sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

Papa: confiemos a Maria a paz na Ucrânia, Palestina e Israel

 
Jovens da Imaculada, reunidos na Praça de São Pedro, foram saudados pelo Papa  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)
 
O convite do Papa, depois da recitação do Angelus, é unir-se a ele na oração a Nossa Senhora nesta Solenidade da Imaculada Conceição. “Peçamos paz, que os corações sejam pacificados, que haja paz!”. O pensamento dirige-se também aos membros da Acção Católica e ao jubileu da Diocese de Quebec, a primeira do Canadá.
 

Vatican News

Nesta Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria, o Papa Francisco volta a encontrar os peregrinos reunidos na Praça de São Pedro para o Angelus, fazendo a sua reflexão e apelos da janela do apartamento pontifício. A melhoria no seu quadro de saúde permite-o também sair do Vaticano para rezar na Basílica de Santa Maria Maior e na sequência na Piazza di Spagna, centro de Roma:

Peço a todos, especialmente aos fiéis de Roma, que se unam espiritualmente a mim nestes gestos de entrega à nossa Mãe, rezando em particular pela paz, pela paz na Ucrânia, pela paz na Palestina e em Israel, e em todas as terras feridas pelas guerras. Peçamos a paz, que os corações sejam pacificados, que haja paz!

As felicitações pelo Jubileu da Diocese de Quebec

Antes de anunciar a primeira Jornada Mundial da Criança, em maio próximo, o Santo Padre saudou os fiéis da Diocese de Quebec, no Canadá, que no dia da Imaculada Conceição, a sua padroeira, inauguram o Jubileu pelo 350º aniversário da sua fundação: 

Quebec foi a primeira diocese fundada no Canadá. Feliz Ano Jubilar e que a Virgem Maria vos acompanhe!

O encorajamento à Ação Católica

O Pontífice, ao saudar afetuosamente os romanos e os peregrinos vindos da Itália e de vários países do mundo, dirige o seu pensamento aos membros da Ação Católica, que nestes dias renovam a sua adesão. O incentivo é que todos os membros, “das crianças aos idosos”, possam ser “pedras vivas na Igreja e bom fermento na sociedade”.

Vatican News

Papa: como Maria, acolher os grandes dons de Deus com admiração e simplicidade

 
 
Na solenidade da Imaculada Conceição, o Papa rezou a oração mariana do Angelus com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro. Francisco destacou a admiração pelas obras de Deus e a fidelidade nas coisas simples como as duas atitudes que permitiram a Maria manter o seu coração livre do pecado.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

Nesta sexta-feira (08/12), Solenidade da Imaculada Conceição, o Papa Francisco voltou a rezar a oração mariana do Angelus da janela do Palácio Apostólico, após duas semanas em que, por recomendações médicas, a pronunciou na Capela da Casa Santa Marta.

Aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Pontífice destacou duas atitudes da Virgem Maria que lhe permitiram ter um coração totalmente livre do pecado. Em primeiro lugar, a surpresa quando ouve ser chamada de "cheia de graça":

“Esta é uma atitude importante: saber maravilhar-se diante dos dons do Senhor, nunca os considerando como óbvios, apreciar o seu valor, alegrar-se pela confiança e ternura que trazem consigo.”

O Papa sublinhou que “é também importante testemunhar esse maravilhamento diante dos outros, falando com humildade dos dons de Deus, do bem recebido, e não somente dos problemas quotidianos”. E convida os fiéis a uma reflexão:

“Podemos perguntar a nós mesmos: eu sei maravilhar-me com as obras de Deus? Às vezes acontece comigo ficar maravilhado com isso e compartilhar com alguém?” 

A fidelidade nas coisas simples

Maria, enfatiza o Santo Padre, é uma “uma jovem, que precisamente graças à sua simplicidade conservou puro aquele Coração Imaculado com o qual, pela graça de Deus, foi concebida”:

“Para acolher os grandes dons de Deus, é fundamental saber valorizar aqueles mais quotidianos e menos evidentes.”

 

 Fiéis reunidos na Praça São Pedro

“Sim" a Deus

Através da simplicidade, disse o Pontífice, a Virgem cultivou o imenso dom da sua Imaculada Conceição e acolheu as oportunidades de crescimento do seu tempo: a Palavra de Deus, a fé para a qual foi educada pelos pais, a generosidade e a prontidão com que se comportou. "Foi por meio da fidelidade quotidiana no bem que Nossa Senhora permitiu ao dom de Deus crescer nela; foi assim que ela se preparou para responder ao Senhor, para dizer “sim” a Ele com toda a sua vida”.

