quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Papa: é preciso pregar o evangelho com coragem e liberdade

 
 
Durante a sua catequese, na Praça de São Pedro, o Papa destacou o legado dos Santos Cirilo e Metódio, apóstolos dos eslavos. Francisco enfatizou a abordagem que os irmãos tinham no seu modo de evangelizar, que priorizava a língua materna e a liberdade espiritual: “uma pessoa é livre quanto mais corajosa ela for e não se deixar acorrentar por tantas situações que tiram a sua liberdade”. 
 

Thulio Fonseca - Vatican News

O Papa Francisco, na manhã nublada desta quarta-feira, 25 de outubro, deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o zelo apostólico. O Pontífice abordou na sua reflexão o testemunho de dois irmãos muito famosos no Oriente cristão, ao ponto de serem chamados de "apóstolos dos eslavos": os Santos Cirilo e Metódio.

Nascidos na Grécia no século IX, numa família aristocrática, renunciaram à carreira política para se dedicarem à vida monástica. Os irmãos foram enviados como missionários à Grande Morávia, que na época incluía vários povos, em parte já evangelizados, mas entre os quais ainda sobreviviam muitos costumes e tradições pagãs. O príncipe da época solicitou um mestre que explicasse a fé cristã na língua deles.

A importância de evangelizar na língua materna

"O primeiro empenho de Cirilo e Metódio foi estudar profundamente a cultura daqueles povos", afirmou Francisco, "e para anunciar o Evangelho e rezar com aquele povo, foi preciso um instrumento próprio, adequado e específico, resultando na criação do alfabeto glagolítico. Nesta língua, Cirilo traduziu a Bíblia e textos litúrgicos. A partir daquele ato, as pessoas sentiram que aquela fé cristã já não era mais 'estrangeira', mas tornou-se a sua fé, falada na língua materna. Pensem: dois monges gregos que dão um alfabeto aos Eslavos. Foi essa abertura de coração que enraizou o Evangelho entre eles".

"Naquela época, alguns latinos de mente fechada", destacou o Papa, "diziam que Deus só poderia ser louvado nas três línguas escritas na cruz: hebraico, grego e latim. Mas Cirilo respondeu com força: Deus quer que cada povo o louve na própria língua. Juntamente com o seu irmão Metódio, recorreram ao Papa, que aprovou os seus textos litúrgicos em língua eslava, colocou-os sobre o altar da igreja de Santa Maria Maior e cantou com eles os louvores do Senhor segundo aqueles livros".

Unidade, inculturação e liberdade

Francisco recordou que São João Paulo II, ao contemplar o testemunho daqueles dois evangelizadores, escolheu-os como co-patronos da Europa e escreveu a Encíclica "Slavorum Apostoli", na qual destacou três aspecos importantes.

"O primeiro ponto", ressaltou o Papa, "é o da unidade: naquela época, gregos, o Papa e eslavos viviam uma cristandade indivisa na Europa, que colaborava para evangelizar. Um segundo aspeto importante é o da inculturação", continuou Francisco. "A evangelização da cultura e a inculturação mostram que estes pontos estão intimamente ligados. Não se pode pregar um Evangelho de modo abstrato, destilado: o Evangelho deve ser inculturado e também é uma expressão da cultura".

O último aspeto, sublinhou, é o da liberdade: "na pregação, precisamos de liberdade, mas a liberdade requer sempre coragem. Uma pessoa é livre quanto mais corajosa for, sem se deixar acorrentar por tantas coisas que lhe tiram a liberdade".

"Irmãos e irmãs, peçamos aos Santos Cirilo e Metódio, apóstolos dos eslavos, para que sejamos instrumentos da liberdade na caridade na vida do nosso próximo. Sejamos criativos, persistentes e humildes, através da oração e do serviço", concluiu o Papa.

