quarta-feira, 9 de junho de 2021

Bispos de Portugal e Espanha apontam desafios para comunicação da JMJ 2023, no pós-pandemia

 

 

Comissões Episcopais das Comunicações Sociais reuniram-se em Lisboa

As Comissões Episcopais das Comunicações Sociais de Portugal e Espanha destacaram, hoje, em Lisboa, o impacto da pandemia na organização da próxima Jornada Mundial da Juventude (JMJ) que vai decorrer na capital portuguesa, em 2023. “A pandemia tem e continuará a ter grande impacto na organização de qualquer evento”, sublinham os participantes, no comunicado final do Encontro Ibérico anual, que decorreu desde segunda-feira.
A JMJ 2023 esteve no centro da reflexão dos bispos presentes, que abordaram “os desafios que um encontro do Papa com os jovens de todo o mundo provoca na Igreja e na sociedade, onde a comunicação tem um papel fundamental”. “A dimensão global da JMJ ultrapassa as fronteiras de uma diocese de acolhimento, implica todo o país e a Igreja no mundo”, acrescenta a nota.

Os bispos de Portugal e Espanha destacam que, nestes eventos, a comunicação tem um papel “fundamental”, dado que “permite difundir as mensagens propostas pelo Papa, fomentar o encontro entre os jovens de todo o mundo e facilitar o trabalho interno das diversas equipas que participam na organização”. “A recente experiência da vida em Igreja faz pensar que a dimensão digital terá um papel central na realização da próxima Jornada, criando novas possibilidades de peregrinação e participação”, acrescentam, numa referência às repostas criadas durante os confinamentos.

Os bispos das duas comissões destacaram que as ferramentas digitais são “o ambiente de comunicação dos jovens hoje e estão em contante evolução”. O encontrou apontou à necessidade de uma “autêntica participação de todos” e de motivação dos profissionais e voluntários, para promover “trabalho em equipa e espírito de verdadeira união”.

“A JMJ tem uma capacidade extraordinária de unir sensibilidades distintas e as mais diversas instituições e organizações de um país num grande projeto capaz de gerar esperança e transformar as pessoas e o lugar que habitam”.

O comunicado considera que encontro do Papa com jovens de todo o mundo é “uma oportunidade única para descobrir, hoje, Cristo Vivo, o acolhimento da Igreja e o valor do encontro pessoal com outros jovens”. “A Igreja tem por missão levar o Evangelho a todas as pessoas e a realização da JMJ motiva os jovens a serem os protagonistas do anúncio da Boa Notícia a outros jovens”, sublinharam.

O encontro iniciou com a reflexão proposta pelo presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, D. Américo Aguiar, e a intervenção de Marieta de Jaureguizar, diretora de imprensa na JMJ Madrid 2011. No decorrer dos trabalhos esteve muito presente a convocatória do Papa Francisco para um rosto sinodal da Igreja, em sintonia com o próximo Sínodo dos Bispos, “que desafia também todos os que trabalham na comunicação social”. Os responsáveis ibéricos assumem a intenção de manter o trabalho em proximidade, no futuro, tendo como horizonte a celebração da Jornada Mundial da Juventude em Lisboa.
 

 

Ecclesia

Francisco na Audiência Geral: a oração é o respiro da vida

 

 Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta feira 
 

”Tudo no ser humano é “binário”: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos. Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração, que é o “respiro” de tudo, continua a ssr o pano de fundo vital do trabalho, até nos momentos em que não é explícita”, disse o Papa na sua catequese. 
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

«Rezem sem cessar.dêem graças em todas as circunstâncias». Estes versículos da Primeira Carta de São Paulo aos Tessalonicenses nortearam a penúltima catequese do Papa Francisco sobre o tema da oração na Audiência Geral desta quarta-feira (09/06), realizada no Pátio S. Dâmaso.

Citando o itinerário espiritual do Peregrino russo, que começa quando se depara com esta frase do Apóstolo dos Gentios, Francisco sublinhou que as palavras de Paulo "comovem aquele homem que se questiona como é possível rezar sem interrupção, dado que a nossa vida é fragmentada em tantos momentos diferentes, que nem sempre tornam possível a concentração". Assim, ele "começa a sua busca, que o levará a descobrir aquilo que se chama a oração do coração".

 A oração como pauta musical

Consiste em repetir com fé: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem piedade de mim, pecador!” É uma oração que, pouco a pouco, se adapta ao ritmo da respiração e se estende ao longo do dia. Com efeito, a respiração nunca para, nem sequer quando dormimos. A oração é o respiro da vida.

