quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Papa: ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus

 
  
 
Na Audiência Geral, Francisco falou do "tesouro" que só aprece quando o perdemos: a liberdade. A fonte da nossa liberdade está precisamente no ponto onde acabamos despojados dela, isto é, na morte de Cristo. É o mistério de Deus. "Jesus realiza a sua plena liberdade ao entregar-se à morte; sabe que só assim pode obter vida para todos."
 

Cidade do Vaticano – Bianca Fraccalvieri

A liberdade cristã foi o tema da catequese do Papa Francisco, que se reuniu com milhares de fiéis na Sala Paulo para a Audiência Geral.

O Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre a Carta aos Gálatas, comentando alguns versículos do quarto capítulo, em que o Apóstolo afirma que “é para a liberdade que Cristo nos libertou”.

O Papa explicou que Paulo não podia suportar que aqueles cristãos, depois de terem conhecido e acolhido a verdade de Cristo, se deixassem atrair por propostas enganosas, passando da liberdade à escravidão: da presença libertadora de Jesus à escravidão do pecado, do legalismo e assim por diante. “Não se pode forçar em nome de Jesus, ninguém pode ser feito escravo em nome de Jesus que nos torna livres”, disse Francisco. "Uma pregação que impedisse a liberdade em Cristo nunca seria evangélica."

O Papa prosseguiu explicando que a liberdade cristã é fundada sobre dois pilares fundamentais: primeiro, a graça do Senhor Jesus.

“Antes de tudo, é dom do Senhor. A liberdade que os Gálatas receberam - e para nós como para eles - é fruto da morte e ressurreição de Jesus. (...) Ali mesmo, onde Jesus se deixou cravar, Deus colocou a fonte da libertação radical do ser humano. Este é o mistério do amor de Deus! Jesus realiza a sua plena liberdade ao entregar-se à morte; sabe que só assim pode obter vida para todos.

A verdade através da inquietude

O segundo pilar da liberdade é a verdade. É preciso recordar que a verdade da fé não é uma teoria abstrata, mas a realidade de Cristo vivo:

“Quantas pessoas que não estudaram, que não sabem ler ou escrever, mas que entenderam bem a mensagem de Cristo, têm esta sabedoria que as torna livres, sem estudo. É a sabedoria de Cristo que entrou através do Espírito Santo no Batismo. Quantas pessoas encontramos que vivem a vida de Cristo mais do que os grandes teólogos, por exemplo. Elas são um grande testemunho da liberdade do Evangelho“, disse o Papa.

“A liberdade torna livres na medida em que transforma a vida de uma pessoa e a direciona para o bem”, acrescentou Francisco.

“A verdade deve-nos inquietar, voltemos a esta palavra muito, muito cristã: inquietude. Sabemos que existem cristãos que nunca, nunca se inquietam: vivem sempre o mesmo, não há movimento nos seus corações, não há inquietude. Porquê? Porque a inquietude é o sinal de que o Espírito Santo está a trabalhar dentro de nós, e a liberdade é uma liberdade ativa, com a graça do Espírito Santo. É por isso que eu digo que a liberdade deve-nos inquietar, deve continuamente fazer-nos perguntas, para que possamos cada vez mais aprofundar sobre quem realmente somos.”

Todavia, o caminho da verdade e da liberdade é um caminho difícil, que dura a vida inteira. “Um caminho no qual somos guiados e apoiados pelo Amor que vem da Cruz: o Amor que nos revela a verdade e nos dá a liberdade. E este é o caminho da felicidade.”

Vatican News

domingo, 3 de outubro de 2021

Papa no Angelus: quem prcura Deus encontra-o nos pequenos e necessitados

 

 Papa Francisco - Angelus  (Vatican Media) 
 
Francisco no Angelus deste domingo na Praça S. Pedro: as contradições, situações que revelam a nossa fragilidade são ocasiões privilegiadas para experimentar o amor de Deus. Quem reza com perseverança sabe bem: em momentos de escuridão ou solidão, a ternura de Deus é ainda mais presente.
 

