sexta-feira, 25 de março de 2022

"Nesta hora, a humanidade, exausta e desorientada, está debaixo da cruz contigo"

 
 N. Senhora de Fátima 
 
O Papa Francisco realiza na tarde de hoje o ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria, há um mês em guerra. Um gesto que se realizará na Basílica Vaticana e também em Fátima, para onde Francisco enviou o cardeal Konrad Krajewski. "A paz nasce sempre de Deus e da conformidade do coração Àquela que o ama imensamente", disse o padre Cecchin, presidente da Pontifícia Academia Mariana Internacional.
 

Fabio Colagrande e Benedetta Capelli – Vatican News

Como filhos que recorrem à Mãe, a humanidade confia-se a Maria, Rainha da Paz, no meio da tempestade, de uma guerra desencadeada há um mês entre a Rússia e a Ucrânia.

"Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo. Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas."

As palavras do Ato de consagração da Rússia e da Ucrânia ao Imaculado Coração de Maria ressoarão hoje às 17h (hora de Roma), na Basílica de S. Pedro. O Papa presidirá ao Rito de Reconciliação com confissão e absolvição individual. O mesmo ato, no mesmo dia, será realizado por todos os bispos do mundo. O cardeal Konrad Krajewski, esmoleiro do Papa enviado por Francisco, o fará em Fátima.

Conformar-nos ao coração de Maria

A escolha do Papa Francisco de consagrar a Rússia, a Ucrânia e toda a humanidade ao Imaculado Coração de Maria faz parte da tradição do magistério da Igreja, que sempre olhou para Nossa Senhora como aquela a quem confiar no momento da provação. O presidente da Pontifícia Academia Mariana Internacional, pe. Stefano Cecchin ofm, em entrevista à Rádio Vaticano - Vatican News, sublinhou o significado teológico desta consagração: "Para encontrar a paz é preciso conformar-nos ao coração de Maria, um coração que ama imensamente." Em outubro de 2020, encontrando-se com os professores e alunos da Pontifícia Faculdade Teológica Marianum, em Roma, o Papa convidou-os a permanecer “sempre atentos aos sinais dos tempos marianos que percorrem a nossa época”. Segundo o padre Cecchin, a decisão de Francisco de renovar este ato de consagração neste momento histórico nasce desta sua atenção: “Quando há guerras numa família, confia-se à Mãe”.

Padre Cecchin, como mariologista, como o senhor acolheu esta decisão do Papa?

Estou de partida para Fátima, onde se realiza nestes dias um congresso sobre a consagração de Portugal à Imaculada Conceição, realizada em 1931. Tratou-se naquela ocasião da primeira nação do mundo consagrada ao Imaculado Coração de Maria. Ao preparar o meu relatório, repercorri todo o caminho da Igreja na "Terra de Maria", como é chamado o país lusitano. Percebi assim como esta presença, em todos os momentos difíceis da história de Portugal, teve o seu ápice com as aparições de Fátima. E foi Fátima quem nos restituiu a imagem de Maria que se preocupa com a situação europeia da época. Em 1917, houve a Revolução Russa, a Primeira Guerra Mundial, e Deus continuou cuidando de nós através de Maria, que, nas aparições em Fátima, pediu a consagração da Rússia. Quero dizer que se olharmos atentamente para os "sinais dos tempos marianos", como o Papa Francisco nos convidou a fazer, também os encontraremos no momento histórico atual. Portanto, achei realmente maravilhoso a escolha do Papa de renovar esta consagração e, portanto, de confiar à "mãe" as duas nações que estão em guerra, Rússia e Ucrânia. O Papa Francisco continua a dizer-nos que a casa comum é mulher, e é como Maria, que a Igreja é como Maria e é Mãe. Sabemos bem que numa família quando os filhos não se dão bem e há problemas, a mãe é quem tende a levar a paz. Esta entrega nasce desta intuição do Papa e nós lhe agradecemos muito.

Que significado teológico tem esta consagração?

O Coração de Maria é o coração de Deus. Devemos pensar que Maria é aquela que partilhou com o Pai o Filho único. Aquele Filho amado imensamente pelo Pai e pela Mãe, como nos recordaram João Paulo II e Paulo VI e toda a tradição. Maria abriu-nos o caminho para amar, que correspondeu, mais do que qualquer outra criatura, ao imenso amor de Deus. Por isso, todos somos chamados a conformar-nos a este Coração para poder amar Jesus nos outros. Estamos convencidos de que a verdadeira paz não nasce tanto das Nações Unidas, das armas ou da política dos Estados, mas vem apenas de Deus. Portanto, se queremos criar a paz, devemos conformar os nossos corações àquela que amou Deus e que ama a Igreja e os irmãos, isto é, a Maria. Assim, este é o Imaculado Coração de Maria: um coração que ama imensamente, doando-se a todos nós. Por isso, se realmente queremos criar a paz, devemos partir dos nossos corações conformados ao Imaculado Coração de Maria.