A propósito desta necessidade de oração contínua, ponto fulcral da existência cristã, o monge Evágrio do Ponto afirma: «Não nos foi mandado que trabalhemos, velemos e jejuemos constantemente, mas temos a lei de orar sem cessar». São João Crisóstomo, pastor atento à vida concreta, pregava: «É possível, mesmo no mercado ou durante um passeio solitário, fazer oração frequente e fervorosa; sentados na vossa loja, a tratar de compras e vendas, até mesmo a cozinhar»). "A oração é uma espécie de pauta musical, onde colocamos a melodia da nossa vida. Não está em contraste com o trabalho diário, não contradiz as muitas pequenas obrigações e compromissos, mas é o lugar onde cada ação encontra o seu sentido, o seu porquê e a sua paz".

Trabalho e equilíbrio interior

Certamente, pôr em prática estes princípios não é fácil. Um pai e uma mãe, ocupados em mil afazeres, podem sentir nostalgia por um período da sua vida, quando era fácil encontrar tempos regulares e espaço para a oração. Depois, os filhos, o trabalho, as ocupações da vida familiar, os pais que envelhecem. Tem-se a impressão de nunca conseguir concluir tudo. Por isso é bom pensar que Deus, nosso Pai, o qual tem de cuidar de todo o universo, se lembra sempre de cada um de nós. Por conseguinte, também nós devemos recordá-Lo sempre!

A seguir, o Papa recordou "que no monaquismo cristão o trabalho foi sempre realizado com grande honra, não só por dever moral de prover a nós mesmos e aos outros, mas também por uma espécie de equilíbrio interior: é perigoso para o homem cultivar um interesse tão abstrato ao ponto de perder o contacto com a realidade".

“O trabalho ajuda a mantemo-nos em contato com a realidade. As mãos juntas do monge carregam os calos daqueles que empunham pás e enxadas.”

".Quando, no Evangelho de Lucas, Jesus diz a Santa Marta que a única coisa realmente necessária é ouvir Deus, não significa de modo algum que despreza os muitos serviços que ela estava a realizar com tanto empenho", disse Francisco

Trabalho e a oração são complementares

Tudo no ser humano é “binário”: o nosso corpo é simétrico, temos dois braços, dois olhos, duas mãos. Assim, também o trabalho e a oração são complementares. A oração, que é o “respiro” de tudo, continua a ser o pano de fundo vital do trabalho, até nos momentos em que não é explícita. É desumano estar tão absorvidos pelo trabalho ao ponto de não encontrarmos tempo para a oração.

"Ao mesmo tempo, uma oração que está alienada da vida não é saudável. A oração que nos afasta da realidade do viver torna-se espiritualismo, ou pior, ritualismo", sublinhou o Papa, recordando "que Jesus, depois de ter mostrado a sua glória aos discípulos no monte Tabor, não quis prolongar aquele momento de êxtase, mas desceu com eles do monte e retomou o caminho diário". Segundo Francisco, "aquela experiência devia permanecer nos corações como luz e força da sua fé. Também uma luz e força para os dias próximos, os dias da Paixão". "Assim, os tempos dedicados a estar com Deus reavivam a fé, que nos ajuda na realidade da vida, e a fé, por sua vez, alimenta a oração, sem interrupção. Nesta circularidade entre fé, vida e oração, o fogo do amor cristão que Deus espera de cada um de nós mantém-se aceso", concluiu o Papa.

Vatican News

domingo, 6 de junho de 2021

O Papa: a Eucaristia não é o prêmio dos santos, mas o pão dos pecadores

 

 O Papa Francisco no Angelus deste domingo 

 
"É assim, com simplicidade, que Jesus nos doa o maior dos sacramentos. É um gesto humilde de dom, um gesto de partilha. No auge de sua vida, ele não distribui pão em abundância para alimentar as multidões, mas parte-se na ceia pascal com os discípulos", disse Francisco no Angelus dominical. 
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco conduziu a oração mariana do Angelus, neste domingo (06/06), Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, em Itália e noutros países. No Vaticano o Corpus Christi foi celebrado na quinta-feira, 3 de junho.

O Evangelho deste domingo, apresenta-nos o relato da Última Ceia. As palavras e os gestos do Senhor tocam nos nossos corações: Ele toma o pão nas suas mãos, pronuncia a bênção, parte-o e entrega-o aos discípulos, dizendo: "Tomai, este é o meu corpo".

É assim, com simplicidade, que Jesus nos doa o maior dos sacramentos. É um gesto humilde de dom, um gesto de partilha. No auge da sua vida, ele não distribui pão em abundância para alimentar as multidões, mas parte-se na ceia pascal com os discípulos. Desta forma, Jesus mostra-nos que o objetivo da vida é doarmo-nos, que a maior coisa é servir. E hoje encontramos a grandeza de Deus num pedaço de Pão, numa fragilidade que transborda amor, transborda partilha. Fragilidade é exatamente a palavra que eu gostaria de sublinhar. Jesus torna-se frágil como o pão que se parte e se esmigalha. Mas é ali que está a sua força, na fragilidade. Na Eucaristia a fragilidade é força: força do amor que se faz pequeno para ser acolhido e não temido; força do amor que se parte e se divide para nutrir e dar vida; força do amor que se fragmenta para nos reunir na unidade.