Silvonei José – Vatican News

"Jesus, ao fazer o gesto de abraçar uma criança, identificou-se com os pequenos: foi o que disse o Papa Francisco na sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus na Praça de S. Pedro, ao meio-dia deste domingo (03/10).

Destacando o Evangelho de hoje o Papa disse que vemos uma reação bastante incomum de Jesus: ele está indignado. E o que é mais surpreendente é que a sua indignação não é causada pelos fariseus que o testam com perguntas sobre a legalidade do divórcio, mas pelos seus discípulos que, para protegê-lo da multidão, repreendem algumas crianças que são levadas a Ele. Por outras palavras, o Senhor não está zangado com aqueles que discutem com Ele, mas com aqueles que, a fim de o aliviar da fadiga, distanciam d’Ele as crianças. Porquê?, pergunta o Papa.

"Recordamos - era o Evangelho de dois domingos atrás - que Jesus, ao fazer o gesto de abraçar uma criança, identificou-se com os pequenos: ele ensinou que são precisamente os pequenos, ou seja, aqueles que dependem dos outros, que estão são necessitados e não podem retribuir, que devem ser servidos em primeiro lugar Aqueles que buscam a Deus encontram-O ali, nos pequenos, nos necessitados: não só de bens, mas de cuidados e conforto, como os doentes, os humilhados, os prisioneiros, os imigrantes e os encarcerados. Ele está ali. É por isso que Jesus está indignado: todo o insulto feito a um pequeno, a uma pessoa pobre, a uma pessoa indefesa, é feito a Ele".

 

 

Novidade

O Papa Francisco destacou seguidamente que hoje, o Senhor retoma este ensinamento e o completa. De facto, ele acrescenta: "Quem não acolher o Reino de Deus como o acolhe uma criança, não entrará nele".

“Eis a novidade: o discípulo não deve servir apenas os pequenos, mas reconhecer-se, ele mesmo, pequeno. Saber-se pequeno, saber-se necessitado de salvação, é indispensável para acolher o Senhor. É o primeiro passo para nos abrirmos a Ele. Mas muitas vezes esquecemo-nos disto.

 

  Fiéis na Praça São Pedro - Angelus  

 

Reconhecer-se pequeno

Na prosperidade, - disse Francisco - no bem-estar, temos a ilusão de sermos autossuficientes, de sermos suficientes a nós mesmos, de não precisarmos de Deus. Isto é um engano, porque cada um de nós é um ser necessitado, um ser pequeno.

“Na vida, reconhecermo-nos pequenos é o ponto de partida para tormarmo-nos grandes. Se pensarmos nisto, crescemos não tanto com base nos sucessos e nas coisas que temos, mas sobretudo nos momentos de luta e fragilidade. Ali, na necessidade, amadurecemos; ali abrimos o nosso coração a Deus, aos outros, ao sentido da vida”.

O Santo Padre sublinhou que “quando nos sentimos pequenos diante de um problema, de uma cruz, de uma doença, quando sentimos cansaço e solidão, não devemos desanimar. “A máscara da superficialidade está caindo e nossa radical fragilidade radical está a reemergir: é a nossa base comum, o nosso tesouro, porque com Deus as fragilidades não são um obstáculo, mas uma oportunidade”.

 

  Papa Francisco - Angelus  

 

“Uma bonita oração seria esta disse o Papa: "Senhor, olha para minhas fraquezas..." e enumrá-las diante d’Ele. Esta é uma boa atitude diante de Deus”.

Na verdade, - prosseguiu o Santo Padre - é precisamente na fragilidade que descobrimos o quanto Deus cuida de nós. O Evangelho deste domingo diz que Jesus é mais terno com os pequenos: "tomando-os nos seus braços, abençoou-os, impondo-lhes as suas mãos". Francisco disse seguidamente que contradições, situações que revelam a nossa fragilidade são ocasiões privilegiadas para experimentar o seu amor. Quem reza com perseverança sabe bem: em momentos de escuridão ou solidão, a ternura de Deus para connosco torna-se - por assim dizer - ainda mais presente. Isto dá-nos paz, faz-nos crescer. Em oração, - sublinhou Francisco - o Senhor mantém-nos próximos de Si, como um pai com o seu filho. É assim que nos tornamos grandes: não na ilusória pretensão da nossa autossuficiência, mas na força de colocar toda a esperança no Pai. Assim como fazem os pequenos.