“Então perguntemos a nós mesmos: eu acredito que o importante, nas situações de cada dia como no caminho espiritual, é a fidelidade a Deus? E, se acredito nisso, encontro o tempo para ler o Evangelho, para rezar, participar na Eucaristia e receber o Perdão sacramental, para fazer algum gesto concreto de serviço gratuito? São essas pequenas escolhas decisivas para acolher a presença do Senhor.”

Vatican News

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Papa: a missão não é um manual a ser aplicado, mas obra do Espírito Santo

 
 
Na Audiência Geral desta quarta-feira (06/12), Francisco reafirmou que se sente "muito melhor", mas que sente dificuldades "quando fala demais". A reflexão, pronunciada por mons. Ciampanelli, foi dedicada à quarta dimensão do zelo apostólico: o Espírito Santo, protagonista do anúncio do Evangelho.
 

Thulio Fonseca - Vatican News

Francisco entrou caminhando na Sala Paulo VI enquanto os milhares de fiéis e peregrinos o saudavam. Ainda um pouco ofegante, o Papa deu início à Audiência Geral desta quarta-feira, 6 de dezembro, fazendo o sinal da cruz.

“Irmãs e irmãos, bom dia, bem-vindos a todos. Também hoje pedi ao monsenhor Ciampanelli para ler porque ainda estou com dificuldade. Estou muito melhor, mas tenho dificuldades se falo demais. É por isso que ele vai ler.”, foram as palavras introdutórias do Santo Padre, em seguida, Monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado, proferiu a catequese sobre a quarta dimensão do zelo apostólico, “o anúncio é movido pelo Espírito Santo”:

“Nas catequeses anteriores, vimos que o anúncio do Evangelho é alegria, é para todos e deve ser dirigido ao hoje. Descubramos agora uma última característica essencial: o anúncio deve realizar-se no Espírito Santo. Com efeito, para 'comunicar Deus' não bastam a alegre credibilidade do testemunho, a universalidade do anúncio e a atualidade da mensagem. Sem o Espírito Santo todo o zelo é vão e falsamente apostólico: seria apenas nosso e não daria frutos”.

O Espírito Santo protagonista

No texto, o Papa recorda que, como escreveu na Evangelii gaudium, “Jesus é o primeiro e o maior evangelizador”; que “em qualquer forma de evangelização, o primado é sempre de Deus”, que “quis chamar-nos para cooperar com Ele e impelir-nos com a força do seu Espírito”. 

“O Espírito é o protagonista, precede sempre os missionários e faz brotar os frutos. Essa consciência consola-nos muito! E ajuda-nos a esclarecer outra, igualmente decisiva: isto é, que no seu zelo apostólico a Igreja não anuncia si mesma, mas uma graça, um dom, e o Espírito Santo é precisamente o Dom de Deus”.

Segundo Francisco, a primazia do Espírito não deve levar-nos à indolência:

“O Senhor não nos deixou folhetos teológicos ou um manual de pastoral para aplicar, mas o Espírito Santo que inspira a missão. E a desenvoltura corajosa que o Espírito infunde leva-nos a imitar o seu estilo, que tem sempre duas características: a criatividade e a simplicidade.”

Criatividade pastoral

No texto lido por mons. Ciampanelli, o Papa destaca que a criatividade é necessária para anunciar Jesus com alegria, a todos e no hoje.
“Nesta nossa época, que não nos ajuda a ter uma visão religiosa da vida e em que o anúncio se tornou mais difícil, cansativo e aparentemente infrutífero em vários lugares, pode surgir a tentação de desistir do serviço pastoral. Talvez nos refugiemos em zonas de segurança, como na repetição habitual de coisas que sempre fazemos, ou nos apelos tentadores de uma espiritualidade íntima, ou mesmo num sentido incompreendido da centralidade da liturgia. São tentações que se disfarçam de fidelidade à tradição, mas muitas vezes, em vez de respostas ao Espírito, são reações às insatisfações pessoais.” 

“A criatividade pastoral, o ser ousados no Espírito, ardentes com o seu fogo missionário, é prova de fidelidade a Ele. Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual.”