Segundo o Papa, "há outra força que se destaca na fragilidade da Eucaristia: a força de amar quem erra. É na noite em que ele é traído que Jesus nos dá o Pão da Vida".

Ele doa-nos o maior presente enquanto sente no seu coração o abismo mais profundo: o discípulo que come com ele, que imerge o bocado no mesmo prato, o está a trair. E a traição é a maior dor para quem ama. E o que faz Jesus? Reage ao mal com um bem maior. Responde ao "não" de Judas com o "sim" da misericórdia. Não castiga o pecador, mas doa A sua vida por ele, paga por ele. Quando recebemos a Eucaristia, Jesus faz o mesmo connosco: conhece-nos, sabe que somos pecadores e sabe que erramos muito, mas não renuncia a unir a sua vida à nossa. Ele sabe que precisamos, porque a Eucaristia não é o prémio dos santos, mas o Pão dos pecadores. Por isso, exorta-nos: Não tenham medo. "Tomai e comei".

Francisco disse que "cada vez que recebemos o Pão da vida, Jesus vem para dar um novo sentido às nossas fragilidades. Ele lembra-nos que, aos seus olhos, somos mais preciosos do que pensamos. Ele diz que fica feliz se partilharmos as nossas fragilidades com Ele. Ele repete que a sua misericórdia não tem medo das nossas misérias. A misericórdia de Jesus não tem medo das nossas misérias". E acrescentou:

E, acima de tudo, cura-nos com amor, daquelas fragilidades que não podemos curar sozinhos. Quais fragilidade? Pensemos! A de sentirmos ressentimento por quem nos fez mal, dessa não nos podemos curar sozinhos; distanciar dos outros e isolarmo-nos em nós mesmos; também desta, não nos podemos curar sozinhos; ficarmos tristes, chorando e lamentando sem encontrar a paz, também desta não podemos curar-nos sozinhos. É ele quem nos cura com a sua presença, com o seu pão, com a Eucaristia.

"A Eucaristia é um remédio eficaz contra estes fechamentos. O Pão da Vida, na verdade, cura a rigidez e transforma-a em docilidade. A Eucaristia cura porque nos une a Jesus: nos faz assimilar o seu modo de viver, a sua capacidade de se partir e doar aos seus irmãos e irmãs, de responder ao mal com o bem. Do-nos a a coragem de sair de nós mesmos e de nos inclinarmos com amor para a fragilidade dos outros. Como Deus faz connosco. Esta é a lógica da Eucaristia: recebemos Jesus que nos ama e cura as nossas fragilidades para amar os outros e ajudá-los nas suas fragilidades", disse ainda o Papa.

Segundo Francisco, isto é feito durante a vida toda. O Pontífice recordou um hino rezado na Liturgia das Horas deste domingo. "Quatro versos que resumem toda a vida de Jesus. Eles dizem-nos que quando Jesus nasceu, tornou-se um companheiro de viagem na vida. Depois, na ceia, doou-se como alimento. Depois, na cruz, na sua morte, fez-se um preço: pagou por nós. E agora, reinando no céu é o nosso prémio, o qual procuramos. Que a Virgem Santa, na qual Deus se fez carne, nos ajude a acolher com coração agradecido o dom da Eucaristia e a fazer também da nossa vida um dom. Que a Eucaristia faça de nós um dom para todos", concluiu.

Vatican News

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Homilia na Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo

 
 

Foi com Ele então, é connosco agora, é com Ele sempre! 
 

Celebramos o Corpo e o Sangue de Cristo, corpo entregue e sangue derramado por nós e por todos. Com profunda gratidão, antes de mais. Como acabámos de ouvir, é duma oferta que se trata, total e redentora: «Tomai: isto é o meu corpo» - assim o disse sobre o pão repartido. E a seguir, sobre o cálice de vinho: «Este é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado pela multidão dos homens».
Da antiga aliança, ouvimos antes no Êxodo. Era selada com o sangue de novilhos, sobre o altar e sobre o povo, significando que Deus devolvia a vida que Lhe ofereciam, por entreposta vítima. Na nova aliança é a própria vida de Jesus que, oferecida em favor de todos, nos faz reviver com Ele e para glória de Deus Pai, plena e definitivamente assim.
Mas outra consequência importa tirar. Na verdade, o Corpo eucarístico que recebemos, quando bem o recebemos, transforma-nos no Corpo eclesial de Cristo, para também nós alimentarmos o mundo com o alimento que nos assimila a si.
Não é Cristo que se desfaz em nós, como acontece com o alimento que ingerimos vulgarmente. É Ele que nos refaz em Si, para sermos o seu corpo alargado até onde quer chegar, através daqueles que O recebem. 
Daqui que esta solenidade, sendo de convicta ação de graças a Deus, seja também de enorme responsabilização para nós. Estamos no âmago do mistério eclesial. Parte de Deus, que nos redime e alimenta em Cristo, e dirige-se ao mundo, que Cristo redime e alimenta, fazendo-o através de nós: «Tomai, isto é o meu corpo» é frase sacramental, absolutamente real e salvadora. Mas ressoa nas nossas vidas comungantes, nas quais Cristo também se diz, para corresponder às muitas fomes deste mundo.