O Papa Francisco convidou os bispos de todo o mundo e os seus presbíteros a unirem-se a ele neste ato de consagração e entrega. Porquê?

Parece-me uma escolha ligada ao conceito de sinodalidade que o Papa Francisco continua a reiterar. O Papa representa a Igreja, o sentido da unidade, mas unidade com a Igreja e na Igreja, que é - como ele a chama - a nossa casa comum. Por isso, não nos salvamos sozinhos, como nos lembrou o Papa Francisco na "Fratelli tutti" e sempre juntos devemos pedir a Deus a salvação do mundo. “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”, lembra-nos o Evangelho e Francisco sublinha que o caminho para a salvação do mundo deve ser percorrido juntos, não sozinho. Eis então que neste momento toda a Igreja deve estar unida, como num grande Sínodo, um grande Concílio em que se pede a Deus para intervir.

A história da Igreja conta-nos que houve vários atos de consagração ao Imaculado Coração de Maria, realizados pelos predecessores do Papa Francisco: Pio XII, Paulo VI e João Paulo II. Como inserir a escolha do Papa no contexto desta tradição?

Para nós é muito importante que o Magistério da Igreja tenha sempre, ao longo da história, olhado para Maria como aquela que é a imagem da unidade da Igreja, que cuida da Igreja, a quem, nos momentos difíceis, devemos invocar sempre para nos ajudar a encontrar a solução. O ícone mariano mais bonito, para mim, é o de Maria que nos mostra o caminho: Nossa Senhora Odigitria, a Virgem que nos mostra o caminho que leva a Jesus. A Igreja com a sua Sabedoria iluminada pelo Espírito Santo continua assim a reiterar, como fez o Vaticano II, que Maria é um sinal de esperança segura. Recordemos que na história da Igreja, nos momentos mais difíceis, o nome de Maria foi sempre invocado, como nos lembra o magistério pontifício. Assim, o Papa Francisco está em continuidade com o ensinamento da Igreja.

Porque quis o Papa que o seu enviado, cardeal Krajewski, fizesse o mesmo gesto no Santuário de Fátima?

As aparições de Fátima devem ser contextualizadas no caminho feito por Portugal. No século XVII, o rei de Portugal foi o primeiro a consagrar-se à Imaculada Conceição, tirando a sua coroa e colocando-a na cabeça da Imaculada Conceição. Desde então, os reis de Portugal nunca mais usaram a coroa, deixando esse privilégio à Imaculada Conceição. Então falamos de uma terra onde Maria mostrou sempre a sua atenção e a sua ajuda nos momentos mais difíceis. Fátima torna-se assim o ápice desta manifestação que depois ultrapassou as fronteiras de Portugal para se tornar uma realidade, portanto uma aparição, válida para todo o mundo. Portanto, não se trata de confiar ao coração de Maria apenas a Rússia e a Ucrânia, mas toda injustiça, tudo o que vai contra o direito da pessoa humana, toda atitude mafiosa. Todas essas realidades que queremos transformar juntos através de Maria para criar um mundo melhor.

Vatican News

quinta-feira, 24 de março de 2022

Enviado do Papa traz "imagem do povo martirizado na Ucrânia"

 

 

Cardeal Konrad Krajeski pede que todos se associem à iniciativa de oração pela paz, dando lugar ao silêncio.

O enviado do Papa a Fátima, para o Ato de Consagração da Rússia e da Ucrânia que vai acontecer esta sexta-feira, disse hoje trazer consigo a imagem do “povo martirizado” pela guerra. “Esta minha viagem é muito silenciosa, no âmbito religioso, também um pouco triste, porque estive na Ucrânia, vi o que ali acontece, portanto, trago esta imagem do povo martirizado na Ucrânia”, referiu o cardeal Konrad Krajeski, em declarações à Agência Ecclesia e Renascença, após uma audiência com o Cardeal-Patriarca de Lisboa.
O colaborador do Papa vai presidir, em ligação ao Vaticano, à cerimónia de consagração que tem início às 16h00, na Capelinha das Aparições. “Tudo isto vem do texto de consagração que o Santo Padre preparou, aí saberemos tudo. É um texto muito rico, penso que foi redigido na oração. Não gostaria de o comentar: hoje, no mundo, usamos muitas palavras, podemos dizer que é um bombardeamento de palavras”, indicou o cardeal polaco.
D. Konrad Krajewski, que esteve na Ucrânia para manifestar a solidariedade do Papa, neste mês de março, sustentou que o “silêncio deve falar, deixemos tudo nas mãos deste gesto celebrativo, de Consagração, de sexta-feira, para que todo o mundo se una”. “Todos os bispos do mundo, precisamente no mesmo dia, no mesmo horário, farão esta consagração ao Imaculado Coração de Maria. E isto já diz tanto. Penso, assim, que se justifica que mantenha este silêncio”, acrescentou.

