhou Francisco, "é importante retirar as defesas: deixar tempo e espaço para Jesus, não lhe esconder nada, levar-lhe as misérias, deixar-se ferir pela sua verdade, deixar o coração vibrar ao sopro da sua Palavra".

Podemos começar hoje, dedicando esta noite um momento de oração durante o ququestionarmo-nos: como foi o meu dia? Quais as alegrias, as tristezas, as coisas chatas? Como foi? O que aconteceu? Quais foram as tuas pérolas do dia, talvez escondidas, pelas quais agradecer? Houve um pouco de amor no que eu fiz? Quais são as quedas, as tristezas, as dúvidas e medos para levar a Jesus a fim de que Ele me abra novos caminhos, me levante e me encoraje?

"Que Maria, Virgem sábia, nos ajude a reconhecer Jesus que caminha connosco e a reler, a palavra é reler, diante de Dele todos os dias das nossas vidas", concluiu o Papa.

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domingo, 16 de abril de 2023

Papa defende S. João Paulo II, "objeto de ilações ofensivas e infundadas"

  Viagem apostólica de Papa João Paulo II à Tailândia, em 1984  

Após a oração mariana do Regina Caeli neste domingo (16), Francisco falou do Papa João Paulo II, dizendo estar "certo de interpretar os sentimentos dos fiéis de todo o mundo" e dirigindo "um pensamento de gratidão" à sua memória

 

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Após recitar a oração mariana do Regina Caeli na Praça de . Pedro neste domingo (16), o Papa Francisco defendeu o seu predecessor - S. João Paulo II -, cuja figura tem estado no centro de acusações caluniosas nos últimos dias, ligadas ao caso italiano 'Orlandi': feitas com base em "rumores" anónimos, sem testemunhas ou indícios. Acusações que o Pontífice descreveu como "ilações ofensivas e infundadas".

Eis as palavras de Francisco, que após saudar os grupos da Divina Misericórdia presentes na Praça de São Pedro, acrescentou:

“Certo de interpretar os sentimentos dos fiéis de todo o mundo, dirijo um pensamento de gratidão à memória de S. João Paulo II, nestes dias, objeto de ilações ofensivas e infundadas.”

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