 

 
 
 
A comunhão eucarística é, sem dúvida, um momento pessoal de imensa devoção agradecida. Mas requer da nossa parte uma grande comunhão de vida com Cristo, a sua palavra e o seu modo de sentir, pensar e agir. Requer-nos grande consequência espiritual e prática, tanto na vida eclesial como social. Em tudo havemos de ser, também nós, Corpo de Cristo no mundo.
Permito-me recordar uma história antiga e sugestiva. Numa aldeia próxima da minha terra e do mar, um frade itinerante encontrou um grupo de crianças a brincar no adro da igreja. Havia gaivotas e perguntou se as pessoas as comiam. As crianças responderam logo que não, porque as gaivotas sabiam a peixe. Perguntou-lhes então se já tinham feito a Primeira Comunhão. Responderam que sim, e o bom do frade retorquiu: «Então vocês também sabem a Jesus?»
Tão simples como é, o episódio vale também para nós: - “Sabemos” a Jesus, que comungamos? Os outros podem apreciar em nós o sabor evangélico que Cristo dá à vida?
Incorpora-nos Ele em si, ainda mais do que O recebemos nós ao comungá-lo. É assim que o Corpo eucarístico se torna Corpo eclesial de Cristo, para que o Evangelho continue audível e tangível no mundo a que se destina. Aquela magnífica frase, de Jesus a Nicodemos, «Tanto amou Deus o mundo, que lhe deu o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16), também passa de nós para os outros.
A esta luz, foi admirável verificar, especialmente nas fases mais agudas da pandemia, como Cristo atuou através da abnegação de tantos, nas comunidades cristãs e nas várias frentes em que foi preciso combatê-la, porque o seu Espírito é como o vento, que sopra onde quer (cf. Jo 3, 8). E assim acontece diariamente, naquela «santidade de ao pé da porta, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus», como lembra o Papa Francisco na Exortação apostólica Gaudete et Exsultate (nº 7).

Esta prevalência de Cristo em nós exige-nos grande fidelidade ao que Ele mesmo foi e realizou, tal como os Evangelistas o transmitiram e a Tradição viva o guarda e oferece. Quando nos pronunciamos e agimos na vida eclesial ou nas realidades temporais, é sempre essa a referência básica que devemos manter.
Sobre a vida, devemos estar onde Jesus sempre esteve, garantindo-a da primeira à última fronteira, mesmo quando a esperança humana já era pouca ou nenhuma, como perante a filha de Jairo ou o servo do centurião. Em relação às necessidades do próximo, só podemos estar presentes e prestáveis, pois é com a nossa atenção concreta que Jesus conta agora para lhes corresponder também. Sobre o matrimónio, que cria a família como base da sociedade e da própria Igreja enquanto “família de famílias”, lembraremos o que Jesus lembrou, ou seja que «o homem deixará o pai e a mãe e se unirá à sua mulher, e serão os dois um só», acrescentando: «o que Deus uniu não o separe o homem» (Mt 19, 5-6).  
Sobre a Palavra que nos dirigiu e a Tradição eclesial conserva e aprofunda, cumpre-nos mantê-la integralmente, como Paulo exortava a Timóteo: «guarda o depósito da fé, evita as conversas profanas e as contradições da falsa ciência, que alguns professam e desviaram-se da fé» (1 Tm 6, 20). “Depósito” que se perpetua e enriquece com a vida e a reflexão que sempre induz, sem nunca se contradizer a si próprio, antes revelando uma inesgotável riqueza. 
Sobre o modo de celebrar, importa manter a simplicidade com que o próprio Cristo inaugurou o novo culto e nos manda prosseguir, na memória viva da sua Páscoa: «Fazei isto em memória de mim». “Isto”, como na Última Ceia ou os cristãos de Roma o faziam no século II, segundo a narração de São Justino, de modo tão comunitário e fiel às palavras e gestos de Jesus (cf. I Apologia, 67) – e dispensando acrescentos medievais e barrocos, quando mais originam espetáculos com assistentes do que assembleias com participantes.
Em suma, ser Corpo eclesial de Cristo, nasce da comunhão do seu Corpo eucarístico e perpetua a sua presença em nós e através de nós, para a salvação do mundo. Porque Missa há de ser missão. Disto mesmo se trata, em ação de graças e correspondência crescente a tudo o que Ele disse e fez. A epiclese que antecede as palavras da consagração, refere-se primeiro às oferendas do altar. Mas depois continua sobre nós, nestes termos: «Humildemente Vos suplicamos (Senhor) que, participando no Corpo e Sangue de Cristo, sejamos reunidos pelo Espírito Santo, num só corpo» (Oração Eucarística II). Um só corpo, precisamente o Corpo eclesial de Cristo, ecoando o que Ele disse, continuando o que Ele realizou - isso mesmo e não outra coisa, divergente ou contrária.
Sobre o Corpo eclesial que com Ele formamos, na variedade dos carismas e ministérios que o seu Espírito suscita e anima, aceitamos “com reverência e obediência” a autoridade que conferiu a Pedro e aos Doze e permanece nos seus sucessores. Assim manteremos a unidade doutrinal e pastoral da Igreja, para que, também nesta imprescindível aceção, continue a ser “católica e apostólica”.
Tudo com a necessária repercussão social. O Corpo eclesial de Cristo há de projetar-se no corpo social de todos, como a Doutrina Social da Igreja não deixa de insistir sistematicamente, da encíclica Rerum Novarum do Papa Leão XIII (1891) à recente Fratelli Tutti, do Papa Francisco (2020). Trata-se de retomar o que o Evangelho nos traz “daquele tempo”, com as palavras e os gestos de Jesus. Tempo que, no essencial, há de ser o nosso tempo. Por exemplo, sobre os bens e o seu uso, afirmamos que se destinam ao bem de todos, mesmo que particularmente geridos. Somos administradores, com contas a prestar dos talentos recebidos, materiais ou intelectuais que sejam. Sobre as várias realidades temporais, respeitamos como Ele ensina a respeitar a autonomia que têm na respetiva ordem, mas nunca esquecendo que só com Deus se garante absolutamente a dignidade humana.
Sim, celebrar o Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, é agradecer a vida que deu por nós e para nós; é crescer em gratidão e responsabilidade sempre que eucaristicamente O celebramos, comungamos e adoramos. E é também, na coincidência de pensamento, sensibilidade e prática, sermos na Igreja e no mundo Esse mesmo que recebemos e por nós quer chegar a todos. Àquela «multidão dos homens» por quem derramou o seu sangue.

