Jovens da Imaculada, reunidos na Praça de São Pedro, foram saudados pelo Papa
(VATICAN MEDIA Divisione Foto)
O convite do Papa, depois da recitação do
Angelus, é unir-se a ele na oração a Nossa Senhora nesta Solenidade da
Imaculada Conceição. “Peçamos paz, que os corações sejam pacificados,
que haja paz!”. O pensamento dirige-se também aos membros da Acção
Católica e ao jubileu da Diocese de Quebec, a primeira do Canadá.
Vatican News
Nesta Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem
Maria, o Papa Francisco volta a encontrar os peregrinos reunidos na
Praça de São Pedro para o Angelus, fazendo a sua reflexão e apelos da
janela do apartamento pontifício. A melhoria no seu quadro de saúde
permite-o também sair do Vaticano para rezar na Basílica de Santa Maria Maior
e na sequência na Piazza di Spagna, centro de Roma:
Peço a todos, especialmente aos fiéis de Roma, que se unam
espiritualmente a mim nestes gestos de entrega à nossa Mãe, rezando em
particular pela paz, pela paz na Ucrânia, pela paz na Palestina e em
Israel, e em todas as terras feridas pelas guerras. Peçamos a paz, que
os corações sejam pacificados, que haja paz!
As felicitações pelo Jubileu da Diocese de Quebec
Antes de anunciar a primeira Jornada Mundial da Criança, em maio
próximo, o Santo Padre saudou os fiéis da Diocese de Quebec, no Canadá,
que no dia da Imaculada Conceição, a sua padroeira, inauguram o Jubileu
pelo 350º aniversário da sua fundação:
Quebec foi a primeira diocese fundada no Canadá. Feliz Ano Jubilar e que a Virgem Maria vos acompanhe!
O encorajamento à Ação Católica
O Pontífice, ao saudar afetuosamente os romanos e os peregrinos
vindos da Itália e de vários países do mundo, dirige o seu pensamento
aos membros da Ação Católica, que nestes dias renovam a sua adesão. O
incentivo é que todos os membros, “das crianças aos idosos”, possam ser
“pedras vivas na Igreja e bom fermento na sociedade”.
Na solenidade da Imaculada Conceição, o
Papa rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos
reunidos na Praça de São Pedro. Francisco destacou a admiração pelas obras
de Deus e a fidelidade nas coisas simples como as duas atitudes que
permitiram a Maria manter o seu coração livre do pecado.
Thulio Fonseca - Vatican News
Nesta sexta-feira (08/12), Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa
Francisco voltou a rezar a oração mariana do Angelus da janela do
Palácio Apostólico, após duas semanas em que, por recomendações médicas,
a pronunciou na Capela da Casa Santa Marta.
Aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice
destacou duas atitudes da Virgem Maria que lhe permitiram ter um coração
totalmente livre do pecado. Em primeiro lugar, a surpresa quando ouve
ser chamada de "cheia de graça":
“Esta é uma atitude importante: saber maravilhar-se diante dos
dons do Senhor, nunca os considerando como óbvios, apreciar o seu valor,
alegrar-se pela confiança e ternura que trazem consigo.”
O Papa sublinhou que “é também importante testemunhar esse
maravilhamento diante dos outros, falando com humildade dos dons de
Deus, do bem recebido, e não somente dos problemas quotidianos”. E
convida os fiéis a uma reflexão:
“Podemos perguntar a nós mesmos: eu sei maravilhar-me com as obras de Deus?
Às vezes acontece comigo ficar maravilhado com isso e
compartilhar com alguém?”
A fidelidade nas coisas simples
Maria, enfatiza o Santo Padre, é uma “uma jovem, que precisamente
graças à sua simplicidade conservou puro aquele Coração Imaculado com o
qual, pela graça de Deus, foi concebida”:
“Para acolher os grandes dons de Deus, é fundamental saber valorizar aqueles mais quotidianos e menos evidentes.”
Fiéis reunidos na Praça São Pedro
“Sim" a Deus
Através da simplicidade, disse o Pontífice, a Virgem cultivou o
imenso dom da sua Imaculada Conceição e acolheu as oportunidades de
crescimento do seu tempo: a Palavra de Deus, a fé para a qual foi
educada pelos pais, a generosidade e a prontidão com que se comportou.