 


 

Já D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, destacou o simbolismo do ato desta sexta-feira, ligando-o ao “triste significado” da guerra e do sofrimento humano, com o “perigo que tudo isto representa”, não só para as vítimas do conflito, mas também para toda a humanidade. “É tal o tamanho de grandeza negativa do que acontece na Ucrânia que tem de ser superado por uma grandeza ainda maior, não só da colaboração de tanta gente, que lá vai ou que lá está e que ajuda como pode”, referiu.
O Patriarca de Lisboa falou na importância de pedir a “colaboração do próprio Deus” para as pessoas de fé, “num lugar tão significativo como é Fátima, há mais de um século, como resposta aos sofrimentos e tantas dores que assolam o mundo”.
D. Manuel Clemente recordou que as aparições aconteceram no contexto da I Guerra Mundial, passou por “tantos outros conflitos” que se lhe sucederam. “É um polo que concentra toda esta vontade de superar os conflitos na sua raiz, que realmente são os corações humanos”, observou.
O cardeal comentou a presença da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima na Ucrânia recorda uma ligação ao Leste da Europa, “logo desde o princípio”, como tem sido sublinhado pelos “sucessivos Papas”. “A consagração, como ato religioso, é algo constante na vida dos cristãos. Depois, ganha amplitude quando se refere a nações, a povos. Agora é, mais uma vez, a altura para o fazer, para lembrar que, problemas tão grandes, para nós religiosos, devem resolver-se na raiz, ou seja, em Deus”, concluiu.

 
Ecclesia

Patriarcado de Lisboa

quarta-feira, 23 de março de 2022

Francisco: Livrai-nos Deus da guerra, é só morte e derrota para todos

 
 Papa Francisco 
 
No final da audiência geral desta quarta-feira (23), o Papa falou mais uma vez à Ucrânia martirizada pelos bombardeamentos russos e convidou as pessoas a unirem-se a ele e aos bispos em oração no dia 25 de março, para "pedir confiantemente ao Senhor, com a intercessão de Nossa Senhora de Fátima, o dom da paz"
 

Tiziana Campisi – Vatican News

Antes de concluir a Audiência Geral, o Papa dedicou alguns minutos para recordar das vítimas da guerra na Ucrânia. Definiu como notícias de morte as que chegam sobre pessoas deslocadas ou em fuga, sobre os mortos, os feridos e os muitos soldados que morreram em ambas as partes do conflito.

Peçamos ao Senhor da vida que nos livre desta morte de guerra: com a guerra tudo se perde, tudo. Não há vitória numa guerra: tudo é derrota. Que o Senhor envie o seu Espírito para nos fazer compreender que a guerra é uma derrota da humanidade, que precisamos de derrotar, todos nós, esta que é uma necessidade que nos destrói, e nos livre dessa necessidade de autodestruição.

Fazer das armas instrumentos de paz

Francisco também exorta as pessoas a rezar "para que os governantes entendam que comprar armas e fazer armas não é a solução para o problema", que "a solução é trabalhar juntos pela paz e, como diz a Bíblia, fazer das armas instrumentos para a paz".

A importância da transmissão de fé entre idosos e jovens

Desenvolvendo o tema da transmissão da vida e da fé dos idosos para os jovens, Francisco destacou durante a audiência geral a necessidade do diálogo entre os jovens e os idosos, da "história direta, pessoa a pessoa", do dom de um testemunho lúcido e apaixonado" e da escuta.

A transmissão da fé - e do sentido da vida - hoje segue este caminho, de escutar os idosos? Eu posso dar um testemunho pessoal. O meu ódio e raiva à guerra aprendi com o meu avô, que lutou na Batalha de Piave em 1914, e ele transmitiu-me essa raiva à guerra. Porque ele falou-me sobre o sofrimento de uma guerra. E isto não se aprende nos livros ou de outras maneiras... aprende-se assim, passando dos avós para os netos.