O Papa concluiu: “peçamos à Virgem Maria uma grande graça, a da pequenez: sermos crianças que confiam no Pai, certos de que Ele não deixa de cuidar de nós.

Vatican News

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

Papa: justificados pela graça, sejamos ativos no amor a Deus e ao próximo

 
 
 
Na sua catequese semanal, Francisco falou de um tema “difícil, mas importante”: o da justificação. Se a justificação é a consequência da misericórdia de Deus, sejamos misericordiosos para com o próximo.
 

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

O Papa Francisco reuniu-se na manhã desta quarta-feira com milhares de fiéis na Sala Paulo VI para a Audiência Geral.

Após a parentese na semana passada para recordar a sua viagem a Budapeste e Eslováquia, na catequese de hoje o Pontífice retomou o ciclo sobre a Carta aos Gálatas e comentou um tema que ele mesmo definiu como “difícil, mas importante”: o da justificação.

“O que é a justificação? Nós, como pecadores, tornamo-nos justos. Quem nos fez justos? Este processo de transformação é a justificação. Nós, diante de Deus, somos justos.”

Certamente somos pecadores, “mas na base somos justos”, explicou Francisco, e quem nos justificou foi Jesus Cristo.

A bondade de Deus

Paulo insiste no facto de que a justificação vem da fé em Cristo. No seu pensamento, a justificação é a consequência da “misericórdia de Deus que oferece o perdão”. “E este é o nosso Deus, assim tão bom! Misericordioso, paciente e repleto de misericórdia, que continuamente oferece o perdão. Continuamente.

De facto, através da morte de Jesus, Deus destruiu o pecado e deu-nos o perdão e a salvação de uma forma definitiva. Assim justificados, os pecadores são acolhidos por Deus e reconciliados com Ele.

É como um regresso à relação original entre o Criador e a criatura, antes que interviesse a desobediência do pecado. Portanto, a justificação que Deus realiza permite que recuperemos a inocência perdida com o pecado. E isto ocorre “por pura graça, não pelos nossos méritos”. Cristo pagou por todos nós, através da sua morte e ressurreição.

Responder ao Amor com amor

Todavia, isto não significa que, para Paulo, a Lei mosaica já não tenha valor; pelo contrário. Inclusive para a nossa vida espiritual é essencial observar os mandamentos, mas também aqui não podemos confiar na nossa própria força: a graça de Deus que recebemos em Cristo é fundamental. Dele recebemos aquele amor gratuito que nos permite, pelanossa vez, amar de modo concreto.

E não só: a resposta da fé exige que sejamos ativos no amor a Deus e no amor ao próximo. Isto requer de nós colaboração, conjugar a graça que recebemos com as nossas obras de misericórdia.

Francisco citou novamente o estilo de Deus, que resumiu em três atitudes: proximidade, compaixão e ternura.

“E a justificação é justamente a maior proximidade Deus para connsco, homens e mulheres, a maior compaixão de Deus para connosco, homens e mulheres, a maior ternura do Pai. A justificação é este dom de Cristo, da morte e ressurreição de Cristo que nos torna livres. (…) Permitam-me a palavra: somos santos na base. Mas depois, com a nossa obra, tornamo-nos pecadores. Mas na base somos santos.”

E o Papa concluiu:

“Vamos em frente com esta confiança: todos fomos justificados, somos justos em Cristo. Devemos aplicar aquela justiça com as nossas obras.”

A proteção dos Santos Arcanjos

No final da Audiência, na sua saudação em várias línguas, o Papa recordou hoje a memória litúrgica dos Arcanjos Miguel, Gabriel e Rafael.

"Confiemo-nos de modo especial à proteção dos santos Arcanjos: Miguel, que combate satanás e os espíritos malignos; Gabriel, que leva a boa nova do Senhor; e Rafael, que cura e acompanha na procura do bem. Com a sua ajuda, sejam também vós mensageiros da graça e da misericórdia do Senhor."