Vatican News

domingo, 22 de outubro de 2023

Parem! A guerra é uma derrota, a destruição da fraternidade humana

Crianças olham para danos num café em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, em 22 de outubro de 2023, durante as batalhas em curso entre Israel e o grupo palestino Hamas. (Foto de Mahmud HAMS/AFP)

Após rezar o Angelus, com o pensamento voltado para Israel, Palestina e Ucrânia, Francisco fez mais um apelo pelo fim de todos os conflitos, em particular pela libertação dos reféns em Gaza. O Papa reitera o convite para um dia de jejum e oração em 27 de outubro. 
 

Vatican News

É o décimo sexto dia de guerra: mais de 4.000 mortos entre os palestinos, 1.400 entre os israelitas, 212 são os reféns.

“É preocupante a possível ampliação do conflito enquanto tantas frentes de guerra já estão abertas no mundo. Silenciem as armas, ouçam o grito de paz dos pobres, das pessoas, das crianças", tinha dito o Papa na Audiência Geral da última quarta-feira. Mas a escalada de violência na Terra Santa que se seguiu nestes dias, continua a trazer preocupação e dor:

"Mais uma vez o meu pensamento dirige-se para o que está a acontecer em Israel e na Palestina", disse logo após rezar o Angelus com os milhares de fiéis presentes na Praça de São Pedro. "Estou muito preocupado, entristecido, rezo e estou próximo de todos aqueles que sofrem, os reféns, os feridos, as vítimas e a seus familiares."

Diante das notícias que  continuam a chegar do conflito no Médio Oriente, Francisco demonstrou particular preocupação pela "grave situação humanitária em Gaza", dizendo-se entristecido de "que também o hospital anglicano e a paróquia greco-ortodoxa tenham sido atingidos nos últimos dias". E renovou o eu apelo "para que sejam abertos espaços, que a ajuda humanitária continue a chegar e que os reféns sejam libertados":

A guerra, cada guerra que há no mundo – penso também na martirizada Ucrânia – é uma derrota. A guerra é sempre uma derrota, é uma destruição da fraternidade humana. Irmãos, parem! Parem!

O Pontífice reitera o seu convite feito na Audiência Geral da última quarta-feira para um dia de jejum e oração pela paz:

Recordo que para a próxima sexta-feira, 27 de outubro, convoquei um dia de jejum, oração e penitência, e que naquela tarde, às 18 horas, em São Pedro, teremos uma hora de oração para implorar a paz no mundo.

Dia Mundial das Missões e saudações aos diversos grupos presentes na Praça São Pedro

Na sequência, o Santo Padre recordou o Dia Mundial das Missões celebrado neste domingo, 22 de outubro, e cuja mensagem tinha sido publicada na Solenidade da Epifania do Senhor, em 6 de janeiro:

Hoje celebramos o Dia Mundial das Missões, que tem como tema “Um coração ardente, pés que caminham”. Duas imagens que dizem tudo!

Seguiram-se então as saudações aos diversos grupos reunidos na Praça de São Pedro para o tradicional encontro dominical com o Papa. Entre os quais:

Saúdo todos vós, romanos e peregrinos, em particular as Irmãs Siervas de los Pobres hijas del Sagrado Corazón de Jesús, de Granada; os membros do Centro Académico Romano Fundación; a Confraria do Señor de los Milagros, dos peruanos em Roma: e obrigado, obrigado pelo vosso testemunho! Continuem assim, com essa piedade tão bela...

Vatican News

Papa no Angelus: Somos do Senhor, não pertencemos a nenhum "César" de turno

 
 
"Não pertencemos a nenhuma realidade terrena, a nenhum 'César' deste mundo. Somos do Senhor e não devemos ser escravos de nenhum poder mundano", disse Francisco no Angelus dominical.
 

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

"Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus": este versículo do Evangelho deste 29o. Domingo do Tempo Comum inspirou a reflexão do Papa no Angelus dominical.

Diante de milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro, Francisco comentou o episódio extraído de São Mateus, que narra a cilada que alguns fariseus e herodianos armam contra Jesus. Vão até Ele e perguntam-lhe: "É lícito ou não pagar imposto a César?".