- Foi com Ele então, é connosco agora, é com Ele sempre! 

 

Sé de Lisboa, 3 de junho de 2021

+ Manuel, Cardeal-Patriarca 

Patriarcado de Lisboa

Solenidade de Corpus Christi, a eucaristia: o pão para a vida eterna

 
 A solenidade de Corpus Christi 
 
O Corpus Christi é uma festa celebrada após a Páscoa, Pentecostes e Santíssima Trindade. Vivenciamos a presença de Cristo no pão consagrado para que, assim, fé e vida caminhem juntas para testemunhar ao mundo o seguimento a Jesus Cristo e à Sua Igreja.
 

Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá – PA

A solenidade do Corpus Christi é uma manifestação pública da presença de Jesus na eucaristia, que nos é ofertada por Deus Pai, na pessoa do Seu Filho e no manancial de amor do Espírito Santo como alimento para a nossa vida eterna. É uma celebração que nos une à quinta feira santa, naquela ceia derradeira em que Jesus se entrega em corpo e sangue, passando pela cruz, para a salvação do mundo inteiro.

O Corpus Christi é uma festa celebrada após a Páscoa, Pentecostes e Santíssima Trindade. Vivenciamos a presença de Cristo no pão consagrado para que, assim, fé e vida caminhem juntas para testemunhar ao mundo o seguimento a Jesus Cristo e â Sua Igreja. A eucaristia é uma palavra grega, cujo significado é ação de graças[1], sacramento do pão e vinho consagrados, onde está presente o Senhor Jesus Cristo, que se entrega a todos nós. A eucaristia designa a ceia cristã, a benção consecratória, a própria ação eucarística[2]. A seguir, apresentamos uma visão da doutrina sobre a eucaristia, segundo alguns padres da Igreja, os primeiros escritores cristãos, fundamentada na Sagrada Escritura.

A eucaristia na celebração dominical

A Didaqué, documento doutrinário dos doze apóstolos, instruiu a tradição posterior como era celebrada a eucaristia na comunidade eclesial. No dia do Senhor, o domingo, as pessoas reuniam-se para partir o pão e agradecer a Deus após confessarem os seus pecados. A reconciliação com o próximo estava presente na comunidade para a recepção da eucaristia[3].

Remédio de imortalidade

Santo Inácio, bispo de Antioquia, do século I, afirmava que a eucaristia deveria ser celebrada pelo bispo e em unidade com o presbitério, na qual haveria a partilha do mesmo pão, que é remédio de imortalidade, antídoto para não morrer, mas para viver em Jesus Cristo para sempre[4]. Ele pedia aos fiéis para considerar como legítima a eucaristia presidida pelo bispo e, onde ele aparecia, estaria presente Jesus Cristo e a Sua Igreja[5].