"Foi por meio da fidelidade quotidiana no bem que Nossa Senhora permitiu
ao dom de Deus crescer nela; foi assim que ela se preparou para
responder ao Senhor, para dizer “sim” a Ele com toda a sua vida”.
“Então perguntemos a nós mesmos: eu acredito que o importante, nas
situações de cada dia como no caminho espiritual, é a fidelidade a Deus?
E, se acredito nisso, encontro o tempo para ler o Evangelho, para
rezar, participar na Eucaristia e receber o Perdão sacramental, para
fazer algum gesto concreto de serviço gratuito? São essas pequenas
escolhas decisivas para acolher a presença do Senhor.”
Na Audiência Geral desta quarta-feira
(06/12), Francisco reafirmou que se sente "muito melhor", mas que sente
dificuldades "quando fala demais". A reflexão, pronunciada por mons.
Ciampanelli, foi dedicada à quarta dimensão do zelo apostólico: o
Espírito Santo, protagonista do anúncio do Evangelho.
Thulio Fonseca - Vatican News
Francisco entrou caminhando na Sala Paulo VI enquanto os milhares de
fiéis e peregrinos o saudavam. Ainda um pouco ofegante, o Papa deu
início à Audiência Geral desta quarta-feira, 6 de dezembro, fazendo o
sinal da cruz.
“Irmãs e irmãos, bom dia, bem-vindos a todos. Também hoje pedi ao
monsenhor Ciampanelli para ler porque ainda estou com dificuldade. Estou
muito melhor, mas tenho dificuldades se falo demais. É por isso que ele
vai ler.”, foram as palavras introdutórias do Santo Padre, em seguida,
Monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado,
proferiu a catequese sobre a quarta dimensão do zelo apostólico, “o
anúncio é movido pelo Espírito Santo”:
“Nas catequeses anteriores, vimos que o anúncio do Evangelho é
alegria, é para todos e deve ser dirigido ao hoje. Descubramos agora uma
última característica essencial: o anúncio deve realizar-se no Espírito
Santo. Com efeito, para 'comunicar Deus' não bastam a alegre
credibilidade do testemunho, a universalidade do anúncio e a atualidade
da mensagem. Sem o Espírito Santo todo o zelo é vão e falsamente
apostólico: seria apenas nosso e não daria frutos”.
O Espírito Santo protagonista
No texto, o Papa recorda que, como escreveu na Evangelii gaudium,
“Jesus é o primeiro e o maior evangelizador”; que “em qualquer forma de
evangelização, o primado é sempre de Deus”, que “quis chamar-nos para
cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito”.
“O Espírito é o protagonista, precede sempre os missionários e faz
brotar os frutos. Essa consciência consola-nos muito! E ajuda-nos a
esclarecer outra, igualmente decisiva: isto é, que no seu zelo
apostólico a Igreja não anuncia si mesma, mas uma graça, um dom, e o
Espírito Santo é precisamente o Dom de Deus”.
Segundo Francisco, a primazia do Espírito não deve levar-nos à indolência:
“O Senhor não nos deixou folhetos teológicos ou um manual de
pastoral para aplicar, mas o Espírito Santo que inspira a missão. E a
desenvoltura corajosa que o Espírito infunde leva-nos a imitar o seu
estilo, que tem sempre duas características: a criatividade e a
simplicidade.”
Criatividade pastoral
No texto lido por mons. Ciampanelli, o Papa destaca que a
criatividade é necessária para anunciar Jesus com alegria, a todos e no
hoje. “Nesta nossa época, que não nos ajuda a ter uma visão
religiosa da vida e em que o anúncio se tornou mais difícil, cansativo e
aparentemente infrutífero em vários lugares, pode surgir a tentação de
desistir do serviço pastoral. Talvez nos refugiemos em zonas de
segurança, como na repetição habitual de coisas que sempre fazemos, ou
nos apelos tentadores de uma espiritualidade íntima, ou mesmo num
sentido incompreendido da centralidade da liturgia. São tentações que se
disfarçam de fidelidade à tradição, mas muitas vezes, em vez de
respostas ao Espírito, são reações às insatisfações pessoais.”
“A criatividade pastoral, o ser ousados no Espírito, ardentes com o
seu fogo missionário, é prova de fidelidade a Ele. Sempre que
procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho,
despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão,
sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o
mundo atual.”