Polónia, testemunha do sofrimento da Ucrânia

Dirigindo as suas saudações aos fiéis presentes na Sala Paulo VI, o Papa recordou mais uma vez da Ucrânia e, falando aos peregrinos de língua polaca, convida-os, no caminho da penitência quaresmal, a jejuar e a pedir a Deus "a paz, abalada pela guerra em curso na Ucrânia". "Na Polónia, vocês são testemunhas disso, acolhendo os refugiados e escutando as suas histórias", salientou o Pontífice, recordando o dia especial de oração da próxima sexta-feira (25), solenidade da Anunciação do Senhor, quando, durante a liturgia penitencial a ser celebrada na Basílica Vaticana, a invocação a Maria será levantada para que ela possa "elevar os corações" daqueles que estão "aflitos pela crueldade da guerra".

Convite aos fiéis para se unirem em oração em 25 de março pela paz na Ucrânia

Francisco consagrará a Ucrânia e a Rússia ao Coração Imaculado de Maria e ao mesmo tempo em Fátima, o seu esmoleiro, o Cardeal Konrad Krajewski, fará o mesmo. A esperança do Papa é que o ato de consagração dos povos ao Imaculado Coração de Maria "traga paz a todo o mundo". Saudando os peregrinos de língua portuguesa, Francisco convidou-os a unirem-se a ele e aos bispos em oração no dia 25 de março, para "pedir confiantemente ao Senhor, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima, o dom da paz".

Vatican News

A oração do Papa na consagração da Rússia e da Ucrânia a Maria

 
 Papa Francisco diante da Virgem de Fátima
 
Aqui o texto completo que Francisco pronunciará na tarde de 25 de março, durante a liturgia penitencial na Basílica de S. Pedro. Todos os bispos e todos os sacerdotes do mundo são convidados a unirem-se nesta súplica.
 

Vatican News

"Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós…”.

É uma das passagens centrais da oração que o Papa elevará depois de amanhã para consagrar e confiar a humanidade, e especialmente a Rússia e a Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria. Francisco pronunciará a oração no final da liturgia da penitência na Basílica de S. Pedro, na tarde de sexta-feira, 25 de março, festa da Anunciação. A liturgia terá início às 17h00 (hora de Roma), enquanto a consagração terá lugar por volta das 18h30:

Ó Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe, recorremos a Vós nesta hora de tribulação. Vós sois Mãe, amais-nos e conheceis-nos: de quanto temos no coração, nada Vos é oculto. Mãe de misericórdia, muitas vezes experimentamos a vossa ternura providente, a vossa presença que faz voltar a paz, porque sempre nos guiais para Jesus, Príncipe da paz.

Mas perdemos o caminho da paz. Esquecemos a lição das tragédias do século passado, o sacrifício de milhões de mortos nas guerras mundiais. Descuidamos os compromissos assumidos como Comunidade das Nações e estamos a atraiçoar os sonhos de paz dos povos e as esperanças dos jovens. Adoecemos de ganância, fechamo-nos em interesses nacionalistas, deixamo-nos ressequir pela indiferença e paralisar pelo egoísmo. Preferimos ignorar Deus, conviver com as nossas falsidades, alimentar a agressividade, suprimir vidas e acumular armas, esquecendo-nos que somos guardiões do nosso próximo e da própria casa comum. Dilaceramos com a guerra o jardim da Terra, ferimos com o pecado o coração do nosso Pai, que nos quer irmãos e irmãs. Tornamo-nos indiferentes a todos e a tudo, exceto a nós mesmos. E, com vergonha, dizemos: perdoai-nos, Senhor!

Na miséria do pecado, das nossas fadigas e fragilidades, no mistério de iniquidade do mal e da guerra, Vós, Mãe Santa, lembrai-nos que Deus não nos abandona, mas continua a olhar-nos com amor, desejoso de nos perdoar e levantar novamente. Foi Ele que Vos deu a nós e colocou no vosso Imaculado Coração um refúgio para a Igreja e para a humanidade. Por bondade divina, estais connosco e conduzis-nos com ternura mesmo nos transes mais apertados da história.

Por isso recorremos a Vós, batemos à porta do vosso Coração, nós os vossos queridos filhos que não Vos cansais de visitar em todo o tempo e convidar à conversão. Nesta hora escura, vinde socorrer-nos e consolar-nos. Repeti a cada um de nós: «Não estou porventura aqui Eu, que sou tua mãe?» Vós sabeis como desfazer os emaranhados do nosso coração e desatar os nós do nosso tempo. Repomos a nossa confiança em Vós. Temos a certeza de que Vós, especialmente no momento da prova, não desprezais as nossas súplicas e vindes em nosso auxílio.

Assim fizestes em Caná da Galileia, quando apressastes a hora da intervenção de Jesus e introduzistes no mundo o seu primeiro sinal. Quando a festa se mudara em tristeza, dissestes-Lhe: «Não têm vinho!» (Jo 2, 3). Ó Mãe, repeti-o mais uma vez a Deus, porque hoje esgotamos o vinho da esperança, desvaneceu-se a alegria, diluiu-se a fraternidade. Perdemos a humanidade, malbaratamos a paz. Tornamo-nos capazes de toda a violência e destruição. Temos necessidade urgente da vossa intervenção materna.