A eucaristia celebrada no domingo

São Justino de Roma, padre dos séculos I e II, afirmou que a eucaristia do pão e do vinho consagrados é celebrada pelos cristãos em todo o lugar da terra[6]. Os cristãos aprenderam a celebrar a partilha do pão e do vinho como recordação da Paixão em que o Filho de Deus sofreu por eles[7].

São Justino destacou a importância da eucaristia para os fiéis que eram preparados para os sacramentos da iniciação cristã. A pessoa era conduzida ao lugar em que os fiéis estavam reunidos para elevar orações por si mesmas e por toda a humanidade. Aquele que presidia a reunião oferecia pão e uma vasilha com água e vinho aos irmãos presentes, no tempo em que louvava e glorificava o Pai do universo através do nome do Seu Filho e do Espírito Santo, e pronunciava uma longa ação de graças por ter-nos concedido esses dons que Dele provêm. O povo dizia amém, cujo significado é assim seja. As pessoas tomavam as espécies consagradas e os diáconos levavam-nas aos ausentes[8]. São Justino tinha presente também à teologia da eucaristia, na qual os cristãos não tomavam pão e vinho de uma forma ordinária, mas como carne e sangue de Jesus encarnado, Nosso Salvador, feito carne por força do Verbo de Deus[9]. Tudo isto era oferecido no dia do sol para os pagãos, mas, para os cristãos, era no domingo, com uma reunião de todos os que moravam nas cidades ou nos campos[10].

A eucaristia, pão para a vida eterna

Santo Irineu de Lião, bispo dos séculos II e III, rebatia os gnósticos por não valorizarem a eucaristia como pão para a vida eterna. O bispo chamou de estultos os que rejeitavam toda a economia de Deus, negando a salvação da carne e declarando que esta seria incapaz de receber a incorruptibilidade. Segundo Irineu, se não é possível que a carne seja salva, então o Senhor não teria salvado o gênero humano com a Sua carne e o Seu sangue, nem o cálice eucarístico é comunhão do Seu sangue e nem o pão que é partido é a comunhão com o  Seu corpo. O bispo de Lyon afirmou contra os gnósticos que o pão e o vinho consumidos pelos fiéis, recebendo a palavra de Deus, tornam-se eucaristia, isto é, o corpo e o sangue de Cristo, de modo que os nossos corpos alimentados pela eucaristia, depois de serem decompostos na terra, ressuscitarão no seu tempo, quando o Verbo de Deus os fará ressuscitar para a glória de Deus Pai, dando-lhes a imortalidade ao que é mortal e a incorruptibilidade ao que é corruptível, pois o poder de Deus manifesta-se na fraqueza[11].

A comunidade ouvia a Sagrada Escritura e tinha a eucaristia

Tertuliano, padre dos séculos II e III, discorreu que a comunidade encontrava-se para lerem juntos e comentarem as Escrituras Sagradas, para que estas fossem motivo de admoestação no presente e no futuro, auxiliando-os a interpretar o passado. Com aquelas santas palavras, eles alimentavam a fé, levando bem alto a esperança, aprofundando a confiança e, ao mesmo tempo, tornavam mais sólida a disciplina e a caridade entre eles. Havia uma caixa comum onde as pessoas depositavam as suas ofertas para os pobres e, seguidamente, ocorria a refeição, o banquete digno, pois louvavam a Deus. A comunidade não se sentava à mesa antes de ter feito uma oração a Deus[12]. Tudo era feito pela eucaristia, pão para a vida eterna.

A eucaristia com o seu significado espiritual

Orígenes, padre dos séculos II e III, enfatizou o significado espiritual da carne e do sangue de Cristo. Ao interpretar a passagem de João 6,54, “quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”, o padre explica que toda a carne do Senhor é alimento, bem como o sangue é bebida. Toda a Sua obra é santa e toda a Sua palavra é verdadeira, de modo que a Sua carne é verdadeiro alimento e o Seu sangue é verdadeira bebida[13]. O ser humano fica saciado com este alimento de vida eterna.

O alimento eucarístico para o corpo e para o espírito

São Gregório de Nissa, bispo do século IV, afirmou a importância do pão consagrado como alimento para o corpo e para o espírito. Muitos são os alimentos na natureza e eles têm as suas finalidades para a vida. O ser humano tem, entre outros alimentos, o pão. Para saciar a sede, existe a água e esta, quando misturada com o vinho, serve para ajudar ou manter o equilíbrio térmico do corpo. Aqueles elementos, uma vez transformados pela graça do Senhor, tornam-se sangue e corpo de Cristo dentro da pessoa humana. Desta forma, o corpo do Senhor vivifica a natureza humana para as pessoas que têm fé, distribuído a todos, sem Ele mesmo será diminuído[14].