Paz na Nigéria

Francisco fez também um apelo em prol da paz na Nigéria, depois dos ataques fe domingo passado contra os vilarejos de Madamai e Abun, no norte do país. "Rezo por quem perdeu a vida, por quem ficou ferido e por toda a população nigeriana. Faço votos de que seja sempre garantida no país a incolumidade de todos os cidadãos."

Vatican News

domingo, 26 de setembro de 2021

O Papa: comunidades abertas e humildes evitam males

 
 
 
“Cada fechamento mantém à distância os que não pensam como nós. Isto é a raiz de tantos dos grandes males da história: do absolutismo que muitas vezes gerou ditaduras e de tanta violência contra os que são diferentes”. Palavras do Papa Francisco no Angelus deste domingo 26 de setembro.
 

Jane Nogara - Vatican News

No Angelus deste domingo (26/09) o Papa Francisco destacou um breve diálogo entre Jesus e o apóstolo João, que fala em nome de todo o grupo de discípulos (Mc 9, 38-41). João fala de um homem que expulsava o demónio em nome do Senhor, e impediram-no de fazê-lo porque não fazia parte do seu grupo. Então o Papa recordou que Jesus convidou a não dificultar os que fazem o bem porque contribuem para a realização do projeto de Deus, explicando:

"As palavras de Jesus revelam uma tentação e oferecem uma exortação. A tentação é a do fechamento. Os discípulos gostariam de impedir uma obra do bem só porque a pessoa que o fez não pertencia ao seu grupo".

“Cada fechamento mantém à distância os que não pensam como nós. Isto - como sabemos - é a raiz de tantos males da história: do absolutismo que muitas vezes gerou ditaduras e de tanta violência contra aqueles que são diferentes”

Comunidades humildes e abertas a todos

Francisco colocou a questão em relação à Igreja recordando a todos “precisamos estar vigilantes também quanto ao fechamento na Igreja” e detalhou “o diabo, que faz a divisão - é isso que a palavra "diabo" significa - sempre insinua suspeitas a fim de dividir e excluir as pessoas. Tenta com astúcia, e pode acontecer como com aqueles discípulos, que chegam ao ponto de excluir até mesmo os que expulsaram o próprio diabo!”

Ponderando em seguida:

“Às vezes nós também, em vez de sermos comunidades humildes e abertas, podemos dar a impressão de sermos ‘os melhores da classe’ e manter os outros à distância; em vez de tentar caminhar com todos, podemos exibir nossa ‘carteira de crentes’ para julgar e excluir”

Superar a tentação de julgar

“Peçamos a graça – continuou o Santo Padre - de superar a tentação de julgar e catalogar, e que Deus nos preserve da mentalidade do ‘nicho’, da mentalidade de nos guardarmos ciosamente no pequeno grupo dos que se consideram bons. O Espírito Santo não quer fechamentos; ele quer abertura, comunidades acolhedoras onde haja lugar para todos”.

Não pactuar com o mal

Francisco fala também da severidade de Jesus ao exortar contra o julgamento impróprio afirmando que “o risco é ser inflexível para com os outros e indulgente para com nós mesmos”. E que “Jesus exorta-nos a não pactuar com o mal”.

“Se alguma coisa em ti é motivo de escândalo, corte-a! Jesus é radical, exigente, mas para o nosso bem, como um bom médico. Cada corte, cada poda, é para crescer melhor e dar frutos no amor”

Então, interroguemo-nos: o que há em mim, contrário ao Evangelho? O que, concretamente, Jesus quer que eu corte na minha vida?”

Vatican News

domingo, 19 de setembro de 2021

Papa: Quer destacar-se? Sirva! Torna-nos livres e mais semelhantes a Jesus

 
 
 "Eu entendo a vida como uma competição para abrir espaço para mim mesmo à custa dos outros ou acho que se sobressair significa servir? E, concretamente: dedico tempo a algum "pequeno", a uma pessoa que não tem meios para retribuir? Eu cuido de alguém que não me pode retribuir ou apenas dos meus parentes e amigos?": perguntas a fazermos a nós mesmos, sugeriu Francisco.
 