A simplicidade evangelizadora
A segunda característica que Francisco enfatiza é a simplicidade,
“precisamente porque o Espírito nos leva à fonte, ao primeiro anúncio,
que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a
tentativa de renovação eclesial”.
“Irmãos e irmãs, deixemo-nos cativar pelo Espírito e invoquemo-lo
todos os dias: seja Ele o princípio do nosso ser e do nosso agir; esteja
no início de cada atividade, reunião, encontro e anúncio. Ele vivifica e
rejuvenesce a Igreja: com Ele não devemos temer, porque Ele, que é a
harmonia, mantém sempre juntas a criatividade e a simplicidade, inspira a
comunhão e envia em missão, abre à diversidade e reconduz à unidade.
Ele é a nossa força, o sopro do nosso anúncio, a fonte do zelo
apostólico. Vinde, Espírito Santo!”
Após o Angelus, o Papa expressou tristeza
pela situação "muito grave" na Terra Santa, em particular pela
interrupção da trégua: "Isto significa morte, destruição, miséria". O
Pontífice pediu que as partes envolvidas possam logo "encontrar soluções
que não sejam as armas" e "tomar caminhos corajosos de paz". Seguidamente, expressou a sua proximidade com as famílias das vítimas do ataque
deste domingo nas Filipinas, onde uma bomba explodiu durante uma Missa
Salvatore Cernuzio – Vatican News
"Morte, destruição, miséria". É isto que significa para o Papa a
rutura da trégua entre Israel e o Hamas e a retoma dos combates que,
de acordo com informações divulgadas pelas autoridades da Faixa de Gaza,
mataram 700 cidadãos palestinos em vinte e quatro horas. Após a
recitação do Angelus, ainda na Casa de Santa Mar, devido à bronquite
infecciosa que o acometeu há mais de uma semana, o Papa - embora ele
mesmo não tenha lido o apelo após a oração mariana - deu a conhecer a sua
profunda dor pelo Médio Oriente, onde "a situação é grave", juntamente
com a esperança de um restabelecimento imediato de um acordo para uma
trégua.
É triste que a trégua tenha sido rasgada, isto significa morte, destruição e miséria.
O pensamento nos reféns, a esperança de um novo acordo
Francisco voltou o seu pensamento para os reféns, ainda nas mãos do
Hamas após o dramático 7 de outubro. Muitos foram libertados, mas
muitos ainda estão em Gaza. "Pensemos neles e nas suas famílias, que
viram uma luz, uma esperança de reencontrar os seus entes queridos",
exortou o Pontífice.
Seguidamente, o eu pensamento voltou-se para Gaza, onde, enfatizou, "há tanto
sofrimento, faltam bens de primeira necessidade". Além de comida e água,
os equipamentos necessários para emergências militares estão cada vez
mais em falta. Um navio da Marinha partiu este domingo da Itália para o
Egito com salas de cirurgia e clínicas a bordo para tratar os feridos. A
situação, no entanto, está a piorar a cada hora. O Papa então lançou o
seu apelo.
Espero que todos os envolvidos possam chegar a um novo acordo de
cessar-fogo o mais rápido possível e encontrar soluções que não sejam as
armas, tentando seguir caminhos corajosos para a paz.
Na última quinta-feira, Israel concordou em estender a trégua na
Faixa de Gaza por um oitavo dia, num acordo que visava à libertação de
mais dez reféns, principalmente mulheres e crianças. No entanto,
enquanto os EUA, o Egito e o Catar se reuniam em Doha para tentar chegar
a um acordo sobre uma nova prorrogação, as Forças Armadas de Israel
anunciaram que tinham lançado ataques aéreos contra locais no território
palestino, sem fornecer mais detalhes. Imagens transmitidas pela
emissora pan-árabe "al Jazeera" mostram colunas de fumaça cinza a sair
de áreas povoadas de Gaza, acompanhadas pelo barulho de bombardeios e
tiros.
Próximo das famílias das vítimas em Mindanao
Com a mesma apreensão, Francisco assegurou as suas orações pelas vítimas
do atentado ocorrido na manhã deste domingo nas Filipinas, no Estado de
Mindanao, em Marawi, uma área no sul do país, onde uma bomba explodiu
no ginásio de uma universidade enquanto uma Missa estava a ser
celebrada. O Papa faz-se próximo das famílias dos mortos - quatro,
incluindo três mulheres - e dos mais de 40 feridos, bem como dos
habitantes de Mindanao, uma cidade que no passado foi palco de uma
batalha entre as forças do governo e militantes ligados ao Estado
islâmico.