A recepção das espécies consagradas

São Cirilo de Jerusalém, bispo no século IV, exaltava diante dos fiéis a importância de receber o Senhor nas espécies do pão e do vinho consagrados. Ele exortava a ter fé nesta presença importante, dizendo que os participantes não eram convidados a receber pão e vinho ordinários, mas sim o corpo e o sangue do Cristo escondidos no símbolo[15].

A solenidade de Corpus Christi enfatiza a importância do sacramento da eucaristia nas nossas vidas. É a presença de Jesus nas espécies do pão e do vinho consagrados, que devem ser amados e adorados. É uma festa especial para todos os cristãos. Somos chamados a viver a eucaristia para que, nas nossas vidas, sejamos pessoas acolhedoras na família, na comunidade e na sociedade. Neste tempo de pandemia, sejamos solidários com todos os sofredores desta e de outras doenças, com os povos indígenas, os povos do campo e da cidade, mulheres e homens; e sejamos missionárias e missionários, levando a Boa Nova do Reino de Deus para toda a sociedade. Cristo Jesus, presente na eucaristia, deseja que testemunhemos a Sua presença junto do povo de Deus.

[1] Cfr. Eucaristia. In: Il vocabolario treccani, Il Conciso. Milano, Trento, 1998, pg. 558.

[2] Cfr. Eucaristia. In: Dicionário Patrístico e de Antigüidades cristãs. Vozes, Paulus, Petrópolis, RJ, 2002, pg. 527.

[3] Cfr. Didaqué, 14,1-2. In: Os Padres Apostólicos, Paulus, SP, 1995, pg. 357.

[4] Cfr. Inácio aos Efésios, 20, 2. In: Idem, pg. 89.

[5] Cfr. Inácio aos Esmirniotas, 8,1-2. In: Idem, pg. 118.

[6] Cfr. Diálogo com Trifão, 117. In: Justino de Roma, Paulus, SP, 1995, pg. 287.

[7] Cfr. Idem, pg. 288.

[8] Cfr. I Apologia, 65, 1-5. Idem, pgs. 81-82.

[9] Cfr. Idem, 66, 1-2, pg. 82.

[10] Cfr. Idem, 67, 3, pg. 83.

[11] Cfr. Ireneu de Lião, V, 2, 2-3. Paulus, SP. 1995, pgs. 522-523.

[12] Cfr. Tertulliano, Apologia del Cristianesimo, XXXIX, 1- 17. Introduzione e note di Claudio Moreschini, traduzione di Luigi Rusca, Biblioteca Universale Rizzoli, Milano, 1996, pgs. 253-261.

[13] Cfr. Origene, Omelie sul Levitico, 7, 5. In: In: La teologia dei padri, v. 4. Città Nuova Editrice, Roma, 1982, pg. 169.

[14] Cfr. A grande catequese, XXXVII, 7-8. In: Gregório de Nissa. Paulus, SP, 2011, pgs. 376-377.

[15] Cfr. Cirillo di Gerusalemme, Catechesi mistagogica, 5,2-11.19-23. In: In: La teologia dei padri, v. 4, pg. 162-164.

Vatican News

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Francisco: a oração de Jesus por todos nós não cessa

 
 O Papa Francisco na Audiência Geral desta quarta feira 
 
 
"Temos de nos lembrar sempre de que Jesus reza por nós, está a rezar agora diante do Pai e mostra-lhe as chagas a fim de que o Pai veja o preço da nossa salvação", disse o Papa na Audiência Geral.
 

Mariangela Jaguraba - Vatican News

"Jesus, modelo e alma de cada oração" foi o tema da catequese do Papa Francisco na Audiência Geral, desta quarta-feira (02/06), realizada no Pátio São Dâmaso, no Vaticano.

O Pontífice disse que "os Evangelhos mostram-nçs como a oração era fundamental na relação de Jesus com os seus discípulos. Isto já é evidente na escolha daqueles que mais tarde iriam ser os Apóstolos. Lucas coloca a eleição deles num exato contexto de oração: «Naqueles dias, Jesus retirou-se para uma montanha para rezar, e passou ali toda a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou os seus discípulos e escolheu doze entre eles aos quais chamou apóstolos». "Jesus escolhe os apóstolos depois de uma noite de oração", frisou o Papa.

Jesus reza pelos seus amigos

A oração a favor dos seus amigos reapresenta-se continuamente na vida de Jesus. Os Apóstolos por vezes tornam-se um motivo de preocupação para ele, mas Jesus, como os recebeu do Pai, depois da oração, leva-os no seu coração, até com os seus erros, inclusive as suas quedas. Em tudo isto descobrimos como Jesus foi mestre e amigo, sempre pronto a esperar pacientemente a conversão do discípulo. O ponto mais alto desta espera paciente é a “teia” de amor que Jesus tece em redor de Pedro.