A simplicidade evangelizadora

A segunda característica que Francisco enfatiza é a simplicidade, “precisamente porque o Espírito nos leva à fonte, ao primeiro anúncio, que deve ocupar o centro da atividade evangelizadora e de toda a tentativa de renovação eclesial”.

“Irmãos e irmãs, deixemo-nos cativar pelo Espírito e invoquemo-lo todos os dias: seja Ele o princípio do nosso ser e do nosso agir; esteja no início de cada atividade, reunião, encontro e anúncio. Ele vivifica e rejuvenesce a Igreja: com Ele não devemos temer, porque Ele, que é a harmonia, mantém sempre juntas a criatividade e a simplicidade, inspira a comunhão e envia em missão, abre à diversidade e reconduz à unidade. Ele é a nossa força, o sopro do nosso anúncio, a fonte do zelo apostólico. Vinde, Espírito Santo!”

Vatican News

domingo, 3 de dezembro de 2023

Francisco: trégua rompida em Gaza significa morte, urgente um novo cessar-fogo

 
  Ataque israelita na Faixa de Gaza  
 
Após o Angelus, o Papa expressou tristeza pela situação "muito grave" na Terra Santa, em particular pela interrupção da trégua: "Isto significa morte, destruição, miséria". O Pontífice pediu que as partes envolvidas possam logo "encontrar soluções que não sejam as armas" e "tomar caminhos corajosos de paz". Seguidamente, expressou a sua proximidade com as famílias das vítimas do ataque deste domingo nas Filipinas, onde uma bomba explodiu durante uma Missa

Salvatore Cernuzio – Vatican News

"Morte, destruição, miséria". É isto que significa para o Papa a rutura da trégua entre Israel e o Hamas e a retoma dos combates que, de acordo com informações divulgadas pelas autoridades da Faixa de Gaza, mataram 700 cidadãos palestinos em vinte e quatro horas. Após a recitação do Angelus, ainda na Casa de Santa Mar, devido à bronquite infecciosa que o acometeu há mais de uma semana, o Papa - embora ele mesmo não tenha lido o apelo após a oração mariana - deu a conhecer a sua profunda dor pelo Médio Oriente, onde "a situação é grave", juntamente com a esperança de um restabelecimento imediato de um acordo para uma trégua.

É triste que a trégua tenha sido rasgada, isto significa morte, destruição e miséria.

O pensamento nos reféns, a esperança de um novo acordo

Francisco voltou o seu pensamento para os reféns, ainda nas mãos do Hamas após o dramático 7 de outubro.  Muitos foram libertados, mas muitos ainda estão em Gaza. "Pensemos neles e nas suas famílias, que viram uma luz, uma esperança de reencontrar os seus entes queridos", exortou o Pontífice.

Seguidamente, o eu pensamento voltou-se para Gaza, onde, enfatizou, "há tanto sofrimento, faltam bens de primeira necessidade". Além de comida e água, os equipamentos necessários para emergências militares estão cada vez mais em falta. Um navio da Marinha partiu este domingo da Itália para o Egito com salas de cirurgia e clínicas a bordo para tratar os feridos. A situação, no entanto, está a piorar a cada hora. O Papa então lançou o seu apelo.

Espero que todos os envolvidos possam chegar a um novo acordo de cessar-fogo o mais rápido possível e encontrar soluções que não sejam as armas, tentando seguir caminhos corajosos para a paz.

Na última quinta-feira, Israel concordou em estender a trégua na Faixa de Gaza por um oitavo dia, num acordo que visava à libertação de mais dez reféns, principalmente mulheres e crianças. No entanto, enquanto os EUA, o Egito e o Catar se reuniam em Doha para tentar chegar a um acordo sobre uma nova prorrogação, as Forças Armadas de Israel anunciaram que tinham lançado ataques aéreos contra locais no território palestino, sem fornecer mais detalhes. Imagens transmitidas pela emissora pan-árabe "al Jazeera" mostram colunas de fumaça cinza a sair de áreas povoadas de Gaza, acompanhadas pelo barulho de bombardeios e tiros.

Próximo das famílias das vítimas em Mindanao

Com a mesma apreensão, Francisco assegurou as suas orações pelas vítimas do atentado ocorrido na manhã deste domingo nas Filipinas, no Estado de Mindanao, em Marawi, uma área no sul do país, onde uma bomba explodiu no ginásio de uma universidade enquanto uma Missa estava a ser celebrada. O Papa faz-se próximo das famílias dos mortos - quatro, incluindo três mulheres - e dos mais de 40 feridos, bem como dos habitantes de Mindanao, uma cidade que no passado foi palco de uma batalha entre as forças do governo e militantes ligados ao Estado islâmico.