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:

Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;

Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;

Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;

Apagai o ódio, acalmai a vingança, ensinai-nos o perdão;

Libertai-nos da guerra, preservai o mundo da ameaça nuclear;

Rainha do Rosário, despertai em nós a necessidade de rezar e amar;

Rainha da família humana, mostrai aos povos o caminho da fraternidade;

Rainha da paz, alcançai a paz para o mundo.

O vosso pranto, ó Mãe, comova os nossos corações endurecidos. As lágrimas, que por nós derramastes, façam reflorescer este vale que o nosso ódio secou. E, enquanto o rumor das armas não se cala, que a vossa oração nos predisponha para a paz. As vossas mãos maternas acariciem quantos sofrem e fogem sob o peso das bombas. O vosso abraço materno console quantos são obrigados a deixar as suas casas e o seu país. Que o vosso doloroso Coração nos mova à compaixão e estimule a abrir as portas e cuidar da humanidade ferida e descartada.

 Santa Mãe de Deus, enquanto estáveis ao pé da cruz, Jesus, ao ver o discípulo junto de Vós, disse-Vos: «Eis o teu filho!» (Jo 19, 26). Assim Vos confiou cada um de nós. Depois disse ao discípulo, a cada um de nós: «Eis a tua mãe!» (19, 27). Mãe, agora queremos acolher-Vos na nossa vida e na nossa história. Nesta hora, a humanidade, exausta e transtornada, está ao pé da cruz convosco. E tem necessidade de se confiar a Vós, de se consagrar a Cristo por vosso intermédio. O povo ucraniano e o povo russo, que Vos veneram com amor, recorrem a Vós, enquanto o vosso Coração palpita por eles e por todos os povos ceifados pela guerra, a fome, a injustiça e a miséria.

Por isso nós, ó Mãe de Deus e nossa, solenemente confiamos e consagramos ao vosso Imaculado Coração nós mesmos, a Igreja e a humanidade inteira, de modo especial a Rússia e a Ucrânia. Acolhei este nosso ato que realizamos com confiança e amor, fazei que cesse a guerra, providenciai ao mundo a paz. O sim que brotou do vosso Coração abriu as portas da história ao Príncipe da Paz; confiamos que mais uma vez, por meio do vosso Coração, virá a paz. Assim a Vós consagramos o futuro da família humana inteira, as necessidades e os anseios dos povos, as angústias e as esperanças do mundo.

Por vosso intermédio, derrame-se sobre a Terra a Misericórdia divina e o doce palpitar da paz volte a marcar as nossas jornadas. Mulher do sim, sobre Quem desceu o Espírito Santo, trazei de volta ao nosso meio a harmonia de Deus. Dessedentai a aridez do nosso coração, Vós que «sois fonte viva de esperança». Tecestes a humanidade para Jesus, fazei de nós artesãos de comunhão. Caminhastes pelas nossas estradas, guiai-nos pelas sendas da paz. Amen.

Vatican News

domingo, 20 de março de 2022

Papa: agressão contra a Ucrânia é desumana e sacrílega

 

Uma mulher chora ao sair da área onde um prédio residencial de cinco andares desabou parcialmente após um bombardeamento em Kiev (Foto de Segei SUPINSKY/AFP

 
Agressão violenta e guerra repugnante, massacre insensato, guerra desumana e sacrílega, crueldade. O Papa Francisco não mediu palavras no Angelus deste domingo para definir a agressão russa contra a Ucrânia.
 

Vatican News

Neste domingo, o Papa Francisco renovou o apelo às autoridades para encontrar uma solução para a guerra na Ucrânia. Ele recordou a sua visita na tarde deste sábado, 19, às crianças ucranianas internadas no Hospital Bambino Gesù e reiterou o seu convite a todos para se unirem à oração de consagração da Ucrânia e da Rússia ao Imaculado Coração de Maria na próxima sexta-feira:

Queridos irmãos e irmãs, infelizmente a violenta agressão contra a Ucrânia não para, um massacre insensato onde em cada dia se repetem destruição e atrocidades. Não há justificativa para isto. Suplico a todos os atores da comunidade internacional, para que se empenhem realmente para pôr fim a esta guerra repugnante.

Também esta semana mísseis e bombas atingiram civis, idosos, crianças e mães grávidas. Fui encontrar as crianças feridas que estão aqui em Roma, uma está sem um braço, outra está ferida na cabeça, crianças inocentes.