Na Última Ceia ele diz-lhe: «Simão, Simão! Olha que Satanás pediu permissão para peneirar-vos como trigo. Eu, porém, rezei por ti, para que a tua fé não desfaleça. E quando tiveres voltado para mim, fortaleças os teus irmãos.» Segundo o Papa, "impressiona, no tempo da tentação, saber que naquele momento o amor de Jesus não cessa". 'Padre, se estou em pecado mortal, há o amor de Jesus? Sim. Jesus continua a  rezar por mim? Sim. Se eu fiz muitas coisas más e muitos pecados, Jesus continua? Sim'. O amor de Jesus, a oração de Jesus por todos nós não cessa, mas torna-se mais intensa. Estamos no centro da sua oração! Temos de nos lembrar sempre de que Jesus reza por nós, está a rezar agora diante do Pai e mostra-lhe as chagas a fim de que o Pai veja o preço da nossa salvação. É o amor que nos mantém. Que cada um de nós pense: neste momento, Jesus está a rezar por mim? Sim. Esta é uma segurança grande que temos de ter". A seguir, o Papa acrescentou:

Os grandes pontos de mudança da missão de Jesus são sempre precedidos por uma oração, não de maneira superficial, mas da oração intensa e prolongada. Esta verificação da fé parece ser um objetivo, mas em vez disso é um ponto de partida renovado para os discípulos, pois, a partir daí, é como se Jesus assumisse um novo tom na sua missão, falando-lhes abertamente da sua paixão, morte e ressurreição.

Rezar intensamente quando o caminho se torna íngreme

Segundo Francisco, "nesta perspectiva, que instintivamente suscita repulsão, tanto nos discípulos como em nós que lemos o Evangelho, a oração é a única fonte de luz e força. É necessário rezar mais intensamente, cada vez que o caminho se torna íngreme". "Jesus não só quer que rezemos enquanto Ele reza, mas assegura-nos que mesmo que as nossas tentativas de oração fossem completamente vãs e ineficazes, podemos sempre contar com a Sua oração. Devemos estar conscientes de que Jesus reza por nós", sublinhou.

A seguir, o Papa contou que uma vez, um bom bispo, num momento muito mau da sua vida e de grande provação, olhou para cima na Basílica e viu escrito a frase: "Pedro, eu rezarei por ti". "Isto deu-lhe força e conforto", sublinhou Francisco. Quanto houver uma dificuldade, lembre-se de que Jesus reza por ti. "Mas padre, isto é verdade? É verdade! Ele mesmo o disse", frisou o Papa. "Não nos esqueçamos de que o que sustenta cada um de nós na vida é a oração de Jesus por cada um de nós, diante do Pai, mostrando-lhe as feridas que são o preço da nossa salvação."

"Mesmo que as nossas orações fossem apenas balbucies, se estivessem comprometidas por uma fé vacilante, nunca devemos deixar de confiar n’Ele. Sustentadas pela oração de Jesus, as nossas tímidas preces apoiam-se nas asas da águia e elevam-se ao Céu", concluiu Francisco.

Vatican News

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Fim do Google Fotos e impacto neste blogue

 

 

Foi em novembro de 2020 que a Google anunciou o fim do armazenamento ilimitado e gratuito para o Google Fotos. Com uma ligeira redução na qualidade das imagens.

Os clientes Google tinham neste serviço um espaço para guardar fotografias e vídeos sem que “ocupassem espaço” dos 15 GB gratuitos.

Será então a partir de amanhã, dia 1 de junho de 2021 que as imagens guardadas no Fotos passarão a ocupar espaço, inviabilizando a sua utilização como espaço de backup.

O Google Fotos foi até hoje o melhor serviço de armazenamento e gestão de fotos e vídeos que existia no mercado. Uma das grandes vantagens, para os clientes que não pagavam pelo serviço Google One, foi o armazenamento gratuito e ilimitado deste conteúdo multimédia, ainda que a qualidade fosse ligeiramente reduzida.

Infelizmente, esta vantagem apenas estará disponível até hoje (31.06.2021), inclusive. Amanhã, dia 1 de junho, todas as imagens carregadas para a cloud terão o seu espaço contabilizado, somando para os apenas 15 GB disponíveis para os serviços Google. Este espaço gratuito é variável, mas a generalidade dos utilizadores deverá ter apenas os 15 GB.

E o que acontece a partir de amanhã aos conteúdos do Google Fotos

Para quem se dedicou nos últimos anos a registar imagens e gravações no Google Fotos, não há nada com que se deva preocupar. As imagens serão mantidas nas mesmas condições em que estiveram até ao momento.

No entanto, todas as que forem carregadas posteriormente, passam a ocupar o seu espaço.

Na declaração da Google, pode ler-se:

As fotos e os vídeos com cópias de segurança em alta qualidade feitas antes de 1 de junho de 2021 não serão contabilizados no armazenamento gratuito de 15 GB da sua Conta Google.

Apoio informativo: pplware

 

 

Trata-se de uma mudança drástica no Google Fotos que obviamente terá impacto relativamente à continuidade ou não deste blogue!