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Quer destacar-se? Sirva! A nossa fidelidade ao Senhor depende da nossa disponibilidade em servir. O serviço não nos diminui, mas faz-nos crescer. E ao servirmos os esquecidos, que não podem retribuir-nos, “também nós recebemos o terno abraço de Deus”.

O “serviço”, um tema caro ao Papa esteve no centro da sua alocução que precedeu a oração mariana do Angelus neste 25º Domingo do Tempo Comum: “Se quisermos seguir Jesus, devemos percorrer o caminho que ele mesmo traçou, o caminho do serviço.”

Dirigindo-se aos peregrinos e turistas reunidos na Praça de S. Pedro para o tradicional encontro dominical, Francisco começou por aplicar a discussão entre os discípulos narrada por Marcos, sobre quem entre eles era o maior. E citou a frase que Jesus lhes disse, uma frase “que vale também para nós hoje” - “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos” -, acrescentando que quem quer ser o primeiro, deve ir para a fila, tomar o último lugar "e servir todos".

Quer destacar-se? Sirva!

E justamente esta frase pronunciada pelo Mestre marca uma inversão nos critérios daquilo que realmente importa:

O valor de uma pessoa não depende mais do papel que ela desempenha, do sucesso que tem, do trabalho que faz, do dinheiro no banco; não, não, não, não depende disso; a grandeza e o sucesso, aos olhos de Deus, têm um padrão, uma medida diferente: são medidos no serviço. Não no que se tem, mas no que se dá. Quer sobressair? Sirva. Este é o caminho.

Quanto mais servimos, mais sentimos a presença de Deus

Hoje em dia a palavra "serviço" – disse o Papa – “parece um pouco desbotada, desgastada pelo uso. Mas no Evangelho tem um significado preciso e concreto. Servir não é uma expressão de cortesia: é fazer como Jesus que, resumindo em poucas palavras a sua vida, disse que veio «não para ser servido, mas para servir». Portanto, se quisermos seguir Jesus, devemos percorrer o caminho que ele mesmo traçou, o caminho do serviço:

A nossa fidelidade ao Senhor depende da nossa disponibilidade para servir. E isso, bem o sabemos, custa, geralmente isso custa, “tem gosto de cruz”. Mas, à medida que aumenta o cuidado e a disponibilidade para com os outros, tornamo-nos mais livres interiormente, mais semelhantes a Jesus. Quanto mais servimos, mais sentimos a presença de Deus, sobretudo quando servimos aqueles que não têm nada para nos restituir, os pobres, abraçando as suas dificuldades e necessidades, com a terna compaixão: e ali descobrimos ser, por sua vez, amados e abraçados por Deus.

Em primeiro lugar, servir a quem não pode nos retribuir

Para ilustrar a importância da doação gratuita, Jesus coloca uma criança entre os discípulos, pois "os gestos de Jesus são mais fortes do ue as palavras que usa", observou o Papa. “A criança, no Evangelho – explicou –  não simboliza tanto a inocência mas a pequenez. Porque os pequenos, como as crianças, dependem dos outros, dos grandes, têm necessidade de receber. Jesus abraça aquela criança e diz que quem acolhe um pequenino, uma criança, o acolhe”:

Eis antes de tudo a quem servir: aqueles que têm necessidade de receber e não têm como retribuir. Acolhendo quem está à margem, abandonado, acolhemos Jesus, porque Ele está ali. E num pequeno, num pobre a quem servimos, também nós recebemos o terno abraço de Deus.

O serviço não nos diminui, faz-nos crescer

Interpelados pelo Evangelho, o Papa sugere que nos interroguemos:

Eu, que sigo Jesus, interesso-me por quem é mais abandonado? Ou, como os discípulos naquele dia, estou à procura de gratificações pessoais? Eu entendo a vida como uma competição para abrir espaço para mim mesmo às custas dos outros ou acho que se sobressair significa servir? E, concretamente: dedico tempo a algum "pequeno", a uma pessoa que não tem meios para retribuir? Eu cuido de alguém que não me pode retribuir ou apenas dos meus parentes e amigos? São perguntas que podemos fazer a nós mesmos.

Que a Virgem Maria, humilde serva do Senhor, nos ajude a compreender que o serviço não nos diminui, mas faz-nos crescer. E que há mais alegria em dar do que em receber.