"É uma farsa", explica o Pontífice. Pois se Jesus legitimar o imposto, coloca-se da parte de um poder político pouco tolerado pelo povo, enquanto se disser para não pagá-lo, pode ser acusado de rebelião contra o império.  O Mestre, porém, foge desta trapaça. Pede que lhe mostrem uma moeda, que traz impressa a imagem de César, diz-lhes: "Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" (v. 21).

Estas palavras de Jesus tornaram-se de uso comum, prossegue o Papa, mas às vezes foram utilizadas de modo erróneo para falar das relações entre Igreja e Estado. Jesus não quer separar “César” e “Deus”, ou seja, a realidade terrena e daquela espiritual.

"Às vezes, também nós pensamos assim: uma coisa é a fé com as suas práticas e outra coisa é a vida de todos os dias. Não. Esta é uma 'esquizofrenia', como se a fé não tivesse nada a ver com a vida concreta, com os desafios da sociedade, com a justiça social, com a política e assim por diante."

O homem e o mundo pertencem a Deus!

Na realidade, Jesus dá a César e a Deus a sua devida importância. A César – isto é, à política, às instituições civis, aos processos sociais e económicos – pertence o cuidado com a ordem terrena e os cidadãos contribuem promovendo o direito, a justiça e pagando honestamente os impostos. Mas a Deus pertence o homem, todo o homem e todo o ser humano.

“Isto significa que nós não pertencemos a nenhuma realidade terrena, a nenhum 'César' de turno. Somos do Senhor e não devemos ser escravos de nenhum poder mundano. Sobre a moeda, portanto, há a imagem do imperador, mas Jesus recorda-nos que na nossa vida está impressa a imagem de Deus, que nada e ninguém pode obscurecer. A César pertencem as coisas do mundo, mas o homem e o próprio mundo pertencem a Deus: não o esqueçamos!”

Francisco então dirige algumas perguntas aos fiéis: "Sobre a moeda deste mundo está a imagem de César, mas tu, que imagem levas dentro de ti? De quem é a imagem na tua vida? Nós lembramo-nos de pertencer ao Senhor ou deixamo-nos plasmar pelas lógicas do mundo e fazemos do trabalho, da política e do dinheiro os nossos ídolos a adorar?"

E concluiu fazendo votos de que a Virgem Santa nos ajude a reconhecer e honrar a nossa dignidade e a de cada ser humano.

Vatican News

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

O Papa: evangelizar é ter Jesus no centro do coração, é “perder a cabeça” por Ele

 
O Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta-feira  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)
 
Na catequese da Audiência Geral, Francisco propôs como exemplo de zelo apostólico São Charles de Foucauld, "uma figura que é profecia para o nosso tempo, que testemunhou a beleza de comunicar o Evangelho por meio do apostolado da mansidão".
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre o zelo apostólico na Audiência Geral desta quarta-feira (18/10). Aos fiéis presentes na Praça de São Pedro, o Pontífice propôs São Charles de Foucauld, "homem que fez de Jesus e dos seus irmãos mais pobres a paixão da sua vida".

Depois de ter vivido uma juventude longe de Deus, sem acreditar em nada a não ser na busca desordenada do prazer, Charles de Foucauld revela a razão do seu viver. Ele escreve: «Perdi o meu coração por Jesus de Nazaré». Segundo o Papa, "o irmão Carlos recorda-nos que o primeiro passo para evangelizar é ter Jesus no centro do coração, é “perder a cabeça” por Ele. Se isto não acontece, dificilmente conseguiremos mostrá-lo com a vida".

Em vez disto, corremos o risco de falar de nós mesmos, do nosso grupo, de uma moral ou, pior ainda, de um conjunto de regras, mas não de Jesus, do seu amor, da sua misericórdia. Vejo isto em alguns movimentos novos que estão a seguir. Falam da sua visão da humanidade, falam da sua espiritualidade, da própria espiritualidade. Eles sentem-se numa estrada nova. Mas, por que não falam de Jesus? Falam de muitas coisas, de organização, de caminho espiritual, mas não sabem falar de Jesus. Perguntemo-nos então: tenho Jesus no centro do meu coração, perdi um pouco a cabeça por Ele?