Penso nos milhões de refugiados ucranianos que têm que fugir deixando tudo para trás, e sinto uma grande dor por aqueles que nem sequer têm a possibilidade de escapar. Tantos avós, doentes e pobres separados dos familiares, tantas crianças e pessoas frágeis continuam a morrer sob as bombas sem poder receber ajuda e encontrar segurança.

Tudo isto é desumano, na verdade é também um sacrilégio porque vai contra a sacralidade da vida humana. Sobretudo contra a vida humana indefesa, que deve ser respeitada e protegida, não eliminada, o que vem antes de qualquer estratégia. Não esqueçamos que é uma crueldade desumana e sacrílega. Rezemos em silêncio por aqueles que sofrem.....

Consola-me saber que à população deixada sob as bombas não falta a proximidade dos pastores, que nestes dias trágicos vivem o Evangelho da caridade e da fraternidade. Eu ouvi alguns deles ao telefone nesses dias, eles estão próximos do povo de Deus. Obrigado por este testemunho, pelo apoio que vocês estão a oferecer a tantas pessoas desesperadas.

Penso também no núncio apostólico, que acaba de ser nomeado núncio, Dom Visvaldas Kulbokas, que permaneceu em Kiev junto com os seus colaboradores desde o início da guerra, que com a sua presença me torna próximo todos os dias do martirizado povo ucraniano. Estejamos próximos deste povo atormentado e abracemo-lo com afeto, com empenho concreto e oração.

E por favor, não nos acostumemos à guerra e à violência, não nos cansemos de acolher generosamente como se está a  fazer, não somente agora, na emergência, mas também nas próximas semanas e meses. Porque vocês sabem que no primeiro momento fazemos o possível para acolher, mas depois o hábito esfria um pouco o coração e esquecemo-nos. Pensemos nestas mulheres e nestas crianças que com o tempo, sem trabalho, separadas dos maridos, serão procuradas pelos abutres da sociedade. Vamos protegê-los, por favor!

O Santo Padre então, renovou o apelo para todos se unirem a ele no ato de consagração na próxima sexta-feira:

Convido todas as comunidades e todos os fiéis a se unirem a mim na sexta-feira, 25 de março, Solenidade da Anunciação, na realização solene da consagração da humanidade, especialmente da Rússia e da Ucrânia, ao Imaculado Coração de Maria, para que Ela, a Rainha da paz, obtenha a paz para o mundo.

Vatican News

Papa: onde reinam o amor e a fraternidade, o mal já não tem poder

 

 
"O mal nunca pode vir de Deus porque Ele "não nos trata segundo os nossos pecados", mas segundo a sua misericórdia. "É o pecado que produz a morte; são os nossos egoísmos que despedaçam os relacionamentos; são as nossas escolhas erradas e violentas que desencadeiam o mal." A verdadeira solução, portanto, é a conversão, com o convite para acolhê-la com o coração aberto 
 

Jackson Erpen – Cidade do Vaticano

Um Deus castigador, que envia desgraças para punir os nossos pecados? Não, “Deus é Pai e olha para nós como um pai, o melhor dos pais. Não vê os resultados que tu ainda não alcançaste, mas os frutos que ainda poderás dar". Um belo nome para ele seria "o Deus de outra possibilidade".

Inspirado no Evangelho de Lucas (Lc 13,1-9), Francisco procura desfazer a ideia de que muitas vezes temos de um Deus responsável pelas nossas desgraças, muitas das quais, meras consequências dos nossos pecados, das escolhas equivocadas que desencadeiam o mal. Assim, especialmente neste tempo da Quaresma, o convite urgente à conversão.

Castigo de Deus para punir os pecados?

Dirigindo-se aos milhares de fiéis e turistas presentes na Praça de S. Pedro (30 mil, segundo a Gendarmaria), o Papa começa por explicar a passagem do Evangelho que fala das notícias que chegavam a Jesus, de mortes devido à violência de Pilatos e da queda da torre de Siloé. Diante destas tragédias, as pessoas queriam saber quem era o culpado. “Talvez essas pessoas fossem mais culpadas do que outras e Deus puniu-as?”, perguntavam. Questionamentos, observou Francisco, “sempre atuais”:

Quando as más notícias nos oprimem e nos sentimos impotentes diante do mal, muitas vezes nos interrogamos: trata-se, quem sabe, de um castigo de Deus? É Ele quem envia uma guerra ou uma pandemia para nos punir pelos nossos pecados? E porque não intervém o Senhor?

No contexto destes questionamentos, um alerta:

Devemos estar atentos: quando o mal nos oprime, corremos o risco de perder a lucidez e, para encontrar uma resposta fácil para o que não podemos explicar, acabamos por culpar Deus.  E tantas vezes o mau hábito das blasfémias vem disto. Quantas vezes atribuímos a Ele as nossas desgraças, atribuímos as desventuras no mundo a Ele que, ao contrário, nos deixa sempre livres e, portanto, nunca intervém impondo-se, apenas propondo-se; a Ele que nunca usa a violência e, de facto, sofre por nós e connosco!