Vatican News

sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Congresso Eucarístico Internacional, na Hungria - “A Eucaristia é fonte de unidade”

 

Isabel Alçada Cardoso foi uma das delegadas de Lisboa no 52.º Congresso Eucarístico Internacional, que decorreu de 5 a 12 de setembro, em Budapeste, e ao Jornal VOZ DA VERDADE resume os dias em terras húngaras, deixando a certeza de que “a Eucaristia une, é fonte de unidade”. “Como diziam os oradores, a Eucaristia é esta fonte de vida, fonte de missão”, frisa.

Estudiosa do cristianismo antigo, Isabel Alçada Cardoso participou pela primeira vez num Congresso Eucarístico Internacional (CEI) e não podia estar mais satisfeita com os dias vividos em Budapeste, Hungria. “Não só do ponto de vista formativo, como do ponto de vista espiritual, percebemos durante o congresso que a Eucaristia une, é fonte de unidade. Há esta comunhão na diversidade, e que, de alguma forma, a Eucaristia une, tem a mesma linguagem, é com o mesmo espírito, os mesmos gestos, portanto, é esta fonte de unidade. Como diziam os oradores, a Eucaristia é esta fonte de vida, fonte de missão. Isto, para mim, foi totalmente evidente”, partilha esta leiga, ao Jornal VOZ DA VERDADE.
De regresso ao nosso país, Isabel diz mesmo que se sentiu “muito provocada” neste congresso. “Mesmo com os testemunhos face à pandemia e às dificuldades, percebe-se que aquilo que nos une é verdadeiramente a Eucaristia, é Cristo, e Cristo através daquilo que nos mandou fazer, que é a Eucaristia. Pessoalmente, é um grande desafio para este início de ano letivo e ano pastoral, de olhar as coisas com estas perspetivas que brotam da Eucaristia, nos ramos da bondade, da paz, da paciência, da esperança e da fé, como de facto tudo brota e se renova e reinicia na Eucaristia”, acrescenta.

Superar expectativas
A 52.ª edição do Congresso Eucarístico Internacional, de 5 a 12 de setembro, teve como tema ‘«Todas as minhas fontes estão em Ti» (Sl 87,7). A Eucaristia, fonte da vida e da missão da Igreja’ e contou com delegações de vários países, incluindo uma comitiva portuguesa de 26 pessoas, liderada pelo presidente da Comissão Episcopal da Liturgia e Espiritualidade, D. José Cordeiro. Isabel Alçada Cardoso e o padre Luís Leal foram os dois representantes do Departamento de Liturgia do Patriarcado de Lisboa no congresso na capital húngara. “Esta semana excedeu todas as expectativas. Completamente. Parti integrada num grupo em que conhecia algumas pessoas, mas a maioria não conhecia, e ia preparada com a curiosidade e sabendo que quem participou tinha feito uma boa experiência nos Congressos Eucarísticos”, esclarece Isabel, garantindo que, “do ponto de vista da organização, quer portuguesa, quer do congresso, há muito tempo que não fazia a experiência de organizações tão cuidadas, a todos os níveis”. “Tenho de destacar o cuidado total e a preocupação contante do senhor D. José Cordeiro por todos, para que nos sentíssemos bem e estivéssemos a fazer uma boa experiência”, observa.
Do ponto de vista do próprio Congresso Eucarístico Internacional, a delegada de Lisboa sublinha que “tudo estava previsto”. “Os horários e os ritmos eram humanos. Começávamos cada dia com as Laudes, depois tínhamos uma catequese, um testemunho e depois a Missa, com as respetivas pausas. À tarde, havia os workshops – o que eles chamavam de programa facultativo –, com quatro conferências, onde cada um escolhia a sua participação. Nós dividíamo-nos e, ao fim do dia, conversávamos sobre as sessões onde tínhamos participado e trocávamos experiências e até os papéis que tinham sido dados. Foi tudo muito interessante”, frisa Isabel, não esquecendo igualmente o “programa cultural” associado à iniciativa. “Eu nunca tinha estado na Hungria, e em particular em Budapeste, e de facto a parte cultural foi também muito cuidada, quer na parte do congresso, quer na parte da organização portuguesa”, garante.