Aconselhado pelo seu confessor, Charles de Foucauld "vai à Terra Santa para visitar os lugares onde o Senhor viveu e caminhar por onde o Mestre caminhou. Em particular, é em Nazaré que compreende que devia formar-se na escola de Cristo. Vive uma relação intensa com Ele, passa longas horas a ler os Evangelhos e sente-se seu pequeno irmão. Conhecendo Jesus, nasce nele o desejo de torná-lo conhecido". "Acontece sempre assim, quando cada um de nós conhece mais Jesus, nasce o desejo de torná-lo conhecido, de partilhar este tesouro", ressaltou o Papa, "com a vida, porque «toda a nossa existência – escreve o Irmão Carlos – deve gritar o Evangelho». Muitas vezes na nossa existência gritamos mundanidade, gritamos coisas estúpidas, coisas estranhas. Mas, ele diz: não, toda a nossa existência deve gritar o Evangelho".

"Ele decide então estabelecer-se em regiões distantes para gritar o Evangelho no silêncio, vivendo no espírito de Nazaré, na pobreza e no escondimento. Vai ao deserto do Saara, entre os não-cristãos, e chega a eles como amigo e irmão, levando a mansidão de Jesus-Eucaristia. Fica em oração aos pés de Jesus, diante do tabernáculo, cerca de dez horas por dia, certo de que a força evangelizadora está ali e sentindo que é Jesus a aproximá-lo de tantos irmãos e irmãs distantes. Estou convencido de que nós perdemos o sentido da adoração. Devemos recuperá-lo. Começando por nós consagrados, pelos bispos, sacerdotes, religiosas, todos os consagrados. Perder tempo diante do tabernáculo. Recuperar o sentido da adoração", disse o Papa.

«Todo o cristão é apóstolo» escreve Charles de Foucauld a um amigo leigo, a quem recorda que «perto dos padres são necessários leigos que vejam o que o padre não vê, que evangelizem com uma proximidade de caridade, com uma bondade para todos, com um afeto sempre pronto a doarem-se. "Leigos santos e não carreiristas, mas aqueles leigos, aquele leigo, leiga apaixonados pelo Senhor, que fazem entender ao padre que ele não é um funcionário, mas um mediador, um sacerdote. Quanto nós sacerdotes precisamos ter perto de nós leigos esses leigos que acreditam realmente e com o seu testemunho ensinam-nos o caminho", sublinhou.

Desta forma, Charles de Foucauld "antecipa os tempos do Concílio Vaticano II, intui a importância dos leigos e compreende que o anúncio do Evangelho diz respeito a todo o povo de Deus".

São Charles de Foucauld, é uma figura que é profecia para o nosso tempo, que testemunhou a beleza de comunicar o Evangelho por meio do apostolado da mansidão: ele, que se sentia um “irmão universal” e acolhia a todos, mostra-nos a força evangelizadora da mansidão, da ternura. Não nos esqueçamos que o estilo de Deus são três palavras: proximidade, compaixão e ternura. Deus está sempre próximo, tem sempre compaixão e é sempre terno, e o testemunho cristão deve seguir esta estrada de proximidade, compaixão e ternura. E ele era assim manso e terno.

"Desejava que quem o encontrasse visse, por meio da sua bondade, a bondade de Jesus. A bondade é simples e pede que sejamos pessoas simples, que não tenham medo de dar um sorriso. Com o sorriso, com a sua simplicidade irmão Carlos dava testemunho do Evangelho, nunca proselitismo, nunca, mas testemunho. A evangelização não se faz por proselitismo, mas pelo testemunho, pela atração. Pecamos enfim, se levamos em nós e aos outros a alegria cristã, a mansidão cristã, a ternura cristã, a compaixão cristá, a proximidade cristã", concluiu o Papa.