O mal nunca pode vir de Deus, Ele trata-nos segundo a sua misericórdia

O Papa explica que Jesus “rejeita e contesta fortemente a ideia de atribuir os nossos males a Deus: aquelas pessoas que foram mortas por Pilatos e aqueles que morreram debaixo da torre não eram mais culpados do que os outros e não são vítimas de um Deus impiedoso e vingativo, que não existe!”.

“O mal nunca pode vir de Deus porque Ele "não nos trata segundo os nossos pecados", mas segundo a sua misericórdia. É o estilo de Deus. Não pode tratar-nos de outra forma. Tratanos sempre com misericórdia.”

Ao contrário, ao invés de culparmos Deus, devemos olhar para dentro de nós mesmos:

É o pecado que produz a morte; são os nossos egoísmos que despedaçam os relacionamentos; são as nossas escolhas erradas e violentas que desencadeiam o mal.

Acolher o convite à conversão com coração aberto

A verdadeira solução, portanto, é a conversão: "Se não vos converterdes - diz ele – ireis morrer todos do mesmo modo":

É um convite urgente, sobretudo neste tempo de Quaresma. Acolhamo-lo com o coração aberto. Convertamo-nos do mal, renunciando àquele pecado que nos seduz, abramo-nos à lógica do Evangelho: porque, onde reinam o amor e a fraternidade, o mal já não tem poder!

Francisco recorda que Jesus sabe que “não é fácil converteremo-nos, e que nos ajudar nisto. Sabe que tantas vezes recaímos nos mesmos erros e nos mesmos pecados; que nos desencorajamos e, talvez, nos pareça que o nosso esforço no bem é inútil num mundo onde o mal parece reinar.”

O "Deus de outra possibilidade"

Assim, depois do apelo à conversão – acrescentou o Papa – Jesus encoraja-nos com uma parábola que fala da paciência de Deus, com a “imagem consoladora de uma figueira que não dá frutos no período estabelecido, mas que não é cortada: e lhe é dada mais tempo, outra possibilidade”:

“Gosto de pensar que um belo nome de Deus seria "o Deus de outra possibilidade": ele dá-nos sempre outra oportunidade, sempre, sempre. Assim é a sua misericórdia.”

Deus, o melhor dos pais

E observa que “assim faz o Senhor connosco: não nos separa do seu amor, não desanima, não se cansa de nos devolver a confiança com ternura”:

Irmãos e irmãs, Deus acredita em nós! Deus confia em nós e acompanha-nos com paciência, a paciência de Deus connosco. Ele não desanima, mas coloca sempre esperança em nós. Deus é Pai e olha para ti como um pai: como o melhor dos pais, não vê os resultados que ainda não alcançaste, mas os frutos que ainda poderás dar; não leva em conta as tuas faltas, mas encoraja as tuas possibilidades; não se concentra no teu passado, mas aposta com confiança no teu futuro. Porque Deus está perto de nós, Ele está perto de nós. O estilo de Deus - não esqueçamos -: proximidade, ele está próximo, com misericórdia e ternura. E assim nos acompanha Deus: próximo, misericordioso e terno.

Peçamos, portanto, à Virgem Maria - foi o convite do Santo Padre ao concluir - que nos dê esperança e coragem, e acenda em nós o desejo de conversão.

Vatican News

quarta-feira, 16 de março de 2022

Francisco: deter a guerra ou uma eventual catástrofe atómica nos extinguirá

 
 Bombas em Kiev 
 
"A nossa imaginação parece cada vez mais centrada na representação de uma catástrofe final que nos extinguirá. O que acontece como uma eventual guerra atómica! No “dia seguinte”, se ainda houver dias e seres humanos, teremos de começar do zero. Destruir tudo para começar do zero", disse o Papa na Audiência Geral desta quarta-feira. 
 

Vatican News

"A velhice, recurso para a juventude despreocupada" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira (16/03), na Sala Paulo VI.

A Bíblia diz-nos que "Deus estava tão amargurado por causa da maldade generalizada dos homens, por se ter  tornado um estilo normal de vida, que o levou a pensar ter cometido um erro ao criá-los e decidiu eliminá-los".

Acontece também a nós, "esmagados por um sentimento de impotência contra o mal ou desmoralizados pelos “profetas da desventura”, pensar que era melhor não ter nascido", disse o Papa, perguntando se "devemos dar crédito a certas teorias recentes que denunciam a espécie humana como um dano evolutivo para a vida no nosso planeta". Segundo Francisco, "estamos sob pressão, expostos a tensões opostas que nos deixam confusos".