A força dos testemunhos
Na semana do CEI, cada dia estava centrado num tema: a bondade, a paz, a paciência, a esperança e a fé. O sábado, dia 11, foi o dia das famílias e no Domingo teve lugar a Missa de encerramento, com o Papa Francisco. Da semana de congresso, Isabel Alçada Cardoso destaca precisamente a força dos testemunhos, que “eram fundamentais”. “Estávamos ali, num país que, podemos dizer, é o centro da Europa, onde se cruzam países e há um cruzamento entre a Europa do Ocidente e a Europa do Oriente. Um país que atravessou uma história de um país imperial, que depois vai ficar a fazer parte do bloco da União Soviética e que também sofreu toda essa dificuldade, mas que se vem levantando. Foi muito impressionante ouvir um bispo de um país do leste europeu, que deu um testemunho de sofrimento – como seminarista e depois também já ordenado –, e que valorizava a questão da paciência, de como estar diante da realidade com paciência”, partilha a delegada de Lisboa.
Isabel lembra ainda o testemunho de uma biblista. “Uma senhora biblista dizia como, de facto, a paciência é importante até para o perdão. Dizia ela que o perdão obriga a largar, a deixar, e isso só é possível com a oração. A biblista convidou a pedir pelos inimigos e até fez uma oração connosco”, recorda esta leiga, não esquecendo também o “testemunho impressionante” de um bispo de Myanmar, que mais tarde se encontrou com a delegação portuguesa. “Ele fez uma festa enorme aos portugueses, a agradecer-nos e a dizer-nos: ‘Nós somos cristãos porque vocês estiveram lá!’. Foi muito engraçado e muito marcante”, conta.


  • Leia a reportagem completa na edição do dia 19 de setembro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.

Patriarcado de Lisboa

domingo, 12 de setembro de 2021

O Papa: "A «Cruz da Missão» é o símbolo deste Congresso"


Francisco durante a missa de encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional, em Budapeste  (Vatican Media) 
 
"A cruz plantada no solo, além de convidar enraizarmo-nos bem, ergue e estende os seus braços a todos: exorta a manter firmes as raízes, mas sem entrincheiramentos; a beber nas fontes, abrindo-nos aos sedentos do nosso tempo", disse Francisco no Angelus deste domingo.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, neste domingo (12/09), no final da missa de encerramento do 52º Congresso Eucarístico Internacional, na Praça dos Heróis, em Budapeste, na Hungria.

Eucaristia significa «ação de graças» e, no final desta Celebração que encerra o Congresso Eucarístico Internacional e a minha visita a Budapeste, gostaria de dar graças com todo o coração. Obrigado à grande família cristã húngara, que desejo abraçar nos seus ritos, na sua história, nos irmãos e irmãs católicos e de outras Confissões, todos a caminho rumo à plena unidade.

A seguir, Francisco saudou o Patriarca Ecuménico de Constantinopla, Bartolomeu I, que ali estava presente, os bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas, e a todos os fiéis leigos. Agradeceu também aos que trabalharam na realização do Congresso Eucarístico e na organização da visita, às autoridades civis e religiosas que o acolheram, e disse obrigado em húngaro ao povo da Hungria.

 

 Bartolomeu I e o Papa Francisco durante a missa em Budapeste 

O hino do Congresso refere-se a vós nestes termos: «Durante mil anos, a cruz foi a coluna da vossa salvação; também agora que o sinal de Cristo seja para vós a promessa de um futuro melhor». É isto que eu lvps desejo: que a cruz seja a vossa ponte entre o passado e o futuro. O sentimento religioso é a seiva vital desta nação, tão afeiçoada às suas raízes.

"A cruz plantada no solo, além de convidar a enraizarmo-nos bem, ergue e estende os seus braços a todos: exorta a manter firmes as raízes, mas sem entrincheiramentos; a beber nas fontes, abrindo-nos aos sedentos do nosso tempo. O meu desejo é que vós sejais assim: alicerçados e abertos, enraizados e respeitadores", acrescentou.

Vatican News