Vatican News

domingo, 15 de outubro de 2023

O Papa: basta de guerras! Elas são sempre uma derrota

 
  Bombardeio israelita sobre Gaza (ANSA)  
 
No Angelus, o veemente apelo de Francisco para o Médio Oriente: os mortos já são muitos. Não vemos nada além de sangue inocente na Terra Santa, assim como na Ucrânia. O Papa convida as pessoas a participarem num dia de oração e jejum pela paz na terça-feira, 17 de outubro
 

Vatican News

"As guerras são sempre uma derrota. Sempre!". No final do Angelus deste domingo (15), Francisco expressou tristeza pelo "que está a acontecer em Israel e na Palestina" e convidou todos os fiéis a unirem-se à Igreja na Terra Santa e dedicarem-se na próxima terça-feira, 17 de outubro, à oração e ao jejum". "A oração - explicou - é uma força mansa e santa para se opor à força diabólica do ódio, do terrorismo e da guerra".

O Papa renovou "o apelo pela libertação dos reféns", depois pediu "veementemente" que "as crianças, os doentes, os idosos, as mulheres e todos os civis não sejam vítimas do conflito", que o direito humanitário seja respeitado: "sobretudo em Gaza, onde é urgente e necessário garantir corredores humanitários e ajudar toda a população".

Irmãos e irmãs, muitos já morreram. Por favor, não deixem que mais sangue inocente seja derramado, nem na Terra Santa, nem na Ucrânia, nem em nenhum outro lugar! Basta!

Hospital anglicano em Gaza é atingido

O número de mortos em Gaza subiu para 2.329, e o número de feridos chega a 9.714. Na manhã deste domingo, chegaram notícias de que o hospital anglicano Arab Ahli, em Gaza, foi atingido por ataques israelitas.  Nas médias sociais, o arcebispo anglicano de Jerusalém, Hosam Naoum, pede que as pessoas orem pela paz e explica que "dois andares do hospital foram danificados e quatro pessoas ficaram feridas. A sala de ultrassom e mamografia foi danificada".

Israel abre novo corredor humanitário

Enquanto isto, Israel abriu um novo corredor humanitário para os civis de Gaza por três horas, entre as 10h e as 13h deste domingo, garantindo que "não atingirá a rota indicada pelo nosso mapa para chegar a essa área". Também alertou que só lançará "operações militares significativas" quando os civis deixarem Gaza, desmentindo a acusação do Hamas de que um comboio de civis palestinos que fugiam do norte da Faixa de Gaza tinha sido atingido num ataque. De acordo com o New York Times, que cita fontes militares israelitas, a invasão terrestre da Faixa de Gaza "inicialmente programada para o fim de semana" foi "adiada por vários dias, pelo menos em parte devido às condições climáticas que tornaram mais difícil para os pilotos israelitas e operadores de drones fornecerem cobertura aérea às tropas terrestres". 

Alta tensão na fronteira com o Líbano

Enquanto isto, em resposta ao lançamento de mísseis antitanque pelo Hezbollah a partir do Líbano, um dos quais resultou na morte de um civil israelota e deixou vários feridos, Israel isolou "uma área de até quatro quilómetros da fronteira norte" com o País dos cedros e começou a atacar posições militares da organização islâmica xiita em território libanês.

Vatican News

O Papa: ao ajudar os pobres, estamos com o Senhor, que está presente neles

 
 
É bom estar com o Senhor, abrir espaço para Ele. Onde? Na Missa, na escuta da Palavra, na oração e também na caridade, porque ao ajudar os fracos ou pobres, ao fazer companhia aos solitários, ao ouvir os que pedem atenção, ao consolar os que sofrem, estamos com o Senhor, que está presente nos necessitados: disse o Papa no Angelus deste XXVIII Domingo do Tempo Comum
 

Raimundo de Lima – Vatican News

Como respondo aos convites de Deus? Que espaço dou a Ele nos meus dias? A qualidade da minha vida depende dos meus negócios e do meu tempo livre ou do meu amor pelo Senhor e pelos meus irmãos e irmãs, sobretudo pelos mais necessitados?