Faço-me próximo das famílias, do povo de Mindanao, que já sofreu tanto.

Vatican News

O Papa no Angelus: no Advento, encontrar nos necessitados, Jesus que vem

 
 
É bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos preparar um coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazer isto aproximando-nos do seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando espaço para a oração, acolhendo-o naqueles que precisam. Cultivemos a sua espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e sem reclamar o tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja, ansioso por Ele, desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo: disse o Papa no Angelus deste domingo, início do Advento

Raimundo de Lima – Vatican News

Eis um belo programa para o Advento: encontrar Jesus que vem em cada irmão e irmã que precisa de nós e compartilhar com eles o que pudermos: escuta, tempo, ajuda concreta. Foi a exortação do Papa no Angelus deste domingo, 3 de dezembro, início do Advento, tempo de preparação para o Natal que se aproxima.

Como no domingo anterior, a oração mariana foi rezada da Casa de Santa Marta, para não expor o Santo Padre a mudanças bruscas de temperatura, uma vez que está a recuperar de uma inflamação pulmonar que o acometeu há mais de uma semana. O texto foi lido por monsenhor Paolo Braida, chefe de escritório na Secretaria de Estado.

Advento, tempo de espera vigilante

Na alocução que precedeu a oração mariana, Francisco destacou que o breve Evangelho que a liturgia nos propõe neste I Domingo do Advento Jesus dirige-nos três vezes uma exortação simples e direta. Vigiai. Portanto, o tema é a vigilância.

Como devemos entendê-la? – perguntou o Pontífice, acrescentando: às vezes, pensamos nessa virtude como uma atitude motivada pelo medo de um castigo iminente, como se um meteorito estivesse prestes a cair do céu e ameaçasse, se não o evitássemos a tempo, nos esmagar. Mas esse certamente não é o significado da vigilância cristã!

Jesus ilustra isto com uma parábola, falando de um senhor que está a voltar e dos seus servos que o estão a esperat. Na Bíblia, o servo é a "pessoa de confiança" do patrão, com quem muitas vezes há uma relação de cooperação e afeto. Pensemos, por exemplo, que Moisés é definido servo de Deus e que também Maria diz de si mesma: "Eis aqui a serva do Senhor".

Receber Jesus especialmente nos mais necessitados

Portanto, observou, a vigilância dos servos não é de medo, mas de anseio, esperando encontrar o seu senhor que vem. Eles mantêm-se prontos para o seu retorno porque lhe querem bem, porque têm em mente que, quando ele chegar, encontrará uma casa acolhedora e organizada.

É com esta expetativa cheia de afeto que também queremos preparar-nos para receber Jesus: no Natal, que celebraremos daqui a algumas semanas; no fim dos tempos, quando voltará em glória; todos os dias, quando Ele vier ao nosso encontro na Eucaristia, na sua Palavra, nos nossos irmãos e irmãs, especialmente nos mais necessitados.

De modo especial durante estas semanas, exortou Francisco, preparemos cuidadosamente a casa do coração, para que ela seja organizada e hospitaleira. A vigilância, de facto, significa manter o coração preparado. É a atitude do vigia que, durante a noite, não se deixa tentar pelo cansaço, não adormece, mas permanece acordado na expectativa da luz que se aproxima.

Cristo é a nossa luz

O Senhor é a nossa luz e é bom preparar o coração para recebê-lo com a oração e hospedá-lo com a caridade, os dois preparativos que, por assim dizer, o deixam confortável. A este respeito, diz-se que São Martinho de Tours, um homem de oração, depois de dar metade de seu manto a um pobre, sonhou com Jesus vestido exatamente com aquela parte do manto que ele tinha dado.

Queridos, é bom perguntarmos hoje a nós mesmos, como podemos preparar um coração acolhedor para o Senhor. Podemos fazê-lo aproximando-nos do seu Perdão, da sua Palavra, da sua Mesa, encontrando espaço para a oração, acolhendo-o naqueles que precisam.

Cultivemos a sua espera sem nos distrairmos com tantas coisas inúteis e sem reclamar o tempo todo, mas mantendo o nosso coração alerta, ou seja, ansioso por Ele, desperto e pronto, impaciente para encontrá-Lo. Que a Virgem Maria, mulher da espera, nos ajude a recebero seu Filho que vem, concluiu.