Faço-me próximo das famílias, do povo de Mindanao, que já sofreu tanto.
É bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos
preparar um coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazer isto aproximando-nos do seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando
espaço para a oração, acolhendo-o naqueles que precisam. Cultivemos a sua
espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e sem reclamar o
tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja, ansioso por Ele,
desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo: disse o Papa no Angelus
deste domingo, início do Advento
Raimundo de Lima – Vatican News
Eis um belo programa para o Advento: encontrar Jesus que vem em cada
irmão e irmã que precisa de nós e compartilhar com eles o que pudermos:
escuta, tempo, ajuda concreta. Foi a exortação do Papa no Angelus deste
domingo, 3 de dezembro, início do Advento, tempo de preparação para o
Natal que se aproxima.
Como no domingo anterior, a oração mariana foi rezada da Casa de Santa
Marta, para não expor o Santo Padre a mudanças bruscas de temperatura,
uma vez que está a recuperar de uma inflamação pulmonar que o
acometeu há mais de uma semana. O texto foi lido por monsenhor Paolo
Braida, chefe de escritório na Secretaria de Estado.
Advento, tempo de espera vigilante
Na alocução que precedeu a oração mariana, Francisco destacou que o
breve Evangelho que a liturgia nos propõe neste I Domingo do Advento
Jesus dirige-nos três vezes uma exortação simples e direta. Vigiai. Portanto, o tema é a vigilância.
Como devemos entendê-la? – perguntou o Pontífice, acrescentando: às
vezes, pensamos nessa virtude como uma atitude motivada pelo medo de um
castigo iminente, como se um meteorito estivesse prestes a cair do céu e
ameaçasse, se não o evitássemos a tempo, nos esmagar. Mas esse
certamente não é o significado da vigilância cristã!
Jesus ilustra isto com uma parábola, falando de um senhor que está a voltar e dos seus servos que o estão a esperat. Na Bíblia, o servo é a
"pessoa de confiança" do patrão, com quem muitas vezes há uma relação de
cooperação e afeto. Pensemos, por exemplo, que Moisés é definido servo
de Deus e que também Maria diz de si mesma: "Eis aqui a serva do
Senhor".
Receber Jesus especialmente nos mais necessitados
Portanto, observou, a vigilância dos servos não é de medo, mas de
anseio, esperando encontrar o seu senhor que vem. Eles mantêm-se prontos
para o seu retorno porque lhe querem bem, porque têm em mente que, quando
ele chegar, encontrará uma casa acolhedora e organizada.
É com esta expetativa cheia de afeto que também queremos
preparar-nos para receber Jesus: no Natal, que celebraremos daqui a algumas
semanas; no fim dos tempos, quando voltará em glória; todos os dias,
quando Ele vier ao nosso encontro na Eucaristia, na sua Palavra, nos
nossos irmãos e irmãs, especialmente nos mais necessitados.
De modo especial durante estas semanas, exortou Francisco, preparemos
cuidadosamente a casa do coração, para que ela seja organizada e
hospitaleira. A vigilância, de facto, significa manter o coração
preparado. É a atitude do vigia que, durante a noite, não se deixa
tentar pelo cansaço, não adormece, mas permanece acordado na expectativa
da luz que se aproxima.
Cristo é a nossa luz
O Senhor é a nossa luz e é bom preparar o coração para recebê-lo com a
oração e hospedá-lo com a caridade, os dois preparativos que, por assim
dizer, o deixam confortável. A este respeito, diz-se que São Martinho
de Tours, um homem de oração, depois de dar metade de seu manto a um
pobre, sonhou com Jesus vestido exatamente com aquela parte do manto que
ele tinha dado.
Queridos, é bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos preparar um
coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazê-lo aproximando-nos do
seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando espaço para a
oração, acolhendo-o naqueles que precisam.
Cultivemos a sua espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e
sem reclamar o tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja,
ansioso por Ele, desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo. Que a
Virgem Maria, mulher da espera, nos ajude a recebero seu Filho que vem,
concluiu.