Foram as perguntas do Papa na alocução que precedeu o Angelus deste XXVIII Domingo do Tempo comum, ao comentar o Evangelho do dia, que nos fala de um rei que prepara um banquete de casamento para o seu filho. Na sua reflexão, Francisco convidou-nos a dedicar tempo a Deus, que nos alivia e cura o nosso coração.

O Santo Padre ressalta ser o rei da parábola, um homem poderoso, mas acima de tudo é um pai generoso, que convida a participar na sua alegria. Em particular, ele revela a bondade do seu coração no facto de que não força ninguém, mas convida todos, mesmo que este modo de agir o exponha à possibilidade da rejeição.

Observemos, continua o Pontífice: ele prepara um banquete, oferecendo gratuitamente uma oportunidade de encontro, de festa. É isto que Deus prepara para nós: um banquete, para estarmos em comunhão com Ele e entre nós. E nós, todos nós, somos, portanto, os convidados de Deus. Mas um banquete de casamento requer tempo e envolvimento da nossa parte: requer um "sim".

Este é o tipo de relacionamento que o Pai nos oferece: chama-nos para estar com Ele, deixando-nos a possibilidade de aceitar o convite ou não. Ele não nos oferece uma relação de sujeição, mas de paternidade e de filiação, que é necessariamente condicionada pelo nosso livre consentimento.

Francisco evidencia que sendo amor, o Senhor respeita ao máximo a nossa liberdade: Deus propõe-se, nunca se impõe. Como sabemos, desta parábola muito conhecida, os convidados rejeitam o convite. Eles não se importaram, pois pensaram nas suas próprias coisas. E aquele rei que é pai, Deus, o que faz? Não desiste, continua a convidar, na verdade, estende o convite, até encontrar aqueles que o aceitam, entre os pobres. Entre eles, que sabem que não têm muito mais, muitos vêm, até encherem a sala.

Irmãos e irmãs, quantas vezes não atendemos ao convite de Deus porque estamos ocupados pensando nas nossas próprias coisas! Muitas vezes lutamos para ter o nosso próprio tempo livre, mas hoje Jesus convida-nos a encontrar o tempo que nos liberta: o tempo para dedicar a Deus, que nos alivia e cura o nosso coração, que aumenta a paz, a confiança e a alegria em nós, que nos salva do mal, da solidão e da perda de sentido.

O Papa concluíu a sua reflexão lembrando que é bom estar com o Senhor e exortando-nos a abrir espaço para Ele nas nossas vidas, porque vale a pena, disse, indicando-nos onde dar espaço para Deus.

É bom estar com o Senhor, abrir espaço para Ele. Onde? Na Missa, na escuta da Palavra, na oração e também na caridade, porque ao ajudar os fracos ou pobres, ao fazer companhia aos solitários, ao ouvir os que pedem atenção, ao consolar os que sofrem, estamos com o Senhor, que está presente nos necessitados. Muitos, porém, acham que essas coisas são “perda de tempo” e, por isso, fecham-se no seu mundo particular; e isyo é triste.

Por fim, o Santo Padre pediu que Nossa Senhora, que com um "sim" abriu espaço para Deus, nos ajud a não sermos surdos aos seus convites.

Vatican News

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

Francisco: o perdão é a carícia de Deus a todos nós

 
 
Na Audiência Geral desta quarta-feira, Francisco citou Santa Josefina Bakhita como exemplo de zelo apostólico. "Esta é a carícia que ela nos ensina: humanizar. Humanizar a nós mesmos e humanizar os outros", disse o Papa. "A vida de Santa Bakhita tornou-se uma parábola existencial de perdão", sublinhou.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

No caminho de catequeses sobre o zelo apostólico, o Papa Francisco convidou, nesta quarta-feira (11/10), na Audiência Geral, a deixarmo-nos "inspirar pelo testemunho de Santa Josefina Bakhita, uma santa sudanesa".

Infelizmente, há meses o Sudão é dilacerado por um terrível conflito armado sobre o qual pouco se fala hoje. Rezemos pelo povo sudanês, para que possa viver em paz! Mas a fama de Santa Bakhita ultrapassou todas as fronteiras e chegou a todos aqueles a quem foi negada identidade e dignidade.