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quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Audiência Geral: o Evangelho está vivo hoje para nós

 

Francisco não deixou de estar presente na Audiência Geral desta quarta-feira (29/11). A entrada do Papa na Sala Paulo VI foi aclamada pelos fiéis e peregrinos. No início da catequese o Pontífice saudou os fiéis e passou a palavra ao monsenhor Ciampanelli, que leu o texto preparado para a ocasião.

Realizada na Sala Paulo VI, devido às quedas da temperatura que antecedem o inverno no hemisfério norte, a Audiência Geral desta quarta-feira, 29 de novembro, contou com a presença de inúmeros fiéis e peregrinos que acolheram o Santo Padre com muito afeto durante o seu ingresso para a Audiência Geral.  

O Papa Francisco, que ainda recupera de uma infeção pulmonar, ao saudar os fiéis, afirmou: "ainda não estou bem com esta gripe e a voz não está boa”, e passou a palavra a monsenhor Filippo Ciampanelli, colaborador da Secretaria de Estado, que leu o discurso preparado para o ciclo de catequeses sobre a Paixão pela evangelização: o zelo apostólico do crente.

A proclamação é para hoje

“Quase sempre ouvimos coisas más sobre o hoje” - destaca o texto lido por mons. Ciampanelli -   “entre guerras, alterações climáticas, injustiças planetárias e migrações, crise da família e da esperança, não faltam motivos de preocupação. De uma forma geral, o hoje parece habitado por uma cultura que coloca o indivíduo acima de tudo e a tecnologia no centro de tudo, com a sua capacidade de resolver muitos problemas e o seu progresso gigantesco em muitos campos”.

O texto do Papa sublinha que a cultura do progresso técnico-individual leva à afirmação de uma liberdade que não quer impor limites e parece indiferente para com aqueles que ficam para trás. E ao ilustrar a catequese com a história da cidade de Babel, Francisco destaca:

“Ainda hoje a coesão, mais do que a fraternidade e a paz, baseia-se muitas vezes na ambição, nos nacionalismos, na homologação, em estruturas técnico-económicas que inculcam a crença de que Deus é insignificante e inútil: não tanto porque procuramos mais conhecimento, mas sobretudo porque procuramos mais poder. É uma tentação que permeia os grandes desafios da cultura atual.”

 

Não ter medo do diálogo

“Na Evangelii gaudium”, ressalta o texto do Papa, “apelei a uma evangelização que ilumine os novos modos de te relacionares com Deus, com os outros e com o ambiente, e que suscite os valores fundamentais”.

“O zelo apostólico nunca é uma simples repetição de um estilo adquirido, mas um testemunho de que o Evangelho está vivo aqui para nós hoje.”

“Conscientes disto, olhemos, portanto, para a nossa época e para a nossa cultura como uma dádiva. Elas são nossas e evangelizá-las não significa julgá-las de longe, nem ficar numa varanda gritando o nome de Jesus, mas sair às ruas, ir aos lugares onde moramos, frequentar os espaços onde sofremos, trabalhamos, estudamos e refletimos, habitar as encruzilhadas onde os seres humanos partilham o que faz sentido para as suas vidas. Significa ser, como Igreja, «um fermento de diálogo, de encontro, de unidade. Afinal, as nossas próprias formulações de fé são o resultado de um diálogo e de um encontro entre diferentes culturas, comunidades e instâncias. Não devemos ter medo do diálogo: na verdade, são precisamente a comparação e a crítica que nos ajudam a evitar que a teologia se transforme em ideologia»”

“Precisamos de permanecer nas encruzilhadas do hoje. Abandoná-las significaria empobrecer o Evangelho e reduzir a Igreja a uma seita. Frequentá-las, porém, ajuda a nós, cristãos, a compreender de forma renovada as razões da nossa esperança, para extrair e partilhar «coisas novas e velhas» do tesouro da fé.”

 Uma pastoral que incorpore melhor o Evangelho

Na conclusão do texto Francisco ressalta: “em vez de querer reconverter o mundo de hoje, precisamos de converter a pastoral para que ela incorpore melhor o Evangelho”.

“Façamos nosso o desejo de Jesus: ajudar os nossos companheiros de viagem a não perder o desejo de Deus, para que lhes abra o coração e encontrem o único que, hoje e sempre, dá paz e alegria ao homem.”

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