Por um lado, temos o otimismo de uma juventude eterna, aceso pelo extraordinário progresso da tecnologia, que pinta um futuro cheio de máquinas mais eficientes e inteligentes do que nós, que curarão os nossos males e pensarão nas melhores soluções para não morrermos, o mundo dos robôs. Por outro, a nossa imaginação parece cada vez mais centrada na representação de uma catástrofe final que nos extinguirá. O que acontece como uma eventual guerra atómica! No “dia seguinte”, se ainda houver dias e seres humanos, teremos de começar do zero. Destruir tudo para começar do zero.

Não querendo banalizar o "tema do progresso", o Papa disse que "parece que o símbolo do dilúvio está a ganhar terreno no nosso inconsciente. De resto, a atual pandemia coloca uma não insignificante hipoteca sobre a nossa representação despreocupada das coisas que importam, para a vida e o seu destino".

Segundo o Papa, "quando se trata de salvar a vida da terra da corrupção e do dilúvio, Deus confia a tarefa à fidelidade do mais velho de todos, o “justo” Noé". Mas, "onde está a corrupção?", perguntou Francisco. Segundo Jesus, quando os seres humanos se limitam "a desfrutar da vida, perdem até a perceção da corrupção, que mata a sua dignidade e envenena o seu significado. Quando se perde a perceção da corrupção e a corrupção se torna algo normal: tudo tem o seu preço, compra-se e vende-se, opiniões, ato de justiça. No mundo dos negócios, no mundo profissional isto é comum. E se vive despreocupadamente esta corrupção como se fizesse parte da normalidade do bem-estar humano. Quando vais fazer alguma coisa em que o processo é lento, muitas vezes houve-se dizer: "Se me der algum dinheiro eu acelero isso". Sabemos disto muito bem. O mundo da corrupção parece fazer parte da normalidade do ser humano. Os bens da vida são consumidos e apreciados sem preocupação pela qualidade espiritual da vida, sem cuidados com o habitat da Casa comum, tudo deve ser explorado, sem preocupação com a mortificação e o desânimo de que muitos sofrem, nem com o mal que envenena a comunidade. Desde que a vida normal possa ser preenchida com “bem-estar”, não queremos pensar no que a torna vazia de justiça e amor. Eu estou bem. Porque deverei pensar nos problemas, nas guerras, nas misérias humanas, na pobreza, na maldade? Não, eu estou bem. Não me importa dos outros. Este é o pensamento inconsciente que nos leva adiante a viver num estado de corrupção. A corrupção pode tornar-se uma normalidade? Infelizmente sim. E possível respirar o ar da corrupção como se respira o oxigénio.

Segundo o Papa, "a corrupção tira grande vantagem desta despreocupação ímpia: esta suaviza as nossas defesas, entorpece a nossa consciência e torna-nos, até involuntariamente, cúmplices". A corrupção não caminha sozinha, tem sempre um cúmplice.

A velhice está na posição adequada para compreender o engano desta normalização de uma vida obcecada pelo prazer e vazia de interioridade: vida sem pensamento, sem sacrifício, sem interioridade, sem beleza, sem verdade, sem justiça, sem amor. A sensibilidade especial dos idosos às atenções, pensamentos e afetos que nos tornam humanos deve voltar a ser uma vocação para muitos. E será uma escolha de amor dos idosos para com as novas gerações. A bênção de Deus escolhe a velhice para este carisma tão humano e humanizador. Que sentido tem a minha velhice, cada idosos deve questionar-se. Nós, idosos, devemos ser profetas contra a corrupção, como Noé foi o profeta contra a corrupção do seu tempo, porque ele era o único em quem Deus confiava. Eu pergunto a todos vós - e também me interrogo: o meu coração está aberto para ser um profeta contra a corrupção de hoje? Há algo mau, quando os idosos não amadureceram e envelhecem com os mesmos hábitos corruptos dos jovens. Pensemos na história bíblica dos juízes de Susana: eles são o exemplo de uma velhice corrupta. E nós, com uma velhice assim, não seremos capazes de ser profetas para as novas gerações.

Segundo o Papa, "Noé é o exemplo desta velhice generativa", pois ele "cuida do futuro da geração que está em perigo. Constrói a arca do acolhimento e faz entrar homens e animais, cuidando da vida "em todas as suas formas". "A vocação de Noé permanece sempre atual. O santo patriarca ainda deve interceder por nós e nós homens e mulheres de uma certa idade, não nos esqueçamos que temos a possibilidade da sabedoria, dizer ao outro, olha que esta estrada da corrupção não leva a lugar nenhum",concluiu Francisco.

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