Santa Josefina Bakhita nasceu em Olgossa, em Darfur, "martirizado Darfur", sublinhou o Papa, em 1869. Foi sequestrada aos sete anos e escravizada. "Os seus raptores chamavam-na de “Bakhita”, que significa “afortunada”. Ela passou por oito donos. Os sofrimentos físicos e morais de que foi vítima desde pequena deixaram-na sem identidade. Sofreu crueldades e violências: no seu corpo, tinha mais de cem cicatrizes. Mas ela mesma testemunhou", disse ainda o Papa, citando as seguintes palavras de Santa Bakhita: “Como escrava nunca desesperei, porque sentia uma força misteriosa que me amparava”.

A vocação dos oprimidos é a de libertar 

Segundo Francisco, "muitas vezes a pessoa ferida acaba ferindo; o oprimido facilmente se torna um opressor. Em vez disto, a vocação dos oprimidos é aquela de de se libertarem si mesmos e aos seus opressores, tornando-se restauradores de humanidade. Somente na fraqueza dos oprimidos pode-se revelar a força do amor de Deus que liberta a ambos. Santa Bakhita expressa muito bem esta verdade".

Um dia ela recebeu do seu tutor um pequeno crucifixo e guardou-o como um tesouro. Olhando para o crucifixo, Santa Bakhita "experimenta uma profunda libertação interior porque se sente compreendida e amada e, portanto, capaz de compreender e amar por sua vez". Ela disse: “O amor de Deu acompanhou-me sempre de forma misteriosa... O Senhor me quis tão bem: é preciso querer bem a todos... É preciso ter compaixão!”.

Santa Bakhita ensina-mos a humanizar

Na verdade, compadecer significa querer padecer com as vítimas de tanta desumanidade presente no mundo, como também ter compaixão de quem comete erros e injustiças, não justificando, mas humanizando.

“Esta é a carícia que ela nos ensina: humanizar. Quando entramos na lógica da luta, da divisão entre nós, de sentimentos rmaus, uns contra outros, perdemos humanidade. Muitas vezes pensamos que precisamos de humanidade, de ser mais humanos. Isto é o que nos ensina Santa Bakhita: humanizar, humanizar a nós mesmos e humanizar os outros.”

Santa Bakhita, tornando-se cristã, foi transformada pelas palavras de Cristo que meditava diariamente: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”. Por isso dizia: “Se Judas tivesse pedido perdão a Jesus, também ele teria encontrado misericórdia”. Segundo o Papa, "a vida de Santa Bakhita tornou-se uma parábola existencial de perdão". "Que bonito dizer de uma pessoa que ela, ele foi capaz de perdoar sempre, sempre. E ela foi capaz de fazer isso sempre. Perdoar, porque depois, seremos perdoados. Não se esqueçam disto O perdão é a carícia de Deus a todos nós", sublinhou.

O perdão liberta

"O perdão tornou-a livre. O perdão recebido primeiro pelo amor misericordioso de Deus e depois o perdão dado fizeram dela uma mulher livre, alegre, capaz de amar. Assim, Bakhita pôde viver o serviço não como uma escravidão, mas como expressão do dom livre de si. Isto é muito importante: feita serva pela força, escolheu então livremente tornar-se serva, carregar nos ombros o fardo dos outros", disse ainda Francisco.

Santa Josefina Bakhita, com o seu exemplo,indica-noa o caminho para finalmente nos libertarmos das nossas escravidões e medos. Ajuda-nos a desmascarar as nossas hipocrisias e os nossos egoísmos, a superar ressentimentos e conflitos, e a encoraja-nos sempre.

"Queridos irmãos e irmãs, o perdão não tira nada, mas acrescenta dignidade à pessoa, faz tirar o olhar de nós mesmos em direção aos outros, para vê-los tão frágeis como nós, mas sempre irmãos e irmãs no Senhor. O perdão é fonte de um zelo que se torna misericórdia e chama a uma santidade humilde e alegre, como a de Santa Bakhita", concluiu o Papa.

Vatican News