Francisco não deixou de estar presente na Audiência Geral desta
quarta-feira (29/11). A entrada do Papa na Sala Paulo VI foi aclamada
pelos fiéis e peregrinos. No início da catequese o Pontífice saudou os
fiéis e passou a palavra ao monsenhor Ciampanelli, que leu o texto
preparado para a ocasião.
Realizada na Sala Paulo VI, devido às quedas da temperatura que
antecedem o inverno no hemisfério norte, a Audiência Geral desta
quarta-feira, 29 de novembro, contou com a presença de inúmeros fiéis e
peregrinos que acolheram o Santo Padre com muito afeto durante o seu
ingresso para a Audiência Geral.
O Papa Francisco, que ainda recupera de uma infeção pulmonar, ao
saudar os fiéis, afirmou: "ainda não estou bem com esta gripe e a voz
não está boa”, e passou a palavra a monsenhor Filippo Ciampanelli,
colaborador da Secretaria de Estado, que leu o discurso preparado para o
ciclo de catequeses sobre a Paixão pela evangelização: o zelo
apostólico do crente.
A proclamação é para hoje
“Quase sempre ouvimos coisas más sobre o hoje” - destaca o texto
lido por mons. Ciampanelli - “entre guerras, alterações climáticas,
injustiças planetárias e migrações, crise da família e da esperança, não
faltam motivos de preocupação. De uma forma geral, o hoje parece
habitado por uma cultura que coloca o indivíduo acima de tudo e a
tecnologia no centro de tudo, com a sua capacidade de resolver muitos
problemas e o seu progresso gigantesco em muitos campos”.
O texto do Papa sublinha que a cultura do progresso
técnico-individual leva à afirmação de uma liberdade que não quer impor
limites e parece indiferente para com aqueles que ficam para trás. E ao
ilustrar a catequese com a história da cidade de Babel, Francisco
destaca:
“Ainda hoje a coesão, mais do que a fraternidade e a paz,
baseia-se muitas vezes na ambição, nos nacionalismos, na homologação, em
estruturas técnico-económicas que inculcam a crença de que Deus é
insignificante e inútil: não tanto porque procuramos mais conhecimento,
mas sobretudo porque procuramos mais poder. É uma tentação que permeia os
grandes desafios da cultura atual.”
Não ter medo do diálogo
“Na Evangelii gaudium”, ressalta o texto do Papa, “apelei a uma
evangelização que ilumine os novos modos de te relacionares com Deus, com
os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais”.
“O zelo apostólico nunca é uma simples repetição de um estilo
adquirido, mas um testemunho de que o Evangelho está vivo aqui para nós
hoje.”
“Conscientes disto, olhemos, portanto, para a nossa época e para a
nossa cultura como uma dádiva. Elas são nossas e evangelizá-las não
significa julgá-las de longe, nem ficar numa varanda gritando o nome de
Jesus, mas sair às ruas, ir aos lugares onde moramos, frequentar os
espaços onde sofremos, trabalhamos, estudamos e refletimos, habitar as
encruzilhadas onde os seres humanos partilham o que faz sentido para as
suas vidas. Significa ser, como Igreja, «um fermento de diálogo, de
encontro, de unidade. Afinal, as nossas próprias formulações de fé são o
resultado de um diálogo e de um encontro entre diferentes culturas,
comunidades e instâncias. Não devemos ter medo do diálogo: na verdade,
são precisamente a comparação e a crítica que nos ajudam a evitar que a
teologia se transforme em ideologia»”
“Precisamos de permanecer nas encruzilhadas do hoje. Abandoná-las
significaria empobrecer o Evangelho e reduzir a Igreja a uma seita.
Frequentá-las, porém, ajuda a nós, cristãos, a compreender de forma
renovada as razões da nossa esperança, para extrair e partilhar «coisas
novas e velhas» do tesouro da fé.”
Uma pastoral que incorpore melhor o Evangelho
Na conclusão do texto Francisco ressalta: “em vez de querer
reconverter o mundo de hoje, precisamos de converter a pastoral para que
ela incorpore melhor o Evangelho”.
“Façamos nosso o desejo de Jesus: ajudar os nossos companheiros de
viagem a não perder o desejo de Deus, para que lhes abra o coração e
encontrem o único que, hoje e sempre, dá paz e alegria ao homem.”